Secagem e armazenamento de grãos: diferentes tipos e custos

Secagem e armazenamento de grãos: veja as diferenças entre secadores, os cálculos dos custos dessas operações e verifique o que realmente compensa.

O processo de secagem e armazenamento de grãos é essencial para evitar perdas após a colheita.

Estima-se que 10% de toda a produção nacional de grãos se perca justamente por problemas nessa etapa.

Compreender qual prática é mais viável para sua lavoura, portanto, reflete ganhos na produção.

Neste artigo apresentamos os secadores mais utilizados e como calcular os custos desse processo para que você tome a melhor decisão!

Secagem e armazenamento de grãos: Por que fazer essa prática conjunta?

O processo correto de secagem e armazenamento de grãos é fundamental para manter a boa qualidade alcançada na colheita.

Isso minimiza riscos na venda do produto enquanto condições impróprias podem comprometer os ganhos da safra inteira.

A secagem adequada evita alterações nos grãos durante o período de armazenagem.

Mas para que essa qualidade seja garantida é fundamental manter unidades armazenadoras de qualidade e alguns cuidados básicos que vamos mostrar para você.

Antes da chegada dos grãos, por exemplo, é preciso limpar a unidade armazenadora para eliminar qualquer possível praga ou doença presentes no ambiente.

Vou explicar melhor esse processo.

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(Fonte: Revista Científica Produção Online)
Processo de armazenagem utilizando sistema de secagem convencional

Armazenamento de grãos

O custo para a desinfecção das unidades é relativamente baixo, comparado aos benefícios que isso pode trazer.

Além disso, verifique sempre qual a umidade dos grãos antes da entrada na unidade armazenadora, pois uma alta umidade pode trazer problemas futuros.

Fatores como a temperatura e a aeração durante o tempo de armazenagem de grãos são fundamentais para o armazenamento correto dos produtos.

Se a unidade de armazenamento está localizada em uma região tropical, a aeração deve ser realizada cuidadosamente e com maiores fluxos de ar.

A combinação de umidade e temperatura elevada intensifica a deterioração dos grãos armazenados.

E como saber qual a umidade e temperatura ideal para o armazenamento?

Isso varia de acordo com a cultura que você vai armazenar e principalmente em qual região a unidade está localizada.

Uma regra básica que você deve seguir é:
UMIDADE RELATIVA DO AR (%) + TEMPERATURA (Co) < 55,5 = ARMAZENAMENTO SEGURO

Diversos estudos indicam que são desejáveis umidade relativa do ar e baixa temperatura para o armazenamento de grãos.

Se você pretende construir uma unidade de armazenamento, vale a pena dar uma olhada na Instrução Normativa Nº 24 do MAPA.

Um bom planejamento é essencial desde a instalação da estrutura até a escolha dos grãos que serão armazenados.

Um ambiente ideal para armazenamento pode ter custo elevado de instalação e manutenção dependendo da região.

Mas esse investimento reflete diretamente na manutenção da produtividade.

Assim, as perdas durante o período de armazenamento acabam sendo mínimas.

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Secagem dos grãos

A colheita dos grãos, em geral, é realizada após o ponto de maturidade fisiológica, quando a umidade ainda é alta.

A secagem é a técnica indicada para o período de pós-colheita, pois reduz o teor de umidade dos grãos a um nível adequado para o armazenamento.

Mas, se realizada de forma incorreta, pode ser prejudicial para a qualidade do grão.

Vou explicar como é ocorre o processo de secagem e como melhorar sua produtividade através dele.

Secagem dos grãos: Como melhorar sua produtividade

A secagem é representada pelo deslocamento de água que ocorre devido às diferenças de potencial hídrico existentes.

Para que aconteçam essas trocas, é necessário que haja diferença de pressão de vapor, em que o movimento da água se dá do sistema de maior para o de menor pressão.

Na prática:
Pressão de vapor do grão > Pressão de vapor do ar = Secagem
Pressão de vapor do grão < Pressão de vapor do ar = Umedecimento
Pressão de vapor do grão = Pressão de vapor do ar = Equilíbrio Higroscópico

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Movimentação de água durante o processo de secagem
(Fonte: Silva et al. em Secretaria da Agricultura RS)

planilha de produtividade da soja

Velocidade e tempo de secagem

A velocidade e o tempo de secagem dependem de alguns fatores como: tamanho dos grãos, umidade relativa, sistema de secagem, teor de água inicial e teor de água pretendido.

Por isso, não é possível dizer exatamente qual o tempo de secagem para cada cultura.

Para você ter uma ideia, vamos exemplificar a diferença entre milho e trigo. O trigo, por apresentar grãos menores, seca mais rapidamente que o milho.

Mas isso pode mudar dependendo do sistema de secagem utilizado!

