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adubação para café

Adubação para café: Simples e prática (+ planilha)

- 17 de dezembro de 2019

Adubação para café: As principais dicas para melhorar a produção nas diferentes fases do cafezal + planilha para cálculo automático de adubação!

Na hora de fazer a adubação do café surgem várias dúvidas, não é mesmo?

Ainda existe muita desinformação e picaretagem por aí, o que muitas vezes leva o produtor ao erro na adubação. E isso pode significar prejuízos tanto na produção como no bolso.

Confira no artigo a seguir as dicas para adubação nas diferentes fases do cafezal, exigências nutricionais e outras informações para não fazer feio na adubação para café! 

Princípios da adubação para café 

A adubação para café deve levar em conta três princípios básicos: 

  • Exigência e estado nutricional do cafeeiro;
  • Disponibilidade de nutrientes no solo;
  • Eficiência da adubação.

1 – Exigência e estado nutricional do café

A demanda de nutrientes do cafeeiro depende da sua produção de biomassa: frutos + vegetação. Isso vale tanto para café arábica como conilon.

Os frutos demandam mais nutrientes. Portanto, a frutificação é a época de maior demanda.

E, quanto maior a produção, maior será a demanda nutricional do cafeeiro.

Nos anos de baixa, quando o café vegeta e produz menos, a demanda por nutrientes também é menor!

O estado nutricional da planta na cultura de café é indicado pela análise foliar do 3º ou 4º par de folhas totalmente expandidas.

teores foliares para café

2 – Disponibilidade de nutrientes no solo

Ao longo dos anos, a pesquisa determinou classes de teores de nutrientes no solo para a produção de café. Existe mais de um tipo de classificação, mas vamos focar nas recomendações do Novo Boletim 100.

nutrientes no solo para café

Esses teores servem de base para comparar os resultados da nossa análise de solo e sabermos como está a fertilidade da lavoura de café.

O ideal é manter os teores de nutrientes na faixa “adequada”.

Abaixo dessa faixa, pode haver deficiência e devemos fazer a adubação de correção do café. 

Acima dela, não há resposta à adubação, portanto, basta repor os nutrientes exportados na colheita.

Veja que não existem valores para o nitrogênio (N). A adubação nitrogenada é feita de acordo com a expectativa de produção da área e teor foliar de N.

3 – Eficiência de adubação

A fonte, modo e época de aplicação dos adubos influenciam na eficiência da adubação. 

O cálculo dessa eficiência não é tão simples, mas podemos dizer que, em geral, a eficiência da adubação química é de 50% para o N; 70% para o K; e de menos de 20% para o P.

Adubos de liberação lenta/controlada, com inibidores ou adubos orgânicos/organominerais, podem aumentar essa eficiência em alguns casos por liberar os nutrientes de forma gradual. 

Contudo, isso não necessariamente é verdade ou resulta em maior produtividade e lucro. Fique com o pé atrás com “produtos milagrosos”…

Adubação para café em diferentes fases

Aqui no Lavoura10, já mostramos as recomendações de adubação no plantio no artigo Todas as recomendações para o melhor plantio do café”!

Nos resta então comentar sobre as adubações de café em formação e em plena produção.

As tabelas de adubação são bons guias, contudo, conhecendo o histórico de nossa lavoura e sua resposta à adubação, podemos refinar esses valores e adaptar a dose para nossa realidade.

Não há segredo: temos que fornecer nutrientes que atendam à demanda das plantas de café na dose e na época correta.

Considerando que a calagem e a gessagem foram bem feitas, não teremos problemas com pH, alumínio e teores de cálcio (Ca) e enxofre (S). 

Adubação para cafeeiros em formação

Cafeeiros em formação estão vegetando, formando suas raízes e parte aérea. Nessa fase, as exigências de nutrientes são menores e diferentes de uma lavoura em produção.

Cafeeiro em formação

Cafeeiro em formação 
(Fonte: Arquivo do autor)

É muito importante que tenhamos P, Ca e Boro (B) para o desenvolvimento das raízes e que não falte N para vegetar. A aplicação destes nutrientes é sempre via solo, para melhor aproveitamento. 

Os demais nutrientes devem ser mantidos em níveis adequados para não comprometer o desenvolvimento vegetativo e reprodutivo dos cafeeiros em formação.

