Como ter mais eficiência operacional na colheita mecanizada do arroz

Colheita mecanizada do arroz: veja os pontos que merecem atenção na regulagem e manutenção das máquinas para evitar perdas de grãos

A colheita é uma etapa fundamental para garantir a rentabilidade da lavoura de arroz.

Colheitas bem realizadas podem manter a integridade e qualidade dos grãos, agregando maior valor final recebido nessa cultura.

Existe uma infinidade de máquinas e tipos de colheita utilizados para a rizicultura. Neste artigo, falarei sobre as colheitas mecanizadas e semimecanizadas de arroz, regulagens e pontos de atenção que você deve ter antes de iniciar esse processo na lavoura. Acompanhe!

Métodos de colheita do arroz

Os métodos de colheita podem ser segmentados em manuais, semi mecanizados e mecanizados. Vou explicar melhor cada uma delas:

Manuais

As etapas de corte, recolhimento e trilha são realizados manualmente e, dependendo do números de funcionários envolvidos na colheita, o rendimento operacional pode ser baixo.

Em pequenas lavouras, o rendimento da colheita manual chega a 10 dias para colheita de 1 hectare por funcionário.

O corte é quase sempre realizado com cutelos e os feixes amontoados transversalmente para facilitar o recolhimento. 

Após coletar os feixes, são diferidos golpes nas panículas para que ocorra o desprendimento dos grãos.

Semimecanizados

As etapas de corte e recolhimento são geralmente realizados manualmente e a operação de trilha é realizada com o auxílio de máquinas.

O rendimento operacional é geralmente maior, uma vez que se utilizam trilhadoras estacionárias.

Mecanizados

Todas as etapas de corte, recolhimento e trilha são realizadas com o auxílio de uma colhedora.

No mercado existem máquinas denominadas ceifadoras, trilhadoras e as colhedoras. Sobre elas, vou falar a seguir.

Quais máquinas utilizar na colheita mecanizada de arroz

Ceifadoras

As ceifadoras são mais utilizadas em pequenas lavouras de arroz. São máquinas montadas sobre duas rodas, com a presença de um motor, barra de corte e molinete. 

Algumas ceifadoras presentes no mercado possuem depósitos para plantas colhidas, que são descarregadas em leira ou de maneira intermitente em campo.  

Trilhadoras

As trilhadoras são máquinas responsáveis por separar os grãos das panículas de arroz. 

Os modelos de trilhadoras no mercado podem apresentar: cilindro trilhador de dentes de impacto, barras de fricção ou de fluxo axial.

Essas máquinas podem ser acionadas pela TDP do trator ou por motores estacionários. Podem ser abastecidas de maneira contínua ou intermitente com fluxo de arroz colhido e, em casos mais simples, serem acionadas por pedal.

foto de agricultor em trilhadora de arroz

(Fonte: Ruraltins)

As trilhadoras são excelentes opções para fazendas menores. Se operadas corretamente, podem propiciar bons rendimentos operacionais e boa qualidade do produto final.

Os rendimentos operacionais variam de acordo com cada máquina e modelo de equipamento. 

Atualmente existem trilhadoras com rendimentos de mais de 2.400 kg/h de arroz em casca.

Colhedoras

As colhedoras possuem em uma mesma máquina os sistemas de corte, recolhimento, trilha, separação, limpeza e armazenamento.

Essas máquinas podem apresentar pneus arrozeiros, esteiras ou pneus duplados para facilitar o tráfego e reduzir a compactação em terrenos alagados, por exemplo.

As colhedoras podem ser automotrizes ou montadas e acionadas com o auxílio de um trator.

Partes constituintes de uma colhedora de arroz:

  • plataforma de corte
  • molinete
  • condutor helicoidal ou caracol
  • cilindro degranador
  • côncavo
  • batedores
  • saca palhas ou rotor
  • peneiras: superior e inferior
  • ventilador
  • condutores helicoidais
  • tanque graneleiro
foto de colheitadeira CR 7.90 arrozeira - colheita mecanizada do arroz

Colheitadeira CR 7.90 arrozeira
(Fonte: Cultivar)

As colhedoras realizam todas as operações na mesma máquina, iniciando no corte das plantas de arroz, mecanismos de trilha, cilindro degranador, côncavo e batedores, até chegar ao saca palhas, peneiras e ventilador, para retirar o resto de impurezas, e condutores para levar os grãos até o tanque graneleiro.

Perdas na cultura do arroz

As perdas na cultura do arroz podem acontecer antes e durante a colheita.

As perdas antes da colheita devem ser evitadas com o manejo adequado da cultura e são:

  • degrana natural
  • acamamento
  • ataques de pássaros
  • excesso de umidade
  • excesso de ventos
  • doenças e pragas

As perdas durante a colheita são:

  • impacto da plataforma nas panículas
  • velocidade inadequada do molinete
  • calibrações inadequadas no cilindro trilhador
  • erros de calibração do saca palhas
  • peneiras com espaçamentos inadequados
  • presença de plantas daninhas

O impacto da plataforma de corte e a velocidade inadequada do molinete provoca degrana da cultivar no momento da colheita e desprendimento prematuro dos grãos.

Calibrações inadequadas no espaçamento do cilindro e do côncavo também resultam em trilhas ineficientes, comprometendo a qualidade final dos grãos, com danos mecânicos ou grãos presos nas panículas.

