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compactação do solo

Como evitar e corrigir a compactação do solo na sua propriedade

- 17 de agosto de 2020

Compactação do solo: o que é, como ocorre e o que fazer para contornar esse problema

O solo é a base da produção agrícola e a maior riqueza das propriedades rurais. É ele que fornece sustento e os nutrientes necessários para o desenvolvimento das plantas.

Mas a realização de práticas agronômicas excessivas com maquinário pesado pode causar o desequilíbrio da estrutura do solo, levando-o à compactação.

Você certamente já ouviu falar sobre isso, mas você sabe o que realmente é e como acontece a compactação do solo? Confira a resposta para essa e outras perguntas a seguir!

Qualidade física do solo

Quando se pensa em solos de boa qualidade, normalmente a primeira coisa que vem à mente é a fertilidade do solo, ou seja, um solo bom é um solo rico em nutrientes.

Entretanto, nos últimos anos, temos percebido que, além dos atributos químicos, associados à fertilidade, os atributos físicos também são extremamente importantes.

Existem diversos atributos que podem ser utilizados para mensurar a qualidade física do solo (QFS), como:

  • a porosidade total; 
  • a distribuição e tamanho de poros;
  • a distribuição e tamanho de partículas;
  • a densidade do solo;
  • a resistência do solo à penetração, dentre outros.

É importante lembrar que os solos são compostos de dois componentes: o sólido (minerais e matéria orgânica) e o poroso (ar e água).

E as proporções desses componentes variam de acordo com o tipo de solo que se está trabalhando.

Esquema dos diferentes componentes do solo: sólidos e poroso

Esquema dos diferentes componentes do solo: sólidos e poroso
(Fonte: Imagem da internet)

A avaliação desses atributos é um pouco complexa e muitas vezes demanda análises laboratoriais.

Antes de partir para a análise laboratorial, para facilitar a identificação da QFS, pode-se trabalhar com alguns indicadores: 

  • curva de retenção de água;
  • condutividade hidráulica;
  • porosidade; e 
  • ponto de inflexão.
Esquema de uma curva de retenção de água e seu ponto de inflexão (A); à direita (B), exemplos de curvas de um solo degradado e um solo não degradado.

Esquema de uma curva de retenção de água e seu ponto de inflexão (A); à direita (B), exemplos de curvas de um solo degradado e um solo não degradado.
(Fonte: Stefanoski et al., 2013)

Esses indicadores serão os primeiros indícios para verificação da compactação do solo. 

Já falei sobre os indicadores, mas afinal, o que é a compactação do solo?

O que é e como ocorre a compactação do solo?

A compactação do solo nada mais é do que um rearranjo das frações sólidas e porosas do solo.

Nesse rearranjo, os espaços porosos, com água e/ou ar, são reduzidos e gradualmente substituídos por partículas sólidas. Consequentemente, há uma redução da porosidade do solo e um aumento das partículas sólidas por unidade de volume e, portanto, aumento da densidade do solo.

Esquema do solo e suas frações sob diferentes condições de compactação, desde sem compactação (esquerda) a estágios mais avançados (direita).

Esquema do solo e suas frações sob diferentes condições de compactação, desde sem compactação (esquerda) a estágios mais avançados (direita).
(Fonte: Horn, 2003)

A compactação do solo é frequentemente associada à pressão excessiva exercida pelo maquinário e implementos agrícolas utilizados no manejo das lavouras.

As fontes de pressão no solo variam desde as bordas cortantes dos discos de arados e grades até os sulcadores de semeadoras e os próprios pneus dos tratores.

As mudanças ocasionadas nos atributos físicos do solo por conta dessa pressão excessiva levam à formação de uma faixa compactada, popularmente conhecida como “pé-de-grade” ou “pé-de-arado”.

Tendências e problemas da compactação

Alguns solos são mais suscetíveis à compactação do que outros. Isso se dá principalmente aos teores de matéria orgânica, textura e granulometria do solo.

