Percevejos: você conhece tudo sobre esses insetos?

Atualizado em 29 de junho de 2022.

Percevejos: entenda os hábitos, os danos e como manejar melhor esses insetos em sua propriedade.

Os percevejos são insetos fitófagos que se alimentam de partes das plantas como raízes, caule, folhas, grãos e frutos. Pertencem à subordem Heteroptera e ordem Hemiptera, com mais de 40 mil espécies. 

Essas pragas agrícolas causam danos diretos, pela sucção nos tecidos da planta e principalmente nos grãos. Danos indiretos também são causados pela disseminação de doenças.

Neste artigo, confira o que são percevejos, suas principais características, tipos de percevejos e sua identificação visual. Boa leitura!

O que são percevejos?

Os percevejos são pequenos insetos sugadores, com aparelho bucal do tipo labial tetraqueta. Isso possibilita que eles insiram o rosto na planta para sugar seus nutrientes.

Existem diversas famílias e espécies desta subordem Heteroptera. Elas variam muito quanto ao hábito alimentar, e podem ser predadores, hematófagos, zoofitófagos ou fitófagos.

Os predadores se alimentam de outros insetos. Os hematófagos se alimentam de sangue. Os zoofitófagos são carnívoros, mas utilizam de produtos de plantas como pólen, néctar e seiva para complementação nutricional.

Os percevejos fitófagos são os que causam danos nas culturas agrícolas, e se alimentam de diferentes partes das plantas. Os percevejos mais importantes incluem:

  • Família Pentatomidae: considerados sugadores de grãos. As principais espécies desta são: Nezara viridula (percevejo-verde), Piezodorus guildinii (percevejo-verde-pequeno), Euschistus heros (percevejo-marrom), Dichelops Spinola (percevejo barriga-verde), Edessa meditabunda (percevejo da soja);
  • Família Cydnidae: são polífagos e sugadores de raízes, principalmente em lavouras sob sistema de plantio direto. As principais espécies são: Scaptocoris castanea e Scaptocoris carvalhoi;
  • Família Alydidae: também sugadores de grãos: Neomegalotomus parvus (percevejo-formigão)

Principais características dos percevejos

A principal família de percevejos que causa danos em diversas culturas e principalmente na soja é a família Pentatomidae. Ela possui mais de 4.123 espécies.

Esta família tem antenas com cinco segmentos, medem cerca de 7 mm e tem a parte superior do corpo grande e em formato triangular. Eles podem ou não ter a presença de espinhos nas laterais superiores.

Foto de dois percevejos, lado a lado
Adultos do percevejo barriga-verde. A cabeça deste inseto possui duas projeções pontiagudas e a parte anterior do tórax apresenta margens dentadas e as laterais possuem expansões espinhosas, conforme indicação na figura.
(Fonte: Panizzi, 2015)

A coloração dos percevejos é variada, e mudam conforme o estádio de vida (ovo, ninfa e adulto).  A depender da espécie, a alimentação das ninfas, principalmente de primeiro ínstar, ocorre em conjunto. 

Isso acontece pelo tamanho reduzido do seu aparelho bucal. Além disso, a soma da saliva dos indivíduos em grupo facilita a dissolução de frutos e dos tecidos das plantas.

Ovos de percevejo sobre folhas
Ninfas de primeiro ínstar (c) e ninfa de quinto ínstar do percevejo-marrom (Euschistus heros) se alimentando nos tecidos vegetais de soja
(Fonte: Panizzi)

A partir do terceiro ínstar, como é o caso de Nezara viridula (percevejo-verde), o inseto se dispersa pela área de cultivo. Afinal, neste estádio, o tamanho do seu aparelho bucal já permite que ele se alimente separadamente.

Nas espécies fitófagas, o rosto é bastante alongado na fase adulta, o que facilita o consumo do conteúdo mais interno da planta. A profundidade alcançada pelos percevejos para sucção do conteúdo interno das plantas varia a depender da espécie.

O ciclo de vida desses insetos passa pelas fases de ovo, ninfa e adulto.

Ciclo do percevejo marrom
Ciclo de desenvolvimento do percevejo-verde (Nezara viridula) em soja. A duração de cada uma das etapas do ciclo (ovo, 1º instar, 2º instar, 3º instar, 4º instar, 5º instar e adulto), tem variação a depender da espécie de percevejo, da espécie de plantas hospedeiras, da temperatura e umidade
(Fonte: Panizzi, 2012)

Por que os percevejos são um problema na agricultura?

Algumas características desses insetos fazem com que eles possam se adaptar e invadir culturas que antes não eram tão comuns. 