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Velocidades relativas de secagem para milho e trigo
(Fonte: Silva et al. em  Secretaria da Agricultura RS)

Sistemas de secagem: natural e artificial

A secagem natural é aquela realizada no próprio campo, utilizando-se da radiação solar e temperatura do ar ambiente para redução do teor de água dos grãos.

Esse técnica ainda é bastante utilizada em nosso país, principalmente por pequenos e médios produtores de café, milho e feijão.

A principal vantagem é o baixo custo.

Mas é um método bastante demorado e que depende diretamente das condições climáticas.

Também pode favorecer a ocorrência de pragas agrícolas e microrganismos devido à exposição dos grãos.

Já a secagem artificial consiste no emprego de técnicas que aumentam a velocidade do processo, com uso de secadores.

No mercado encontramos secadores de vários tipos, com diferentes sistemas de trabalho, movidos a gás ou a lenha.

As principais vantagens dos secadores artificiais são a praticidade, melhor qualidade do produto final e maior capacidade de secagem.

Porém, há um custo mais elevado de construção e maior risco de incêndio devido às altas temperaturas.

Independente da técnica escolhida para a secagem, é importante ter planejamento inicial e saber como estimar o custo desse processo.

Abaixo, vou explicar melhor como realizar esse cálculo. Mas, antes, vamos falar mais sobre os métodos e tipos de secagem.

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(Fonte: Embrapa)

Secagem e armazenamento de grãos: secadores contínuos e intermitentes

Os secadores possibilitam estabelecer combinações de movimentação ausente ou presente, da massa de grãos, com a frequência de seu contato com o ar aquecido.

Temos no mercado secadores do tipo contínuos e/ou intermitentes.

Vou explicar melhor como funcionam.

Na secagem do tipo fluxo contínuo, os grãos passam apenas uma vez pelo secador.

Nesse tipo de secador a umidade relativa dos grãos no momento da entrada não deve ultrapassar 18%.

Já na secagem do tipo intermitente os grãos passam diversas vezes pelo secador, pois a umidade relativa deles é elevada, ou seja, acima de 18%.

Antes de utilizar os secadores, é fundamental efetuar a pré-limpeza dos grãos e saber qual o teor de água deles.

>> Leia mais: “Entenda como a umidade do grão de café pode impactar a qualidade do produto final

Secadores cascatas e fluxos cruzados

Os tipos de secadores mais utilizados no mercado são os de cascatas e os de fluxos cruzados.

Os secadores cascata possuem um corpo composto por calhas com extremidades fechadas e abertas forçando a passagem de ar pelos grãos.

Na prática, eles descem entre as calhas e o ar aquecido passa entre as camadas de grãos, diminuindo a umidade de maneira uniforme.

Já nos secadores de fluxos cruzados, os grãos ficam em movimento entre a estrutura composta por metal perfurado.

A circulação de ar desse tipo de secador ocorre de maneira desuniforme. Os grãos posicionados próximos às chapas tendem a secar mais rápido, prejudicando a conservação.

Se você optar por esse tipo de secador, fique atento às altas temperaturas durante todo o processo de secagem.

O desempenho de cada tipo de secador pode variar de acordo com o grão utilizado e propriedades físicas e químicas do grão.

O teor de água, as condições ambientais e tipo de fonte de energia utilizadas também interferem.

Realize o planejamento estratégico e escolha com antecedência qual a melhor opção para sua propriedade.

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(Fonte: Silva e De Grand, 1998)

Como calcular o custo da secagem e armazenamento de grãos?

Entender todos os custos envolvidos na sua produção é essencial para uma boa gestão agrícola.

Assim você pode analisar e comparar os custos e benefícios gerados por esses itens!

Para descobrir qual o custo desse manejo em seus grãos, utilize esse cálculo:

CT: Ccs+ Cv+ Cf

Entenda a equação:
CT: Custo total
Ccs: Custo do combustível (R$.m3/produto)
Cv: Custo do ventilador (R$.m3/produto)
Cf: Custo Fixo (R$.m3/produto)

Após chegar ao valor, verifique o quanto gastaria com aluguel ou manutenção dos silos para armazenagem.

Coloque esses valores em uma planilha e analise qual a participação da secagem e armazenamento de grãos dentro do seu custo total de produção.

Conclusão

Como você pôde conferir, a secagem e armazenamento de grãos, quando realizadas de maneira correta, podem garantir sua produtividade.

Aqui vimos a importância da utilização dessas duas técnicas em conjunto e como realizá-las!

Também discutimos as principais vantagens e desvantagens da secagem artificial e natural e quais as condições ideais para o armazenamento de grãos.

Ainda pôde conferir como calcular os custos da utilização dessas técnicas. Aproveite esses conhecimentos e confira o que realmente compensa na sua realidade!

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Você realiza a secagem e armazenamento de grãos na sua propriedade? Utiliza a secagem natural ou artificial? Deixe seu comentário abaixo!

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