O Brasil é um dos maiores produtores de soja do mundo, com uma área cultivada que ultrapassa 43 milhões de hectares e uma produção anual que gira em torno de 150 milhões de toneladas.
A soja é a principal cultura do agronegócio brasileiro, movimentando a economia e influenciando diretamente os mercados de exportação, pecuária e biocombustíveis.
No entanto, para garantir que a produção se mantenha competitiva e rentável, é preciso ter um bom manejo pós-colheita, evitando perdas, assegurando a qualidade do grão e preparando o solo para as próximas safras.
O pós-colheita de soja envolve processos que vão desde o transporte, secagem, armazenamento e classificação dos grãos até o manejo adequado do solo, garantindo uma lavoura mais produtiva no próximo ciclo. Confira a seguir!
Índice do Conteúdo
Quais são as etapas da pós-colheita de soja?
A pós-colheita é composta por diversas etapas que garantem a conservação dos grãos e preparam o solo para o próximo plantio.
Cada fase precisa ser conduzida com atenção para evitar perdas e garantir a qualidade da soja. Para isso, recomendamos as seguintes etapas:
- Transporte: O transporte deve ser feito rapidamente após a colheita para evitar aquecimento e fermentação dos grãos, o que pode comprometer a qualidade final. Caminhões e carretas devem estar bem vedados para evitar contaminação e perda de umidade;
- Secagem: A umidade para armazenamento da soja varia entre 12% e 14%. Umidade acima disso favorece o desenvolvimento de fungos-de-pós-colheita da soja, que comprometem a qualidade e reduzem o preço de mercado dos grãos;
- Armazenamento: Silos e armazéns para grãos precisam ser bem ventilados, com controle de umidade e temperatura. A adoção de sistemas de monitoramento previne pragas, fungos e perdas de grãos durante o período de estocagem;
- Classificação: Os grãos são classificados conforme a qualidade, teor de umidade e presença de impurezas. Quanto maior a qualidade, maior o valor de mercado da soja;
- Manejo do Solo: Após a colheita, o solo precisa ser preparado para o próximo plantio. A adoção de plantas de cobertura pós-colheita da soja ajuda a manter a fertilidade e proteger contra erosão e compactação.
Leia Também:
- Checklist de pós-colheita: 10 melhores práticas
- 12 principais pragas da soja que podem acabar com sua lavoura
Qual a relação da colheita com a qualidade da soja?
A colheita é uma das fases mais críticas no ciclo produtivo da soja, influenciando diretamente a qualidade do grão e a rentabilidade da lavoura. Além disso, a lavoura está exposta a diversos riscos, seja para consumo direto ou para a produção de sementes.
O momento ideal para iniciar a colheita ocorre quando a soja atinge o estádio R8, de acordo com a escala fenológica de Fehr e Caviness (1977).
Nessa fase, as vagens e hastes apresentam cor amarela a marrom, e os grãos possuem teor de umidade adequado para colheita.
A colheita tardia pode levar a perdas quantitativas e qualitativas, resultando em grãos danificados, fermentação e aumento da presença de impurezas.
Dessa forma, ajustar corretamente o maquinário, monitorar as condições climáticas e realizar a colheita no tempo certo são medidas essenciais para garantir um produto de alta qualidade e minimizar os riscos dessa etapa.
Figura 2– produção agrícola de soja no Brasil. Créditos: AEN PR (2023).
O que são perdas pós colheita de soja?
As perdas pós-colheita ocorrem quando a soja sofre danos que reduzem sua qualidade e quantidade comercializável.
É comum que as perdas aconteçam por fatores, como ataque de fungos, quebras mecânicas, umidade excessiva e pragas.
As perdas podem ser classificadas em quantitativas (quando ocorre redução no volume de grãos armazenados) e qualitativas (quando a qualidade da soja é comprometida por contaminantes e fatores externos).
A redução dessas perdas depende de boas práticas durante todas as etapas da pós-colheita, como indica a tabela abaixo.
Fatores de Perdas | Impacto Estimado (%) |
Planejamento inadequado da lavoura | Variável |
Dessecação pré-colheita mal executada | Até 5% |
Altura da planta e umidade dos grãos | Até 15% (em áreas acamadas) |
Colheita mecanizada sem ajustes adequados | Variável |
Perdas nos mecanismos internos da colheitadeira | 15% a 20% |
Barra de corte da plataforma | Até 64% das perdas totais |
Tabela 1. Principais fatores de perdas e seus impactos estimados durante a colheita de soja no Brasil. Fonte: Agroadvance (2024) e Silveira, 2024.
Quais são as técnicas utilizadas para diminuir as perdas pós-colheita de soja?
A pós-colheita de soja é uma fase que influencia diretamente na qualidade dos grãos e na rentabilidade da safra.
Mesmo com uma colheita bem planejada, perdas podem acontecer por conta de umidade inadequada, armazenamento e ataque de pragas, por exemplo.
Para evitar desperdícios e garantir a conservação dos grãos até a comercialização, é necessário adotar boas práticas, como:
- Monitoramento da umidade: Evita o desenvolvimento de fungos-de-pós-colheita da soja, garantindo a preservação da qualidade;
- Ventilação adequada nos silos: Evita superaquecimento e proliferação de pragas e fungos;
- Uso de inseticidas e fungicidas no armazenamento: Protege os grãos contra ataques biológicos que podem gerar perdas;
- Manejo correto do solo: Controlar plantas daninhas em pós-colheita da soja melhora a estrutura e saúde do solo, e reduz riscos na safra seguinte;
- Adoção de plantas de cobertura: Reduz a erosão e melhora a fertilidade.

O que plantar depois da colheita da soja?
Após a colheita da soja, deixar o solo descoberto pode trazer problemas, como erosão, compactação e perda de nutrientes. Além disso, a escolha da cultura seguinte influencia na produtividade da próxima safra e na saúde do solo a longo prazo.
Para manter a fertilidade e melhorar a estrutura do solo, recomendamos escolher plantio de plantas de cobertura, como braquiária, nabo forrageiro e milheto, que ajudam a proteger e enriquecer a área.
Outra alternativa é investir em culturas para a segunda safra, como milho safrinha e sorgo, que podem gerar uma renda adicional e otimizar o uso do solo.
O uso de adubação verde, com leguminosas como crotalária e feijão-guandu, também é uma estratégia eficiente para fixar nitrogênio e recuperar o solo, reduzindo a necessidade de fertilizantes químicos na próxima safra.
A escolha da cultura pós-colheita de soja deve levar em conta o sistema produtivo adotado, o clima da região e os objetivos do produtor rural.