Controle da buva resistente a glifosato é essencial para um bom desenvolvimento da sua lavoura. Neste artigo listamos as melhores práticas e como fazer o controle efetivo desta erva daninha.
Anos atrás, a buva não assustava ninguém. Hoje, a história mudou.
Se você tem essa planta invasora na sua fazenda, sabe bem do que estou falando.
E o principal motivo desse jogo virar foi o desenvolvimento da resistência a glifosato.
Sem conseguir controlar a buva pela aplicação do herbicida, a planta se espalha rápido na lavoura.
Três plantas de buva por m² podem resultar em perdas de 4 sacas de soja por hectare.
Mas como fazer o controle da buva resistente a glifosato? E como verificar se o custo compensa?

(Fonte: Jornal Coamo)
Aqui eu te conto como fazer isso e muitas outras dicas e curiosidades, veja:
Índice do Conteúdo
- 1 Como está a “grama do vizinho”: Cenário de buva resistente a glifosato e outros herbicidas no Brasil
- 2 Identificando essa planta daninha: características principais da buva
- 3 Controle da buva resistente a glifosato: Herbicidas
- 4 Controle cultural da buva
- 5 Dicas indispensáveis para o controle da buva resistente a glifosato e outros herbicidas
- 6 O custo da buva resistente a glifosato e outros herbicidas
- 7 Conclusão
Como está a “grama do vizinho”: Cenário de buva resistente a glifosato e outros herbicidas no Brasil
Se você tem ervas daninhas resistentes a herbicidas na sua área, não se preocupe.
A grama do vizinho não está mais verde: infelizmente essa é uma situação comum de ser encontrada no país.
No Brasil existem 50 relatos de plantas daninhas resistentes a herbicidas.
Destes, 15 são plantas resistentes a glifosato (herbicidas inibidores da EPSPs) e 8 são de plantas de buva.

Infestação de buva resistente a glifosato no Brasil
(Fonte: Prof. Michelangelo Trezzi)
No Brasil, o primeiro caso de buva resistente a glifosato foi registrado em 2005.
O mais recente deles, em 2017, que podemos considerar como um cenário preocupante é o da buva resistente a três mecanismos de ação diferentes.
Aqui você pode conferir todos os casos de resistência de buva no Brasil (Fonte: Heap, 2018):
Ano de 2005
- Conyza bonariensis a glifosato;
- Conyza canadensis a glifosato.
Ano de 2010
- Conyza sumatrensis a glifosato
Ano de 2011
- Conyza sumatrensis a chlorimuron;
- Conyza sumatrensis a glifosato e chlorimuron.
Ano de 2016
- Conyza sumatrensis a paraquat;
- Conyza sumatrensis a saflufenacil;
- Conyza sumatrensis a glifosato, chlorimuron e paraquat.
O primeiro passo de um controle eficiente de plantas daninhas, resistentes ou não, é a sua correta identificação.
Por isso, acompanhe abaixo algumas das características mais importantes da buva.
Identificando essa planta daninha: características principais da buva
- As plantas de buva pertencem à família Asteraceae, são anuais ou bianuais, eretas, chegando até 2,5 m de altura;
- Possuem fácil disseminação através do vento;
- Toleram bem condições de seca;
- Uma planta é capaz de produzir de 100 mil a 200 mil sementes;
- As sementes não possuem dormência;
- Ótima germinação entre 20°C a 25°C.
As espécies de buva são difíceis de serem diferenciadas, veja na figura abaixo algumas dicas!

(Fonte: Michelangelo Trezzi)
Para saber mais sobre a identificação das espécies de buva consulte a publicação do HRAC: “Aspectos Botânicos, Ecofisiologicos e Diferenciação de Espécies do Gênero Conyza”.
Controle da buva resistente a glifosato: Herbicidas
Muitos herbicidas podem ser recomendados para manejar a buva e ajudar na prevenção à resistência.
Para a cultura de soja, veja o quadro abaixo:

(Fonte: Embrapa)
Verifique também os herbicidas com mecanismos de ação alternativos indicados para controle da buva resistente a glifosato:
Inibidores da ALS
Clorimuron, cloransulam, diclosulam e iodosulfuron.
Mimetizador de auxinas
2,4 D e dicamba.
Inibidores da glutamina sintetase
Glufosinato de amônio.
Inibidores da PROTOX
Flumioxazin, saflufenacil e sulfentrazone
Inibidores do fotossistema I
Paraquat
Mas não é só com herbicidas alternativos que controlamos eficientemente essa planta daninhas.
O controle cultura é igualmente importante.
Controle cultural da buva
O controle cultural é uma excelente ferramenta para reduzir a infestação. Assim, temos alguns exemplos a seguir.
Lamego et al. (2013) observaram que a infestação de buva é reduzida quando se tem coberturas vegetal (palhada) sob o solo.

(Fonte: Lamego et al., 2013)
Os autores também viram que aliando o manejo cultural ao controle químico (por herbicidas) é possível elevar a produtividade da soja pelo controle da buva.
Eles notaram que, em alguns casos, a cobertura sozinha já foi suficiente para garantir a produtividade da soja.
No trabalho realizado por Rizzardi e Silva (2014), o manejo cultura com coberturas de inverno proporcionou a redução no número e na altura de plantas de buva.

