Sensoriamento remoto na agricultura: Veja como funciona, quais suas aplicações e como isso pode te auxiliar na hora da tomada de decisão.

O sensoriamento remoto vem se tornando cada vez mais presente na agricultura.

Há muitas maneiras de inserir essa ferramenta na sua propriedade, e no texto de hoje vamos ver algumas delas para você ficar mais familiarizado. 

Mas afinal, o que é essa ferramenta? E será mesmo que ela pode te ajudar na propriedade ou é só mais uma moda?

Confira os 7 tópicos mais interessantes e suas respostas sobre o sensoriamento remoto na agricultura e conheça tudo sobre o tema!

1. O que é e para que serve sensoriamento remoto?

É o conjunto de técnicas que tem como objetivo a obtenção de informações sobre alvos na superfície terrestre.

Essas informações são obtidas por meio do registro da interação da radiação eletromagnética com a superfície, que é realizado por sensores distantes (imagens de satélite) ou remotos (fotos aéreas).

Participação do sensoriamento remoto na agricultura 5.0

Participação do sensoriamento remoto na agricultura 5.0
(Fonte: Hayrton (2019))

2. Georreferenciamento e sensoriamento remoto

O sensoriamento remoto, como já comentamos, é o conjunto de técnicas que permite conseguir informações da superfície terrestre e o que há nela.

Isso ocorre através da interação eletromagnética com a superfície. Sem contato físico, a forma de transmissão de dados é pela radiação eletromagnética.

Já o geoprocessamento é o conjunto de técnicas e metodologias para obter, arquivar, processar e representar os dados georreferenciados. Tudo isso com técnicas matemáticas e computacionais.

Por isso, os dois em conjunto são consideradas técnicas fundamentais para registrar e aumentar a eficiência do uso da terra, especialmente ao longo do tempo. 

A agricultura de precisão, que contém o conceito da variabilidade do campo, é uma das áreas em que podemos aplicar essas ferramentas, já que elas permitem verificar onde e como é essa variabilidade das áreas agrícolas.

sensoriamento remoto na agricultura

Satélites e drones para monitorar sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta
(Fonte: Senar)

3. Coleta de dados em sensoriamento remoto

A coleta de dados em sensoriamento remoto é obtida por sensores colocados em diferentes tipos de plataformas carregadoras.

A plataforma carregadora pode ser laboratório, campo, aéreo ou orbital. Vamos ver a seguir mais sobre cada uma delas:

Níveis de coletas de dados do sensoriamento remoto

Níveis de coletas de dados do sensoriamento remoto
(Fonte: Jocilene Barros (2018))

Laboratório

Utiliza radiômetros e estes registram a radiação refletida pelas plantas, folhas e solos em locais onde pode ser controlada a iluminação.

Campo

Também podem ser utilizados radiômetros. Neste caso, eles podem ficar presos em suportes acima dos alvos estudados.

Podem ser utilizados veículos com guindastes hidráulicos, que são conhecidos como cherry pickers. 

Aéreo

Neste caso, o nível de coleta é dividido em diferentes altitudes:

  • Alta altitude (ao redor de 20 km);
  • Média altitude (menos de 20 km até 5 km);
  • Baixa altitude (abaixo de 5 km).

São usados para simular diferentes condições de obtenção de dados. Quanto menor a altitude utilizada, menor a influência atmosférica.

Aqui podemos incluir o uso de drones, com a vantagem de utilizá-los quando precisar das informações.

Orbital

Nesse nível de coleta são utilizados os satélites como plataformas.

Aqui é possível realizar a cobertura de grandes áreas e a repetitividade temporal, muito importante para áreas extensas.

sensoriamento remoto na agricultura

Nível de coleta de dados orbital
(Fonte: Bernadete Prado Ramires)

4. Qual a diferença entre os sensores ativos e passivos?

Você sabia que existem sensores ativos e passivos? Sabe dizer qual a diferença entre eles?

Os sensores passivos só podem operar quando há luz solar, pois dependem disso para iluminar as imagens que captura, ou seja, dependem das condições atmosféricas. 

Já os sensores ativos não necessitam da luz solar, podendo ser utilizados também durante a noite, além de não dependerem de condições atmosféricas.

Outra diferença entre os sensores é que os passivos atuam na região espectral do óptico (400 nm a 2.500 nm), já os ativos atuam na faixa das micro-ondas. 

Utilizando as imagens tanto do sensoriamento remoto óptico quanto das obtidas nas micro-ondas, você pode obter maior riqueza de informações.

Curvas espectrais e comprimentos de onda

Curvas espectrais e comprimentos de onda – visível, infravermelho próximo e infravermelho médio
(Fonte: Rafael Briones Matheus (Parque da Ciência))

5. Aplicações do sensoriamento remoto na agricultura

Na agricultura o sensoriamento remoto pode ser usado para diversas atividades como:

  • Estimativa de área plantada;
  • Estimativa de produção agrícola;
  • Vigor vegetativo das culturas;
  • Manejo agrícola em nível de país, estado, município ou ainda em nível de microbacia hidrográfica ou fazenda;
  • Análise da cobertura vegetal, topografia, drenagem e tipo de solo;
  • Determinação das áreas de preservação de mananciais, reservas florestais e áreas agrícolas;
  • Detecção de falhas na irrigação, adubação ou preparo do solo;
  • Sintomas de injúrias por produtos fitossanitários;
  • Manchas de solo com baixa produtividade;
  • Áreas com erosão laminar;
  • Identificação de reboleiras de baixo vigor causadas por nematoides ou patógenos de solo;
  • Regiões com maiores potenciais de produção.

