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Adubação nitrogenada no cafeeiro: como favorecer a liberação controlada do nutriente no solo e realizar a análise foliar em menor tempo

O nitrogênio é o nutriente mais exigido pelo cafeeiro e influencia diretamente a produtividade. No entanto, são diversos os desafios de manejo na adubação nitrogenada

O controle de perdas do nutriente por volatização e a avaliação dos níveis de absorção da planta, realizada pela análise foliar, são impasses que você pode enfrentar em sua lavoura.

No entanto, há maneiras de tornar o manejo da adubação nitrogenada no cafeeiro mais eficiente, conforme pesquisas recentes. Conheça algumas delas neste artigo!

Importância da adubação nitrogenada no cafeeiro

Estima-se que haja 85% de nitrogênio na matéria orgânica do solo, mas seu teor depende do processo de mineralização. 

Normalmente, apenas entre 2 e 3% do nitrogênio no solo está disponível para as plantas. 

Esse nutriente tem relação direta com a produtividade do café: ele influencia no desenvolvimento vegetativo e reprodutivo da planta.

Além disso, ele também favorece o crescimento das folhas novas e dos ramos plagiotrópicos (ramos laterais produtivos), o aumento da área foliar e a produção de carboidratos essenciais para os frutos.

Absorção de nitrogênio pelos grãos

O nitrogênio é o segundo nutriente mais translocado e o mais exportado pelos grãos de café.

A recomendação varia conforme a produtividade no ano/safra e o teor foliar do nutriente. Geralmente, num estande com 4.000 plantas, você deve usar 450 kg ha-1.

Para essa quantidade utilizada, a produção esperada é de 8,8 litros de grãos por planta. Porém, há casos em que a quantidade de fertilizante nitrogenado utilizada chega a 800 kg ha-1.

Normalmente, a adubação de nitrogênio no solo é feita de forma parcelada (a cada 15 dias) entre setembro e março, durante o período chuvoso, para maior absorção pela planta.

Nessa época, ocorrem as fases de floração, frutificação (quando aumenta a absorção do nutriente pela planta) e desenvolvimento vegetativo.

Até chegar a fase de produção, há diferentes níveis de exigência nutricional, resultando em um parcelamento da adubação do cafeeiro.

Mobilidade do nitrogênio no solo

Um fator importante na adubação nitrogenada é a mobilidade do nitrogênio no solo, que pode ser perdido por lixiviação, volatização, nitrificação, desnitrificação, imobilização e mineralização

Segundo pesquisadores, em solos de regiões de clima tropical úmido ocorre grande mobilidade do nutriente e intensa mineralização da matéria orgânica.

Dentre os fatores que interferem no aproveitamento do nitrogênio pelas plantas, estão a disponibilidade de água no solo, o pH, o tipo e a fertilidade do solo, além da presença de alumínio.

Uma das formas mais usuais de fornecer o nutriente para o cafeeiro é por meio da adubação com fertilizantes nitrogenados, como ureia e o sulfato de amônio.A adubação é feita em três ou quatro parcelas a partir do quarto mês de florescimento, concomitante à época de granação e maturação dos frutos.

Ureia agrícola com 44% de N

(Fonte: MFRural

Perdas e absorção de nitrogênio pelas plantas

Pesquisas mostram que as perdas do nitrogênio no solo ocorrem, quase sempre, por volatização na forma de gás amônia, quando aplicado na superfície do solo em ambiente úmido. Essas perdas podem chegar a até 35%.

Nessa situação, a ureia reage com a água, o que resulta na formação do gás amônia (ou forma amônia).

Na aplicação da ureia em solo seco, quando o insumo é molhado pela chuva ou por irrigação (ou fertirrigação), há formação do amônio.

A formação do amônio  possibilita a absorção, mas ele pode ser convertido também em nitrito ou nitrato, absorvido com mais facilidade em solos com pH superior a 5,5.

De acordo com pesquisadores, o nitrogênio em qualquer forma em solos com pH próximo de neutro é transformado em nitrato pela ação de bactérias nitrificadoras.

Métodos para controle de perdas do nitrogênio 

1. Ureia revestida com polímeros

Uma das formas de controle de perdas do nitrogênio no solo é a aplicação parcelada, mas ela também implica em mais gastos com mão de obra, além da compactação do solo.

Estudo recente sugere o uso de inibidores de urease (NBPT) e de nitrificação, com adição de acidificantes e ureia revestida com polímeros ou gel para evitar perdas de N.

Por esse método, ocorre a liberação lenta ou controlada do nutriente no solo, o que pode favorecer o aumento da produtividade e economia de serviços.

Teste de comparação

A título de comparação, a pesquisa fez a adubação nitrogenada com ureia de forma convencional (45% de N) e revestida com polímeros (39% de N) num cafezal em Minas Gerais.

Foram aplicados 450 kg ha-1 (em três parcelas) na aplicação convencional, com intervalo de 60 dias e em dose única para a ureia revestida com polímeros.

Os resultados apontaram perdas de 18,5% do total de nitrogênio aplicado de forma convencional, ou seja: dos 450 kg ha-1 aplicados, 83,5 kg foram perdidos por volatização.

Com a ureia revestida com polímeros, houve perda de 10,46% de N, mesmo aplicado em dose única.

O estudo concluiu que houve perda de 8% a menos do nutriente na adubação com ureia revestida, em comparação com o modelo convencional de adubação.

2. Análise foliar por meio de sensoriamento remoto

Uma ferramenta importante para maior eficiência do manejo nutricional do nitrogênio no cafeeiro é a análise foliar.

É por meio da análise foliar que é possível saber o quanto de fato a planta está absorvendo de nutriente, e se necessário fazer alguma intervenção nutricional. 

Contudo, geralmente, os resultados são conhecidos 30 dias após coletar as amostras e as analisar em laboratório, com custo de R$ 950, numa área de 5 ha, por exemplo. 

Um estudo realizado na Bahia, com o uso do sensoriamento remoto (sensores manuais e drones), mostra que é possível reduzir esse tempo a apenas um dia.

Teores de nitrogênio foliar medido com sensores

(Foto: Crislaine Ladeia/Divulgação)

Tecnologia para sensoriamento remoto

Uma possibilidade para realizar o sensoriamento remoto é através do sensor óptico ativo manual terrestre GreenSeeker®, da Trimble.

O equipamento emite radiação eletromagnética na banda do vermelho a 660 ± 12 nanômetros e do infravermelho, próximo de 770 ± 12 nm.

A medição é realizada a 0,5 metro da cultura no terço médio da planta.

Também pode ser utilizado um drone equipado com sensor que capta a radiação do comprimento de ondas do visível (400 – 700 nm).

planilha adubação de café

Conclusão 

A adubação nitrogenada do cafeeiro pode ser realizada de forma mais eficiente, como você viu ao longo do artigo.

A adubação nitrogenada em dose única, com ureia revestida com polímeros, é uma boa alternativa para maior eficiência, redução de custos e redução da compactação do solo.

Igualmente benéfica, a análise foliar por meio do sensoriamento remoto permite uma atuação ainda no mesmo ano/safra, caso sejam necessárias correções nutricionais.

Tais ações, se bem executadas, resultarão em boa produtividade de café para a sua lavoura.

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“Tudo o que você precisa saber sobre a cercosporiose no café”

Quais métodos você costuma utilizar para fazer a adubação nitrogenada no cafeeiro? Relate sua experiência aqui nos comentários, e assine nossa newsletter para receber mais artigos parecidos!