Análise química do solo é a forma de conhecer a dinâmica de nutrientes do mesmo. Assim, aqui vamos discutir sobre os tipos de análises e recomendações para o melhor manejo de seu solo.
A safrinha se encerrando e você já começa a se programar para a safra. De cara algumas dúvidas aparecerem em sua mente:
“- Bom, todo ano eu adubo certinho, minha terra está bem e dessa vez não vou jogar tanto adubo porque gasto muito dinheiro com isso!”.
É comum também ouvir que de um ano para outro não muda nada a composição do solo, e que as análises valem por pelo menos 3 safras.
Mas a verdade é que não é bem assim. Essas análises frequentes fazem toda a diferença na produção final.
Por isso, confira comigo porque a análise química do solo é uma das práticas mais importantes e demais recomendações:
Índice do Conteúdo
- 1 Fazer a análise química do solo é importante para a agricultura?
- 2 Uma análise física e química do solo influencia na adubação?
- 3 Os 3 tipos de análises de solo mais usadas na agricultura:
- 4 Passo a passo de uma amostragem de solo
- 5 Época e frequência da análise química do solo
- 6 Aplicação das análises do solo no dia a dia da lavoura
- 7 Conclusões
Fazer a análise química do solo é importante para a agricultura?
A diferença visível entre milho com adubação adequada e inadequada de fósforo.
(Foto: Embrapa)
A maior parte dos solos brasileiros não apresentam condições químicas naturais adequadas para sustentar um bom desenvolvimento das culturas.
Além disso, mesmo se o solo possuir grande fertilidade, com o tempo as sucessivas culturas vão exauri-lo, ou seja, diminuir muito as quantidades de nutrientes.
Dessa forma, os produtores precisam melhorar o grau de fertilidade dos solos a fim de se obter sucesso em suas lavouras.
Para isso, é preciso conhecer as quantidades de nutrientes para reposição, além de melhorar as condições de solo com calagem, gessagem e fosfatagem quando necessário.
E é somente com as análises química e física do solo que você vai saber disso.
Então, vamos discutir mais sobre isso:
Uma análise física e química do solo influencia na adubação?
A ferramenta mais utilizada para definir como isto será feito (principalmente quais os produtos a serem utilizados e quanto aplicar) é a análise química de solo.
Sem uma análise completa e um adequado programa de calagem e adubação, o sucesso estará distante do lucro do agricultor.
É muito importante você fazer a avaliação e o monitoramento das condições de fertilidade da área a ser cultivada.
Portanto, o responsável pela propriedade rural deve estar preparado para resolver questões relacionadas à interpretação dos resultados das análises.
Para começarmos a entender melhor sobre essas análises vamos entender sobre cada uma delas:
Os 3 tipos de análises de solo mais usadas na agricultura:
1. Análise química de solo
A análise química do solo avalia a fertilidade, determinando a acidez e disponibilidade de nutrientes às plantas.
Sendo um importante instrumento na orientação da tomada de decisões, cada etapa de execução de uma análise de solos deverá ser seguida rigorosamente:
a) Amostragem do solo: Uma amostra de solo consiste em uma pequena porção de solo capaz de representar a gleba. Falaremos com detalhe mais adiante.
b) Determinações químicas: Esta etapa é realizada no laboratório, o qual você deve escolher um de confiança e credenciado (veja mais sobre isso aqui).
c) Interpretação dos resultados da análise química do solo, além da física, e recomendações de corretivos e quantidade de adubos.
d) Implantação das recomendações: com as recomendações técnicas baseadas na análise química do solo e manejo, cabe a você implantar as mesmas.
2. Análise granulométrica (física) do solo
Consiste em se realizar a determinação dos teores de areia, silte e argila.
Isso auxilia, por exemplo, na adequada interpretação dos teores de nutrientes no solo.
Além disso, é a análise que determina a textura do solo, muito melhor e mais assertiva que estimar pela botina ou na mão.
No caso da textura do solo temos que ter em mente que esse é um dos parâmetros para a caracterização do solo, sendo realizada apenas uma vez na área.
3. Análise Química de Tecido Vegetal (Planta)
Esse tipo de análise é menos utilizada que as primeiras análises descritas acima.
Mas é com ela que você verifica a interação solo-planta-clima, verificando se o seu manejo está sendo efetivo.
Com a análise química do tecido vegetal, identifica-se possíveis deficiências, toxicidades e ainda distingue sintomas provocados por doenças dos problemas nutricionais.
Entre todos os órgãos da planta, normalmente a folha é que reflete melhor o estado nutricional de carência.