(Fonte: Rizzardi e Silva (2014))
Ou seja, quanto maior for a cobertura do solo, menor vai ser a germinação das plantas de buva. Isso porque essas plantas necessitam de luz para germinar (são fotoblásticas positivas).
Assim, com a cobertura do solo, dificultamos a germinação dessa planta daninha, evitando que ela se reproduza e que deixe mais sementes no solo.
Por isso, esse manejo cultural é importante para áreas com ou sem buva resistente a glifosato ou outros herbicidas.
Mas ainda tenho algumas indicações sobre o manejo em caso de resistência em sua área.
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Dicas indispensáveis para o controle da buva resistente a glifosato e outros herbicidas
Aqui estão as principais dicas para prevenir e manejar a resistência de plantas daninhas, incluindo a buva:
- Arranque e destrua plantas suspeitas de resistência;
- Faça rotação de herbicidas com diferentes mecanismos de ação;
- Realize aplicações sequenciais de herbicidas com diferentes mecanismos de ação;
- Não use mais do que duas vezes consecutivas herbicidas com o mesmo mecanismo de ação em uma área;
- Faça rotação de culturas;
- Inspecione o início do aparecimento da resistência, ou seja, faça monitoramentos constantes na sua área;
- Use práticas para esgotar o banco de sementes, como estimular a germinação e evitar a produção de sementes das plantas daninhas;
- Evite que plantas resistentes ou suspeitas produzam sementes, ou seja, controle essas plantas antes de seu florescimento;
- Especialmente no caso da buva, faça o controle quando a planta apresentar 15 até 30 cm, facilitando seu manejo.
Sobre a última dica, tenho algumas considerações a fazer.
Um dos principais desafios do controle químico da buva é o tamanho da planta, porque quanto maior a altura, das plantas mais difícil é o controle.
Por isso é importante saber identificar as espécies de plantas daninhas quando pequenas para, assim, poder controlá-las quando jovens.

Influência do tamanho da buva na eficácia do controle químico aos 28 dias após aplicação, ou 13 dias após a segunda aplicação no caso de 2 aplicações.
(Fonte: Blainski,2009)
Aqui fica nítido que quanto maior a altura das plantas de buva no momento da aplicação dos herbicidas, menor é a eficácia de controle.
Para entender mais sobre o controle da buva este vídeo da Embrapa mostra a associação de métodos culturais e químicos:

>> Leia mais: “Entendendo o herbicida sistêmico e dicas para a eficiência máxima na lavoura“
O custo da buva resistente a glifosato e outros herbicidas
Quando você tem uma erva daninha resistente a glifosato em sua fazenda, seu custo para controlá-la vai aumentar, especialmente se você estiver habituado a fazer somente o controle por glifosato, que é um herbicida barato.
Nesse sentido, estudos mostraram que o custo com o manejo de plantas daninhas aumentou em 82% para produtores que possuem problemas com controle da buva resistente a glifosato e outros herbicidas.

(Fonte: Qualittas)
Esse problema fica ainda maior quando se tem além de buva resistente, outras plantas daninhas como azevém e capim-amargoso.

Impacto econômico da resistência de plantas daninhas a herbicidas no Brasil
(Fonte: Adegas)
No seu caso, dentro de sua fazenda, você consegue verificar qual o custo com herbicidas ou com manejo de cobertura?

Essa observação é extremamente importante para identificar quais os melhores manejos para controle da buva resistente a glifosato e outros herbicidas e garantem rentabilidade.
Recomendo fortemente que você faça seu orçamento da safra com um planejamento agrícola bem feito.
Juntamente com o monitoramento constante da área, você saberá o que e como fazer para melhorar manejar as plantas daninhas e ainda ser economicamente viável.
Conclusão
A buva resistente a glifosato e a outros herbicidas é um grande problema na lavoura, mas o seu manejo efetivo é possível.
Para prevenção dessa resistência, é importante o manejo com outros herbicidas de diferentes mecanismos de ação, além de métodos culturais.
Aqui vimos quais os produtos e outros métodos de controle da buva resistente a glifosato são melhores.
E é no planejamento agrícola que você vai decidir, com segurança, qual a melhor combinação de medidas de controle.
Isso vai garantir o manejo efetivo dessa e de outras plantas daninhas e ainda rentabilidade na sua safra!
>> Leia mais: “Guanxuma: 5 maneiras de livrar sua lavoura dessa planta daninha“
>> Leia mais: “Guia para controle eficiente da trapoeraba“
>> Leia mais: “O guia completo para o controle de capim-pé-de-galinha“
Gostou do texto? Tem problemas para controle da buva resistente a glifosato ou a outros herbicidas na sua área? Sabe de alguma dica importante que não citei aqui? Comente abaixo!
Bom dia. Excelente texto Ana. Sou tecnico em Enologia, lido desde a uva ate o vinho. Aqui na serra gaucha, região forte em HF, principalmente uva, temos esse problema e um método que vi e se mostrava eficaz, era uso de gramoxone, com aplicações sequenciais, com aplicação local e bem molhado, seca, sem deixar criar sementes, ja o helmoxone tem menos efeito. Mas gostei da parte da cobertura de solo, onde a maioria dos nossos produtores não gostam.
Parabéns belíssimo trabalho pois tenho a Buva presente em parte da lavoura controlável Até momento sempre protegendo o solo coberto obrigado pelas dicas e sucesso um abraço
Obrigada José, que bom que gostou.
Olá Tiago, que bom que gostou. Com certeza a cobertura do solo é um grande aliado na hora de manejar as lavouras, contribuindo muito nos controle das plantas daninhas.
Excelente matéria, muito bom compartilhar conhecimentos. Abraços
Obrigada João, que bom que gostou.
Parabéns pelo conhecimento e repasse de informações. Obrigada