Por exemplo, eles atacam um grande número de espécies de plantas. Isso faz com que as populações de uma espécie-praga de percevejo aumente e se propague rapidamente. 

Esses insetos têm alta mobilidade e, antes mesmo do final do ciclo da cultura, se dispersam para outros hospedeiros e para hospedeiros alternativos. Eles podem continuar o ciclo de reprodução ou sobrevivência nesses hospedeiros.

Afinal, podem não se reproduzir em uma determinada espécie de plantas, mas conseguem sobreviver nelas.

Eles também sobrevivem por bastante tempo em condições desfavoráveis. Na falta do hospedeiro, esses insetos conseguem sobreviver em hospedeiros alternativos, sobretudo em leguminosas.  Plantas daninhas e até restos culturais de entressafra são exemplos. 

Além disso, podem hibernar por um tempo, até que as condições sejam ideais ao seu desenvolvimento. 

Danos causados por percevejo marrom
Percevejo sobrevivendo na entressafra em plantas daninhas e restos vegetais na área de cultivo
(Fonte: André Shimohiro, 2018)

A alimentação da maioria das espécies ocorre em diversas espécies de plantas. Isso pode apresentar problemas na sucessão de culturas, principalmente de trigo/soja e milho/soja.

Por exemplo, na sucessão soja-milho safrinha, essa preocupação cresceu. Isso se deu sobretudo pelo aumento da soja transgênica, com tecnologia Bt (Bacillus thuringiensis). 

O uso dessa tecnologia tem como principais alvos as lagartas desfolhadoras, mas não os percevejos. Consequentemente, eles passaram a ter vez na lavoura de soja Bt como principais pragas.  

Por isso, no milho safrinha, esses insetos também têm sido frequentes. Afinal, estavam atacando a soja anteriormente. 

Mesmo que seja feito o tratamento de sementes, as plântulas das culturas não suportam o ataque de uma grande população de percevejos.

Danos causados por percevejos

Além dos danos diretos pela sucção da seiva, os percevejos também podem disseminar doenças. 

Nas sementes, prejudicam o enchimento e formação, afetando a qualidade. Sementes e grãos tornam-se chocos e enrugados. Isso acelera a deterioração de sementes e grãos durante o armazenamento.

Ainda, a saliva dos percevejos contém enzimas que alteram a fisiologia e bioquímica dos tecidos próximos a inserção do estilete. Isso provoca a morte dos tecidos vegetais e necrose (escurecimento dos tecidos).

Essas substâncias dissolvem as porções sólidas e semi-sólidas das células, obtendo assim os lipídios, carboidratos e demais nutrientes necessários. Isso resulta na degeneração da parede celular dos tecidos atacados.

Na soja, os percevejos podem disseminar o fungo causador da mancha de levedura (Nematospora coryli). Também podem causar distúrbios fisiológicos, retardando a senescência da cultura.

Isso significa que as folhas permanecem verdes e retidas na planta por mais tempo, causando o fenômeno da “soja louca”. A consequência é que a colheita é dificultada.

Já no milho, a presença de percevejos reduz o porte (altura) e o perfilhamento.

Em alguns casos, os danos nos estádios vegetativos podem ser compensados, sem afetar a produtividade da cultura. Afinal, no caso da soja, por exemplo, a cultura consegue compensar emitindo novas vagens ou produzindo grãos mais pesados.

No entanto, quando ocorre no período reprodutivo, afeta diretamente a qualidade e produtividade das culturas. Para que isso não ocorra, os percevejos devem ser monitorados e controlados em fases anteriores ao período reprodutivo, para evitar altas populações.

Principais tipos de percevejos 

Um bom controle começa pela identificação correta do percevejo na lavoura. Além disso, as diferentes espécies de percevejos são controladas por diferentes produtos químicos, o que torna a identificação ainda mais necessária.

Percevejo-marrom (Euschistus heros

O percevejo-marrom é uma das principais espécies que causam danos em soja. 

Eles podem atacar as hastes e os ramos da cultura, mas causam maiores danos atacando as vagens em formação. Eles podem migrar para o milho safrinha em seguida. 

No algodão, se alimentam das cápsulas em maturação e reduzem a qualidade dos fios, bem como a produtividade da cultura. As principais plantas hospedeiras do percevejo-marrom são:

  • Leguminosas;
  • Solalaceae;
  • Brassicaceae;
  • Ervas daninhas, principalmente o leiteiro ou amendoim-bravo (Euphorbia heterophylla) e carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum).

