Doenças da soja: saiba como identificar as mais frequentes, incluindo nematoides, e os métodos de controle mais eficazes para cada uma delas.
Identificar e controlar as doenças da soja exige um nível cada vez maior de conhecimento técnico e acompanhamento prático da lavoura.
Embora a mais importante seja a ferrugem asiática, diversas outras doenças podem afetar a produtividade, causando perdas de até 100%.
A chave para manter a lavoura saudável é identificar a doença em seu início e realizar medidas de manejo adequadas.
Por isso, fizemos este artigo exclusivo com a Agronômica Laboratório de Diagnóstico Fitossanitário para que você entenda e controle as doenças da soja. Confira!

Índice do Conteúdo
- 1 Principais doenças da soja
- 2 Ferrugem asiática da soja
- 3 Mancha-alvo
- 4 Oídio
- 5 Mofo-branco
- 6 Crestamento foliar de cercospora e mancha púrpura da semente
- 7 Antracnose
- 8 Mancha parda ou septoriose
- 9 Mancha olho-de-rã
- 10 Cancro da haste
- 11 Mela ou requeima
- 12 Podridão de carvão das raízes
- 13 Nematoides na cultura da soja
- 14 Como obter sucesso no controle das doenças da soja
- 15 Conclusão
Principais doenças da soja
As doenças podem ocorrer em todo o ciclo da cultura ou em períodos específicos (estádios de desenvolvimento). As principais doenças da soja são:
- Ferrugem asiática
- Mancha-alvo
- Oídio
- Mofo-branco
- Crestamento foliar de cercospora e mancha púrpura da semente
- Antracnose
- Mancha parda ou septoriose
- Mancha olho-de-rã
- Cancro da haste
- Mela ou requeima
- Podridão de carvão das raízes
Confira o período de ocorrência mais frequente das doenças da soja na imagem a seguir:

Tendo isso em vista, vamos agora para a identificação e manejo das principais doenças da soja:
Ferrugem asiática da soja

A ferrugem asiática da soja é considerada a mais importante na cultura da soja e é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi. Os sintomas podem aparecer em qualquer estádio de desenvolvimento da planta.
A ferrugem asiática da soja pode causar perdas de 10% a 90% nas lavouras, atingindo todas as regiões produtoras do Brasil.
O diagnóstico nos estádios iniciais da doença pode ser difícil por não ter os esporos alaranjados como em outras ferrugens.
Por isso, inicialmente, procure por minúsculos pontos mais escuros nas folhas, variando de coloração verde a cinza (utilize uma lupa).
Na face inferior das folhas no local correspondente ao dos pontos, observe pequenas saliências, que são as urédias (estruturas de reprodução do fungo).
Na safra 2019/20, já tivemos registro da ferrugem asiática no campo. Acompanhe os dados de ocorrência da doença no Consórcio Antiferrugem.
Manejo da ferrugem asiática:
- Monitore a lavoura
Não se esqueça de utilizar uma lupa e observar a parte de baixo da folha para visualização das urédias.
- Utilize fungicidas
Use fungicidas, como a morfolina, preventivos ou quando aparecer os primeiros sintomas.
Lembre-se que já foi registrada a redução da eficiência de fungicidas à base de carboxamidas, triazóis e estrobilurina isolada.
Como existem vários produtos registrados para manejo da ferrugem da soja e com vários ingredientes ativos, você pode utilizar fungicidas com diferentes modos de ação.
Isso minimiza riscos de perda da eficiência dos fungicidas.
Além disso, reduza a aplicação excessiva de fungicidas e realize a calendarização da semeadura.
- Vazio sanitário
É o período que a área fica sem plantas de soja. Ele varia de 60 a 90 dias, o que reduz a sobrevivência do fungo.
Atente-se ao período do vazio sanitário da sua região. Você pode conferi-lo aqui.
- Calendarização da semeadura
Realizar a semeadura no início do período recomendado pode reduzir o número de aplicações de fungicidas na sua área. Isso ocorre porque há menos esporos da doença no ambiente.

