Herbicida sistêmico: Como esse produto funciona, suas diferenças e como fazer a melhor aplicação desses herbicidas na sua propriedade.

O controle químico das plantas daninhas na lavoura é feito por meio dos herbicidas. 

Mas tem muito conhecimento por trás disso para que esse controle seja efetivo.

Os herbicidas sistêmicos, por exemplo, podem ser aplicados com gotas mais grossas, evitando a deriva e garantindo sua função.

Esse tipo de herbicida tem muitas outras particularidades, e conhecê-las fará diferença no seu manejo e, até mesmo, no seu bolso. Confira:

O que é um herbicida sistêmico?

Os herbicidas podem ser classificados de acordo com a sua translocação na planta. Assim, podem ser de contato ou sistêmicos.

Os herbicidas de contato atuam próximo ou no local onde são absorvidos nas plantas.

Alguns exemplos de herbicidas de contato são: diquat, paraquat e lactofen.

Já um herbicida sistêmico é aquele que se movimenta, se transloca no interior da planta, pelo xilema ou floema, ou por ambos.

herbicida sistêmico

Funcionamento dos herbicidas de contato, à esquerda, e os herbicidas sistêmicos, à direita
(Fonte: ISCC)

Alguns exemplos de herbicidas sistêmicos são: 

  • 2,4-D;
  • Glifosato;
  • Imazethapyr
  • Flazasulfuron
  • Nicosulfuron;
  • Picloram.  

Agora que vimos algumas classificações dos herbicidas, vamos ver as diferenças na hora da aplicação.

Como aplicar herbicida sistêmico?

Você deve estar se perguntando: existe diferença em aplicar um herbicida de contato e um herbicida sistêmico?

A resposta é sim!

herbicida sistêmico

(Fonte: Pasto Extraordinário)

Os herbicidas de contato geralmente são aplicados em pós-emergência das plantas daninhas, pois não possuem ação no solo.

Eu falo geralmente porque alguns herbicidas são classificados de contato, mas possuem uma pequena translocação na planta. É o caso de herbicidas Inibidores da PROTOX, nos quais alguns têm ação no solo, como o sulfentrazone.

Como dito, os herbicidas de contato vão precisar de uma boa cobertura, pois agem próximo ao local que são absorvidos.

Assim, herbicidas de contato vão precisar de mais gotas na superfície foliar.

Para aumentar o número de gotas, estas precisam ser mais finas ou menores. 

herbicida sistêmico

(Fonte: Pasto Extraordinário)

Como vimos, o herbicida sistêmico transloca no interior da planta até atingir o local de ação.

Este produto geralmente é absorvido pelas folhas e raízes e transloca para os locais de ação na planta.

Assim, o herbicida sistêmico não precisa de cobertura total da superfície foliar, o que possibilita o uso de gotas maiores.

Entretanto, é necessário um tempo após a aplicação para que estes produtos sejam absorvidos pelas ervas daninhas.

Para entendermos melhor, vamos ver como estes produtos translocam na planta. Para facilitar o entendimento separei 3 grupos:

  • Herbicidas aplicados ao solo: absorvidos pelas raízes, translocado pelo xilema até as folhas;
  • Herbicidas aplicados às folhas: translocam das folhas para regiões de crescimento por meio do floema;
  • Herbicidas aplicados às folhas (contato): não são translocados, agem no local ou próximo a ele.

Herbicidas aplicados ao solo, como inibidores de crescimento, precisam percorrer pequena distância até alcançar o local de ação.

Estes movimentos do herbicida pode ser feito via apoplasto, simplasto ou ambos (apossimplástica).

herbicida sistêmico

(Fonte: Oliveira Jr. e Bacarin (2011))

E quando a distância que o herbicida tem que percorrer dentro da planta é longa?

Neste caso, os herbicidas, após serem absorvidos e passarem pela cutículas da folha, precisam chegar ao xilema e floema.

Quando o produto é translocado das raízes para a parte aérea, este processo é feito por meio do xilema. 

O fluxo no xilema ocorre devido a diferenças nas pressões hidrostáticas, movendo-se sempre para regiões de menor potencial de água, que são causadas pela transpiração da planta.

Parece complicado não é mesmo? Mas vamos ligar essa informação com outra que sempre vemos nas bulas dos herbicidas.

Alguns produtos vem com esta informação na bula: não aplicar quando as plantas estiverem em condições de estresse.

Pense agora em uma planta daninha sobre condições de estresse hídrico. Essa planta estará com os estômatos parcialmente fechados e com a transpiração reduzida. Logo, o fluxo de água no xilema também estará e a absorção e translocação do herbicida serão menores.

Alguns exemplos de herbicidas que se movem pelo xilema são: atrazina, diuron, propanil e metribuzin.

herbicida sistêmico

(Fonte: Oliveira Jr. e Bacarin (2011))

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Translocação dos herbicidas via floema

A translocação via floema é muito importante para herbicidas aplicados nas folhas e que precisam chegar às raízes, rizomas e tubérculos. Ou seja, importante para os herbicidas sistêmicos.

Portanto, são muito importantes no controle de plantas daninhas perenes ou com órgãos de propagação vegetativa.

Os herbicidas Inibidores da ALS, ACCase, EPSPs e Mimetizadores de Auxinas, são exemplos de herbicidas translocados via floema.

Alguns exemplos de herbicidas que se movem pelo xilema e floema são: picloram, 2,4-D, glifosato e imazaquin.

A tabela abaixo mostra classificações de alguns herbicidas de acordo com a sua translocação nas plantas. Veja:

herbicida sistêmico

Conclusão

Neste texto vimos que os herbicidas podem ser classificados em sistêmicos ou de contato.

Vimos também a diferença na hora da aplicação entre eles e como são translocados dentro das plantas.

Mostramos ainda algumas dicas importantes na hora da aplicação destes produtos.

>>Leia mais:

Entenda como fazer o manejo do Amaranthus hybridus (caruru)

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