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Você conhece o ciclo de vida da Helicoverpa armigera?

- 4 de maio de 2018

Infelizmente sua lavoura está propensa ao ataque de muitas pragas e doenças.

E com certeza você já deve ter escutado sobre a lagarta Helicoverpa armigera, a qual possui enorme importância para o Brasil.

Em 2013, o prejuízo estimado com o ataque da lagarta foi de R$ 2 bilhões de reais.

Você sabe como fazer o manejo dessa praga na sua lavoura?

Para esse manejo ser realmente adequado devemos conhecer a lagarta, especialmente seu ciclo.

Então, me acompanhe para saber tudo sobre o ciclo, identificação e manejo da Helicoverpa armigera:

(Fonte: Adaptado de Embrapa)

Vamos conhecer um pouco do histórico da Helicoverpa armigera no Brasil

A lagarta foi identificada no Brasil em março de 2013 (safra 2012/13).

Antes disso, a Helicoverpa armigera era considerada uma praga quarentenária A1.

Mas, o que são pragas quarentenárias?

São organismos que não existem no país e que, se presente, podem causar sérios prejuízos econômicos mesmo sob controle permanente, causando ameaça à economia agrícola do país.

Há dois tipos de pragas quarentenárias:

A1: praga ainda não presente no país;

A2: praga presente no país, porém, localizada em algumas regiões, não está amplamente distribuída.

No entanto, alguns pesquisadores concluíram que a introdução de H. armigera no Brasil provavelmente ocorreu antes de outubro de 2008.

No início havia dúvidas sobre a identificação da H. armigera em relação às lagartas: lagarta-da-maçã-do-algodoeiro (Heliothis virescens) e a lagarta-da-espiga-do-milho (Helicoverpa zea), que já existiam no país.

Então, quais as características da H. armigera?

Para conhecer sobre as características desta praga e assim poder controlá-la adequadamente, vamos ver mais sobre seu ciclo e suas características:

Ciclo de vida da Helicoverpa armigera e as características de cada fase

A espécie Helicoverpa armigera apresenta em seu ciclo as fases de ovo, lagarta, pupa e adulto.

Veja a seguir cada uma das fases e suas características de acordo com a Embrapa:

Ovo

Esta fase apresenta período de incubação com cerca de 3 dias.

O ovo apresenta coloração branco-amarelado após a deposição no substrato e se torna marrom próximo à eclosão da larva.

Larva

O estágio larval desta espécie tem seis instares, ou seja, estágios larvais.

As lagartas de primeiro e segundo instares são pouco móveis na planta e possuem coloração variando de branco-amarelada a marrom-avermelhada.

Nessas fases, se alimentam de partes mais tenras das plantas, onde podem produzir um tipo de teia ou até mesmo formar um pequeno casulo.

Com o crescimento das lagartas e adquirindo novos instares, as colorações das lagartas modificam, variando de amarelo-palha a verde, apresentando listras de coloração marrom lateralmente.

Veja na figura diferentes colorações das lagartas.

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Diferentes colorações da Helicoverpa armigera na fase larval
(Fonte: André Shimohiro em Embrapa)

Pupa

Nesta fase imóvel do ciclo de vida apresenta coloração marrom e tem duração de cerca de 10 a 14 dias.

É nesta fase que a Helicoverpa armigera se transforma de larva para adulto.

Adulto

O período de sobrevivência na fase adulta da fêmea é de 11,7 dias e o macho é de 9,2 dias.

As mariposas fêmeas podem ovopositar de forma isolada ou agrupada os ovos nas folhas.

As fêmeas apresentam coloração mais amarelada e os machos acinzentados.

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(Fonte: Embrapa)

É nesta fase que a praga tem grande capacidade de dispersão nos campos de produção.

Agora que conhecemos um pouco mais sobre o ciclo de vida da H. armigera, quais plantas ela pode atacar?

Hospedeiros da Helicoverpa armigera

São chamados de hospedeiros aquelas culturas que a praga pode se alimentar e assim sobreviver.

Desse modo, essa lagarta tem muitos hospedeiros.

Ou seja, a Helicoverpa armigera pode se alimentar e sobreviver de um grande número de espécies de plantas.

Assim, esta praga é considerada também polífaga, ou seja, se alimenta de várias culturas.

No Brasil, alguns hospedeiros da lagarta são: algodão, soja, milho, tomate, feijão, sorgo, milheto, trigo, crotalária, girassol e outras.

E quais são os danos que esta praga pode causar?

Danos causados pela Helicoverpa armigera

É na fase larval que a H. armigera causa perdas nas culturas.

As lagartas podem se alimentar de folhas e hastes das plantas hospedeiras.

Mas, sua preferência é por estruturas reprodutivas da planta hospedeira como: botões florais, frutos, maçãs, espigas e inflorescências.

Devido a esses danos o Sescoop/SP apontou perdas das cooperativas paulistas causadas por Helicoverpa armigera de quase 80% do feijão e 60% da cultura do algodão.

Os danos se caracterizam por deformações, podridões e até quedas de partes das plantas.