É considerada adubação de formação a realizada após o plantio até o primeiro ano produtivo do cafeeiro. Ela geralmente é concentrada no período chuvoso.

adubação para café

Adubação para cafeeiro em produção

O cafeeiro produzindo tem uma maior exigência nutricional. Para cada saca produzida são necessários: 6,2 kg de N; 0,6 kg de P; e 5,9 kg de K para vegetar e frutificar.

Cafeeiros em produção plena

Cafeeiro em produção plena
(Fonte: Arquivo do autor)

Para o N, a dose será definida com base na produção esperada e análise foliar. Já para P e K, o que manda é a análise de solo e a produção esperada.

recomendação para adubação de café

Adubação para café: macro e micronutrientes

Nitrogênio (N)

Como referência prática, até o final de janeiro, devemos fornecer 70% de todo o N que vamos aplicar. 

A aplicação deve antecipar a florada principal e o novo ciclo vegetativo e ir até a granação dos frutos de forma parcelada.

Prefira nitrato de amônio à ureia para evitar perdas por volatilização do N.

As doses variam de acordo com a produtividade do sistema, como podemos ver na tabela acima.

Fósforo (P)

O fósforo é pouco exportado pela colheita: apenas 60 g por saca produzida. Portanto, sua importância maior está no plantio e formação do cafezal, pois este elemento é essencial no crescimento das raízes do cafeeiro.

Com os teores de P adequados no solo, basta adubar com a quantidade exportada.

Adubação P (kg/ha) =  
sc/ha produzidas x 0,06 kg de P/sc x 0,2 (eficiência da adubação)

Do contrário, deve-se realizar a adubação corretiva de P para elevar seus teores para a faixa adequada, entre 15 e 30 mg.kg-1. 

Feita a correção, a adubação de P para café segue como na conta acima.

Fontes menos solúveis de fósforo são preferíveis na instalação da lavoura e na adubação corretiva. Para os cafés em produção, prefira fontes solúveis como o super simples e triplo, MAP, DAP, etc.

Potássio (K)

A maior parte do potássio é exigida da floração à formação dos frutos. Portanto, na época da floração, já deve haver K disponível para a planta.

A primeira parcela deve anteceder a floração e a adubação deve seguir até a granação dos frutos.

O parcelamento deve ser maior em solos mais arenosos, onde o risco de lixiviação de K é maior.

Atenção redobrada na relação entre a disponibilidade de K e Mg. Ela deve ser 1:2 para que não haja deficiência de Mg devido à inibição de sua absorção pelas altas doses de K.

Micronutrientes

Os micronutrientes que demandam maior atenção na adubação para café são boro e zinco.

As doses de Zn ficam entre 1 e 4 kg.ha-1 fornecidos entre outubro e março, mas podem variar de acordo com a cultivar e análise foliar.

O boro deve ser aplicado no solo. Na forma de ácido bórico pode ser fornecido junto da calda de herbicidas. Recomenda-se 2 a 3 aplicações de 1 kg.ha-1 de B. 

Boro foliar somente para correções pontuais, pois ele não se move na planta. O correto é aplicar sempre no solo.

Adubação em café sombreado

Será que cafés sombreados devem receber a mesma adubação que os cultivados a pleno sol? 

A resposta é: depende do nível de sombreamento!

Pesquisas mostram que, com um sombreamento de até 30%, a produção do café é igual a do pleno sol. Portanto, a exigência nutricional e a adubação seriam equivalentes.

Para maiores níveis de sombra, a conversa é outra.

A diferenciação em gemas florais seria menor e, consequentemente, a produção de frutos também.

Além disso, menos luz significa menos fotossíntese, menos energia para a planta produzir, vegetar e assimilar N.

Portanto, se a adubação fosse feita com a dose do cultivo a pleno sol, estaria em excesso e o produtor estaria perdendo dinheiro, principalmente no caso do N.

A dose deve ser reduzida de acordo com as característica de sua lavoura sombreada.

>> Leia mais: “Broca-do-café: veja as principais alternativas de controle

Planilha de cálculo de adubação para café

Para te ajudar nas contas de adubação para seu café, nós fizemos uma planilha para cálculo de adubação baseada nas recomendações do Novo Boletim 100 do IAC.

Nela você pode inserir as informações de suas análises de solo e foliar, além da produtividade esperada e automaticamente visualizar os valores recomendados para lavouras em produção.

