A gestão da lavoura e sua rentabilidade

A rentabilidade da atividade arrozeira aumenta de forma muito significativa com a melhoria do nível de tecnologia, desde que todas as práticas agronômicas recomendadas sejam utilizadas de forma integral e permanente. Entretanto, a produtividade é apenas um item do negócio arroz. Toda a gestão da atividade, desde a compra dos insumos até a venda do produto exige tanta capacidade gerencial quanto produzir bem.

Comprar e vender na hora certa

De um modo geral, os agricultores não compram os insumos nos melhores momentos e vendem o seu arroz quando a curva de preço é descendente. Na expectativa de maiores lucros, especulam com seu negócio querendo vender o produto sempre pelo maior preço. Por exemplo, casos em que o preço do saco de arroz estava a R$ 35,00 reais e os produtores não venderam, esperando que o preço chegasse a R$ 40,00 mas por fim, não foram poucos os que venderam o seu produto abaixo de R$ 25,00 por saco.

Na hora de investir, é muito comum os agricultores decidirem com o coração e não com a razão. Por exemplo, é comum o produtor comprar um trator porque há crédito disponível a uma taxa de juros mais favorável, mesmo sem precisar. Nessa situação, o novo investimento não agregará benefício ao negócio, mas sim uma dívida a ser paga.

Tão importante quanto manter a produtividade alta na lavoura é a gestão financeira. Foto: Divulgação

Com o aumento da produtividade e da produção, houve necessidade de mais investimentos na capacidade de armazenar o produto na propriedade, até para poder negociá-lo melhor. Entretanto, foram poucos os arrozeiros que investiram em estrutura para armazenamento de grãos. A maioria dos investimentos dos agricultores foi em máquinas e implementos, enquanto a indústria foi quem mais investiu em armazenamento.

Recursos humanos: O bem mais valioso de um produtor

A gestão de pessoas na agricultura também precisa evoluir. Hoje em dia, ainda são tímidos os investimentos em capacitação de pessoal e em melhores condições de trabalho nas lavouras de arroz. Os arrozeiros não compreenderam que o capital mais importante no seu negócio é seus funcionários. Há produtores proprietários de terra e com grande parque de máquinas enfrentando dificuldades em seu negócio devido às debilidades na gestão de recursos humanos.

No negócio do arroz, só um grupo de funcionários capacitados, trabalhando em equipe, tem condições de produzir da forma como a economia agrícola precisa evoluir. Produzir 4,0 ou 5,0 toneladas de arroz por hectare não requer grandes habilidades, mas produzir 8,0 t/ha ou mais exige planejamento e organização em todos os níveis da empresa.

Gestão além da alçada do produtor

Produzir mais, com custo mais baixo e com melhor qualidade, está dentro da governabilidade do produtor, mas há ainda fatores que interferem negativamente no êxito do negócio e que fogem de sua gestão. Por exemplo, acordos com o Mercosul que permitem a entrada de arroz do Uruguai, da Argentina e do Paraguai, baixando os preços no Brasil. Da mesma forma, assimetrias fiscais dentro e fora do país dificultam a capacidade competitiva do arrozeiro.

Na cadeia produtiva, o arrozeiro é o elo menos organizado e, por esta razão, parte importante dos ganhos proporcionados pela evolução da tecnologia ocorrida nos últimos anos na lavoura de arroz não ficou com o produtor. Estudos do Centro de Agricultura Tropical (CIAT) relatam que os grandes beneficiários pelos investimentos em pesquisa em arroz irrigado na América Latina são os consumidores. No Brasil, onde 19% das calorias e 11% das proteínas na alimentação básica da população provêm do arroz, isso é ainda mais significativo, e beneficia especialmente as pessoas com menor poder aquisitivo já que, enquanto o preço do arroz diminuiu, o salário-mínimo cresceu acima da inflação. Ou seja, a gestão eficiente do processo produtivo do grão é fundamental para o desenvolvimento da lavoura gaúcha, mas ela não é suficiente enquanto o arrozeiro continuar sendo o elo mais fraco da cadeia produtiva.