(Fonte: Embrapa)
As análises foliares são realizadas durante o ciclo da cultura para verificação do estado nutricional e ajudar a diagnosticar algum problema na lavoura.
Assim, esse tipo de análise é complementar às análises de solo.
Enquanto a análise foliar é durante a safra, as análises de solo devem fazer parte do planejamento da instalação das culturas agrícolas.
Falando em planejamento, veremos agora como realizar a amostragem de solo para que você possa fazer seu planejamento de análises com segurança:
Passo a passo de uma amostragem de solo
Por mais importante que a análise de solo seja, ela não corrige os erros cometidos no momento da coleta das amostras.
Por isso, para se obter amostras de solo que sejam representativas da área a ser cultivada, deve-se adotar os seguintes passos:
1⁰ Passo: Defina os locais de amostragem
Os solos não são homogêneos, possuindo grande variabilidade devido às manchas de solo, diferentes tipos de manejo, culturas, declives, etc.
Por essa razão você deve dividir a área de amostragem conforme as diferenças no terreno. Para cada gleba devem ser coletadas amostras em separado, como na figura:

(Fonte: Phytus Club)
Nessa subdivisão, considere os seguintes aspectos:
- Culturas diferentes;
- Cor e tipo de solo;
- Topografia e relevo;
- Textura;
- Vegetação;
- Histórico do solo: emprego de corretivos e fertilizantes, culturas utilizadas anteriormente, etc.
Depois que vc separou em áreas uniformes, se necessário, faça uma subdivisão de cada uma, de forma que seu tamanho máximo não ultrapasse 10 a 20 hectares.
2⁰ Passo: Colete várias subamostras em diferentes pontos
A amostra representativa de uma gleba é aquela que melhor reflete as condições de fertilidade da área amostrada.
Para a coleta da amostra, o método zigue-zague é o mais utilizado para pequenos produtores e por produtores que não possuem recursos como aparelhos de GPS.
Porém, se você já é adepto da Agricultura de Precisão em sua propriedade, o método em grade é o mais recomendado.

À esquerda, o sistema de coleta de amostra convencional. À direita, a amostragem em grade (grid)
(Foto: Nutrical)
O número de pontos de amostragem dependem muito do método que você vai utilizar. Logo, saiba como fazer análise de solo por esses diferentes métodos neste artigo.
A profundidade de amostragem deve ser definida de acordo com a cultura que está sendo ou será cultivada.
Assim, amostramos a camada de solo que será explorada pelo maior volume sistema radicular da cultura:
- Culturas anuais e pastagens: amostragem na camada de 0-20 cm;
- Pastagens já estabelecidas: amostragem em 0-10 cm;
- Culturas perenes: a amostragem deve ser realizada em camadas, como em 0-20, de 20-40 e de 40-60 cm, constituindo amostras compostas por camada;
- Áreas com suspeita de acidez em subsuperfície: amostre o perfil do solo até 60 cm de profundidade, seja para culturas anuais ou perenes.
Além disso, se atente ao local de amostragem conforme a cultura no campo:

(Fonte: Phytus Club)
3⁰ Passo: Forme as amostras compostas
Para se conseguir uma amostra representativa, é necessário que você colete várias amostras em diversos pontos e misturá-las bem no balde.
Transfira cerca de 500 gramas dessa mistura para um saco plástico limpo e sem contaminantes.
Dessa forma, você obtém uma amostra composta, a qual vai representar aquela determinada gleba.
Além disso, não é recomendável você retirar amostras de locais próximos de:
- Residências
- Galpões
- Estradas
- Formigueiros e/ou cupinzeiros
- Depósitos de adubos
- Terreno encharcado (brejos)
- Voçorocas (sulcos de erosão)
- Árvores, etc.
4⁰ Passo: Envie para um laboratório credenciado
A escolha do laboratório de análises de solo deve ser levada em consideração na obtenção de resultados com qualidade.
Laboratórios idôneos e que investem em tecnologias são fundamentais para o sucesso do processo como um todo.
Desse modo, veja como escolher um laboratório de análise de solo da sua região aqui.
Época e frequência da análise química do solo
A análise de solo deve ser repetida em intervalos de um a três anos, dependendo da intensidade da adubação, do número de culturas de ciclo curto consecutivas ou do estágio de desenvolvimento de culturas perenes.
Assim, recomenda-se maior frequência em áreas com exploração com culturas anuais e solos arenosos e que recebem maiores aplicações de fertilizantes e corretivos.
Quanto à época de coleta das amostras de solo, elas podem ser realizadas em qualquer época do ano.
No entanto, para culturas anuais é interessante ter a análise química do solo antes do plantio e após a calagem.
Assim, os resultados permitem tomada de decisão mais assertivas para a futura lavoura.
Isso permite que a fertilidade do solo não seja um fator limitante à produtividade das culturas naquele e demais anos agrícolas.

(Fonte: Zbynek Burival em Unsplash)
Aplicação das análises do solo no dia a dia da lavoura
É claro que a principal aplicação das análises envolve a quantidade de fertilizantes, corretivos e condicionadores do solo.
Mas vai além disso. Solos com texturas arenosas, por exemplo, não conseguem reter muitos nutrientes, sendo indicado maior parcelamento dos fertilizantes.
Ademais, o solo é um dos fatores mais importantes na escolha da dose do herbicida a ser usado.
A dose de herbicida a ser empregada por produtos residuais (aqueles absorvidos pelas raízes das plantas), depende, além da cultura e das plantas daninhas, da textura, da CTC efetiva e da matéria orgânica do solo.
Geralmente solos com textura leve e nível de matéria orgânica baixo requerem doses menores de herbicida do que solos pesados e com maior nível de matéria orgânica para proporcionar controle efetivo das plantas daninhas.
Assim, os herbicidas pré-emergentes e alguns pós-emergentes que possuem ação residual, têm recomendação diferenciada para cada tipo de solo.
Normalmente, a menor dose é usada em solos arenosos, a dose intermediária em solos médios e a maior em solos argilosos.

Bula do herbicida Sumisoya (flumioxazin) para pré-emergência da cultura e das plantas infestantes
(Fonte: Docplayer)
Conclusões
As análises de solo são ferramentas fundamentais que permitem a utilização de práticas confiáveis de manejo no processo de produção agrícola com sustentabilidade ambiental.
Especialmente com a análise química do solo, podemos fazer um planejamento agrícola adequado, sem perda de tempo nem desperdícios.
É dessa maneira que vamos oferecer as melhores condições de produção e de qualidade às culturas
>>Leia mais:
“Por que o plantio direto contribui para a fertilidade do solo?”
“Como fazer adubação potássica em soja”
“O que é e por que investir na análise microbiológica do solo”
Como você faz a análise química do solo hoje? Tem um planejamento agrícola que envolve a amostragem de solo e demais análises? Possui mais dicas que não citei aqui? Deixe seu comentário abaixo!
Gostaria de saber como interpretar uma analise de solo
Olá, Nataniel
Temos um artigo para ajudar nessa interpretação, acesse aqui: https://blog.aegro.com.br/interpretacao-de-analise-de-solo/
Agradecemos por nos acompanhar,
Abraço! 🙂