Brachiaria brizantha: Diferentes características e o que considerar para escolher entre braquiarão, Xaraés ou Piatã em sua propriedade.

A Brachiaria brizantha é de longe a espécie mais utilizada como pastagem no Brasil. Ela está presente no mercado há mais de 40 anos e revolucionou a forragicultura nacional.

Com sua alta produtividade e grande adaptação climática, foi capaz de aumentar a capacidade de suporte das áreas de pecuária brasileiras.

E, com o surgimento do plantio direto e da integração lavoura-pecuária, seu uso entrou no gosto não só dos pecuaristas, mas também dos agricultores.

Veja nesse texto as principais dicas e orientações para tirar o melhor proveito dessa espécie, que é a queridinha entre as forrageiras!

Brachiaria brizantha: Características agronômicas

A Brachiaria brizantha é uma planta perene que cresce em forma de touceiras eretas ou semieretas, dependendo da cultivar.

Originária da África tropical e África do Sul, ela se estende por várias regiões, de 80 m a mais de 2.000 metros de altitude em relação ao nível do mar, com precipitação variando de 500 mm a 2.500 mm anuais.

Quanto aos solos, essa espécie é encontrada em diversas condições, estando adaptada a solos com pH 4 a 8.

Toda essa variação de ambientes em que a brizantha é encontrada na África mostra o quão plástica é essa planta. Mostra ainda o potencial dela para se adaptar a diferentes condições climáticas.

Com essa informação, entendemos o porquê dessa espécie representar 50% das áreas de pastagem no Brasil.

Todo o estudo com essa planta se iniciou em 1967, com a vinda da Brachiaria brizantha cv. Marandu trazida por Paul Rankin Raymon para Ibirarema (SP).

Apresentando altíssimas produtividades, sistemas radiculares profundos e resistência à principal praga das pastagens, a cigarrinha, essa forrageira se difundiu pelo nosso país.

E essa difusão veio com o surgimento de novas cultivares, como a Xaraés em 2003, e a Piatã em 2007. Estas, juntamente com o famoso Marandu, são as principais cultivares de Brachiaria brizantha presentes hoje no Brasil.

Veremos agora um pouco mais de detalhes sobre cada um desses cultivares, histórias e particularidades de manejo. Além disso, veja como escolher e torná-las mais eficientes no nosso sistema de produção.

Brachiaria brizantha

Brachiaria brinzantha consorciada com milho no sistema de integração lavoura-pecuária

(Fonte: Valdinei Sofiatti em Embrapa)

Brachiaria brizantha Marandu 

A Brachiaria brizantha cultivar Marandu, também conhecida como braquiarão, descende diretamente do primeiro acesso da espécie trazido para o Brasil em 1967. 

Originária do Zimbábue, a cultivar foi lançada pela Embrapa em 1984. É uma planta robusta, com tendência ao intenso perfilhamento, produzindo perfilhos cada vez mais eretos ao longo do crescimento da touceira.

Apresenta altura entre 1 m e 1,5 metro e excelente adaptação ao clima tropical. Seus teores de proteínas mais elevados em comparação com a Brachiaria decumbens também permitem uma boa digestibilidade da forrageira. Pode ser pastejada também por ovinos e caprinos.

Apesar de exigir solos de média fertilidade, sua produção pode chegar a 20 toneladas por hectare. Apresenta em torno de 50% de folhas em sua biomassa.

Brachiaria brizantha

Massa Seca Total (MST), porcentagem de folhas (%F) e rebrotação sete dias após o corte de cultivares de Brachiaria spp. (média por corte)

(Fonte: Adaptado de Valle et al., 2001)

Outra vantagem do capim-marandu é sua resistência ao ataque da cigarrinha-das-pastagens e ao fato de não promover problemas de fotossensibilidade aos animais, como a decumbens.

Quando manejada para pastagem, requer uma altura de 20 cm sob pastejo contínuo. 

Ou, no manejo de pastagens rotacionado, uma altura de 25 cm de entrada e 15 cm ou 18 cm de saída (com e sem adubação, respectivamente).

Para a formação da pastagem, é recomendada população de 15 a 20 plantas por m². A taxa de semeadura utilizada (kg/ha)  varia de acordo com as sementes com VC (valor cultural) alto ou baixo.

