Tipos de grãos de milho: tudo o que você precisa saber para fazer a escolha certeira

Tipos de grãos de milho: conheça as características e veja como cultivar melhor cada uma delas

O milho é o cereal mais produzido no mundo, sendo utilizado na indústria e alimentação humana e animal, para consumo in natura ou processado. 

Muita dessa sua versatilidade se deve aos diferentes tipos de grãos que essa cultura apresenta. 

Você já deve ter notado as diferenças visuais e de utilização que cada um dos tipos apresenta, mas sabe o que define cada um?

Neste artigo, confira as características de diferentes tipos de grãos de milho e como cultivar melhor cada uma delas! 

Diferentes tipos de grãos de milho e suas características

Os grãos de milho são classificados em cinco tipos, de acordo com seu formato e composição, sendo denominados: dentado, duro, farináceo, pipoca e doce.

Um fator importante para entender a classificação dos tipos de grãos é conhecer o endosperma presente em cada tipo. 

O endosperma é o tecido de reserva dos grãos e representa cerca de 83% da matéria seca total do grão. 

No caso do milho, essas reservas são basicamente amido e proteína. Dependendo da forma como o amido e a proteína se organizam, o endosperma pode ser considerado córneo (duro) ou amiláceo (farináceo), como você pode ver na figura abaixo:

ilustração com tipos de grãos de milho e as relativas proporções do endosperma farináceo e vítreo

Tipos de milho e as relativas proporções do endosperma farináceo e vítreo
(Fonte: adaptado de Pereira e Antunes, 2007, via Pubvet)

Vamos agora conhecer melhor cada um dos cinco tipos de grãos de milho?

1 – Milho dentado

O milho dentado, “Dent Corn”, possuiu seu endosperma duro nas laterais e farináceo no centro. Isso faz com que, ao desidratar, o grão forme uma depressão na região da coroa (parte superior do grão) e fique com o seu formato semelhante a um dente. 

Pode apresentar bastante variação na coloração, indo do branco e amarelo até tons mais avermelhados e marrons.

É amplamente utilizado na nutrição animal e indústria, para produção de álcool e xaropes.

Caso sua produção seja para silagem, é muito importante ficar atento à adubação nitrogenada e potássica, nutrientes mais exportados pela planta. Isso porque, ao remover a planta inteira da lavoura, seu solo precisará de maior reposição desses nutrientes.

2 – Milho duro

Nesse tipo de grão de milho, o endosperma duro, além de estar em maior proporção em relação ao amiláceo, recobre toda a superfície do grão. Isso confere firmeza e um aspecto liso e brilhante

Esse tipo de milho possui grãos grandes e de coloração laranja-avermelhada.

Devido a essas características, o grão duro ou “Flint Corn”, possui um bom rendimento para indústria, sendo amplamente utilizado na fabricação de canjicas, fubás, snacks, massas, cervejas, condimentos, etc.

3 – Milho farináceo

O milho farináceo, como o próprio nome sugere, possui seu endosperma mole, ou seja, farináceo. 

Seus grãos são de coloração branca e amarela, possuem sabor suave e adocicado, além de textura macia.

A maciez desse grão favorece sua moagem e possibilita uma alta extração de amido. Por isso, é ideal para a produção de farinhas, sendo muito utilizado na produção de pães e biscoitos. 

Essas características ainda o tornam uma boa opção para produção de alimentos sem glúten.

4 – Milho-pipoca

O milho do tipo pipoca possui espigas menores, grãos duros e pequenos e, em sua maioria, cor amarelo-alaranjada. 

Seu pericarpo (casca) duro de alta resistência e o teor de água e óleo no interior do grão fazem com que, ao ser aquecido, a pressão no interior do grão aumente. Assim, ele expande até estourar. Esse tipo, você já sabe a finalidade, não é mesmo?

Essa sua principal característica, a expansão, é fator importante para determinar o valor comercial. Quanto maior sua capacidade de expansão, maior o valor, pois isso significa uma pipoca grande e macia.

Produção de milho-pipoca

Para garantir uma produção de qualidade, é muito importante que você escolha variedades específicas para o cultivo de milho-pipoca.

Como comentei acima, é preciso que ele tenha uma boa capacidade de expansão, sendo desejável acima de 21 mL/mL. Variedades com excelente capacidade de expansão ficam acima de 26 mL/mL.

Outro fator importante é que, como o milho-pipoca normalmente não é transgênico, é preciso ficar ainda mais atento ao controle de pragas. As principais são a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), das espigas (Helicoverpa zea) e os percevejos.

Além disso, o cultivo do milho-pipoca exige uma qualidade ainda maior nas operações de colheita e secagem, para garantir a qualidade do produto final. 

Esse fator tem feito os produtores investirem mais em tecnologia, optando por colhedoras cada vez mais precisas e secadores de grãos mais modernos.