- Uso de variedades precoces
Utilizando essas variedades, você irá reduzir o tempo de exposição da planta no campo, podendo reduzir a infecção.
Além da ferrugem asiática, conheça outras doenças da soja que podem afetar a sua lavoura e como fazer seu controle:
Mancha-alvo

É causada pelo fungo Corynespora cassiicola, podendo ocasionar perdas de até 50% em cultivares suscetíveis.
Nas folhas, os sintomas se iniciam por pontuações pardas, com halo amarelado, evoluindo para mancha foliar circular, de coloração castanho-clara a castanho-escura.
Essas manchas podem apresentar pontuação no centro e anéis concêntricos de coloração mais escura (semelhantes a um alvo).
Formas de manejo para a mancha-alvo:
- Utilização de cultivares resistentes;
- Tratamento de sementes;
- Rotação/sucessão de culturas;
- Uso de fungicidas.
Para te auxiliar na escolha do fungicida, veja o trabalho que a Embrapa realizou para determinar a eficiência de fungicidas da cultura da soja no controle da mancha-alvo.
Além disso, atente-se que já foram relatadas populações do fungo C. cassiicola resistentes a fungicidas MBC (metil benzimidazol carbamato).
Oídio

O oídio é uma doença é causada pelo fungo Microsphaera diffusa. Em algumas regiões do país a doença ocorre por ter as condições favoráveis para o desenvolvimento do fungo.
Essas condições são temperaturas amenas e baixa umidade, sendo frequente em regiões com maior altitude. Além disso, esse fungo tem fácil dispersão pelo vento.
Sintomas da doença podem ser observados nas folhas, que vão apresentar uma estrutura branca (micélio e esporos do fungo) – que podem se tornar cinzas com o passar do tempo.
Essas estruturas são capazes de impedir a fotossíntese e provocar queda prematura das folhas.
Como fazer o manejo do oídio:
- Utilização de variedades resistentes;
- Controle químico;
- Evitar a semeadura em épocas com condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento do fungo.
Mofo-branco
O mofo-branco é causado por Sclerotinia sclerotiorum, fungo que tem mais de 400 espécies de hospedeiros, incluindo soja e feijão. A doença é responsável por até 30% de perdas da produção em um campo agrícola.

Os sintomas são lesões encharcadas inicialmente, que evoluem para uma coloração castanha e, depois, há a formação de um micélio branco, que formam escleródios.
O fungo pode sobreviver no solo por um longo período (em média de 5 a 10 anos) na forma de estruturas de resistência do fungo (escleródios).

(Fonte: Arquivo pessoal da autora)
Manejo do mofo-branco:
- Sementes certificadas, limpeza de máquinas e implementos agrícolas;
- Tratamento de sementes com fungicidas do grupo MBC (metil benzimidazol carbamato);
- Rotação/sucessão de culturas;
- Semeadura em palhada de plantas não hospedeira como as gramíneas (isso desfavorece a formação e liberação de esporos do fungo);
- Utilização de cultivares que favoreçam a aeração entre as plantas para não criar um ambiente ideal para desenvolvimento do fungo;
- Controle de daninhas hospedeiras do mofo branco;
- Controle químico com aplicação no início da floração até a formação das vagens.
Crestamento foliar de cercospora e mancha púrpura da semente

Doença causada pelo fungo Cercospora kikuchii, que ataca todas as partes da planta.
Ocorre em várias regiões produtoras de soja, sendo mais intensa em locais quentes e chuvosos.
Nas folhas, você pode observar manchas castanho-avermelhadas, produzindo o efeito chamado de “bronzeamento” na folha, que pode evoluir para grandes manchas escuras.
Já nas vagens, causa manchas vermelhas a castanhas. É através das vagens que o fungo atinge a semente, causando manchas avermelhadas denominadas “mancha púrpura”.
Principais manejos
- Uso de sementes certificadas;
- Tratamento de sementes com fungicidas;
- Pulverização com fungicida na parte aérea da planta: existem vários produtos registrados para este patógeno.
>> Leia mais: “Como identificar e manejar o crestamento bacteriano na soja”
Antracnose
O fungo mais comum que causa antracnose em soja é o Colletotrichum truncatum. A doença pode ocorrer no início da cultura e você pode observar o tombamento das plantas jovens de soja.

