Adubação verde: entenda o que é, como funciona, vantagens, características dos adubos verdes e muito mais
Os sistemas intensivos de produção agrícola têm acelerado o processo de degradação do solo e causado sérios impactos ambientais. Diante disso, é urgente a necessidade de se adotar práticas de manejo mais sustentáveis.
Essas técnicas possibilitam a manutenção da capacidade produtiva do solo a longo prazo. Se você produz, precisa ficar por dentro de como técnicas como adubação verde funcionam.
Confira a seguir informações sobre a adubação verde e entenda como essa prática pode ser vantajosa para sua lavoura. Boa leitura!
Índice do Conteúdo
O que são adubos verdes?
A adubação verde é uma técnica agrícola para melhorar as condições do solo e aumentar sua capacidade produtiva. Consiste em cultivar determinadas espécies vegetais, que depois serão incorporadas ao solo ou roçadas e mantidas na superfície.
Os adubos verdes podem ser usados como cobertura de solo na entressafra, protegendo o solo contra a radiação solar e a erosão.
Fornecendo palha para o sistema de plantio direto, esses adubos favorecem a infiltração de água no solo.
Por terem raízes profundas, as plantas ajudam a descompactar camadas mais duras do solo e favorecem a circulação de água e nutrientes.
A técnica também pode ser utilizada para fixar nitrogênio atmosférico, contribuindo para a fertilização natural do solo e reduzindo a necessidade de adubação química.

(Fonte: Universidade Estadual de Washington)
Como o adubo verde funciona?
A adubação verde pode ser realizada em rotação, sucessão ou consórcio com a cultura principal. No sistema de rotação, a área é dividida em talhões e cada talhão é plantado com o adubo verde de maneira rotacionada com a cultura de interesse comercial.
Em sucessão, o adubo verde é semeado na mesma área e antes da cultura principal. Nesse caso, as plantas utilizadas como adubo verde são manejadas antes do plantio da lavoura.
Quando em consórcio, o adubo verde é plantado junto da cultura de interesse econômico, que pode ser cultivado na entrelinha em faixas intercaladas. Em alguns casos, o adubo verde é semeado no final do ciclo da cultura com o intuito de beneficiar a próxima safra.
O plantio das sementes é feito em linhas ou a lanço com posterior incorporação com grade niveladora. Na adubação verde, também pode ser feito um coquetel com sementes de diferentes espécies, como sorgo-forrageiro e crotalária.
Outra alternativa de coquetel para adubação verde é a mistura de sementes de crotalária, feijão-guandu, mucuna-preta, sorgo-forrageiro e milheto.
Quais são as vantagens da adubação verde?
A adubação verde pode ajudar em vários pontos, desde a qualidade do solo até a redução de custos com insumos, promovendo uma agricultura mais eficiente e menos dependente de produtos químicos.
Segundo a Embrapa, esse tipo de adubação promove a ciclagem de nutrientes, contribui para uma maior retenção de água no solo e melhora:
- Condições físico-químicas e biológicas do solo;
- Incremento do teor de matéria orgânica;
- Favorecimento de microrganismos que aumentam a absorção de água e nutrientes;
- Fixação biológica do nitrogênio atmosférico;
- Descompactação do solo, estruturação e aeração do solo;
- Proteção do solo contra erosão (hídrica e eólica);
- Proteção do solo contra radiação solar;
- Manutenção da umidade das camadas superficiais do solo;
- Controle de pragas, doenças e plantas daninhas;
- Controle de fitonematóides;
- Favorecimento da população de inimigos naturais;
- Aumento da produtividade da cultura sucessora;
- Economia com fertilizantes;
- Redução dos custos de produção.
As leguminosas, fixadoras de nitrogênio, são ideais para adubação verde, pois produzem biomassa rica nesse nutriente.
Quando roçadas e incorporadas ao solo, melhoram as condições nutricionais e aumentam a matéria orgânica após a decomposição, liberando nitrogênio que é aproveitado pela cultura subsequente.
Isso reduz a necessidade de fertilizantes nitrogenados, diminuindo custos e aumentando a produtividade.
Além disso, as leguminosas favorecem a presença de fungos micorrízicos, que ajudam na absorção de nutrientes e água, e suas raízes criam canais no solo, melhorando sua estrutura e facilitando a infiltração e retenção de água.
Alelopatia: Qual a relação com adubação verde?
A alelopatia é o efeito efeito de substâncias químicas liberadas pelas plantas, vivas ou em decomposição, causam, inibindo o crescimento e/ou desenvolvimento de outras plantas.
Fenômeno muito importante na redução de populações de plantas daninhas e controle de nematoides, que pode ser causado por leguminosas usadas como adubo verde.
Assim, muitas espécies vêm sendo estudadas e descobertos inúmeros benefícios adicionais através da alelopatia.
A espécie leguminosa feijão-de-porco (Canavalia ensiformis), por exemplo, se mostra como inibidora da planta daninha tiririca.

Feijão-de-porco (Canavalia ensiformis)
(Fonte: Useful Tropical Plants)
Como deve ser feita a adubação verde?
