Planta de algodão: saiba como fazer o manejo químico e mecânico da soqueira e reduza a incidência de pragas e doenças na lavoura.
A destruição da soqueira é uma prática essencial na cultura do algodão para interromper o ciclo de pragas e doenças.
Mas, você sabe como são os manejos mais adequados para evitar a rebrota?
Neste artigo, separamos os detalhes de tratamentos que trazem bons resultados. Confira a seguir!
Índice do Conteúdo
- 1 Por que é necessário destruir a planta de algodão após a colheita
- 2 Quais métodos podem ser adotados para o manejo?
- 3 Como fazer o manejo químico
- 4 Como fazer a destruição mecânica da planta de algodão
- 4.1 1 – Arrancador de discos em “V”
- 4.2 2 – Arrancador de discos
- 4.3 3 – Cortador de plantas
- 4.4 4 – Matabrotos-algodão
- 4.5 5 – Destroyer (destruidor de touceira)
- 4.6 6 – Roçadeira ou triton + grade aradora
- 4.7 7 – Cotton Mil
- 4.8 8 – Arrancador-triturador de soqueira
- 4.9 9 – Destruidor de plantas
- 4.10 10 – Destruidor de plantas Cotton 100
- 5 Conclusão
Por que é necessário destruir a planta de algodão após a colheita
A planta de algodão é usada, pelo menos, desde 4.500 anos a.C.. Atualmente a produção mundial tende a aumentar para 121,97 milhões de fardos na safra 2018/19.
Nesse sentido, o Brasil também vem elevando sua produção e, junto com ela, a preocupação com seu manejo.
Depois que colhemos o algodão em pluma, é preciso se preocupar com a destruição dos restos culturais. Isso porque o algodão é uma planta que após sua colheita pode rebrotar e continuar ocupando a área.
Esta prática é feita para reduzir doenças e a população de pragas do algodão (Gossypium hirsutum L.)
As principais pragas do algodão alvos dessa prática são:
- Bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis);
- Lagarta-rosada (Pectinophora gossypiella);
- Broca-da-raiz (Eutinobothrus brasiliensis);
- Ramulose (Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides);
- Mancha-angular (Xanthomonas axonopodis pv. malvacearum);
- Doença-azul (Cotton leafroll dwarf virus).
Outras pragas controladas com a destruição das soqueiras são algumas espécies de lagartas como as do gênero Helicoverpa spp.

Bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) é a principal praga da planta de algodão que vem preocupando todo o mundo
(Fonte: Sebastião Araújo/Embrapa – Informativo Técnico Nortox)
O controle de insetos-praga do algodoeiro nos Estados Unidos, por exemplo, é um dos fatores que mais onera os custos de produção.
E estudos científicos mostraram que a destruição de soqueiras possibilita redução de mais de 70% da população dos insetos que sobrevivem ao período de entressafra.
Para isso, são necessários pelo menos 60 dias sem planta de algodão no campo.
Assim, todo ano, o vazio sanitário ocorre entre o prazo final legal para destruição de soqueiras e início do calendário de semeadura da nova safra.
Quais métodos podem ser adotados para o manejo?
Existem dois manejos principais que podem ser feitos para evitar a rebrota da planta de algodão. São eles o manejo químico e o mecânico.
O manejo químico da soqueira do algodão é realizado com herbicidas, o qual é responsável por eliminar restos culturais sem revolvimento do solo.
Já o manejo mecânico é realizado através do arranquio da soqueira.
Ambos podem ser feitos nas mais diversas variedades de algodão(espécies nativas, cultivo de algodão colorido, etc.). Vou falar mais especificamente sobre os dois:
Como fazer o manejo químico
Os dois herbicidas mais utilizados na destruição química das soqueiras são o glifosato e o 2,4-D.
Esses produtos possuem ação sistêmica dentro da planta e são transportados pelos vasos condutores até as raízes. Para a destruição química você deve atentar-se a qual tecnologia está no campo.
Para algodão convencional ou com melhoramento genético (LL®), os herbicidas mais utilizados são glifosato e 2,4-D.
Já para RF® e Glytol® (resistentes ao glifosato), a opção seria o uso de 2,4-D.
Outra boa opção é fazer a roçada das plantas com posterior aplicação de herbicida.
Observe abaixo o trabalho realizado por Andrade Junior et al. (2015).
Os autores testaram 15 tratamentos, incluindo os herbicidas 2,4-D, glifosato, glufosinato, carfentrazone, saflufenacil e flumiclorac.
A conclusão do trabalho é que a aplicação de 2,4-D logo após a roçada é fundamental e que é necessário realizar uma segunda aplicação sobre as rebrotas (ramos com cor verde).
Os melhores resultados foram obtidos com 2,4-D + Radiant, 2,4-D + Aurora, 2,4-D + Finale e 2,4-D + Heat.


(Fonte: Andrade Junior et al. (2015))
Em outro trabalho, Sofiatti et al. (2015) estudaram a destruição de soqueiras na cultivar IMA 5675B2RF, resistente ao herbicida glifosato.
Os autores observaram que os melhores tratamentos foram aqueles em que se empregou o manejo mecânico.



