Ureia agrícola: qual a situação ótima para sua aplicação e estratégias para evitar perdas em sua lavoura
A ureia é um dos fertilizantes mais importantes para a produção agrícola, por ter alto teor de nitrogênio e custo relativamente baixo.
Mas esse adubo requer cuidado quanto à utilização e manejo, pois é propenso a variáveis que podem acarretar grandes perdas.
Confira neste artigo as estratégias para maximizar a eficiência na utilização da ureia agrícola em sua lavoura!
Índice do Conteúdo
- 1 O que é a ureia agrícola?
- 2 Como evitar perdas de ureia durante a aplicação na lavoura
- 3 Aplicação da ureia em milho
- 4 Aplicação da ureia em feijão
- 5 Aplicação da ureia em trigo
- 6 Aplicação da ureia em aveia
- 7 Estratégias para reduzir perdas de N dos fertilizantes nitrogenados
- 8 Tecnologias que podem aumentar a eficácia da ureia
- 9 Conclusão
O que é a ureia agrícola?
A ureia CO(NH2)2 é um fertilizante sólido granulado tida como principal e mais eficaz fonte de nitrogênio (N) para adubação no Brasil. Apresenta-se na forma de grãos e contém concentração de 44% a 46% de nitrogênio.
Esse fertilizante apresenta como vantagem a alta concentração de N aliada a baixo custo de produção e transporte, além da facilidade de aplicação. Tem alta solubilidade e facilidade de mistura com outras fontes de fertilizantes.
Mas, por outro lado, existe facilidade de perdas devido à sua elevada higroscopicidade (tendência de absorver umidade do ar atmosférico) e maior suscetibilidade à volatilização.
Vou explicar melhor tudo isso a seguir!
Como evitar perdas de ureia durante a aplicação na lavoura
Como a ureia agrícola apresenta limitações quanto ao uso, algumas estratégias devem ser adotadas para diminuir as perdas de nitrogênio para a atmosfera, que podem ultrapassar a marca de 50%.
A situação ótima para a aplicação da ureia agrícola na lavoura ocorre antes da chuva e/ou irrigação, ou seja, em local seco e somente depois expor a ureia à umidade.
Se a ureia for aplicada sob condições de solo úmido (após chuva) e não chover em seguida, é bem provável que ela se transforme em amônia, um gás que acaba evaporando juntamente com os vapores de água.
E o que ocorre quando a ureia entra em contato com as folhas molhadas?
Nesse caso, a ureia pode provocar queimaduras irreversíveis na planta devido à concentração do fertilizante.
Para maximizar a eficiência da ureia agrícola, é comum usar como estratégia o parcelamento do fertilizante, principalmente quando se trabalha com altas dosagens. Isso permite um certo “controle”, diminuindo as perdas por volatilização.
O parcelamento da adubação nitrogenada normalmente é realizado quando ocorre condições de chuvas fortes ou muito calor e seca, casos em que a ureia pode se perder por lixiviação e volatilização.
Aplicação da ureia em milho
Na cultura do milho, recomenda-se que a aplicação seja feita quando a planta já está bem nutrida de N, o que ocorre em torno do V5. Isso porque é nessa fase que os componentes de rendimentos já foram definidos.
Além desse componente de rendimento, a aplicação é feita nem V5 porque o milho tem crescimento acelerado de V7 até a fase de emissão de pendão, demandando altas taxas de nitrogênio.
Aplicação da ureia em feijão
O feijoeiro apresenta associação com bactérias fixadora de N, porém o que é fixado não é suficiente para o pleno desenvolvimento do feijoeiro.
Além da quantidade provinda da FBN não suprir a demanda da planta, essa quantidade N fixado só passa a ser considerável a partir de 35 a 40 dias após a emergência (DAE), requerendo, desta maneira, adubação nitrogenada.
Assim, é muito comum ocorrer a aplicação de fertilizantes nitrogenados, como é o caso da ureia.
É recomendada a aplicação de ⅓ na semeadura e ⅔ 20 DAE. Esse N de cobertura pode ser parcelado quando ocorrem altas dosagens, podendo ser feito em 2 vezes. A primeira seria entre 15 e 20 dias e a segunda até 35 dias da emergência das plantas.
Aplicação da ureia em trigo
Sabemos que a dosagem de N aplicado é baseado na quantidade de matéria orgânica do solo na cultura precedente e na expectativa de rendimento de grãos.
Em geral, na cultura do trigo, é recomendada a aplicação de 15 kg/ha a 20 Kg/ha de N na semeadura.
Já na cobertura, o ideal é aplicar no início do afilhamento. Porém, quando as doses são mais elevadas, pode-se fracionar aplicando também no início do alongamento.

