Podridão radicular em soja: conheça os sintomas, as condições de desenvolvimento, transmissão e disseminação para realizar o melhor método de controle
A podridão radicular por fitóftora é uma das doenças da soja mais importantes.
Em cultivares altamente suscetíveis, pode causar a redução de até 100% no rendimento de grãos.
A doença está presente na maioria das áreas produtoras de soja do país e já causou muitos prejuízos.
Neste artigo, você verá como identificar essa doença e quais as melhores práticas para evitá-la. Boa leitura!
Índice do Conteúdo
O que causa a podridão radicular em soja?
A podridão radicular em soja (ou podridão da raiz e haste por fitóftora) é causada pelo oomiceto Phytophthora sojae.
É comum que se refiram à podridão radicular por fitóftora como uma doença fúngica. No entanto, o patógeno dessa doença (oomiceto) não é considerado um fungo verdadeiro.
De origem grega, Phytophthora significa “destruidor de plantas” (Phyto = planta e phthora = destruidor).
Os Phytophthora são conhecidos por causar danos a culturas como soja, tomate, batata e citros.
Sintomas da doença
Os sintomas da podridão radicular na soja podem ser observados da pré-emergência à fase adulta da cultura.
O grau de severidade da doença está relacionado ao nível de resistência da soja. Plantas jovens são mais suscetíveis que plantas adultas.
No solo, as sementes infectadas podem apodrecer e a germinação pode ser retardada. Plântulas infectadas na fase inicial apresentam tecidos de coloração marrom.
É comum que as plântulas morram durante a emergência.

Sintomas de podridão radicular por fitóftora em mudas de soja: (A) leve descoloração das raízes e lesão com aspecto encharcado no caule; (B) lesão de coloração marrom no caule e raízes; (C1-C3) danos no hipocótilo e cotilédone; (D) podridão da semente
(Fonte: Traduzido de Chang et al., 2017)
Em plantas adultas, é possível observar o apodrecimento da haste e dos ramos, que exibem coloração marrom. Esse sintoma avança da base da haste até as ramificações.
A podridão radicular da soja também ataca severamente o sistema radicular.
As raízes secundárias são destruídas e a raiz principal apodrece, adquirindo coloração marrom.
A doença provoca a redução do vigor da planta, clorose e a murcha das folhas. As folhas, mesmo secas, não se desprendem da planta.

Sintomas de podridão da raiz e haste por fitóftora em soja
(Fonte: Daren Mueller)
A podridão radicular por fitóftora diminui a uniformidade da lavoura e o estande de plantas.
Em alguns casos é necessário realizar operações de ressemeadura, o que aumenta os custos de produção. A doença também diminui o rendimento e a produtividade de grãos.
Os sintomas da doença podem aparecer em plantas isoladas na lavoura. Também podem se manifestar em reboleiras, geralmente onde há acúmulo de água no solo.

Reboleira de soja com sintomas de podridão da raiz e haste por fitóftora
(Fonte: Cary Hicks)
Em síntese, os principais sintomas da podridão radicular em soja são:
- apodrecimento do sistema radicular;
- lesões de coloração marrom em sentido ascendente na haste principal;
- clorose;
- murcha das folhas;
- redução no rendimento e produtividade de grãos.
Transmissão e disseminação
Só ocorre um ciclo da podridão radicular durante o ciclo da soja. As plantas infectadas serão fonte de inóculo somente na próxima safra.
O patógeno Phytophthora sojae consegue sobreviver por longos períodos, mesmo na ausência do hospedeiro.
O solo e os restos culturais de soja contaminada são considerados as principais fontes de inóculo.
Além disso, o patógeno da podridão radicular em soja não é transmitido e disseminado por sementes de soja.

Ciclo da podridão radicular por fitóftora
(Fonte: Traduzido de Crop Protection Network)
Condições para o desenvolvimento da podridão radicular em soja
As condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento da podridão por fitóftora são temperaturas em torno de 25 °C e 30 °C, além de elevada umidade do solo.
A doença tem maior ocorrência em solos argilosos, solos compactados e mal drenados.
Há práticas que aumentam a severidade da doença. O plantio direto na soja e a aplicação de altas doses de fertilizantes orgânicos antes da semeadura são exemplos.
Manejo da doença
O principal manejo da podridão radicular consiste no plantio de cultivares de soja resistentes à doença.
Mesmo utilizando cultivares resistentes, fique de olho na ocorrência da doença na área. Existe a possibilidade de quebra da resistência da cultivar pelo patógeno.
Além do plantio de cultivares resistentes, adote práticas que melhorem as condições de drenagem e a descompactação do solo.
Tenha em vista as condições de desenvolvimento da doença nesse momento.
Outra medida a ser adotada é a rotação de culturas. Essa prática evita o aumento da quantidade do patógeno no solo.
Segundo a Embrapa, a aplicação de fungicidas na parte aérea da planta não apresenta efeito contra a podridão radicular por fitóftora.
No Brasil, não há produtos químicos registrados para o tratamento de sementes de soja contra essa doença.
Conclusão
A podridão radicular por fitóftora da soja é uma doença causada pelo oomiceto Phytophthora sojae.
O solo e os restos culturais contaminados são as principais fontes do inóculo.
O principal método de controle utilizado para a podridão radicular por fitóftora é o plantio de cultivares resistentes.
Também é importante realizar a rotação de culturas e o correto manejo do solo.
Ele precisa apresentar condições como boa drenagem e descompactação, essenciais para que a doença não se estabeleça.
>> Leia mais:
“Conheça as 11 principais doenças da soja e como combatê-las (+ nematoides)”
Você já teve problemas com a podridão radicular em soja? Quais práticas de manejo você utilizou no controle da doença? Adoraria ler seu comentário!