Eles possuem coloração marrom-escura e espinhos nos prolongamentos laterais do pronoto. No verão, os espinhos tornam-se mais longos e mais escuros.

Seu ciclo de vida pode ser de até 116 dias. Os ovos são de coloração amarelada e são ovipositados principalmente nas folhas e vagens da soja. As ninfas deste percevejo tem coloração cinza a marrom, dependendo do seu ínstar.

A depender da temperatura, a duração média dos ovos é de 28,4 dias. A temperatura ideal é de 25°C.

Ciclo do percevejo marrom visto de perto
Percevejo-marrom (Euschistus heros). Na figura (a) pode-se observar as características dos adultos, (b) massa de ovos, (c) ovos e ninfas recém eclodidas, e (d) ninfa de 5º instar
(Fonte: Panizzi, 2012)

Percevejo-verde-pequeno (Piezodorus guildinii)

Eles causam maiores lesões em profundidade na soja, em comparação às demais espécies de percevejos-praga. Isso acontece devido ao tipo de picada nos tecidos da planta.  As principais plantas hospedeiras são:

  • Feijão;
  • Alfafa;
  • Ervilha;
  • E em determinadas situações algodão;
  • Pastagens próximas às lavouras de soja também podem ser hospedeiras na entressafra (ervilhaca, nabo forrageiro e tremoço, principalmente na região Sul do Brasil);
  • Crotalária.

Os adultos medem em torno de 9 mm e tem coloração verde-clara a amarelada (ao final do ciclo de vida do inseto). Isso é o que o distingue de outras espécies de coloração verde.

Além disso, possui uma lista transversal de coloração marrom-avermelhada perto da cabeça. Os ovos são pretos e têm formato de “barril”. São ovipositados em fileiras duplas e preferencialmente em vagens, mas também em outras partes da planta. 

As ninfas são pequenas, com cerca de 1 mm e se alimentam em grupos. Sua coloração inicial é preta e avermelhada, e posteriormente esverdeada. O tempo médio entre ovo e adulto é em torno de 24,4 dias

percevejo-verde-pequeno-da-soja adulto
Percevejo-verde-pequeno-da-soja adulto, com sua lista transversal de coloração marrom-avermelhada (próxima a cabeça)
(Fonte: Agro Bayer Brasil)

Percevejo-verde (Nezara viridula)

Ataca principalmente as partes reprodutivas da cultura da soja. Provoca o chochamento dos grãos, além de injetar toxinas nas plantas.  As principais plantas hospedeiras são:

  • Feijão;
  • Arroz;
  • Algodão;
  • Macadâmia;
  • Nogueira-pecã;
  • Carrapicho-de-carneiro;
  • Nabo-bravo ou nabiça;
  • Mostarda;
  • Trigo;
  • Mamona.

Esses percevejos possuem tamanho superior aos demais, entre 10 mm e 17 mm. Possuem coloração verde, verde-escuro. 

As antenas são avermelhadas e a parte inferior é de coloração clara. Os ovos são ovipositados nas partes inferiores das folhas, e tem coloração amarelada. A cor dos ovos do percevejo fica rosada, quando prestes a eclodir.

As ninfas mais jovens são alaranjadas. Já no primeiro e segundo ínstares, tem cor preta e manchas brancas no dorso. Os danos deste percevejo se iniciam quando as ninfas encontram-se no terceiro instar.

Adulto (a), ovos (b) e ninfas de primeiro (c) e quinto (d) ínstar do percevejo-verde (Nezara viridula)
(Fonte: Panizzi, 2012)

Percevejo-barriga-verde (Dichelops furcatus e Dichelops melacanthus)

O percevejo-barriga-verde causa maiores prejuízos devido à sucessão soja-milho. Eles provocam o amarelecimento das plantas e lesões semelhantes a pontos nas folhas. Esses danos também são observados em trigo, mas em intensidade reduzida.

Dentre as plantas hospedeiras, encontram-se:

  • Milho;
  • Trigo;
  • Aveia-preta;
  • Triticale;
  • Trapoeraba;
  • Crotalária;
  • Braquiária;
  • Alfafa;
  • Feijão.

Os adultos medem entre 9 mm e 11 mm. Eles têm coloração que pode variar do castanho amarelado ao acizentado, mas com o abdômen sempre verde. Esta espécie também possui espinhos nas expansões laterais do pronoto.

Percevejo barriga verde visto de perto
Adulto de percevejo-barriga-verde
(Fonte: Agro Bayer)

Em milho safrinha, o grande problema é a migração desses insetos para a cultura. O percevejo-barriga-verde tem causado danos consideráveis e, por isso, deve haver maior atenção. 