Nas vagens surgem manchas aquosas no início da doença, escurecendo depois.
Isso pode favorecer a queda das vagens e sementes com manchas deprimidas. Já nas folhas podem ocorrer manchas e necrose.
Manejo da antracnose:
- Utilização de sementes certificadas;
- Sementes tratadas com fungicidas;
- Controle químico;
- Rotação de culturas;
- Plantio da soja no espaçamento adequado, especialmente no plantio direto, para não apresentar condições adequadas para o fungo (alta umidade e clima quente).
Mancha parda ou septoriose

A mancha parda é causada por Septoria glycines e está disseminada por todo o país.
No início do desenvolvimento da doença, você pode observar pequenas pontuações de cor parda nas folhas que, ao se desenvolverem, formam manchas com halos amarelados e centro de contornos angulares, de coloração parda da face superior e rosada na parte inferior da folha. Pode haver desfolha prematura.
Manejo da mancha parda:
- Rotação de culturas;
- Aplicação de fungicidas na parte aérea durante a formação e enchimento das vagens.
Mancha olho-de-rã
É causada pelo fungo Cercospora sojina e pode ocasionar perdas de 10% a 60%.
Os sintomas da doença podem ser observados nas folhas, hastes, vagens e sementes.
Nas folhas ocorrem pequenas manchas encharcadas na face superior que evoluem para lesões de formato arredondado, com o centro castanho claro e bordas castanho-avermelhadas.
Já na face inferior das folhas, as lesões apresentam coloração mais escura.

Os sintomas nas vagens são lesões circulares a alongadas, deprimidas, com coloração marrom-avermelhada.
Nas sementes, causa rachaduras e manchas de coloração parda e cinza.
Manejo da mancha olho-de-rã:
- Variedade resistente;
- Tratamento de sementes.
Cancro da haste
A doença pode ser causada por Diaporthe aspalathi e Diaporthe caulivora. Ambas as espécies causam sintomas semelhantes nas plantas.
Você pode observar lesões profundas nas hastes, com coloração castanho-avermelhadas a negras, alongadas e elípticas, adquirindo coloração castanho-clara com bordas castanho-avermelhadas.
Um aspecto importante desta doença são folhas amareladas e com necrose internerval (folha “carijó”), permanecendo presas à planta.
Já as sementes podem apresentar enrugamento e rachaduras no tegumento. E é possível observar micélio de coloração esbranquiçada a bege sobre a superfície.
As lesões causadas por D. aspalathi raramente circundam a haste e não há murcha.
Já as lesões causadas por D. caulivora circundam o caule, causando murcha e morte da planta.
Manejo do cancro da haste:
- Tratamento de sementes;
- Rotação/sucessão de culturas;
- Cultivares resistentes (D. aspalathi).
Mela ou requeima
Doença causada por Rhizoctonia solani, podendo apresentar até 60% de redução na cultura da soja.
Ocorre em reboleira nas lavouras e tem desenvolvimento em alta umidade relativa.
Os sintomas são folhas com lesões encharcadas de coloração pardo-avermelhada a roxa, evoluindo para marrom-escura a preta.
Uma particularidade é que folhas infectadas geralmente ficam aderidas às outras ou às hastes por meio do micélio, que pode disseminar o fungo para tecidos sadios.
Nas hastes, pecíolos e vagens ocorrem manchas castanho-avermelhadas.
Nos tecidos mortos, o fungo forma um micélio fino com produção de escleródios de cor bege a castanho escuro.
Manejo da requeima
- Rotação de culturas não hospedeiras do fungo;
- Semeadura direta;
- Sementes sadias;
- Tratamento de sementes;
- Espaçamento de plantio adequado;
- Fungicidas;
- Nutrição equilibrada.
Podridão de carvão das raízes
A podridão de carvão na soja é causada pelo fungo Macrophomina phaseolina, sendo a doença radicular mais comum nas áreas de soja.
A infecção pode acontecer na germinação das sementes, tornando as radículas escuras.
Se sua lavoura apresentar a doença no período do florescimento e ocorrer falta de água, as folhas tornam-se cloróticas, secam e adquirem coloração marrom, permanecendo aderidas aos pecíolos.
O colo da planta apresenta lesões de coloração marrom-avermelhada e superficiais.

