Fertilizantes para plantas: Como tirar o máximo proveito para melhorar a produtividade da lavoura e economizar dinheiro

Quando você olha para uma planta e pensa em toda a matéria que a compõe, percebe que tudo veio de três lugares: ar, água e solo.

O solo é um sistema biológico de nutrientes e matéria viva, do qual as plantas dependem para sobreviver. 

O manejo de solo, incluindo os fertilizantes, interfere na nutrição de plantas e influencia diretamente na sua produtividade.

Mas é bem fácil se sentir perdido nas recomendações de adubação ou cair no conto do fertilizante milagroso. Por isso, separei as principais dicas para tirar o máximo proveito dos seus fertilizantes:

Entenda mais sobre os fertilizantes para plantas

O fertilizante é simplesmente um material adicionado aos solos ou com aplicação direta nos tecidos vegetais que contém nutrientes essenciais para o crescimento e saúde da planta. 

Geralmente, isso significa que adicionamos Fósforo (P), Nitrogênio (N) e Potássio (K), os 3 nutrientes mais exigidos pelas plantas. 

Esses elementos básicos geralmente estão na forma de compostos químicos que podem ser convertidos pela planta para acessar os elementos necessários. 

Por exemplo, as plantas requerem nitrogênio, mas usam esse nutriente na forma de compostos maiores, como amônia (NH4) ou nitrato (NO3-). 

Os solos contêm naturalmente esses compostos químicos necessários, mas muitas vezes há uma relação desequilibrada. 

Além de que, com a colheita dos grãos, folhas e o que mais for de interesse econômico, retiramos de forma indireta os nutrientes do solo, já que eles foram utilizados para compor esses materiais.

Os fertilizantes são insumos que usamos para repor as quantidades e equilibrar as proporções destes compostos químicos essenciais.

Como começar a tirar o máximo proveito dos fertilizantes para plantas

O rendimento das culturas depende de muitos fatores, como propriedades do solo; irrigação; genética; clima; práticas culturais; controle de pragas e doenças e, claro, a aplicação de fertilizantes.

Pesquisas mostram que os fertilizantes respondem por 30% a 70% do rendimento. Essa contribuição significativa explica por que muitos agricultores acreditam que, se aplicarem mais fertilizantes, obteriam maiores rendimentos.

No entanto, este não é o caso. A relação entre as taxas de aplicação de fertilizantes e o rendimento potencial é esquematicamente descrita na seguinte curva:

fertilizantes para plantas

Resposta das culturas à aplicação de fertilizantes: a partir de uma determinada taxa de aplicação vemos sintomas do chamado “consumo de luxo”, quando é consumido o nutriente mas não traduzido na produção (faixa C). Após isso, temos toxidez da planta por excesso do nutriente (faixa D), com redução da produção.

(Fonte: Smart Fertilizer)

Vamos para uma explicação mais detalhada da figura acima. Quando nenhum fertilizante é aplicado, o rendimento é mínimo. Inicialmente, o rendimento aumenta à medida em que a taxa de aplicação do fertilizante aumenta (A), então o rendimento atinge um máximo (B).

Deste ponto em diante, qualquer adição de fertilizante extra não aumenta o rendimento (C). Quando as taxas de aplicação de fertilizantes são muito altas, ocorrem danos por salinidade e toxicidades específicas de nutrientes, ocorrendo declínio do rendimento (D).

Por isso, adubar mais não é sinônimo de maior produtividade.

Uso de fertilizantes para plantas: Garanta o ganho de dinheiro e não só de produção

A mesma cultura exigirá diferentes taxas de aplicação de fertilizantes em diferentes locais e tempos diferentes.

Por exemplo, o rendimento máximo potencial pode mudar de ano para ano devido às condições climáticas.

Portanto, para obter o melhor resultado, você deve ser capaz de planejar um programa de fertilizantes específico para sua área. 

Mas fazer isso usando uma recomendação geral de fertilizantes não é mais do que um palpite. 

A melhor abordagem seria usar análise de solo (como já explicamos em outros artigos aqui no Lavoura10) para ajustar o programa de fertilizante de acordo com as condições específicas da sua fazenda.

A curva de resposta ao rendimento que apresentamos ali em cima mostra como as taxas de aplicação de fertilizantes afetam o rendimento da safra.

Mas, na verdade, não é apenas a taxa total de aplicação de fertilizantes que afeta o rendimento da cultura. A taxa de aplicação específica de cada nutriente individualmente também interfere.

Portanto, uma curva de resposta individual pode ser desenhada para cada nutriente.


De acordo com a Lei do Mínimo de Leibig, o rendimento da colheita é determinado pelo fator mais limitante no campo.

Isto implica que, se apenas um nutriente é deficiente, o rendimento será limitado, mesmo se todos os outros nutrientes estiverem disponíveis em quantidades adequadas.

Por isso, as análises de solo são tão importantes no seu programa de adubação.

Mas não se esqueça que temos que traduzir tudo isso em números

Traduza a utilização de fertilizantes para plantas em ganho de dinheiro

Para ser lucrativo, é muito importante que você defina uma meta de rendimento que seja realista e viável. 

Outro fator de lucratividade é você usar as ferramentas e práticas corretas para atingir essa meta. Saiba também qual é o seu rendimento econômico ideal.

Você pode determinar o rendimento econômico ótimo calculando a diferença entre os custos dos fertilizantes e os retornos obtidos com o rendimento.

O aumento das taxas de aplicação de fertilizantes para obter mais produção pode até resultar em perda. As taxas de aplicação de fertilizantes para o rendimento econômico ótimo são as taxas que resultam no lucro máximo.