Danos causados por percevejos em milho
Danos severos de percevejo-barriga-verde em milho
(Fonte: Pioneer Sementes) 

Percevejo-asa-preta-da-soja (Edessa meditabunda)

Esta espécie tem se tornado um problema cada vez mais frequente na cultura da soja. Ela tem como plantas hospedeiras principalmente:

  • Solanáceas;
  • Leguminosas;
  • Algodão;
  • Tabaco;
  • Girassol;
  • Uva.

Esses percevejos medem aproximadamente 13 mm e tem o corpo em formato oval. Seu corpo é de coloração verde, e suas asas marrom escuras. 

Os ovos são postos em duas fileiras e tem coloração verde-claro. As ninfas têm coloração verde-amarelada.

Um aspecto interessante desta espécie é que durante a alimentação, permanecem com a cabeça baixa, provavelmente por possuírem o estilete mais curto. Isso explica também a alimentação principalmente em hastes e não em vagens.

Embora não se alimentem das vagens, o potencial de dano desta espécie é significativo. Ela pode reduzir a produtividade e a qualidade dos grãos (por desviar os nutrientes durante o enchimento de grãos).

Percevejo-castanho (Scaptocoris spp.)

No Brasil, ocorrem três espécies de percevejo castanho. Eles causam danos principalmente em pastagens, mas também já foram associados a outras culturas, incluindo:

  • Algodão;
  • Arroz;
  • Cana-de-açúcar;
  • Eucalipto;
  • Café;
  • Feijão;
  • Milheto;
  • Sorgo;
  • Pastagens;
  • Plantas daninhas.

São considerados polífagos. Além disso, são pragas subterrâneas, o que dificulta o seu controle, pois encontram-se principalmente em profundidade no solo. Estão distribuídos por todo território nacional.

As três principais espécies de percevejo castanho são Scaptocoris carvalhoi, Scaptocoris castanea e Scaptocoris buckupi, pertencentes à ordem Hemiptera: Cydnidae e subfamília Scaptocorinae.

A depender do nível populacional dos percevejos castanhos, em uma área de cultivo, é possível identificar a sua presença pelo odor característico exalados por eles, que assemelha-se ao do percevejo popularmente conhecido como “maria fedida”.

Os danos são observados em reboleiras, e dependem do tamanho da população. Em populações maiores, ocorre o murchamento das plantas, com posterior amarelecimento e morte das plantas. 

Em populações menores, observa-se retardamento do crescimento das plantas.

Os adultos do percevejo castanho medem entre 5 e 10 mm, possuem coloração castanha, e corpo convexo. As ninfas possuem coloração branca. 

Os ovos são ovipositados próximos às raízes, para que assim que eclodam, as ninfas possam se alimentar das raízes das plantas de forma facilitada.

Adultos e ninfas podem ser encontrados em grandes profundidades no solo, independentemente da umidade deste, sendo relatados até 1,8 metros de profundidade. 

No entanto, os danos mais severos são observados em épocas chuvosas (novembro a março), onde migram para a superfície, para se alimentar das raízes.

Ovos, ninfas e adultos do percevejo castanho, em imagens separadas
Ovo, ninfas e adulto do percevejo castanho.
(Fonte: Torres 2020).

Como acabar com percevejo?

Após identificar as principais espécies, você precisa saber como eliminar percevejo da sua área de cultivo.

Estratégias que englobam além do controle químico e biológico são essenciais para a redução dos danos causados pelos percevejos. Monitoramento, uso de armadilhas, rotação de culturas e manejo das épocas de semeadura são os principais exemplos.

Armadilhas

As armadilhas podem funcionar tanto para o monitoramento da população de percevejos quanto para auxiliar no controle, quando cultivos armadilhas são realizados.

Os cultivos armadilhas são caracterizados pela implantação de uma cultura, em blocos, faixas, ou nas bordaduras da cultura principal, que seja mais atrativa aos percevejos. Isso, é claro, em relação à cultura agrícola que está sendo cultivada.

Deste modo, os percevejos são atraídos para ela, e o controle é concentrado em pontos estratégicos. Outras armadilhas podem ser instaladas ao longo do cultivo, a depender da espécie de percevejo.

Para o percevejo marrom da soja, por exemplo, armadilhas eficientes são elaboradas a partir da urina de bovina.

Outra possibilidade é o uso de armadilhas com feromônio sexual, localizadas a 30 e 40 cm do solo, para captura e monitoramento do percevejo marrom e também de outras espécies de percevejos.

