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Tipos de grãos de milho: tudo o que você precisa saber para fazer a escolha certeira

- 9 de fevereiro de 2021

Tipos de grãos de milho: conheça as características e veja como cultivar melhor cada uma delas

O milho é o cereal mais produzido no mundo, sendo utilizado na indústria e alimentação humana e animal, para consumo in natura ou processado. 

Muita dessa sua versatilidade se deve aos diferentes tipos de grãos que essa cultura apresenta. 

Você já deve ter notado as diferenças visuais e de utilização que cada um dos tipos apresenta, mas sabe o que define cada um?

Neste artigo, confira as características de diferentes tipos de grãos de milho e como cultivar melhor cada uma delas! 

Diferentes tipos de grãos de milho e suas características

Os grãos de milho são classificados em cinco tipos, de acordo com seu formato e composição, sendo denominados: dentado, duro, farináceo, pipoca e doce.

Um fator importante para entender a classificação dos tipos de grãos é conhecer o endosperma presente em cada tipo. 

O endosperma é o tecido de reserva dos grãos e representa cerca de 83% da matéria seca total do grão. 

No caso do milho, essas reservas são basicamente amido e proteína. Dependendo da forma como o amido e a proteína se organizam, o endosperma pode ser considerado córneo (duro) ou amiláceo (farináceo), como você pode ver na figura abaixo:

ilustração com tipos de grãos de milho e as relativas proporções do endosperma farináceo e vítreo

Tipos de milho e as relativas proporções do endosperma farináceo e vítreo
(Fonte: adaptado de Pereira e Antunes, 2007, via Pubvet)

Vamos agora conhecer melhor cada um dos cinco tipos de grãos de milho?

1 – Milho dentado

O milho dentado, “Dent Corn”, possuiu seu endosperma duro nas laterais e farináceo no centro. Isso faz com que, ao desidratar, o grão forme uma depressão na região da coroa (parte superior do grão) e fique com o seu formato semelhante a um dente. 

Pode apresentar bastante variação na coloração, indo do branco e amarelo até tons mais avermelhados e marrons.

É amplamente utilizado na nutrição animal e indústria, para produção de álcool e xaropes.

Caso sua produção seja para silagem, é muito importante ficar atento à adubação nitrogenada e potássica, nutrientes mais exportados pela planta. Isso porque, ao remover a planta inteira da lavoura, seu solo precisará de maior reposição desses nutrientes.

2 – Milho duro

Nesse tipo de grão de milho, o endosperma duro, além de estar em maior proporção em relação ao amiláceo, recobre toda a superfície do grão. Isso confere firmeza e um aspecto liso e brilhante

Esse tipo de milho possui grãos grandes e de coloração laranja-avermelhada.

Devido a essas características, o grão duro ou “Flint Corn”, possui um bom rendimento para indústria, sendo amplamente utilizado na fabricação de canjicas, fubás, snacks, massas, cervejas, condimentos, etc.

3 – Milho farináceo

O milho farináceo, como o próprio nome sugere, possui seu endosperma mole, ou seja, farináceo. 

Seus grãos são de coloração branca e amarela, possuem sabor suave e adocicado, além de textura macia.

A maciez desse grão favorece sua moagem e possibilita uma alta extração de amido. Por isso, é ideal para a produção de farinhas, sendo muito utilizado na produção de pães e biscoitos. 

Essas características ainda o tornam uma boa opção para produção de alimentos sem glúten.

4 – Milho-pipoca

O milho do tipo pipoca possui espigas menores, grãos duros e pequenos e, em sua maioria, cor amarelo-alaranjada. 

Seu pericarpo (casca) duro de alta resistência e o teor de água e óleo no interior do grão fazem com que, ao ser aquecido, a pressão no interior do grão aumente. Assim, ele expande até estourar. Esse tipo, você já sabe a finalidade, não é mesmo?

Essa sua principal característica, a expansão, é fator importante para determinar o valor comercial. Quanto maior sua capacidade de expansão, maior o valor, pois isso significa uma pipoca grande e macia.

Produção de milho-pipoca

Para garantir uma produção de qualidade, é muito importante que você escolha variedades específicas para o cultivo de milho-pipoca.

Como comentei acima, é preciso que ele tenha uma boa capacidade de expansão, sendo desejável acima de 21 mL/mL. Variedades com excelente capacidade de expansão ficam acima de 26 mL/mL.

Outro fator importante é que, como o milho-pipoca normalmente não é transgênico, é preciso ficar ainda mais atento ao controle de pragas. As principais são a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), das espigas (Helicoverpa zea) e os percevejos.

Além disso, o cultivo do milho-pipoca exige uma qualidade ainda maior nas operações de colheita e secagem, para garantir a qualidade do produto final. 

Esse fator tem feito os produtores investirem mais em tecnologia, optando por colhedoras cada vez mais precisas e secadores de grãos mais modernos.

