Tudo que você precisa saber sobre as plantas daninhas do trigo

Plantas daninhas do trigo: como planejar o manejo, quais as principais infestantes e como controlá-las

O trigo é uma cultura muito importante e que pode ser peça-chave para rotação de cultivos e melhor aproveitamento de áreas em algumas regiões do país. 

Além disso, essa cultura é uma aliada do manejo de plantas daninhas, pois tem ótimo fechamento de linha e ótima produção de palhada. 

Porém, para que este uso seja efetivo, é importante conhecer as principais plantas daninhas do trigo e saber como manejá-las. Por isso, confira!

Estratégias de manejo de plantas daninhas do trigo

Em nosso país, o trigo geralmente é cultivado em rotação com a cultura da soja no lugar do milho safrinha.

A principal diferença no manejo de plantas daninhas nesta cultura é que o período de entressafra ocorrerá entre a colheita da soja e o plantio do trigo. 

Desta forma, o produtor deve utilizar este período para controlar as plantas daninhas da área e priorizar a semeadura do trigo no limpo

Apesar do ótimo fechamento de linha do trigo, a ocorrência de plantas daninhas nos estádios iniciais pode ser muito prejudicial à produtividade da cultura. 

Para cultivares de porte baixo, estudos demonstram que o período anterior à interferência é de 12 dias após a emergência.  Já o período crítico de prevenção da interferência vai dos 12 aos 24 dias após a emergência. 

Ou seja, o manejo de plantas daninhas deve ser planejado para a cultura do trigo ficar no limpo por, no mínimo, 12 dias!

Além disso, a semeadura da soja ocorrerá logo após a colheita do trigo. Se a área estiver com plantas daninhas, o produtor terá de semear a cultura principal no sujo (soja) ou terá que prorrogar a semeadura (o que não costuma ser viável).

Uma questão importante no manejo de plantas daninhas no trigo é o padrão de seletividade na cultura.  Como o trigo se trata de uma gramínea, o número de herbicidas que controlam outras gramíneas no meio desta cultura é reduzido.  

Por isso, priorize controlá-las na entressafra (entre a colheita e a semeadura da soja). 

Principais plantas daninhas do trigo

Azevém (Lolium multiflorum)

Essa planta daninha possui grande importância para a cultura do trigo na região Sul do Brasil.

Já foi muito utilizada como cultura de cobertura ou forrageira e, devido a isso, se disseminou em várias áreas. 

O azevém é uma das poucas gramíneas que tem a capacidade de vegetar durante o período de inverno. 

Ele tem seu ciclo anual ou bianual (com ampla variação dependendo do biotipo) ereta, herbácea, amplamente perfilhada e sem ocorrência de pilosidades (glabra). Tem reprodução exclusivamente por sementes!

Estudos demonstram que uma população de 24 plantas de azevém por m2, convivendo com o trigo por 35 dias, pode reduzir em 62% o rendimento de grãos da cultura. 

Recomendação de manejo do azevém

Recomenda-se que o manejo desta planta daninha seja realizado prioritariamente antes da semeadura do trigo!

Caso as plantas estejam em estádio inicial de desenvolvimento, a aplicação de graminicidas será efetiva. Caso contrário, a aplicação sequencial de glifosato + graminicidas será necessária. 

Além disso, pode-se utilizar o herbicida pendimethalin no sistema plante-aplique para controlar as sementes presentes na área. 

Caso esta planta daninha do trigo esteja na área na pós-emergência da cultura, as opções disponíveis serão iodosulfuron, clodinafop e diclofop.

Além de sua capacidade competitiva, existem biótipos resistentes a herbicidas no Brasil.

Até o momento foram relatados quatro casos de resistência de azevém no Brasil. De maneira cronológica, os casos foram:

2010 –  azevém resistente ao herbicida iodosulfuron;

2010 – azevém resistente aos herbicidas clethodim e glifosato;

2016 – azevém resistente aos herbicidas clethodim e Iodosulfuron;

2017 – azevém resistente aos herbicidas Iodosulfuron, pyroxsulam, glifosato.

Caso existam biótipos resistentes desta espécie daninha em sua lavoura de trigo, uma opção para manejá-la é optar por variedades Clearfield®, que serão tolerantes ao herbicida imazamox.

Capim-amargoso (Digitaria Insularis)

O capim-amargoso é uma planta daninha de ciclo perene, herbácea, entouceirada, ereta  e que produz rizomas (estruturas de reserva). 

É uma das principais plantas daninhas do Brasil, ocorrendo em grande parte do território nacional. 

O ponto principal de seu controle é a aplicação nos estádios iniciais de desenvolvimento, pois após a produção de rizomas (aproximadamente 45 após a emergência) sua capacidade de rebrota depois de uma injúria de herbicidas é altíssima. 

Capim-amargoso é uma das principais plantas daninhas do trigo
(Foto: Germani Concenço/Embrapa)

Recomendação de manejo do capim-amargoso

Recomenda-se que o manejo do capim-amargoso seja realizado prioritariamente antes da semeadura do trigo!

Caso as plantas estejam em estádio inicial de desenvolvimento, a aplicação de graminicidas será efetiva. Caso contrário, a aplicação sequencial de glifosato + graminicidas será necessária. 

Além disso, pode-se utilizar o herbicida pendimethalin no sistema plante-aplique para controlar as sementes presentes na área.