Rotação de culturas

A rotação de culturas em uma área com alta infestação de percevejos, deve ser planejada em função da espécie de ocorrência, utilizando plantas que sejam ou resistentes, ou não hospedeiras.

Para isto, é indispensável a correta identificação da espécie de percevejo que está ocorrendo na área de cultivo, bem como o conhecimento dos seus aspectos biológicos.

Além disso, o sistema de cultivo, convencional, ou plantio direto, bem como época do ano, interferem na ocorrência e consequentemente, no potencial de danos provocados pelos percevejos.

Manejo das épocas de semeadura

Da mesma forma, para o manejo das épocas de semeadura, é indispensável a identificação da espécie de percevejo. No entanto, sabe-se que em semeaduras precoces, ou tardias, a ocorrência e danos de percevejos são maiores. 

Isto ocorre porque nas semeaduras precoces, os percevejos que estão na área de cultivo, se alimentando de hospedeiros alternativos, rapidamente migram para as culturas hospedeiras principais. Eles as utilizam para se reproduzir.

Já em semeaduras tardias, as populações de percevejos encontram-se altas.

Para percevejos de hábito subterrâneo, o controle mais eficiente é realizado nas épocas chuvosas. Nesse período, eles migram de grandes profundidades do solo para a superfície.

Monitoramento

Para que o controle seja realmente efetivo, você deve considerar o monitoramento de pragas de uma forma geral.

Em soja, é imprescindível que você faça o pano-de-batida semanalmente. Além disso, é importante considerar o nível de ataque na planta. Fique bastante atento à fase fenológica da planta.

Entre com controle quando houver 2 percevejos por metro linear (para grãos) e 1 por metro linear (para semente).

Eliminar restos culturais e hospedeiros alternativos da área 

Como os percevejos podem se manter nos restos culturais, é ideal que você faça a limpeza da área antes de iniciar o cultivo da cultura seguinte.

Também é importante eliminar os hospedeiros alternativos, como as plantas daninhas capim-carrapicho, capim-amargoso e trapoeraba

Tratamento de sementes

Uma forma de evitar ataques logo no início da lavoura é a utilização de inseticidas sistêmicos para tratar as sementes.  Dentre os inseticidas, os neonicotinoides são os mais indicados. 

Controle biológico

O controle biológico é uma tática importante para a redução da população dos percevejos nas culturas. Alguns agentes de controle são comercializados por biofábricas

Os parasitoides Trissolcus basalis e Telenomus podisi podem contribuir muito na redução dos percevejos-praga

Controle químico

O controle químico é a tática mais utilizada para controle, mas você deve considerar os métodos de controle anteriores. Associar mais de um tipo de controle é fundamental.

Além disso, escolha inseticidas seletivos aos inimigos naturais para que eles possam se manter na cultura. Assim, eles não serão eliminados junto das populações dos percevejos.

Faça rotação de ingredientes ativos para não causar pressão de seleção e inviabilizar a tecnologia do produto químico.  Algumas sugestões de inseticidas com diferentes ingredientes ativos são:

  • Acetamiprido + Fenpropatrina (Bold – Ihara)
  • Imidacloprido + Beta-ciflutrina (Connect – Bayer)
  • Tiametoxam + Ciproconazol (Verdadero – Syngenta) 

Porém, vale destacar: antes de utilizar o controle químico, consulte um especialista.

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Conclusão

Os percevejos são um grupo amplo de insetos com hábitos alimentares diversos. Os fitófagos têm causado danos em culturas de importância econômica.

Em soja-milho safrinha, há uma preocupação grande devido às infestações constantes dos últimos anos.

Monitore as populações das pragas frequentemente na sua lavoura. Essa é a melhor tática para não haver surtos.

Você já teve problemas com percevejos em sua lavoura? Como fez o controle? Deixe seus comentários!

Atualizado em 29 de junho de 2022 por Bruna Rhorig.

Bruna é agrônoma pela Universidade Federal da Fronteira Sul, mestra em fitossanidade pela Universidade Federal de Pelotas e doutoranda em fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul na área de pós-colheita e sanidade vegetal.

2 thoughts on “Percevejos: você conhece tudo sobre esses insetos?

  1. Obrigada pelas informações, tenho um pequeno pomar em vaso e está com ataques de persevejos. Mato eles derrubando e pisando. Mas estava preocupada em tá matando um inseto inocente.

  2. Estou a procura de formas de controlar, temos plantação de limão e mirtilo, está uma infestação muito grande! Estamos passando controle de pragas que usamos na plantação de morango! Mas eles ainda estão lá! Não sabemos por onde agir mais!

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