Solos franco-argilosos a argilosos normalmente têm maior tendência à compactação do que solos arenosos.

Esquema de um solo sem impedimentos no qual repetidas operações de revolvimento levaram à compactação pé-de-grade

Esquema de um solo sem impedimentos no qual repetidas operações de revolvimento levaram à compactação
(Fonte: Embrapa, 2005)

Os problemas decorrentes da compactação do solo variam de acordo com a época do ano e as espécies cultivadas.

Plantas de ciclo anual, como milho e soja, principalmente, tendem a sofrer mais com solos compactados do que plantas perenes.

Na estação seca, a compactação do solo limita o crescimento do sistema radicular e interfere no acesso das plantas à água de camadas mais profundas.

Já na estação chuvosa, a faixa de compactação limita a drenagem de água, podendo ocasionar encharcamentos nas lavouras.

Se não manejada, a compactação do solo pode e irá afetar o desenvolvimento das lavouras, desde o plantio até a colheita. 

Tabela com diferentes sintomas visuais em plantas e no solo do efeito da compactação do solo

Diferentes sintomas visuais em plantas e no solo do efeito da compactação do solo
(Fonte: adaptado de Mantovani, 1987)

Como saber se meu solo está compactado?

Como expliquei anteriormente, solos apresentam alguns sinais clássicos quando estão compactados.

Além disso, existem diversos indicadores que devem ser acompanhados para auxiliar na identificação da compactação.

Porém, para aumentar a certeza sobre o diagnóstico de compactação, a melhor forma é através da análise da densidade global do solo, o que requer análise laboratorial.

Manter um histórico das medidas das análises de diferentes áreas é essencial para o monitoramento da saúde do solo.

Lembre-se, quando se trata de compactação do solo, o melhor é evitá-la. Caso não seja possível, diagnósticos precoces podem evitar enormes prejuízos!

Foto de um Penetrômetro, utilizado para mensurar a resistência do solo à penetração

Penetrômetro utilizado para mensurar a resistência do solo à penetração
(Fonte: Douglas Jandrey)

Manejo de solos compactados

A melhor forma de manejar solos compactados é evitando que a compactação do solo ocorra. Para isso, é importante ter planejado a rotação de culturas, o controle de tráfego das máquinas nas áreas e manter um histórico das características físicas do solo.

Não é uma tarefa fácil, mas é melhor prevenir do que remediar!

Nos últimos anos, o uso de escarificadores e subsoladores tem sido a principal forma de remediação para áreas com compactação do solo. 

Esses equipamentos são utilizados para romper essas faixas de compactação formadas nos solos, buscando aumentar a porosidade, permitir a drenagem e evitar encharcamento.

foto de subsolador (esquerda) e escarificador (direita) de solo

Subsolador (esquerda) e escarificador (direita) de solo
(Fonte: IF Pernambuco)

Trabalhar a fertilidade do solo buscando aumentar os níveis de matéria orgânica dele é outra estratégia importante para se ter em mente.

A matéria orgânica aumenta a porosidade do solo, a distribuição do tamanho dos poros e facilita a infiltração da água.

O uso de culturas de cobertura e também adubos verdes na entressafra pode trazer resultados positivos! 

cálculo de calagem Aegro

Conclusão

Os solos, além de essenciais para a produção agrícola, são um recurso limitado e seus componentes requerem longos períodos de tempo para serem restaurados.

A compactação do solo é um dos muitos problemas que podem ser enfrentados em suas lavouras. 

Felizmente, é possível reverter processos de compactação, entretanto, o melhor caminho é a prevenção.

Fazer o monitoramento dos atributos de qualidade física do solo também é essencial para o bom desenvolvimento das lavouras.

>> Leia mais:

“Entenda as causas da degradação do solo e como evitar sua ocorrência”

“Entenda a importância da construção do perfil do solo e como ela impacta sua produtividade”

“Como tornar o cultivo em terras baixas mais eficiente e lucrativo”

E você, já enfrentou problemas de compactação do solo em sua lavoura? Conta pra gente nos comentários!

