Melhor adubo: confira sobre as classificações, diferenças entre adubo mineral e orgânico, vantagens dos fertilizantes líquidos e mais. 

O Brasil utiliza cerca de 30 milhões de toneladas de fertilizantes na agricultura todos os anos e, aproximadamente, 75% dessa quantia é importada.

Assim, a variação mundial nos preços dos fertilizantes afeta imensamente produtores nacionais.

São adubos orgânicos, minerais, de liberação controlada, foliares, formulados e por aí vai. Mas como escolher o melhor para a lavoura? E qual o modo de aplicação mais eficiente para cada tipo de fertilizante? 

Os novos fertilizantes, lançados a cada ano, trazem ainda mais dúvidas na hora de gerir a propriedade, pois afinal, o que todas essas novidades têm de diferente e o que podem trazer de vantagens e rentabilidade? 

Bem, para saber o melhor momento de investir em um novo adubo e não jogar dinheiro fora, precisa-se conhecer melhor a dinâmica dos nutrientes no ambiente de produção.

Então, me acompanhe neste texto para ajudar na escolha do seu melhor adubo e saiba mais sobre o mundo dos fertilizantes.

Classificação dos Adubos 

Segundo a legislação brasileira, os fertilizantes podem podem ser classificados em três tipos.

O primeiro são os mais utilizados na agricultura de larga escala: os fertilizantes minerais ou sintéticos. Esses adubos são concentrados e de rápida assimilação pelas plantas.

Temos também os adubos orgânicos, de origem animal ou vegetal (ou ambos), com concentrações menores de nutrientes, sendo que muitas vezes não estarão rapidamente disponíveis para as plantas. Esses adubos têm como principal função “alimentar o solo” para promover o aumento da matéria orgânica.

E o terceiro tipo são os adubos organominerais que são compostos por uma mistura de fertilizantes orgânicos e minerais, sendo que na maioria dos casos apresentam maiores quantidades de adubos orgânicos e baixas quantidades de adubos minerais ou sintéticos. 

melhor adubo

(Fonte: Emanuel Malai)

Além disso, os adubos também se diferenciam pela sua constituição, podendo ser simples (composto que fornecerá um ou mais nutrientes) ou mistura (mistura de dois ou mais fertilizantes simples).

O fertilizante misturado pode ser classificado em simples – fertilizante misto em que cada nutriente principal está contido em grãos separados – ou complexo – que contém todos os nutrientes de sua fórmula no mesmo grão.

Mas os adubos também podem ser classificados pelo estado físico: 

  • Pó: fertilizantes simples ou misto, sendo moídos na forma de pó;
  • Farelado: com grânulos desuniformes;
  • Granulado: é o fertilizante na forma de grânulos;
  • Líquido: tipo de fertilizante na forma líquida.

Certo, vimos que existem diversas classificações de fertilizantes, mas qual a diferença no uso de cada um deles? O que muda na prática? Veremos a seguir!

Melhor Adubo: Mineral ou Orgânico?

Bom, já falei um pouco sobre isso, mas vamos entender um melhor sobre a grande diferença entre os adubos minerais e orgânicos. 

Os fertilizantes minerais e sintéticos (por exemplo, o nitrogênio) possuem composição química e são utilizados para disponibilizar prontamente os nutrientes para as plantas, mas pouco ou nada influenciam o sistema a longo prazo.

Outro ponto é a concentração alta desses adubos que facilitam a logística e a aplicação, principalmente em áreas extensas de cultivo como feijão, arroz, soja, milho, algodão, trigo, etc.  

Já os adubos orgânicos apresentam menores concentrações de nutrientes e, consequentemente, necessitam de grandes volumes de aplicação, o que dificulta a logística em áreas de grandes culturas. 

Por outro lado, os adubos orgânicos influenciam na fertilidade do solo a longo prazo, aumentando a matéria orgânica e, assim, o potencial do solo em reter os nutrientes minerais e sintéticos (CTC do solo).

Mas em contrapartida, outro ponto negativo é que as maiores perdas de nitrogênio ocorrem por conta desses adubos, tanto por volatilização quanto por lixiviação. 

melhor adubo

Para combater esse problema é aconselhado a mistura de pequenas doses de fósforo que ajudam a fixar o nitrogênio no fertilizante natural, diminuindo a perda e incrementando o adubo.