(Fonte: Sofiatti et al., 2015)
Observe o gráfico abaixo e entenda melhor os resultados alcançados pelos autores:

(Fonte: Miranda e Rodrigues Adaptado de Sofiatti et al. (2015))
Já em trabalho realizado por Ferreira et al. (2015), os autores observaram que os melhores tratamentos foram para aplicações sequenciais:
(Fonte: Miranda e Rodrigues (2015))
Como fazer a destruição mecânica da planta de algodão
Este tipo de manejo é muito utilizado em toda área onde é cultivado algodão, mas é especialmente importante naquelas mais voltadas à preocupação ao meio ambiente, como o cultivo orgânico.
Existem hoje vários implementos agrícolas que você pode optar para realizar a destruição mecânica.
Sua escolha deverá ser baseada nos manejos adotados na sua lavoura, principalmente se você adota práticas conservacionistas do solo. Vou te mostrar algumas opções:
1 – Arrancador de discos em “V”

(Fonte: Valdinei Sofiatti, Pesquisador da Embrapa Algodão)
2 – Arrancador de discos
- É acoplado ao hidráulico do trator;
- Seus órgãos ativos são discos lisos côncavos;
- Profundidade de 8 cm a 15 cm;
- Alta eficiência no arranquio das plantas previamente roçadas;
- Há formação de sulcos e camaleões.
3 – Cortador de plantas
- Acoplado à barra de tração do trator;
- Para cada linha de algodoeiro previamente roçada, possui dois discos que atuam aos pares;
- Os discos apresentam certa angulação para favorecer sua penetração no solo;
- Profundidade de trabalho de 3 cm a 5 cm;
- As plantas são cortadas na região do colo;
- Excelente eficiência na destruição da soqueira;
- Baixo revolvimento do solo.
4 – Matabrotos-algodão
- As plantas precisam estar roçadas;
- Possui hastes com lâminas horizontais, que vão trabalhar no perfil do solo;
- Trabalha a uma profundidade entre 20 cm e 35 cm;
- Corta a raiz pivotante do algodoeiro e desestabiliza as secundárias.

(Fonte: Saul Carvalho)
5 – Destroyer (destruidor de touceira)
- É um combinação de um subsolador com um rotor picador de palha;
- Também conhecido por triton ou trincha;
- O rotor picador destrói a parte aérea da planta;
- As hastes com lâminas horizontais (que ficam na parte de trás) vão atuar no perfil do solo;
- Profundidade entre 20 cm e 30 cm;
- Em uma única passada, faz todas as operações necessárias à destruição das plantas.
6 – Roçadeira ou triton + grade aradora
- Corta e estraçalha a parte aérea da planta de algodão;
- Facilita a incorporação dos restos culturais ao solo;
- Na próxima operação utiliza a grade aradora;
- Mobiliza e revolve o solo até a profundidade de 10 cm a 12 cm;
- Pode precisar de até três passadas com a grade aradora, e outra, com a niveladora;
- Pode favorecer a formação de camadas compactadas;
- Os discos pulverizam em excesso o solo.
7 – Cotton Mil
- Atrelado à barra de tração do trator;
- É um disco côncavo e liso que atua sobre a linha do algodão;
- Pequenas profundidades (a partir de 1 cm);
- O implemento arranca ou corta as plantas previamente roçadas, ocasionando pequenos sulcos;
- Pequena mobilização do solo;
- Na parte frontal possui discos lisos e planos para cortar os resíduos.
8 – Arrancador-triturador de soqueira
- Na parte frontal possui um rotor picador de palha;
- Na parte traseira possui uma barra porta-ferramentas acoplada a um disco liso côncavo;
- As plantas são arrancadas e deslocadas para as laterais do disco;
- Profundidade de trabalho entre 6 cm e 10 cm;
- Deixa a superfície do solo com desníveis;
- Realiza em uma única passada todas as operações necessárias à destruição das plantas.
9 – Destruidor de plantas
- Acoplado à barra de tração do trator;
- Sistema hidráulico próprio (não usa o sistema hidráulico do trator);
- Corta as plantas na região do colo;
- Profundidade de trabalho entre 3 cm a 5 cm;
- O solo é pouco mobilizado pelos discos;
- Excelente eficiência na destruição das plantas.
10 – Destruidor de plantas Cotton 100
- Acoplado à barra de tração do trator;
- Cada unidade destruidora possui um disco de corte vertical (corta o sistema radicular das plantas);
- Esteira arrancadora: as plantas são retiradas do solo e conduzidas a uma faca;
- A faca separa a raiz do restante da planta;
- As partículas são padronizadas e lançadas ao solo.
Observe a tabela abaixo e verifique a comparação entre os implementos para destruição de soqueiras:
(Fonte: Silva (2006))
Conclusão
A área plantada e produção de algodão (de fibras curtas e médias principalmente) aumentou no país nos últimos anos. Mas a rebrota da soqueira pode reduzir a produção algodoeira.
Neste texto foram discutidos os principais tipos de manejo para evitar essa situação.
Você pôde conferir também quais herbicidas são mais eficazes para a destruição química e os implementos indicados para destruição mecânica dos restos culturais.
A destruição da soqueira reduz pragas agrícolas e doenças para tornar sua lavoura mais rentável.
Então, agora que você já sabe as recomendações de uso, pode fazer a escolha mais adequada à sua propriedade!
>>Leia mais:
“Como evitar e combater a mela do algodoeiro em sua lavoura“
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