Fases do desenvolvimento do trigo
(Fonte: Mais Soja)
A aplicação tardia de N em cobertura, após a fase de emborrachamento, geralmente não afeta o rendimento de grãos, mas pode aumentar o teor de proteína do grão.
Aplicação da ureia em aveia
Aveia para grãos
Estudos trabalhando com dose de base e épocas de aplicação de cobertura relatam que as melhores produções de grão de aveia se deram quando na semeadura aplicou-se 30 kg/ha de N.
Já na cobertura, os melhores resultados foram constatados quando a adubação nitrogenada (ureia) foi aplicada entre os 25 a 30 dias após a emergência.
Aveia para forragem
Já na aveia para forragem, em recomendações técnicas da Embrapa, indica-se aplicação de 20 Kg/ha de N no plantio.
Na cobertura e após cada corte é aconselhável aplicação de 20 kg/ha de N em cobertura na fase de perfilhamento (20 a 25 DAE).
Estratégias para reduzir perdas de N dos fertilizantes nitrogenados
Os adubos nitrogenados, como a ureia, podem apresentar grandes perdas. Assim, inúmeras pesquisas e produtos buscam aumentar a eficiência desses fertilizantes. Essas pesquisas trabalham com as seguintes classificações conforme a especificação:
Fertilizante de liberação lenta ou controlada
Nessa situação, o elemento apresenta um atraso na disponibilidade inicial ou um prolongamento na disponibilidade devido a alguns mecanismos como:
- controle na solubilidade em água do material por camadas semipermeáveis;
- materiais proteicos;
- outras formas químicas (por reduzir a hidrólise de compostos solúveis em água de baixo peso molecular).
Fertilizante nitrogenado estabilizado
Nessa classificação, diz-se que foi adicionado uma estabilidade de N no fertilizante, o qual é responsável por manter o N por mais tempo, seja na forma da ureia ou amoniacal.
Inibidor da nitrificação
Os fertilizantes deste grupo são aqueles que foram acrescidos de uma substância que inibe a oxidação biológica (bactérias).
Os fertilizantes com inibidores de reações químicas são divididos em dois grupos: os inibidores de nitrificação e os inibidores da urease.

Esquema da demanda da planta versus suprimento dos fertilizantes convencionais e dos de eficiência aumentada
(Fonte: Embrapa Solos)
Tecnologias que podem aumentar a eficácia da ureia
A ureia pode sofrer altas taxas de volatilização sob condições de:
- pH acima de 7,0;
- temperatura elevada;
- altas doses podem acarretar maiores perdas;
- aplicação em solos compactados e com acúmulo de água também podem incrementar esses valores de perda.
Dessa forma, alguns mecanismos têm sido trabalhados para melhorar a eficiência desse fertilizante. A seguir, elenco as principais:
Ureia de liberação controlada
A ureia de liberação controlada com grânulos revestidos tem a proposta de aumentar a eficiência de uso pelo fornecimento gradual do nitrogênio de acordo com a necessidade da planta. Além disso, visa reduzir perdas por volatilização.
Os materiais mais comuns no revestimento são: formaldeído (baixa solubilidade), fonte inorgânica (enxofre) e polímeros sintéticos.

Imagem de ureia revestida com enxofre
(Fonte: Embrapa Solos)

Esquema das camadas de revestimento
(Fonte: Unesp)
Ureia com inibidores de reação química
Os fertilizantes com inibidores de nitrificação atuam diminuindo a ação das bactérias que transformam o N-amoniacal em N-nítrico.
Mas por que manter o N amoniacal? Essa forma do nitrogênio é a mais assimilável pelas plantas e menos propensa a perdas por lixiviação.
Ureia com inibidores da urease apresenta a hidrólise mais tardia, ou seja, fica por mais tempo na forma de ureia, reduzindo as perdas. Isso ocorre mesmo sob casos de aplicação superficial na presença de resíduos vegetais e solo úmido, situações comuns no sistema de plantio direto.
Conclusão
A ureia agrícola é um dos adubos de maior importância no cenário produtivo, tendo em vista seus altos teores de N e custo-benefício compensatório.
Mas esse fertilizante requer cuidado quanto à utilização e manejo, pois é propenso a variáveis que podem acarretar grandes perdas.
Hoje no mercado há tecnologias que tentam aumentar sua eficiência, porém, isso ainda requer mais estudos e acessibilidade.
Mesmo com as grandes perdas que a ureia agrícola pode apresentar, se bem planejado, seu uso assegura ganhos produtivos.
>> Leia mais:
“Superfosfato triplo e simples: solubilidade, formas e diferenças”
“Fertilizantes NPK: como obter alta eficiência das fórmulas comerciais”
Como você trabalha com a ureia agrícola em sua propriedade? Já utiliza ureias de alta eficiência? Conte sua experiência nos comentários!
Muito bom, conteúdo bem explicado e produtivo.
Bom dia.Vou plantar madioca no meu quintal .Depois da terra preparada eu posso colocar ureia na cova e colocar a rama de manfioca em cima da ureia e cobrir com a tera ? Se nao qual é o fertilizante indicado?
Oi, Adriana
Sou da comunicação da Aegro.
Como somos focados principalmente grãos e cereais, não vamos conseguir te ajudar com sua dúvida.
Dê uma olhada no site da Embrapa.
Mas recomendamos que procure auxílio de um(a) técnico(a) agrícola de sua região. Esperamos que dê tudo certo em seu cultivo.
Agradecemos por nos acompanhar,
Abraço!
Gostaria de saber até quantos dias a uréia pode ficar na terra sem chuva sem perder a eficácia?
Oi, Maria! Eu sou a Lara da comunicação da Aegro.
O recomendado é aplicar a ureia sabendo que vai chover no mesmo dia ou nos dias subsequentes, pois ela sofre hidrólise e libera amônia no ambiente, perdendo a eficiência. O ideal é uma precipitação de 10 a 20 mm, num período de até dois dias pós-aplicação.
Abraços!