Já as raízes das plantas adquirem coloração cinza com microescleródios negros.
Manejo da podridão de carvão das raízes:
- Cobertura do solo;
- Plantio em campos que não tenham tido histórico da doença.
Nematoides na cultura da soja
Os nematoides causam doenças na cultura da soja que podem chegar ao prejuízo estimado de R$ 35 bilhões ao ano no Brasil.

(Fonte: Tatiane Zambiazi em Grupo Cultivar)
Para evitar esses prejuízos na lavoura, conheça os principais nematoides que podem ocorrer na soja e suas medidas de manejo:

Manejo de nematoides:
O controle dos nematoides é muito difícil, já que são parasitas do solo. Algumas medidas que podem te auxiliar são:
- Evitar áreas com histórico dos nematoides;
- Evitar a entrada dos nematoides: sementes de boa qualidade, limpeza de implementos, máquinas agrícolas e outros;
- Rotação de culturas com espécies não hospedeiras, em especial as práticas de adubo verde e culturas de cobertura;
- Uso de cultivares de soja tolerantes ou resistentes.
Para te auxiliar nas recomendações, monitoramento da safra e tomada de decisão quanto à estratégia de controle para as doenças, procure um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).
Caso os sintomas estejam inconclusivos, é importante que você encaminhe o material para um laboratório especializado em diagnóstico. Assim você terá o diagnóstico de forma mais rápida e precisa.
>>Leia mais: “Identifique os sintomas da podridão parda da haste da soja e aprenda a evitar a doença”
Como obter sucesso no controle das doenças da soja
Antes de falarmos sobre as principais doenças da cultura da soja, é importante sabermos sobre o planejamento do manejo. Para isso, considere as seguintes informações:
- Histórico da área de cultivo;
- Conheça os sintomas e condições favoráveis para as doenças;
- Conheça todos os métodos de manejo que podem ser utilizados e avalie qual o melhor para sua propriedade;
- Utilize sementes de boa qualidade;
- Não utilize apenas uma medida de manejo: tente integrar vários métodos;
- Faça a adubação de soja adequadamente.
O sucesso no controle, principalmente das doenças causadas por fungos, está correlacionado ao momento em que o manejo é iniciado na lavoura.
Isso pode ser devido a medidas legislativas, como vazio sanitário, ou práticas culturais.
Para reduzir a introdução de patógenos na lavoura é preciso utilizar sementes de boa qualidade e procedência.
Por isso, é importante fazer a análise destas sementes em laboratórios confiáveis. Essa medida ajuda a garantir a alta produtividade nas próximas safras.
As sementes de soja podem transmitir alguns patógenos fúngicos como:
- Cercospora kikuchii
- Septoria glycines
- Colletotrichum truncatum
- Diaporthe aspalathi
- Cercospora sojina
Eles também podem ser transmitidos por restos culturais e servir de fonte de introdução para a lavoura.
Você também pode ter doenças na lavoura de soja causadas por Sclerotinia sclerotiorum, Rhizoctonia solani e Macrophomina phaseolina.
Esses fungos de solo formam estruturas de resistência denominadas escleródios, que podem causar danos enormes nas lavouras por serem bem agressivos e de difícil controle.
Conclusão
Neste texto foram discutidas as principais doenças da soja, seus sintomas e melhores práticas para controle na lavoura.
Além disso, falamos sobre os quatro nematoides mais importantes para a soja e também como combatê-los.
Com isso, você pode orçar os custos dessas medidas de manejo e fazer um planejamento efetivo.
Desse modo, tenho certeza que você terá uma lavoura com maior controle das doenças e também dos seus custos!
>> Leia mais:
“Mancha-púrpura na soja: como livrar sua lavoura dela”
Quais doenças da soja você encontra hoje na sua propriedade? Como você controla essas doenças? Têm problemas com nematoides? Adoraria ver seu comentário abaixo!