Tamanho da Partícula 

O modo como a mistura de adubos é feito também é outro fator que influencia muito na aplicação. 

Fertilizantes em misturas simples segregam com facilidade, devido aos diferentes tamanhos e peso dos grânulos, e essa segregação tende a tornar a aplicação desuniforme.

Esse problema pode ser resolvido com misturas complexas de fertilizantes. Como cada grânulo contém todos os compostos químicos, dessa forma eles se distribuem de maneira mais uniforme na lavoura durante a aplicação. 

Já a forma física dos adubos influencia no tempo de reação deles, assim como no calcário, por exemplo. Quanto menor a partícula, menor o tempo para esse fertilizante reagir no solo e liberar nutrientes.

Mas isso não quer dizer que partículas menores sempre são melhores. 

Fertilizantes mais propensos a sofrerem lixiviação no perfil do solo ou por escorrimento superficial da água podem ter sua eficiência diminuída quando aplicados em partículas menores e passarem por chuvas torrenciais. 

Outro exemplo é o do fósforo (P), que apresenta adubos com diferentes solubilidades em água. Os mais solúveis podem ser adsorvidos ao solo e/ou lixiviados mais facilmente quando aplicados em formas de partículas menores.

Desse modo, as fontes de P mais solúveis são recomendadas para aplicações no sulco de plantio na forma de grânulos, aumentando a eficiência do fertilizante.

Por outro lado, as fontes menos solúveis de fósforo apresentam reação mais lenta no solo, dessa forma a aplicação de partículas menores agiliza esse processo e é mais aconselhável nas adubações em área total (fosfatagem).

Melhor adubo: líquidos

Nos últimos anos, houve um aumento no surgimento e comercialização dos fertilizantes líquidos, principalmente dos adubos foliares.

Esse estado líquido dos adubos tem como ponto positivo a logística mais fácil e o uso que pode ser, basicamente, de duas formas: foliar e fertirrigação.

Porém, existem certas limitações nos adubos foliares que nem sempre são claras. 

Apesar da alta concentração dos fertilizantes líquidos, que facilita o manejo, eles devem ser aplicados em baixíssimas concentrações (1% a 2%) para evitar danos às folhas.

Dessa forma, a aplicação em grandes quantidades fica limitada, o que inviabiliza os nutrientes exigidos em grandes quantidades pelas plantas como nitrogênio, fósforo, potássio e outros macros, ainda que essa adubação foliar seja apenas para tratamentos de emergência.

Nesses casos de deficiência, mesmo com várias aplicações foliares, é difícil suprir as necessidades das culturas, por isso, torna-se mais viável o uso de fertilizantes sólidos. 

Contudo, uma possibilidade viável é o uso de adubos foliares para aplicações de micronutrientes e, mesmo quando o solo apresenta deficiência acentuada, a aplicação via solo é a mais indicada.

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(Fonte: Semeadura Líquida)

As aplicações foliares de zinco, manganês, boro e ferro têm se mostrado eficazes, sendo comum a associação de fertilizantes líquidos aos defensivos para aplicação, desde que não prejudiquem a eficiência do defensivo em questão.  

E na fertirrigação, o mais aconselhável é a utilização dos adubos após o início da irrigação, finalizando antes do término dela. Desse modo evitamos as perdas por lixiviação ou danos por salinidade nas raízes e folhas das plantas.

Conclusão

Vimos que escolher o melhor adubo não é uma decisão simples, pois existem diferentes classificações que interferem diretamente na melhor opção. 

Precisa-se compreender a função de cada fertilizante e qual o cenário mais adequado para cada um.

Não existem soluções mágicas, nem uma “bala de prata” que resolverá todos os problemas na agricultura. Lembre-se que os nutrientes correspondem a 5% da planta, todo o resto (95%) vem da fotossíntese. 

Por isso, é necessário pensar no manejo como um todo!

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O que achou deste texto? Tem mais dúvidas sobre o melhor adubo para sua lavoura? Deixe nos comentários abaixo!