5 – Milho-doce ou milho-verde

Esse tipo é oriundo de uma mutação genética, fazendo com que no interior do endosperma ocorra a produção de fitoglicogênio em vez de amido. Isso confere a esse tipo de grão o sabor adocicado. 

Possui coloração amarela, formato ovalado e miolo translúcido.

Devido ao seu sabor, pericarpo fino e textura macia, o milho-doce, também conhecido como milho-verde, é utilizado basicamente para a alimentação humana. Por ter baixo teor de amido, também favorece o processo de enlatamento, pois não torna o caldo turvo. 

Produção de milho-doce

A produção de milho-verde é uma ótima alternativa para pequenos produtores, pois é um cultivo que não necessita de mecanização.

Para produzir espigas maiores e mais cheias, com maior valor de mercado, a densidade de semeadura desse cultivo deve ser menor, ficando em torno de 50 mil plantas/ha. 

O espaçamento entre linhas deve ficar em torno de 0,9 m a 1 m, o que além de proporcionar um bom desenvolvimento, facilita a entrada de pessoas na lavoura.

Para qualquer produção de milho, é preciso atenção à disponibilidade hídrica, mas para o milho-verde isso se torna ainda mais relevante. 

A falta de água em momentos-chave, como o embonecamento, pode afetar o número de grãos que irão se formar, provocando uma espiga com falhas no preenchimento. Tal condição, além de diminuir a produtividade, também acarreta menor valor comercial.

Outro fator que merece atenção redobrada é o ataque de lagartas como a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) e a das espigas (Helicoverpa zea).

Para garantir a maciez ideal do produto final, a colheita desse tipo de milho deve ser realizada na fase de grão leitoso.

Uma boa dica para identificar esse momento é observar se os estigmas (cabelos) já possuem coloração marrom e aspecto seco.

Agora que você  já sabe as principais diferenças entre os tipos de grãos, vamos falar sobre estratégias para alcançar um bom rendimento na sua lavoura?

Como escolher o tipo de grão de milho e planejar sua lavoura

É aqui que você deve definir quais dos tipos de grãos se enquadram melhor na sua realidade e finalidade de produção. Para isso, você pode seguir algumas dicas:

  • Avalie o mercado da região: existe demanda para esse tipo de grão? Como e para onde irá escoar a produção?
  • Quais as características físicas da sua propriedade?
  • Você possui mão de obra, maquinário e possibilidade de investimento para qual tipo de produção?

Definido qual o tipo de grão você vai produzir, começa o planejamento da lavoura

Para isso, fique atento à época ideal de desenvolvimento da cultura e, para minimizar o risco da sua produção, sempre siga o zoneamento agrícola.

  • Escolha a cultivar de acordo com sua finalidade de produção, nível de investimento, e condições climáticas e sanitárias da região. Lembre-se sempre de seguir as recomendações do obtentor.
  • Prepare o solo de 3 a 6 meses antes do plantio: faça análise de solo e contate seu engenheiro-agrônomo para a recomendação de adubação e correção da área. Trace estratégias para manter sua área livre de plantas daninhas, para proporcionar um bom desenvolvimento inicial da cultura.
  • Defina o arranjo de plantas: lembre-se sempre de seguir a orientação das cultivares e avaliar as condições ambientais do local. Se você fará um menor investimento em nutrição e o ano promete ser de chuva abaixo da média, uma boa estratégia é utilizar o limite inferior recomendado de densidade de plantas.
  • Regule o maquinário: isso é fundamental para garantir uma semeadura de qualidade.

Conclusão

O milho é uma cultura muito versátil, podendo ser utilizado para várias finalidades, é atualmente é o cereal mais consumido no mundo.

Nesse artigo vimos como é feita a classificação dos tipos de grãos de milho de acordo com sua composição e forma.

Também falamos sobre as características e algumas dicas de manejo do milho  dentado, duro, farináceo, pipoca e doce, além de como definir o melhor tipo de grão para a sua lavoura.

Você já escolheu qual dos tipos de grãos de milho vai produzir? Conte aqui nos comentários qual se enquadra melhor na sua propriedade!

5 thoughts on “Tipos de grãos de milho: tudo o que você precisa saber para fazer a escolha certeira

  1. TenhTenho uma pequena plantação de milho destino um pouco pro milho verde e outro ração animal.
    Muito bom artigo, tá sendo muito importante pra mim.

  2. quero saber onde comprar direto do produtor. para revenda, moro no rj, vcs podem me ajudar a regiao para compra, não entendo muito, li a sua materia e gostei,

  3. Gostei muito da explicação, plantei milho híbrido KWS e Pioneer e adquiri um otimo resultado. estou colhendo 180 a 170 sacas p/ha. obrigado(a) pelas dicas.

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