Como evitar as perdas na colheita 

A colheita no tempo ideal é fundamental para assegurar maior produtividade.

Colheita com grãos muito úmidos pode acarretar grãos imaturos, gessados e mal formados, que irão se quebrar no beneficiamento, descasque e polimento do arroz.

Colheita com grãos muito secos também não é ideal, pois pode ocorrer maior perda natural por degrana e quebra dos grãos no beneficiamento, perdendo qualidade do produto.

É ideal evitar a colheita do arroz pela manhã ou com os grãos umedecidos pelo orvalho. Se ocorrer uma chuva, o ideal é esperar que o arroz seque para iniciar a colheita.

Na maioria das cultivares, a umidade ideal deve estar entre 18% e 23% para colheita.

Na falta de aparelhos para mensurar os teores de umidade, você pode olhar a cor da casca e considerar ideal quando dois terços dos grãos ainda estiverem maduros.

Outra opção é apertar os grãos: se amassar, ainda está imaturo. Se quebrar, já estão aptos para a colheita.

Como aumentar a eficiência operacional na colheita mecanizada do arroz

Para aumentar a eficiência operacional e evitar perdas, a regulagem da colhedora é um fator crucial no manejo em campo.

O arroz é uma cultura que apresenta grandes perdas quando comparado à soja, feijão ou milho. Parte destas perdas ocorrem na colheita, armazenamento e outras também no processamento.

A regulagem deve ser realizada principalmente nas partes internas e externas das máquinas, dando maior atenção às plataformas de corte das máquinas, velocidade do molinete, regulagem do cilindro batedor, saca palhas e peneiras.

Veja os pontos que merecem atenção na regulagem e manutenção das colhedoras:

  • navalhas quebradas da barra de corte
  • peças e rotação do molinete
  • velocidade do cilindro batedor
  • espaço do cilindro degranador
  • peneiras superior e inferior
  • velocidade e fluxo de ar
  • tubos e condutores helicoidais

Regulagem da velocidade

A velocidade do molinete deve ser ajustada de acordo com o porte da cultura a ser colhida, devendo ser suficiente para puxar as plantas para o interior da máquina, podendo ser até 25% superior à velocidade de deslocamento da máquina.

A relação da velocidade do molinete e de deslocamento da máquina não deve ser superior a 1,25, uma vez que cerca de 70% das perdas na cultura o arroz ocorrem devido à má regulagem na plataforma de corte e velocidade do molinete.

Operações realizadas com velocidades excessivas podem provocar desgaste prematuro de peças da colhedora e maior perda na colheita.

Quanto à velocidade do cilindro batedor, ela pode variar conforme a umidade dos grãos, mas deve ser entre 20 a 25 m/s e a velocidade rotacional de cerca de 500 a 700 rotações por minuto, com intuito de separar 90% dos grãos da palhada segundo a Embrapa.

Em lavouras acamadas, a velocidade de operação da colhedora deve ser reduzida. O molinete precisa ser regulado com menor altura e mais avançado em relação à barra de corte para melhor recolhimento das plantas em campo.

A colheita, nesses casos, deve seguir o sentido do acamamento. Mesmo que haja redução no rendimento operacional, será mais eficiente.

No mecanismo de trilha, o cilindro trilhador deve operar com velocidades entre 16 ms-1 e 25 ms-1. A abertura entre o cilindro e o côncavo deve ser ajustada com intuito de minimizar o descascamento dos grãos.

A regulagem correta nos sistemas de separação e limpeza é muito importante para garantir a qualidade do produto final e reduzir perdas na colheita e processamento.

Acompanhamento das atividades em campo

Atualmente existem softwares de gestão que permitem analisar os dados de campo e gerar relatórios personalizados para otimizar o manejo.

Com o Aegro, por exemplo, você planeja o uso das máquinas nas atividades agrícolas e tem um controle detalhado de eficiência operacional. Veja com clareza o total de horas trabalhadas pela máquina, a área percorrida durante a operação e o seu consumo. 

Você ainda pode definir alertas periódicos de manutenção para a regulagem ou troca de peças, a fim de garantir o máximo desempenho dos equipamentos na lavoura.

Na época da colheita, você registra a produtividade dos talhões pelo celular, mesmo sem internet. Também é possível registrar as cargas de colheita, direcionando os romaneios para as unidades de armazenamento.

A partir deste controle, o Aegro te entrega indicadores precisos sobre a rentabilidade da safra. Avalie quais áreas da plantação custaram mais e quais apresentaram os melhores resultados.

Assim, fica mais fácil de entender quais métodos e máquinas foram mais efetivos na sua colheita do arroz. 

O que acha de gerenciar a sua colheita com ajuda do Aegro? Peça aqui uma demonstração gratuita do software!

planilha para estimativa de perdas na colheita Aegro

Conclusão

As colhedoras de arroz auxiliam os produtores a obter maior rendimento operacional.

Fazendas de menor porte podem optar por ceifadoras e trilhadoras estacionárias, que possuem ótimos custos-benefícios.

O acompanhamento dos dados das máquinas e das operações possibilita melhorias no manejo e otimização das atividades em campo.

A regulagem correta das colhedoras é fundamental para assegurar maior qualidade do grão e pode ser a diferença entre o sucesso ou fracasso da sua lavoura de arroz.

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