É importante destacar a importância de escolher espécies de adubos verdes adaptadas às condições de clima e solo de onde será cultivada. Além disso, a época de corte das plantas é outro ponto que merece atenção.
A biomassa aérea deve ser cortada antes das plantas produzirem sementes. O corte tardio dos adubos verdes pode gerar um grande problema. Afinal, as sementes serão liberadas no solo e têm grande potencial de se tornarem plantas invasoras na próxima safra.
Algumas espécies, como a mucuna-preta, apresentam dormência e podem germinar em diferentes épocas do ano, o que dificulta o controle. Por fim, a melhor época para a semeadura dos adubos verdes é no início da temporada de chuvas.
Nesse período, as plantas acumulam maior quantidade de biomassa e nutrientes. No entanto, é justamente esse o único período viável para a semeadura da cultura comercial. Os adubos verdes são, geralmente, cultivados na entressafra.
Uma alternativa é cultivar as espécies de adubos verdes no final da estação chuvosa, após a colheita da cultura de interesse. Também é possível realizar a semeadura no veranico. Nesse caso, é importante escolher espécies de adubos verdes resistentes à seca.
Quais são os principais adubos verdes?
Plantas de diferentes famílias são utilizadas na forma de adubo verde, mas leguminosas são as preferidas e ocupam lugar de destaque, por serem capazes de realizar a fixação biológica do nitrogênio.
As leguminosas têm menor tempo de decomposição (baixa relação carbono/nitrogênio). Esse aspecto favorece a rápida disponibilização dos nutrientes para as culturas seguintes. Dentre as usadas na forma de adubo verde, destacam-se:
- Amendoim-forrageiro;
- Crotalárias;
- Estilosantes;
- Feijão-bravo-do-Ceará;
- Feijão-guandu;
- Feijão-de-porco;
- Labe-labe;
- Mucunas;
- Tremoços.
As gramíneas também têm sido cultivadas para adubação verde. Em geral, elas se decompõem mais lentamente (alta relação carbono/nitrogênio) e permanecem no solo por mais tempo. Confira a seguir algumas gramíneas cultivadas como adubo verde:
- Aveia-preta;
- Azevém;
- Braquiárias;
- Milheto;
- Sorgo-forrageiro.
A semeadura simultânea de diferentes plantas, como leguminosas e gramíneas, possibilita a cobertura do solo por mais tempo. Isso quando comparado ao cultivo solteiro de espécies leguminosas.
Além das leguminosas e gramíneas, outras plantas são empregadas na adubação verde, como o nabo-forrageiro e o girassol.
Características das plantas de adubação verde
As espécies vegetais utilizadas como adubo verde devem apresentar algumas características agronômicas. São elas:
- Sistema radicular profundo e ramificado;
- Eficiência nutricional;
- Tolerância ao alumínio;
- Tolerância ao estresse hídrico;
- Elevada produção de fitomassa e de sementes;
- Sementes de fácil obtenção;
- Rápido desenvolvimento;
- Ciclo compatível com o sistema de produção;
- Baixa suscetibilidade ao ataque de pragas e doenças;
- Eficiência no controle de nematoides e plantas daninhas;
- Capacidade de realizar a fixação biológica do nitrogênio.
achi interesante o texto tem bastante irformações,mas não encontrei tudo que eu prtesisava
Olá Bruna, fico feliz que tenha achado o texto interessante, porém certamente existe muito mais a respeito de adubação verde e culturas de cobertura.
A cada dia surgem novas publicações científicas comprovando eficiência de plantas em sucessão ou rotação com as culturas.
Vale ficar antenado para selecionar a que melhor se encaixa em nossos sistemas produtivos e novas metodologias de utilização.
Você pode conhecer mais sobre adubação verde neste outro artigo que publicamos no blog: https://blog.aegro.com.br/?s=adubo+verde
Continue nos acompanhando que sempre buscamos trazer conteúdo de relevância para o agronegócio!
Grande Abraço,
Luis
texto muito bom, me serviu para estudo!!!
A incorporação dos restos de cultura (resíduos de toda especie) de feijão de corda ao solo com gradagem auxilia no maneja para aumentar a fertilidade do solo?.
Olá, Emmanuel
Sou da comunicação da Aegro e busquei sobre sua dúvida com um de nossos especialistas.
Depende de qual ponto de vista se analisa.
A incorporação vai sim ter efeito, porque nos restos há bastante nutrientes e a incorporação vai promover maior segurança para que essa matéria orgânica seja mineralizada e integrada à fração fértil do solo. Mas depende da cultura que vai plantar posteriormente, se for outra leguminosa, não é interessante e precisa se atentar com a questão fitossanitária.
Além disso, se pensar pelo lado de conservação do solo, a gradagem é uma operação muito severa e que acaba interferindo na física do solo. A gradagem tem benefícios pela incorporação de restos culturais, contudo, os sistemas mais produtivos são aqueles sob sistema de plantio direto (SPD) ou cultivo mínimo, até porque a manutenção continuada da palha com o tempo, ela também aumenta os teores de matéria orgânica, além de outros benefícios.
Esperamos ter ajudado, agradecemos por nos acompanhar
Abraço! 🙂
Muito bom o texto ficou muito claro a diferença de adubação verde e Cultura de cobertura.