Abaixo você pode ver exemplos de danos provenientes do ataque da Helicoverpa armigera em diversas culturas:

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Danos do ataque de Helicoverpa armigera na cultura do algodão (A), milho (B),
soja (C), feijão (D), tomate (E) e sorgo (F)

(Fonte: Embrapa)

Depois de conhecer mais sobre os danos nas plantas, você deve estar se perguntando como manejar esta praga.

Mas, para o manejo desta praga, você primeiro precisa identificá-la.

Identificação de Helicoverpa armigera

A Helicoverpa armigera apresenta algumas características como a presença de tubérculos (ponto protuberantes) escuros no quarto e/ou quinto segmento da lagarta, formando um semicírculo e apresentando aspecto coriáceo (mais endurecido).

(Fonte: Gabriella C. Gaston em Embrapa)

Caso você ainda tenha dúvidas sobre a identificação da lagarta Helicoverpa armigera não deixe de procurar um laboratório que realize a identificação correta da espécie da sua lavoura.

Agora que conhecemos sobre as características de cada fase do ciclo de vida, você pode estar se perguntando, como isso pode me ajudar no manejo dessa lagarta?

Como o ciclo de vida da Helicoverpa armigera pode ajudar a combater essa praga

O conhecimento do ciclo de vida dessa lagarta te ajuda a entender em que fase a praga ataca a cultura e como é possível identificá-la.

Além disso, o conhecimento das fases do ciclo de vida é importante para a amostragem da H. armigera para a realização do manejo.

Mas, quais são as estratégias de manejo para Helicoverpa armigera?

Estratégias de manejo para Helicoverpa armigera

Inseticidas

A Helicoverpa armigera pode ser controlada por inseticidas químicos ou biológicos.

Já existem vários inseticidas biológicos registrados para o controle desta praga em várias culturas.

Além disso, nos fungicidas químicos apresentam vários princípios ativos.

Para a escolha de um inseticida, você deve considerar três fatores:

  • Seletividade do produto;
  • Custo;
  • Eficiência de campo.

Para a maior eficiência da utilização de controle químico, você deve utilizar rotação de produtos com diferentes modos de ação dentro do manejo integrado de pragas (MIP).

Para saber mais sobre o MIP veja o artigo: “Manejo Integrado de Pragas: 8 fundamentos que você ainda não aprendeu.” e continue lendo esse texto, pois falaremos mais sobre esse assunto.

Nesse sentido, a aplicação de inseticida deve ser iniciada quando a praga atinge o nível de controle no processo de amostragem.

Por isso que precisamos identificar tão bem essa praga, de forma que as aplicações e, consequentemente, o manejo seja bem feito.

Ademais, não deixe de ler sobre amostragem no próximo tópico.

Você também pode utilizar o tratamento de sementes com inseticidas, para retardar o início da aplicação de inseticidas na cultura.

>> Leia mais: “Defensivos agrícolas: 8 curiosidades que você deveria saber.”

Você consegue consultar os inseticidas que são registrados para a sua cultura no manejo da H. armigera no Agrofit.

Não se esqueça de procurar um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) para te auxiliar no combate desta praga.

Além disso, o IRAC (Comitê de ação à resistência a inseticidas) divulgou que ocorreram casos de resistência de H. armigera aos inseticidas a base de piretróide no Brasil.

Veja mais sobre resistência de pragas a defensivos em “5 pragas agrícolas resistentes a defensivos agrícolas e como combatê-las.”

Controle biológico

Este tipo de manejo utiliza outro organismo para controlar a praga, chamados de agentes de controle biológico ou inimigos naturais de pragas.

Você pode utilizar o parasitóide Trichogramma sp., veja como ele atua no controle da Helicoverpa:

A mariposa da Helicoverpa armigera deposita seus ovos nas folhas, frutos e pétalas.

Seus ovos liberam um odor que atrai o parasitoide, que vai até o ovo parasitando-o, assim em vez de nascer uma nova lagarta, pode emergir até dois adultos de Trichogramma.

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Vespa de Trichogramma spp. parasitando ovo, como controle biológico
(Fonte: 3rlab)

Além disso, há alguns produtos biológicos (inseticidas) que podem ser utilizados no controle desta praga como falamos no item acima de Inseticidas.

Controle genético

Outra estratégia de manejo para a lagarta Helicoverpa armigera é o uso de cultivares resistentes.

Uma tecnologia bastante utilizada é o uso de plantas Bt.

Plantas Bt são plantas geneticamente modificadas com o gene de Bacillus thuringiensis.

Você pode se perguntar, o que são plantas geneticamente modificadas?

São apenas plantas que possuem em seu genoma um ou mais genes de outra ou da mesma espécie, mas que tenham sido modificados e/ou inseridos por meio de técnicas da engenharia genética.

A bactéria Bacillus thuringiensis é naturalmente encontrada no solo, produz uma proteína que é tóxica para alguns insetos.

Para evitar a perda desta tecnologia Bt por ter insetos resistentes, você deve utilizar áreas de refúgio.

Veja neste texto tudo sobre áreas de refúgio para plantas Bt e faça essa prática corretamente!