Já para implantação dessa forrageira em consórcio com o milho, a recomendação é de uma população mais baixa de plantas, entre 6 e 12 plantas por m².

Isso evita perdas de produtividade da lavoura de milho e é suficiente para produzir biomassa para cobertura do solo ou pastagem.



Brachiaria brizantha Xaraés 

A Brachiaria brizantha cv. Xaraés é originária de Burundi, na África, e foi liberada pela Embrapa em 2003.

Essa cultivar é uma planta cespitosa, de crescimento ereto, e atinge 1,5 metro de altura. 

Apresenta alta produtividade e porcentagem de folhas, além de ter florescimento tardio, o que prolonga o pastejo durante o período seco.

A cultivar Xaraés apresenta bom valor nutritivo, boa tolerância ao pastejo e maior capacidade de suporte (20%) quando comparada ao Marandu.

Braquiária brizantha

Ganho de peso diário (g/animal/dia), taxa de lotação (novilhos/área) e produtividade animal anual em três cultivares de Brachiaria brizantha. Médias de três anos de avaliação. Campo Grande, MS.

(Fonte: Valle et al., 2009)

Por outro lado, seu florescimento tardio a torna suscetível à mela das sementes. Essa cultivar não é recomendada em áreas com alta infestação de cigarrinhas, devido à sua baixa resistência à praga. 

O manejo da Brachiaria brizantha cv. Xaraés como pastagem deve ser feito com 25 cm de altura quando em pastejo contínuo, ou 30 cm de entrada e 15 cm ou 20 cm de saída (com e sem adubação, respectivamente), quando manejada em sistema de pastejo rotacionado.

Brachiaria brizantha Piatã 

A cultivar Piatã teve origem de plantas coletadas na Etiópia e tem porte menor que as outras cultivares de B. brizantha: em torno de 0,80 m a 1 m.

A produção anual fica em torno de 17t a 20 toneladas de matéria seca, com uma quantidade de folhas acima de 50% da massa de forragem.

Brachiaria brizantha

(Foto: Dalízia Monteiro Aguiar em Embrapa)

De fácil estabelecimento e resistente às cigarrinhas-das-pastagens, outro fator chave dessa cultivar é sua média tolerância a solos mal drenados.

Isso é um diferencial quando comparado ao Marandu, que tanto sofre com a morte súbita em solos encharcados da região norte do país.

Brachiaria brizantha

Produção de forragem de três cultivares de B. brizantha em diferentes estações do ano

(Fonte: Adaptado de Cruz, 2010)

O manejo da B. brizantha cv. Piatã para pastagem é bastante parecido com o capim Xaraés, aumentado apenas a altura de entrada em pastejo rotacionado para 35 cm.

Em plantio direto, a recomendação tanto do Xaraés quanto do Piatã são as mesmos que vimos para o Marandu.

Para dessecação, as três cultivares vistas aqui se encaixam como moderadamente resistentes ao glifosato. São indicados de 3 a 4 litros por hectare da dose do produto comercial.

Já em consórcio, apesar do manejo ser o mesmo para as três cultivares, pesquisas apontam que seus desempenhos, quando integradas com milho, podem variar. Veja na tabela abaixo que eu separei:

Braquiária

Massa seca total (MST), porcentagem de folhas (%F) e porcentagem de proteína bruta (%PB) em três cultivares de Brachiaria brizantha em consórcio com milho

(Fonte: Adaptado de Burin, 2018)

Conclusão 

Apesar das três cultivares serem bem parecidas em suas características agronômicas, cada uma apresenta suas particularidades. Entendê-las facilita na hora de definir qual se encaixa melhor em cada talhão da fazenda.

Como os estudiosos de pastagens dizem, não existe forrageira perfeita. Mas a Brachiaria brizantha é a que mais chega perto disso. 

Essa espécie revolucionou a pecuária brasileira e possibilitou, nos últimos anos, aumentar a eficiência de nossos sistemas de produção quando aliada ao plantio direto e à integração lavoura-pecuária.

Na atualidade, essa aliança entre a pecuária e a agricultura é uma ferramenta extremamente importante para aumentar a eficiência do agro no Brasil. E, mais do que nunca, a Brachiaria brizantha tem, mais uma vez, papel importante nisso.

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