Calcário calcítico: o que é e quando utilizar

Calcário calcítico: o que é, quais são os tipos de calcário, como escolher o melhor, quando utilizar, benefícios da calagem e muito mais.

Em geral, os solos brasileiros são naturalmente ácidos, apresentam baixa fertilidade e alumínio em níveis tóxicos para as plantas. Dessa forma, a calagem é uma prática fundamental na agricultura

Dentre os corretivos da acidez do solo, o calcário se destaca por ser o mais utilizado. Esse insumo é obtido pela moagem da rocha calcária e apresentado na forma de pó.

A seguir você pode conferir mais informações sobre os tipos de calcário e quando utilizá-los. Boa leitura!

O que é calcário calcítico

O calcário calcítico é um corretivo agrícola que tem em sua composição menos de 5% de óxido de magnésio. Em contrapartida, ele apresenta elevados valores de óxido de cálcio, de 45% a 55%. 

O calcário destinado à agricultura é dividido em três categorias de acordo com a concentração de óxido de magnésio (MgO): 

  • calcário calcítico;
  • calcário magnesiano;
  • calcário dolomítico.

 O calcário magnesiano tem em sua composição de 5% a 12% de óxido de magnésio e de 40% a 42% de óxido de cálcio. 

O calcário dolomítico tem mais de 12% de óxido de magnésio, porém apresenta baixo teor de óxido de cálcio, de 25% a 30%. 

Que tipo de calcário escolher e quando utilizar

A recomendação de calagem e a escolha do tipo de calcário dependem dos resultados da análise de solo e das necessidades da cultura a ser implantada.

O calcário dolomítico é o mais indicado para a maioria dos solos, por apresentar elevado teor de magnésio.

Os calcários do tipo magnesiano e dolomítico, além de neutralizar a acidez do solo, adicionam magnésio. Eles são a forma mais econômica de fornecer esse nutriente às plantas.

O mesmo não acontece quando se usa o calcário calcítico, que apresenta baixos valores de magnésio em sua composição. No entanto, é possível aplicar esse tipo de calcário e complementar a adubação com fertilizantes como sulfato de magnésio, carbonato de magnésio ou óxido de magnésio.

A relação entre cálcio e magnésio no solo deve ser de 3 a 4:1 mol (Ca:Mg). Nessa proporção, as plantas conseguem aproveitar os dois nutrientes sem que um interfira na absorção do outro.

Além dessas questões, é preciso se atentar aos custos. Em geral, o calcário rico em magnésio é mais caro que o calcítico.

No que diz respeito à correção da acidez do solo, o tipo de calcário não interfere na eficiência da calagem.

Como o calcário age no solo

Primeiramente, é importante deixar claro que o calcário precisa de tempo para reagir. Isso quer dizer que a calagem deve ser feita cerca de 2 a 3 meses antes do plantio da lavoura.

Além disso, o solo deve apresentar umidade superior a 80% da capacidade de campo para que as reações de solubilização do calcário ocorram. 

Após a aplicação do calcário no solo, ele reage com a água e libera Ca+2 (cálcio) e Mg+2 (magnésio), além de CO32¯ (carbonato) e HCO3¯ (bicarbonato). 

O carbonato e o bicarbonato possibilitam a formação de íons hidroxila (OH¯) que irão neutralizar os íons de hidrogênio livre (H+), responsáveis pela acidez do solo. 

Independente do tipo de calcário, a velocidade de reação depende da granulometria do produto, do grau de acidez do solo e se o corretivo foi ou não incorporado ao solo.

Benefícios da calagem

A calagem é uma prática indispensável na agricultura. Ela ajusta as propriedades químicas do solo às necessidades das culturas, o que viabiliza a produção em diferentes áreas. 

Confira a seguir os principais benefícios da calagem:

  • reduz a acidez do solo;
  • neutraliza a ação tóxica do alumínio (Al), ferro (Fe) e manganês (Mn);
  • fornece cálcio (Ca) e magnésio (Mg) para as plantas;
  • diminui a fixação do fósforo (P);
  • aumenta a disponibilidade de nutrientes, como nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), enxofre (S) e molibdênio (Mo);
  • aumenta a Capacidade de Troca Catiônica (CTC) do solo;
  • melhora a atividade microbiana;
  • favorece a fixação biológica do nitrogênio
  • favorece o desenvolvimento radicular das plantas;
  • aumenta a produtividade das culturas.

Culturas como a soja e o milho são bastante responsivas à calagem e têm aumentos significativos de produtividade.

Como determinar a necessidade de calagem

A necessidade de calagem é determinada pela análise de solo. Somente a partir dos resultados dessa avaliação é estabelecida a quantidade de calcário a ser aplicada. 

O cálculo de calagem pode ser feito pelos seguintes métodos:

  • método da saturação por bases (V%);
  • método do alumínio trocável;
  • método pH SMP.

É importante deixar claro que cada método é utilizado de acordo com a região do país. 

O método da elevação da saturação por bases é utilizado em São Paulo, no Paraná e em algumas regiões de Cerrado. O método de neutralização do alumínio é usado em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Já o método pH SMP é aplicado nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Geralmente, a avaliação da exigência de calcário é realizada a cada 3-5 anos. 

Em solos mais arenosos, o intervalo de amostragem do solo deve ser menor. Isso porque os solos com maior teor de areia necessitam de calagem com maior frequência quando comparados aos solos argilosos.

Por fim, é preciso frisar que doses de calcário em excesso ou quando a operação de calagem é mal executada interferem na disponibilidade dos micronutrientes. Por isso é fundamental determinar a dose correta do calcário para que a cultura expresse seu potencial produtivo.

Para mais informações sobre a técnica da calagem e os tipos de calcário, confira nosso artigo “Calcário no solo: tipos, vantagens, como funciona e eficiência”.

Conclusão

O calcário é o principal corretivo agrícola utilizado na neutralização da acidez do solo. Ele é classificado com base na sua composição, podendo ser calcítico, magnesiano ou dolomítico.

A recomendação de calagem deve ser sempre orientada pelos resultados da análise de solo. Em geral, essa prática é realizada de 2 a 3 meses antes da semeadura

No sistema convencional, o calcário é distribuído a lanço e depois incorporado ao solo, geralmente a uma profundidade de 20 centímetros. No sistema de plantio direto, o corretivo é aplicado a lanço na superfície do solo e não é incorporado.

Os benefícios da aplicação do calcário são a correção da acidez, neutralização do alumínio e manganês, fornecimento de cálcio e magnésio para as plantas e maior desenvolvimento das raízes. Como consequência, há aumento da produtividade.

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