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(Fonte: Infográfico: Tudo o que você precisa saber sobre refúgio para plantas Bt)

Controle cultural

Como esta praga é polífaga, no controle cultural você deve deixar sua área sem hospedeiros para a lagarta.

Então, no período de entressafra você pode deixar sua área sem a presença de plantas hospedeiras de Helicoverpa armigera.

Esta estratégia é muito conhecida em soja, o vazio sanitário (veja mais sobre isso aqui).

Além disso, pode utilizar o calendário de plantio curto, para não ter planta em vários estágios de desenvolvimento, que servem de fontes de alimento para a lagarta.

Para determinar qual estratégia você deve utilizar na sua lavoura e qual a melhor época de implementá-la, você pode utilizar o MIP:

Helicoverpa armigera e MIP

O manejo integrado de pragas (MIP) está se tornando uma prática bastante eficaz no manejo de pragas.

Assim, o MIP utiliza diversas técnicas de manejo para manter a população da praga abaixo do nível de dano econômico.

nível de ação mip

(Fonte: Ebook Guia Definitivo do Planejamento Agrícola para Soja e Milho – baixe gratuitamente clicando aqui)

Para saber mais sobre MIP veja este texto que escrevi “Manejo integrado de pragas: 8 fundamentos que você ainda não aprendeu.”

Você também pode ver o artigo de minha colega Ana Lígia: “As perguntas (e respostas!) mais frequentes sobre manejo integrado de pragas.”

E claro que o MIP pode ser utilizado no manejo da H. armigera.

Assim, um dos princípios do MIP é a amostragem da praga, e com isso, pode determinar se é necessário utilizar algum tipo de manejo, entre eles os que listamos acima.

Então, um dos pilares do MIP é o monitoramento da lavoura para determinar o momento correto para manejar a praga.

Por isso, vamos conhecer um pouco sobre amostragem de Helicoverpa armigera:

Amostragem para Helicoverpa armigera

Você pode utilizar a amostragem dos adultos de H. armigera.

A amostragem de adultos pode ser realizada com armadilhas luminosas ou armadilhas com feromônios.

Amostrar adultos fornece uma previsão do potencial de ovos e lagartas de H. armigera na sua lavoura.

Além disso, permite o tempo ágil para adotar as medidas de manejo.

Mas além do monitoramento dos adultos, você deve monitorar as plantas durante os seus vários estádios de vida.

Você pode monitorar as plantas para a verificação de lagartas com pano de batida, saiba mais sobre esse método neste artigo:

Tudo o que você precisa saber sobre Manejo Integrado de Pragas [Infográfico]

Além disso, aqui disponibilizamos gratuitamente uma planilha para você fazer seu MIP. Baixe aqui!

planilha-mip

Por isso que precisamos identificar tão bem essa praga, de forma que as aplicações e, co

Conclusão

Neste texto, você viu sobre o ciclo de vida da Helicoverpa armigera, suas características e o manejo desta praga.

Além disso, também foi possível relacionar a importância do Manejo integrado de Pragas (MIP) para esta praga.

Agora que você sabe os danos que esta praga pode ocasionar, não deixe de monitorar e manejar sua lavoura.

Este conhecimento pode te ajudar a reduzir as perdas da sua lavoura contra esta praga e aumentar ainda mais seus lucros.

>>Leia mais:

“Principais pragas agrícolas: Como se preparar”

“Pragas do milho: Principais manejos para se livrar delas”

Você conhecia o ciclo de vida da Helicoverpa armigera? Qual método de controle você utiliza no controle da lagarta? Você utiliza manejo integrado de pragas? Adoraria ver seu comentário abaixo.

Comentários

  1. jose disse:

    parabéns pela iniciativa. gostei muito das informações!

    1. Gressa Chinelato disse:

      Jose, ficamos felizes que tenha gostado! Não deixe de acompanhar os nossos textos. Abraços

  2. Idalceno disse:

    Gráfico do nível de controle do Prof. Nakano grande profissional na área de algodão, tive a honra de está em vários locais com o mestre do algodão fazendo palestras brasil afora.

    1. Gressa Chinelato disse:

      Idalceno, agradecemos o seu comentário! Realmente este gráfico é muito importante para o MIP e que honra a sua conhecer o professor Nakano. Não deixe de acompanhar os nossos textos. Abraços.

  3. Jonas Nasário disse:

    Bom dia!
    Em quanto tempo eclodem os trichogramma? Saberia me informar se é possível criar trichogramma através dos ovos obtidos pela compra da cartela?

    1. Gressa Chinelato disse:

      Ola Jonas, o número de dias do ovo parasitado da praga por Trichogramma sp. até sua eclosão depende da praga que o Trichogramma sp. parasitou, algumas publicações relatam cerca de 10 dias para a eclosão. Sobre a criação de Trichogramma sp. é interessante você entrar em contato com representantes que vendem essas cartelas e também com agricultores que utilizam esta técnica. Abraços

  4. Afrânio Batista da Silva disse:

    Realmente um artigo técnico-científico que em muito contribui para a classe produtora, acadêmica e até para leigos, artigo em linguagem eficiente e assimilável.
    Parabéns

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