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5 – Milho-doce ou milho-verde

Esse tipo é oriundo de uma mutação genética, fazendo com que no interior do endosperma ocorra a produção de fitoglicogênio em vez de amido. Isso confere a esse tipo de grão o sabor adocicado. 

Possui coloração amarela, formato ovalado e miolo translúcido.

Devido ao seu sabor, pericarpo fino e textura macia, o milho-doce, também conhecido como milho-verde, é utilizado basicamente para a alimentação humana. Por ter baixo teor de amido, também favorece o processo de enlatamento, pois não torna o caldo turvo. 

Produção de milho-doce

A produção de milho-verde é uma ótima alternativa para pequenos produtores, pois é um cultivo que não necessita de mecanização.

Para produzir espigas maiores e mais cheias, com maior valor de mercado, a densidade de semeadura desse cultivo deve ser menor, ficando em torno de 50 mil plantas/ha. 

O espaçamento entre linhas deve ficar em torno de 0,9 m a 1 m, o que além de proporcionar um bom desenvolvimento, facilita a entrada de pessoas na lavoura.

Para qualquer produção de milho, é preciso atenção à disponibilidade hídrica, mas para o milho-verde isso se torna ainda mais relevante. 

A falta de água em momentos-chave, como o embonecamento, pode afetar o número de grãos que irão se formar, provocando uma espiga com falhas no preenchimento. Tal condição, além de diminuir a produtividade, também acarreta menor valor comercial.

Outro fator que merece atenção redobrada é o ataque de lagartas como a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) e a das espigas (Helicoverpa zea).

Para garantir a maciez ideal do produto final, a colheita desse tipo de milho deve ser realizada na fase de grão leitoso.

Uma boa dica para identificar esse momento é observar se os estigmas (cabelos) já possuem coloração marrom e aspecto seco.

Agora que você  já sabe as principais diferenças entre os tipos de grãos, vamos falar sobre estratégias para alcançar um bom rendimento na sua lavoura?

Como escolher o tipo de grão de milho e planejar sua lavoura

É aqui que você deve definir quais dos tipos de grãos se enquadram melhor na sua realidade e finalidade de produção. Para isso, você pode seguir algumas dicas:

  • Avalie o mercado da região: existe demanda para esse tipo de grão? Como e para onde irá escoar a produção?
  • Quais as características físicas da sua propriedade?
  • Você possui mão de obra, maquinário e possibilidade de investimento para qual tipo de produção?

Definido qual o tipo de grão você vai produzir, começa o planejamento da lavoura

Para isso, fique atento à época ideal de desenvolvimento da cultura e, para minimizar o risco da sua produção, sempre siga o zoneamento agrícola.

  • Escolha a cultivar de acordo com sua finalidade de produção, nível de investimento, e condições climáticas e sanitárias da região. Lembre-se sempre de seguir as recomendações do obtentor.
  • Prepare o solo de 3 a 6 meses antes do plantio: faça análise de solo e contate seu engenheiro-agrônomo para a recomendação de adubação e correção da área. Trace estratégias para manter sua área livre de plantas daninhas, para proporcionar um bom desenvolvimento inicial da cultura.
  • Defina o arranjo de plantas: lembre-se sempre de seguir a orientação das cultivares e avaliar as condições ambientais do local. Se você fará um menor investimento em nutrição e o ano promete ser de chuva abaixo da média, uma boa estratégia é utilizar o limite inferior recomendado de densidade de plantas.
  • Regule o maquinário: isso é fundamental para garantir uma semeadura de qualidade.

Conclusão

O milho é uma cultura muito versátil, podendo ser utilizado para várias finalidades, é atualmente é o cereal mais consumido no mundo.

Nesse artigo vimos como é feita a classificação dos tipos de grãos de milho de acordo com sua composição e forma.

Também falamos sobre as características e algumas dicas de manejo do milho  dentado, duro, farináceo, pipoca e doce, além de como definir o melhor tipo de grão para a sua lavoura.

Você já escolheu qual dos tipos de grãos de milho vai produzir? Conte aqui nos comentários qual se enquadra melhor na sua propriedade!

Comentários

  1. Francimilton Pereira Aires disse:

    TenhTenho uma pequena plantação de milho destino um pouco pro milho verde e outro ração animal.
    Muito bom artigo, tá sendo muito importante pra mim.

  2. Beto Brasil disse:

    quero saber onde comprar direto do produtor. para revenda, moro no rj, vcs podem me ajudar a regiao para compra, não entendo muito, li a sua materia e gostei,

    1. Raíssa Natasha Ciccheli disse:

      Oi, Beto
      Sou da comunicação da Aegro.
      Agradecemos por nos acompanhar. Não temos essa indicação, mas temos um portal de consultores parceiros que talvez possam te ajudar. Acesse e procure o mais próximo de você: https://portal-consultores.aegro.com.br/

      Abraço! 🙂

  3. Deus Carmo disse:

    Muito útil. É pena que tenhamos perdido praticamente várias espécies ou tipos de milho.

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