Caso esta planta daninha esteja presente na área na pós-emergência da cultura, a opção disponível será clodinafop.

Além de sua capacidade competitiva, há ocorrência de biótipos resistentes a herbicidas no Brasil.

Até o momento foram relatados dois casos de resistência de capim-amargoso no Brasil. De maneira cronológica, os casos foram:

2008 –  capim-amargoso resistente ao herbicida glifosato;

2016 – capim-amargoso resistente ao herbicida haloxyfop.

Aveia (Avena strigosa e A. sativa)

Esta planta daninha possui grande importância para a cultura do trigo na região Sul do Brasil.

Já foi muito utilizada como cultura de cobertura ou forrageira e, devido a isso, se disseminou em várias áreas. 

Esta planta daninha também é uma das poucas gramíneas que tem a capacidade de vegetar durante o inverno. 

Estas espécies têm ciclo anual, são eretas, bastante perfilhadas e com reprodução exclusivamente por sementes. 

Podem ser facilmente diferenciadas pela coloração dos envoltórios das sementes. A Avena strigosa possui coloração escura sendo assim chamada de aveia preta. 

Lavoura de aveia preta
(Foto: Agrolink)

Recomendação de manejo da aveia:

Recomenda-se que o manejo desta planta daninha seja realizado prioritariamente antes da semeadura do trigo!

Caso as plantas estejam em estádio inicial de desenvolvimento, a aplicação de graminicidas será efetiva. Caso contrário, o controle químico envolve a aplicação sequencial de glifosato + graminicidas. 

Se a aveia estiver presente na área na pós-emergência da cultura, as opções disponíveis serão iodosulfuron, clodinafop e diclofop.

Nabo (Raphanus raphanistrum e R. sativus)

As espécies de nabo forrageiro têm ciclo anual, são eretas e com reprodução exclusivamente por sementes. 

Foto de lavoura de trigo infestada com nabo forrageiro
Lavoura de trigo infestada com nabo

Recomendação de manejo do nabo:

Antes do plantio do trigo podem ser utilizados os seguinte herbicidas: glifosato, 2,4 D, metribuzin e metsulfuron. 

Caso esta planta daninha esteja presente na área na pós-emergência da cultura, as opções disponíveis serão metsulfuron, 2,4D, iodosulfuron e bentazon.

Até o momento foram relatados dois casos de resistência de nabo no Brasil. De maneira cronológica, os casos foram:

2001 – nabo resistente aos herbicidas metsulfuron, imazetapir, clorimuron, nicosulfuron, cloransulam;

2013 – nabo resistente aos herbicidas metsulfuron, imazetapir, clorimuron, sulfometuron, cloransulam, iodosulfuron e imazapic.

Buva (Conyza spp.)

A buva é uma das principais plantas daninhas do Brasil, ocorrendo em grande parte do território nacional. 

Estas espécies têm ciclo anual, são eretas, com ramos e folhas pubescentes, propagando-se exclusivamente por sementes. Suas sementes são facilmente disseminadas pelo vento!

Lavoura de trigo infestada por buva
(Fonte: Mais Soja)

Recomendação de manejo da buva:

Como essa é uma espécie que suas sementes necessitam de luz para germinar, a cultura do trigo é muito utilizada para auxiliar em seu manejo! 

Se bem controlada, o bom fechamento de linha e a palhada depois da colheita vão segurar a emergência destas sementes no período mais propício (período frio). 

Antes do plantio do trigo podem ser utilizados os seguinte herbicidas: glifosato, 2,4 D, metribuzin e metsulfuron. 

Caso esta planta daninha esteja presente na área na pós-emergência da cultura, as opções disponíveis serão metsulfuron, 2,4D, iodosulfuron e bentazon.

Até o momento foram relatados oito casos de resistência de buva no Brasil. De maneira cronológica os casos foram:

2005 – Conyza bonariensis resistente ao herbicidas glifosato;

2005 – Conyza canadensis  resistente ao herbicidas glifosato;

2010 – Conyza sumatrensis resistente ao herbicidas glifosato;

2011 – Conyza sumatrensis resistente ao herbicidas clorimuron;

2011 – Conyza sumatrensis resistente aos herbicidas glifosato e clorimuron;

2016 – Conyza sumatrensis resistente ao herbicidas paraquat;

2017 – Conyza sumatrensis resistente ao herbicidas saflufenacil;

2018 – Conyza sumatrensis resistente aos herbicidas diuron, paraquat, glifosato, 2,4 D e saflufenacil.

Para te ajudar no controle da buva e de outras espécies invasoras em sua lavoura, preparamos um Guia para Manejo de Plantas Daninhas de difícil controle. Baixe gratuitamente aqui!

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Conclusão

Neste texto vimos as particularidades do manejo de plantas daninhas do trigo.

Mostramos a importância de semear no limpo e o que devemos priorizar no manejo de plantas daninhas para as diferentes fases do cultivo. 

Vimos também os casos de ervas daninhas resistentes e as indicações de manejo para o controle adequado na cultura do trigo!

>> Leia mais: 

Quais são as principais pragas do trigo e como combatê-las

O que você precisa saber para fazer a melhor aplicação de 2,4 D em trigo

Quais plantas daninhas mais afetam sua lavoura hoje? Qual tem sido seu maior problema no manejo de plantas daninhas no trigo? Adoraria ver seu comentário abaixo.

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