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Giuliana Rayane Barbosa Duarte - 1 de dezembro de 2020
Atualizado em 21 de fevereiro de 2024
Fertirrigação: tire suas dúvidas sobre as vantagens e desvantagens desse processo que permite dispensar maquinários para adubação da lavoura
O processo de adubação é fundamental para a lavoura. Afinal de contas, é assim que as plantas recebem mais nutrientes que vão permitir a elas expressar melhor todo potencial produtivo.
Ter uma adubação mais eficiente e que te permita dispensar maquinário – e até horas de mão de obra – parece interessante, não é verdade?
Neste artigo, vamos apresentar a fertirrigação, método prático que une adubação à irrigação da lavoura. Entenda quais as vantagens e as desvantagens desse processo para que você tome a melhor decisão em sua propriedade. Confira!
Índice do Conteúdo
Fertirrigação é uma técnica de adubação que consiste na aplicação conjunta do fertilizante com a água da irrigação, levando nutrientes ao solo. Essa prática permite maximizar e até mesmo economizar na utilização dos fertilizantes dentro do sistema produtivo.
A melhor eficiência quanto à utilização dos fertilizantes se deve ao fato de ocorrer o fornecimento de nutrientes de forma gradual e na presença de água. Isso melhora a absorção pelas plantas e reduz as perdas (lixiviação/volatilização) que existem pelo método convencional.
Normalmente, essa prática é utilizada em sistemas de irrigação localizada e de alta frequência, como no gotejamento e no sistema de microaspersão.
Existem relatos de utilização em sistema de irrigação convencional, mas a limitação é a não homogeneidade de aplicação dos fertilizantes.
A fertirrigação propicia uma melhora da eficiência na utilização de fertilizantes, mas também apresenta outra inúmeras vantagens como:
Agora que você já conferiu as vantagens desse método, precisamos analisar os pontos negativos que ele pode trazer. Vamos falar melhor sobre isso a seguir.
Uma característica importante – e que pesa muito no momento de decidir sobre a adoção ou não desse sistema, é o preço. É relativamente alto montar a infraestrutura inicial para a fertirrigação.
Além disso, destaco mais algumas “desvantagens” desse sistema e que requerem atenção, tais como:
Como você viu, existem algumas desvantagens dentro dessa prática, mas as vantagens são bastante expressivas.
Os fertilizantes utilizados na técnica da fertirrigação devem ser bem estudados quanto à:
Na fertirrigação, é recomendada a utilização de fontes solúveis em água e que tenham resíduos insolúveis inferiores a 0,5%.
Quanto à pureza, sempre é melhor optar por fontes puras, com a finalidade de redução das impurezas.
A acidez da solução, assim como o do solo para a maioria das culturas, deve se situar entre 5,5 e 6. Acima disso, pode comprometer algumas misturas, como é o caso do cálcio e do fósforo em soluções com pH acima de 6,3.
Assim, quando o pH da água for maior que 7,5, o cálcio e o magnésio podem-se acumular nos filtros, nas linhas laterais e nos emissores do sistema de irrigação
Quando estamos falando de CE da água de irrigação, após a adição da solução de fertilizantes, ela não deve apresentar valores superiores a 2,0 dS m-1. Sua pressão osmótica deve ficar entre 70 kPa e 100 kPa.
Outro aspecto que requer importância é a compatibilidade das fontes entre si e entre os íons presentes na água. Algumas misturas podem resultar em precipitados que causam entupimento e diminuição das eficiência do sistema.
Orientação para mistura de alguns fertilizantes com base na compatibilidade
(Fonte: Embrapa)
Em geral, solo com a textura arenosa requer maior suplementação de nutrientes para o pleno desenvolvimento vegetal.
Porém, ao adubar de forma convencional, há riscos de muitas perdas, principalmente, por lixiviação.
Portanto, com a fertirrigação, esse cenário pode ser revertido, pois é uma técnica que visa suprir a planta de forma gradual e que ainda está associada à irrigação, duas estratégias que solucionam a problemática desse tipo de solo.
Como dito anteriormente, a fertirrigação utiliza o sistema de irrigação, mais precisamente da água, para direcionar os nutrientes às plantas.
E, dentro desse contexto, é preciso estar atento à qualidade da água, solvente carregador dos fertilizantes.
A primeira atenção que se deve ter é quanto à presença de resíduos sólidos, pois eles podem causar entupimento de emissores.
Em sistemas de irrigação tratados como localizados, outro grande problema é a presença de íons de ferro e manganês, além dos sólidos solúveis presentes na água.
Além do entupimento dos emissores, pode haver também a obstrução da tubulação, causando perda de carga e de pressão. Essas condições reduzem a vazão das emissões, não disponibilizando a quantidade exata de água e nutriente que havia sido calculada.
E como avaliar essa água?
Bem, deve-se medir a condutividade elétrica (CE) da água com o intuito de saber a quantidade de sais totais presente no líquido.
Além disso, é recomendada a realização da análise química e física da água, propiciando o conhecimento de quais são os sais presentes ali e de como está a sua água.
Características químicas e físicas que devem ser consideradas na água utilizada via fertirrização
(Fonte: Embrapa)
A fertirrigação é uma técnica que permite a otimização do recurso por meio do sistema de irrigação.
Notamos que ela apresenta inúmeras vantagens quando adotada, mas que também apresenta pontos que devem ser bem refletidos para sua adoção, como é o caso do seu relativo investimento.
Vimos que, para utilizar a fertirrigação, é preciso estar atento ao tipo de solo, condições da água e fertilizantes, tudo para propiciar o pleno desenvolvimento vegetal.
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Você utiliza a fertirrigação em sua propriedade? Consegue perceber diferença em sua lavoura? Divida sua experiência nos comentários!