Desafios dos fertilizantes para plantas hoje e para os próximos anos

Albin Hubscher, presidente e CEO do International Fertilizer Development Center, concedeu uma entrevista muito interessante sobre esse tema, a qual vou trazer as principais ideias aqui.

Com a população global crescendo rapidamente, devemos dobrar ou triplicar nossa produção de alimentos nas próximas duas décadas para evitar uma crise mundial de alimentos. 

E devemos fazê-lo em face de eventos climáticos extremos, desmatamento contínuo, desertificação rápida e poluição generalizada. 

Enfrentar este desafio exigirá uma inovação tecnológica determinada e novas pesquisas sobre soluções antigas, “testadas e comprovadas”. 

Embora admitam que estão longe de serem “novos”, os fertilizantes são uma contribuição necessária para fechar a lacuna de rendimento dos agricultores e produzir mais alimentos em todo o mundo.

Mas não é suficiente aplicar os mesmos tipos de fertilizantes no mesmo solo usando as mesmas práticas. 

Devemos continuar a praticar o uso responsável e criterioso de fertilizantes, sendo específico ao local e à cultura, e sempre pensando na metodologia 4R.

E continuando a educação adequada e recomendações informadas sobre as melhores práticas para pequenos agricultores.

Por isso, precisamos melhorar a fertilidade do solo e a tecnologia de nutrição de plantas, desde testes de laboratório até testes de produção de plantas no campo.

Lembre-se que as culturas, como os seres humanos, precisam de uma gama completa de nutrientes para um crescimento saudável. 

Assim, plantar em solo saudável, cheio de nutrientes, é fundamental para produzir quantidades maiores de alimentos saudáveis.

Metodologia 4R: A metodologia global para melhor uso de fertilizantes

A metodologia 4R é usada em todo o mundo para a utilização melhor dos fertilizantes, inclusive como forma de preservação do solo e do ambiente como todo.

Os “Rs” são provenientes dos nomes em inglês: Right source, Right rate, Right time, Right place. Traduzindo: Fonte certa, Tempo certo, Taxa certa e Lugar certo. Por isso, em 

algumas literaturas brasileiras pode ser conhecido como os 4Cs.


fertilizantes para plantas

(Fonte: Crop Nutrition)

Embora as práticas científicas que regem os 4R sejam universais, a implementação prática é específica do local.

Portanto, não há um plano de gerenciamento comum ou um conjunto de práticas que funcionem para todos em todos os locais.

Abaixo vamos apresentar os 4R:

1- Fonte certa

Garantir um fornecimento equilibrado de nutrientes essenciais, considerando tanto as fontes disponíveis naturalmente quanto às características de produtos específicos em formas disponíveis para plantas. 

Especificamente, considere o suprimento de nutrientes nas formas disponíveis para as plantas. Assegure-se de que os nutrientes se ajustem às propriedades do solo e reconheça as sinergias entre os elementos.

2- Taxa certa

Avaliar e tomar decisões com base no suprimento de nutrientes do solo e na demanda de plantas. 

Assim, avalie adequadamente o suprimento de nutrientes do solo (inclusive de fontes orgânicas e os níveis de solo existentes); avalie a demanda de plantas e preveja a eficiência do uso de fertilizantes.

Veja mais sobre as taxas certas no artigo “Manual rápido de como fazer a adubação de soja

fertilizantes para plantas

Marcha de absorção de macronutrientes para soja. É importante saber a marcha de absorção de cada nutriente para cada cultura para entender a taxa e o tempo certo de aplicação.

(Fonte: Embrapa)

3- Tempo certo

Avaliar e tomar decisões com base na dinâmica de absorção das culturas, fornecimento de solo, riscos de perda de nutrientes e logística de operação de campo. 

Conheça o tempo de absorção das culturas; avalie a dinâmica da oferta de nutrientes do solo; reconheça os fatores climáticos; e considere a logística.

Confira aqui as “5 dicas no planejamento agrícola para otimizar o uso de fertilizantes”.

4- Lugar certo

Abordar a dinâmica raiz-solo e o movimento de nutrientes, gerenciar a variabilidade espacial dentro do campo para atender às necessidades de culturas específicas do local e limitar as perdas potenciais do campo. 

Dessa maneira, reconheça a dinâmica da raiz/solo, gerenciando problemas de variabilidade espacial e considerando o sistema de plantio direto para limitar o potencial de transporte desses nutrientes para fora da área (erosão, lixiviação, etc.).

Nesse sentido, entenda que o lugar certo é também preparar seu solo para receber os fertilizantes. E não estou aqui falando do preparo convencional de solo, mas sim de práticas como plantio direto e adubação verde.

Essas práticas fazem com que seu solo tenha melhor estrutura e possa fornecer mais nutrientes a sua cultura.

Falamos mais sobre esse tema no artigo “Adubação verde e cultura de cobertura. Como fazer?”. Confira!

Conclusão

O crescimento das plantas depende de nutrientes e micronutrientes como nitrogênio, fósforo, potássio, ferro, manganês, entre outros.

E os solos contêm os compostos que as plantas precisam, mas é preciso repô-los e equilibrar as proporções. Para isso, os fertilizantes devem ser aplicados.

Neste artigo, vimos como começar a tirar o máximo proveito dos fertilizantes na lavoura, considerando que mais produto não é sinônimo de mais produtividade.

Para obter o melhor resultado, é preciso planejar um programa de fertilizantes específico para sua área! Lembre-se: não existe produto milagroso!

Espero que com todas essas informações você consiga garantir ganhos não só em produção, mas também com economia de dinheiro!

>> Leia mais: “Fertilizantes NPK: Como obter alta eficiência das fórmulas comerciais

>> Leia mais: “Fertilizantes orgânicos e seu uso na agricultura de larga escala

Como você se planeja para aplicar fertilizantes para plantas? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário!