Secagem e armazenamento de grãos: veja as diferenças entre secadores, os cálculos dos custos dessas operações e verifique o que realmente compensa.
O processo de secagem e armazenamento de grãos é essencial para evitar perdas após a colheita.
Estima-se que 10% de toda a produção nacional de grãos se perca justamente por problemas nessa etapa.
Compreender qual prática é mais viável para sua lavoura, portanto, reflete ganhos na produção.
Neste artigo apresentamos os secadores mais utilizados e como calcular os custos desse processo para que você tome a melhor decisão!
Índice do Conteúdo
- 1 Secagem e armazenamento de grãos: Por que fazer essa prática conjunta?
- 2 Secagem dos grãos: Como melhorar sua produtividade
- 3 Sistemas de secagem: natural e artificial
- 4 Secagem e armazenamento de grãos: secadores contínuos e intermitentes
- 5 Secadores cascatas e fluxos cruzados
- 6 Como calcular o custo da secagem e armazenamento de grãos?
- 7 Conclusão
Secagem e armazenamento de grãos: Por que fazer essa prática conjunta?
O processo correto de secagem e armazenamento de grãos é fundamental para manter a boa qualidade alcançada na colheita.
Isso minimiza riscos na venda do produto enquanto condições impróprias podem comprometer os ganhos da safra inteira.
A secagem adequada evita alterações nos grãos durante o período de armazenagem.
Mas para que essa qualidade seja garantida é fundamental manter unidades armazenadoras de qualidade e alguns cuidados básicos que vamos mostrar para você.
Antes da chegada dos grãos, por exemplo, é preciso limpar a unidade armazenadora para eliminar qualquer possível praga ou doença presentes no ambiente.
Vou explicar melhor esse processo.
(Fonte: Revista Científica Produção Online)
Processo de armazenagem utilizando sistema de secagem convencional
Armazenamento de grãos
O custo para a desinfecção das unidades é relativamente baixo, comparado aos benefícios que isso pode trazer.
Além disso, verifique sempre qual a umidade dos grãos antes da entrada na unidade armazenadora, pois uma alta umidade pode trazer problemas futuros.
Fatores como a temperatura e a aeração durante o tempo de armazenagem de grãos são fundamentais para o armazenamento correto dos produtos.
Se a unidade de armazenamento está localizada em uma região tropical, a aeração deve ser realizada cuidadosamente e com maiores fluxos de ar.
A combinação de umidade e temperatura elevada intensifica a deterioração dos grãos armazenados.
E como saber qual a umidade e temperatura ideal para o armazenamento?
Isso varia de acordo com a cultura que você vai armazenar e principalmente em qual região a unidade está localizada.
Uma regra básica que você deve seguir é:
UMIDADE RELATIVA DO AR (%) + TEMPERATURA (Co) < 55,5 = ARMAZENAMENTO SEGURO
Diversos estudos indicam que são desejáveis umidade relativa do ar e baixa temperatura para o armazenamento de grãos.
Se você pretende construir uma unidade de armazenamento, vale a pena dar uma olhada na Instrução Normativa Nº 24 do MAPA.
Um bom planejamento é essencial desde a instalação da estrutura até a escolha dos grãos que serão armazenados.
Um ambiente ideal para armazenamento pode ter custo elevado de instalação e manutenção dependendo da região.
Mas esse investimento reflete diretamente na manutenção da produtividade.
Assim, as perdas durante o período de armazenamento acabam sendo mínimas.

Secagem dos grãos
A colheita dos grãos, em geral, é realizada após o ponto de maturidade fisiológica, quando a umidade ainda é alta.
A secagem é a técnica indicada para o período de pós-colheita, pois reduz o teor de umidade dos grãos a um nível adequado para o armazenamento.
Mas, se realizada de forma incorreta, pode ser prejudicial para a qualidade do grão.
Vou explicar como é ocorre o processo de secagem e como melhorar sua produtividade através dele.
Secagem dos grãos: Como melhorar sua produtividade
A secagem é representada pelo deslocamento de água que ocorre devido às diferenças de potencial hídrico existentes.
Para que aconteçam essas trocas, é necessário que haja diferença de pressão de vapor, em que o movimento da água se dá do sistema de maior para o de menor pressão.
Na prática:
Pressão de vapor do grão > Pressão de vapor do ar = Secagem
Pressão de vapor do grão < Pressão de vapor do ar = Umedecimento
Pressão de vapor do grão = Pressão de vapor do ar = Equilíbrio Higroscópico

Movimentação de água durante o processo de secagem
(Fonte: Silva et al. em Secretaria da Agricultura RS)

Velocidade e tempo de secagem
A velocidade e o tempo de secagem dependem de alguns fatores como: tamanho dos grãos, umidade relativa, sistema de secagem, teor de água inicial e teor de água pretendido.
Por isso, não é possível dizer exatamente qual o tempo de secagem para cada cultura.
Para você ter uma ideia, vamos exemplificar a diferença entre milho e trigo. O trigo, por apresentar grãos menores, seca mais rapidamente que o milho.
Mas isso pode mudar dependendo do sistema de secagem utilizado!
Velocidades relativas de secagem para milho e trigo
(Fonte: Silva et al. em Secretaria da Agricultura RS)
Sistemas de secagem: natural e artificial
A secagem natural é aquela realizada no próprio campo, utilizando-se da radiação solar e temperatura do ar ambiente para redução do teor de água dos grãos.
Esse técnica ainda é bastante utilizada em nosso país, principalmente por pequenos e médios produtores de café, milho e feijão.
A principal vantagem é o baixo custo.
Mas é um método bastante demorado e que depende diretamente das condições climáticas.
Também pode favorecer a ocorrência de pragas agrícolas e microrganismos devido à exposição dos grãos.
Já a secagem artificial consiste no emprego de técnicas que aumentam a velocidade do processo, com uso de secadores.
No mercado encontramos secadores de vários tipos, com diferentes sistemas de trabalho, movidos a gás ou a lenha.
As principais vantagens dos secadores artificiais são a praticidade, melhor qualidade do produto final e maior capacidade de secagem.
Porém, há um custo mais elevado de construção e maior risco de incêndio devido às altas temperaturas.
Independente da técnica escolhida para a secagem, é importante ter planejamento inicial e saber como estimar o custo desse processo.
Abaixo, vou explicar melhor como realizar esse cálculo. Mas, antes, vamos falar mais sobre os métodos e tipos de secagem.
(Fonte: Embrapa)
Secagem e armazenamento de grãos: secadores contínuos e intermitentes
Os secadores possibilitam estabelecer combinações de movimentação ausente ou presente, da massa de grãos, com a frequência de seu contato com o ar aquecido.
Temos no mercado secadores do tipo contínuos e/ou intermitentes.
Vou explicar melhor como funcionam.
Na secagem do tipo fluxo contínuo, os grãos passam apenas uma vez pelo secador.
Nesse tipo de secador a umidade relativa dos grãos no momento da entrada não deve ultrapassar 18%.
Já na secagem do tipo intermitente os grãos passam diversas vezes pelo secador, pois a umidade relativa deles é elevada, ou seja, acima de 18%.
Antes de utilizar os secadores, é fundamental efetuar a pré-limpeza dos grãos e saber qual o teor de água deles.
>> Leia mais: “Entenda como a umidade do grão de café pode impactar a qualidade do produto final“
Secadores cascatas e fluxos cruzados
Os tipos de secadores mais utilizados no mercado são os de cascatas e os de fluxos cruzados.
Os secadores cascata possuem um corpo composto por calhas com extremidades fechadas e abertas forçando a passagem de ar pelos grãos.
Na prática, eles descem entre as calhas e o ar aquecido passa entre as camadas de grãos, diminuindo a umidade de maneira uniforme.
Já nos secadores de fluxos cruzados, os grãos ficam em movimento entre a estrutura composta por metal perfurado.
A circulação de ar desse tipo de secador ocorre de maneira desuniforme. Os grãos posicionados próximos às chapas tendem a secar mais rápido, prejudicando a conservação.
Se você optar por esse tipo de secador, fique atento às altas temperaturas durante todo o processo de secagem.
O desempenho de cada tipo de secador pode variar de acordo com o grão utilizado e propriedades físicas e químicas do grão.
O teor de água, as condições ambientais e tipo de fonte de energia utilizadas também interferem.
Realize o planejamento estratégico e escolha com antecedência qual a melhor opção para sua propriedade.
(Fonte: Silva e De Grand, 1998)
Como calcular o custo da secagem e armazenamento de grãos?
Entender todos os custos envolvidos na sua produção é essencial para uma boa gestão agrícola.
Assim você pode analisar e comparar os custos e benefícios gerados por esses itens!
Para descobrir qual o custo desse manejo em seus grãos, utilize esse cálculo:
CT: Ccs+ Cv+ Cf
Entenda a equação:
CT: Custo total
Ccs: Custo do combustível (R$.m3/produto)
Cv: Custo do ventilador (R$.m3/produto)
Cf: Custo Fixo (R$.m3/produto)
Após chegar ao valor, verifique o quanto gastaria com aluguel ou manutenção dos silos para armazenagem.
Coloque esses valores em uma planilha e analise qual a participação da secagem e armazenamento de grãos dentro do seu custo total de produção.
Conclusão
Como você pôde conferir, a secagem e armazenamento de grãos, quando realizadas de maneira correta, podem garantir sua produtividade.
Aqui vimos a importância da utilização dessas duas técnicas em conjunto e como realizá-las!
Também discutimos as principais vantagens e desvantagens da secagem artificial e natural e quais as condições ideais para o armazenamento de grãos.
Ainda pôde conferir como calcular os custos da utilização dessas técnicas. Aproveite esses conhecimentos e confira o que realmente compensa na sua realidade!
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Você realiza a secagem e armazenamento de grãos na sua propriedade? Utiliza a secagem natural ou artificial? Deixe seu comentário abaixo!