O download você pode fazer clicando na imagem abaixo! 

planilha adubação de café

Conclusão

Como pudemos acompanhar no texto, a adubação para café deve ser feita de acordo com parâmetros da planta e do solo, bem como o histórico de produção e manejo da área.

A exigência nutricional do cafeeiro deve ser suprida na quantidade e na época certas para termos maior eficiência de uso dos adubos e melhor produção.

É importante ressaltar que, dependendo do sistema, as adubações para café serão distintas. 

Por isso, as tabelas de adubação são apenas um guia que devemos adequar à realidade de nossa propriedade.

>> Leia mais:

Acerte no adubo líquido para café e não jogue dinheiro fora

Pós-colheita do café: Tendências e perspectivas para cafés de qualidade (+ cuidados com a lavoura)

Restou alguma dúvida sobre adubação para café? Conte para gente nos comentários! Grande abraço!

Comentários

  1. Renato tosta de Castro disse:

    Bom e bem explicado porem seria legal colocar tambem o tipo de adubo ex 190419 ,250520 e específica qual sera o melhor para o café e epoca de aplicação .

    1. Obrigado pelo comentário, Renato! Para as próximas publicações iremos com certeza acrescentar essas informações. Grande abraço!

  2. Fabiano de souza disse:

    Parabéns pelo material!!!
    Mas fiquei com uma duvida na planilha de cafeeiro em produção quando informo qualquer valor nas células a quantidade de N não altera fica somente em 90 kg.ha em recomendação da dose.

    1. Raíssa Natasha Ciccheli disse:

      Olá, Fabiano
      Sou da comunicação da Aegro.
      Na segunda guia da planilha está com o título invertido em: Cafeeiro em Produção e Cafeeiro em Formação. Pode ser isso que esteja dando errado.
      De qualquer forma, já arrumamos e estou te enviando por e-mail a planilha correta.
      Obrigada por nos acompanhar.
      Abraço!

  3. andré talvane savassini disse:

    posso usar essa planilha para o estado de rondonia, ou teria uma especifica pra minha região, se tiver gostaria de te-la! pois não encontrei nenhuma planilha daqui!

    1. Raíssa Natasha Ciccheli disse:

      Olá, André
      Sou da comunicação da Aegro.
      As planilhas são gerais, para serem usadas independente da região, pois não temos específicas para cada estado.
      Espero que ela te ajude,
      Abraço!

      1. andré talvane savassini disse:

        obrigado! quantas plantas por hectare foi feito esses calculos de produção e adubação, não encontrei essa informação, pra poder transformar esses kg em gramas por planta!

    2. Ronilton Alves De Almeida disse:

      Bom dia! Quais meses o café conilon precisa de mais nutrientes e quais devem ser usados?

  4. Olá João! Tudo bem?
    Considerando lavouras sob manejo de poda em safra zero, na qual produz 80 scs/ha no ano de produção e no ano seguinte zera a safra, como utilizar a tabela de demanda de NPK nesse caso? Exemplo: Nessa lavoura, com níveis foliares de N adequados(25-30), devo utilizar a demanda de N para 70-80 scs que é de 280 kg/ha no ano de produção e também 280kg/ha no ano de poda? Ou 2ª hipótese, devo balizar a média em 40scs/ha e utilizar a linha da tabela de 40-50scs/ha que seria de 220kg/ha de N no ano de produção e no ano de safra zero? Ou 3ª hipótese seria utilizar 280kg/ha no ano de safra zero(maior vegetação) e 220kg/ha no ano de produção? Ou 4ª hipótese seria zerar a adubação de N em algum dos anos?

    abs! José Aldo.

    1. Olá, José Aldo! Tudo bem e você?
      Sua dúvida é muito interessante, muito comum e não é fácil de se responder. As suas hipótese são válidas e vou tentar te orientar da melhor maneira.

      1a) A demanda de para crescimento das partes vegetativas é menor que a de frutificação, portanto, embora muitas recomendações sejam de manter a mesma dose em ambos os anos, creio que esse manejo não é muito eficiente.

      2a) O ano de alta deve receber a adubação equivalente à sua produção, independentemente da média do sistema ou o ano de baixa ser zerado.

      3a) O ano produtivo sempre vai ter maior demanda pois a demanda nutricional dos frutos é muito maior que a da vegetação. A dose menor deve ser a do ano zerado.

      4a) Zerar a adubação de N em alguns anos não é recomendável, porque o crescimento vegetativo pós poda vai dependender desse N fornecido.