Comentários

  1. Excelente material, que será muito útil nas minhas aulas de Uso sustentável do solo e da água. Obrigado.
    Abraços.

    1. Olá Murilo, tudo bem?
      Sempre muito bom receber respostas de nossos leitores!
      Agradeço o comentário e fico feliz de te ajudado.
      Fique de olho no Blog que sempre tem conteúdo novo.
      Abraços!

  2. Francisco Cezar Dias Dias disse:

    É legítimo que vocês demonstrem preocupação com o Tema compactação de solo, uma vez que, o tema responde pela não elevação da produtividade, mas sua queda constante e sistemática ano após ano. Bom texto, mas, efetivamente não coloca soluções sustentáveis para o problema. Mais, não aborda os problemas graves que enfrentamos no campo para resolvê-lo. Por exemplo, os laboratórios não fazem análise de amostras indeformadas para obtenção dos dados que realmente importam para a construção de um manejo profissional e efetivo do problema. Subsoladores e escarificadores não resolvem o problema, constituindo-se somente numa elevação de custos de produção. Identificado o tamanho da gravidade do problema, como resolver e manter a solução de forma duradoura? Ai o artigo é omisso. Peço desculpas, mas, sem feedback não evoluiremos. O interessante nisto tudo é que os produtores brasileiros do Cerrado não querem mais ganhar dinheiro.

    1. Olá Francisco, tudo bem?
      É sempre bom recebermos feedback de nossos leitores!
      Como abordei no texto, quando pensamos em compactação do solo, a melhor forma é evitá-la. Uma vez que ela é resultado de anos e anos de operações repetitivas e excessivas. O uso de escarificadores e subsoladores são opções paliativas que tem se mostrado bons resultados, entretanto dificilmente reverterão completamente o problema.
      A sucessão e rotação de culturas de cobertura e adubos verdes podem auxilar ainda mais nesse processo por serem fontes de matéria orgânica para o solo.
      Tais atividades devem ser incorporadas ao sistema de produção para se tornarem duradouras e assim garantir maior sustentabilidade do sistema agrícola.
      Entendo que não é tarefa fácil, mas para tudo isso é importante estarmos atentos a literatura científica ou ainda centros de assistência rural para definirmos as melhores formas de coleta de amostras indeformadas de solo e buscarmos sempre laboratórios idôneos para condução das atividades de análise.
      Espero ter respondido suas dúvidas e questionamentos restantes, fique de olho no Blog que sempre tem novidade.
      Abraço!

  3. Sílvia A Melo disse:

    Obrigada pela matéria Marcelo,
    Li essa matéria e espero ler as outras também. Senão fosse vocês que compartilham conselhos e dicas gratuitas pra nós, o que seria de gente! Fui criada na roça e filha de produtor rural… e nós últimos dias venho vendo vídeos de pessoas que doam seu tempo e se conhecimento gratuitamente sobre esse assunto. E quando vou falar pra algum colega ou meus pais do que estou aprendendo, eles ficam rindo como se eu fosse doida, mas doido foram eles que quase morreram de trabalhar e nunca usufrui do trabalho deles, tudo que a roça dava pra eles tomava depois. Era um círculo sem fim! E isso é mais um desabafo do que estou aprendendo com essas pessoas; quem vive da terra ou da agropecuária tem de aprender a ler a natureza a acompanhar o ritmo dela; ela tem o ciclo dela, você pode até adiantar alguma coisa, mas uma hora a terra vai dar o grito! Ai o coitado do Agrônomo que sofre kkkkkk

    1. Raíssa Natasha Ciccheli disse:

      Olá, Sílvia
      Sou da comunicação da Aegro.
      Ficamos muito felizes pelo seu comentário, é por pessoas como você que produzimos tantos conteúdos. Nosso intuito sempre vai ser o de ajudar os agricultores a terem mais produtividade do próprio negócio e a evoluírem o setor.

      Muito obrigada por nos acompanhar, ficamos à disposição
      Abraço! 🙂

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