Como vimos acima, com o sensoriamento remoto conseguimos captar o vigor das plantas. 

Aqui vale uma explicação mais longa, já que a detecção do vigor das plantas e, consequentemente, da sua saúde, resulta em diversos outros resultados como estimativa de produção e outros.

Isso é possível pois a banda de radiação do NIR – Infravermelho Próximo, diferencia plantas vigorosas (que refletem mais o NIR) e plantas mais fracas (que absorvem a radiação). 

As imagens em NIR, que são obtidas por satélites, são tratadas em uma equação denominada de NDVI (Índice de Vegetação por Diferença Normalizada) que transforma as leituras de NIR em tons de cores.

Índice de vegetação e comportamento espectral

Índice de vegetação e comportamento espectral
(Fonte: Rayssa Viveiros Espírito Santo)

6. Sensoriamento remoto e irrigação

Já vimos os diversos usos que o sensoriamento remoto pode ter dentro da agricultura, vamos ver agora um pouco mais de como ele pode ser utilizado na irrigação das culturas.

Sensoriamento remoto na irrigação

Sensoriamento remoto na irrigação
(Fonte: Hidrodinâmica Irrigação)

O sensoriamento remoto na agricultura pode ser usado, por exemplo, para estimar a evapotranspiração real (ETr), o que ajuda a identificar se a quantidade de água aplicada é ideal, abaixo ou superior à necessária, como feito por Silva et al. (2012).

sensoriamento remoto na agricultura

Sensoriamento remoto na irrigação, anel formado por emissor entupido ou inadequado
(Fonte: Cultivar (Irriger/Farmers Edge) – Nelson Sá)

7. Sensoriamento remoto na soja

O sensoriamento remoto na cultura da soja está sendo aplicado de diversas maneiras.

Utilizando um VANT com câmeras multiespectrais, as imagens são analisadas e utilizadas para a geração de um mapa que indica a distribuição de cada campo de produção aptas para beneficiamento e eventual produção de sementes (DroneShow).

Com o uso de câmera termal será possível monitorar plantas em situação de seca e, com a ajuda de um sensor, medir a deficiência de potássio nas folhas mesmo antes dos sintomas aparecerem (Embrapa, 2019).

Perfil temporal das áreas de soja da região norte do Rio Grande do Sul

Perfil temporal das áreas de soja da região norte do Rio Grande do Sul gerado a partir de imagens NDVI (índice de vegetação) dos meses de outubro a maio, safra 2005/06. Em destaque a evolução temporal do NDVI nas etapas de semeadura (A), máximo desenvolvimento vegetativo (B) e colheita (C).
(Fonte: Santos et al. (2014))

Há também estudos com o uso do sensoriamento remoto para identificar sintomas de ferrugem em soja. 

sensoriamento remoto para identificar sintomas de ferrugem em soja.

Estágios da doença causada pelo patógeno (esquerda) e quatro tipos de folhas com os diferentes níveis de severidade da ferrugem (direita)
(Fonte: Cui et al. (2009))

Como fazer o sensoriamento remoto da sua lavoura

Existem formas muito práticas de aplicar técnicas de sensoriamento remoto nas fazendas. Uma delas é contratar soluções integradas à gestão rural.

Com o Aegro Imagens, por exemplo, você pode obter mapas NDVI para a sua lavoura durante toda a safra.

As imagens são geradas pelo satélite Sentinel-2 em uma frequência de 3 a 5 dias e ficam organizadas em ordem cronológica.

Isso te ajuda a acompanhar o desenvolvimento do cultivo com passar do tempo e identificar potenciais problemas com agilidade.

Além disso, você pode analisar os resultados do sensoriamento remoto juntamente com o histórico de operações agrícolas realizadas em cada talhão.

Esse é um jeito fácil de conferir se as suas atividades de manejo estão tendo o impacto desejado na saúde da plantação.

Assim, as imagens de satélite se tornam uma ferramenta estratégica para o seu planejamento de safra, pois auxiliam você a tomar decisões mais assertivas.

Peça uma demonstração gratuita do Aegro Imagens e simplifique o uso de NDVI na sua fazenda!

Conclusão

No texto de hoje vimos alguns exemplos de como o sensoriamento está sendo utilizado na agricultura.

Você pôde conhecer também as principais diferenças entre sensores ativos e passivos, técnicas de sensoriamento remoto na irrigação e na cultura da soja.

Por último, você conferiu como uma solução para imagens de satélite integrada à gestão rural facilita a aplicação dessa tecncologia no dia a dia das fazendas.

Assim, fica claro que o sensoriamento remoto na agricultura é uma importante ferramenta que veio para auxiliar o produtor na tomada de decisão.

>> Leia mais:

O que é SIG na agricultura e como essa tecnologia pode ser útil na sua fazenda

Como realizar a aplicação localizada de insumos e otimizar os custos da sua lavoura

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