      No ano de alta, você pode seguir as recomendações da tabela, de acordo com a produtividade.

      O problema é definir qual seria essa dose para o ano zerado, pois temos que considerar os seguintes aspectos:

      O material podado é rico em nutrientes e deve ser triturado e usado na lavoura para retornar esses nutrientes. As folhas e brotos provavelmente serão decompostos nesse período, mas ramos provavelmente demore muito mais tempo. Mas faltam quantificações nesse sentido. Ao considerarmos somente as folhas, no máximo cerca de 100 kg/ha de N, 5 de P e 85 de K seriam disponibilizados via resíduos, elas representam mais ou menos metade dos nutrientes nos resíduos, o resto estaria imobilizado os ramos, liberando apenas uma parte ao longo desse ano.

      Após a poda de safra zero, mobiliza suas reservas para recuperar os ramos e folhas, nesse processo raízes são mortas como forma de remobilizar energia e nutrientes para a parte aérea. Com a morte dessas raízes o cafeeiro perde a maior parte da área de absorção de nutrientes. Qual seria a necessidade de adubação então, sabendo que a eficiência de absorção da planta estaria comprometida?

      No ano zerado as doses devem ser menores pela menor demanda da vegetação e por estar com a absorção comprometida.
      Para P e K, se o teor no solo estiver adequado/alto, não é necessário aplicá-los; se estiverem baixos a dose deve ser menor, o ideal seria fornecer pelo menos a quantidade imobilizada no material que não será decomposto, como dito acima.

      No caso do N, a dose pode seguir o mesmo princípio de repor os nutrientes que permanecem imobilizados nos ramos em decomposição, cerca de 120 kg N/ha.

      Tudo isso depende do solo em que está a lavoura e histórico de manejo, pois um solo mais fértil e com mais matéria orgânica teoricamente supre as necessidades do café no ano zerado, necessitando menos adubação até certo ponto (alguns estudos mostram que nesses casos não há diferença com adubação de N no ano zero).

      Espero ter ajudado e permaneço a disposição, José!

      Grande abraço,
      João.

  5. Edmar Gonçalves Pereira disse:

    Olá meu nome é Edmar minha mãe faleceu já menos de um mês e deixou 17000 mil pés de café gostaria que vcs me ajudace com uma planilha para adubação da lavoura já que tenho que assumir tudo agora desde já agradeço

    1. Raíssa Natasha Ciccheli disse:

      Olá, Edmar
      Sou da comunicação da Aegro.
      Você pode baixar a planilha de adubação para a cultura do café aqui: https://conhecimento.aegro.com.br/planilha-adubacao-cafe
      No artigo você encontra outras informações necessárias para este processo.
      Ficamos à disposição e desejamos sucesso em seu negócio.
      Abraço!

  6. José Luiz disse:

    Bom dia Dr. João

    Sou técnico agrícola e iniciei uma produção de fertilizante liquido á base de aminoácido de resíduo de peixe, por fermentação enzimática anaeróbica.
    Preciso de um parecer técnico sobre a aplicação desse produto em CAFEICULTURA orgânica, se possível, quais os valores adequados de macro e micro nutrientes para plantas já em formação, que deve constar no conteúdo.
    Fico no aguardo de seu retorno

    Grato,

    1. Olá, José Luiz. Tudo bem?
      Os teores de macro e micronutrientes de fertilizantes líquidos (fertilizantes fluídos perante a lei) devem seguir a legislação do MAPA. No link abaixo você pode acessar a legislação. Na seção de Fertilizantes fluídos tem todos os detalhes de como devem ser expressos os teores no rótulo e quais os teores mínimos para os nutrientes.

      http://sistemasweb.agricultura.gov.br/sislegis/action/detalhaAto.do?method=recuperarTextoAtoTematicaPortal&codigoTematica=1229260

      Permaneço à disposição.
      Grande abraço.
      João

  7. MANOEL BARBOSA DA SILVA disse:

    Excelente trabalho João Leonardo.
    Não sou produtor de café, mas plantei alguns pés no quintal. Mais ou menos 300 pés pelo prazer de tê-los.
    A dificuldade é comprar produtos em pequenas quantidades.
    Mas insisto e não desisto.
    Tenho amigos piracicabanos que atuaram como professores na ESAL e na UFMG. Admiro o trabalho dos pesquisadores.

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