Como fazer a implantação e manejo do consórcio milho-braquiária

Consórcio milho-braquiária: saiba quais os benefícios, qual espaçamento utilizar, como semear, manejo de herbicidas e mais!

Já pensou em utilizar uma tecnologia que viabiliza o sistema plantio direto e produz grãos e palha para cobertura do solo?

O consórcio milho-braquiária proporciona esses e muitos outros benefícios. Um dos principais é o aumento da produtividade da soja em sucessão.

Para saber se vale a pena investir nessa tecnologia de consorciação, você deve estar por dentro de todas as características e exigências.

Nesse artigo, você encontrará dicas de implantação e manejo do consórcio milho-braquiária. Confira a seguir!

Implantação e manejo do consórcio milho-braquiária

O cultivo consorciado de milho safrinha com braquiária é eficiente para a formação de pastagem e de palha para cobertura do solo.

Ele proporciona melhorias dos atributos químicos, físicos e biológicos do solo. A semeadura do milho e da forrageira deve acontecer ao mesmo tempo, para diminuir custos.

O milho deve ser cultivado como se fosse solteiro. Isso pode te garantir altas produtividades.

Escolha da forrageira

A escolha da forrageira dependerá do objetivo do consórcio.

Tabela com forrageiras indicadas de acordo com o tipo de consórcio milho-braquíária

Na formação de pastagem permanente, a população da forrageira deve ser aumentada.

Devem ser aplicadas subdoses de herbicida para retardar o seu crescimento inicial e reduzir sua competição com o milho.

Quanto semear por metro quadrado?

A população adequada da forrageira é um dos principais fatores para o sucesso do consórcio milho-braquiária.

Uma quantidade maior que o recomendado prejudica o desenvolvimento do milho. A população da braquiária deve estar entre 5 e 10 plantas por metro quadrado.

As sementes devem ser distribuídas uniformemente na área.

Quantidades maiores são utilizadas para formação de pastagem. As menores, para cobertura do solo.

A equação abaixo pode ser utilizada para estimar a quantidade de sementes e ajustar a quantidade de plantas da forrageira.

Veja:

Fórmula: taxa (kg/ha) = pop * PMS sobre VCG
  • Taxa: Quilos de sementes por hectare;
  • Pop: População de plantas por metro quadrado;
  • PMS: Peso de mil sementes;
  • VCG: Valor cultural de germinação.
  • Importante: o valor cultural de germinação (VCG) não é o valor cultural (VC).

O VCG é calculado pela equação abaixo:

Fórmula: VCG = %pureza * %germinação sobre 100

O resultado obtido será em quilos de sementes comerciais por hectare.

Imagine que você irá semear um hectare de B. ruziziensis, com população de 8 plantas por metro quadrado. 

Considere o peso de mil sementes de 5,55 gramas e VCG de 65%. Assim, seriam necessários 0,683 kg/ha.

Em uma propriedade de 500 hectares, seriam necessários 341 kg de sementes de B. ruziziensis.

Esse cálculo pode te ajudar  a adquirir a quantidade necessária de sementes para estabelecer a lavoura.

Veja alguns cuidados que você deve tomar:

  • adquira sementes de empresas que forneçam garantia de germinação;
  • invista em lotes com alto percentual de pureza; 
  • controle pragas iniciais, principalmente lagartas, para que não haja redução da população da forrageira.

Qual espaçamento utilizar?

O espaçamento entre plantas é definido em função do posicionamento das sementes da forrageira em relação às sementes do milho. Ele pode ser feito de diversas formas.

Linha intercalar

Nessa modalidade, a semeadura é realizada em linhas intercaladas de milho e forrageira. Pode ser utilizada para formação de palhada e cobertura do solo.

É uma modalidade de consórcio eficiente e de baixo custo. Aqui, você posiciona as sementes em profundidade adequada para a germinação (3 cm a 4 cm).

Foto de lavoura com consórcio milho-braquiária. As plantas de milho estão intercaladas com as braquiárias.

(Foto: Gessí Ceccon, 2015)

Restrito a espaçamentos de 0,70m a 0,90m entre linhas de milho. Também é restrito a espaçamentos de 2 linhas de milho e 1 de braquiária, com 0,45 m a 0,50 m entre linhas.

Em linhas

Nessa modalidade, a forrageira é semeada na mesma linha do milho.

Posicione as sementes da braquiária em profundidade adequada de germinação (2 cm a 3 cm).

As sementes da forrageira podem ser misturadas ao adubo, porém, sua emergência será afetada. É recomendada para espaçamentos de 0,45 m a 0,50 m entre linhas.

Indicada tanto para produção de palha e cobertura do solo quanto para formação de pastagem.

Em área total

As sementes de forrageira são distribuídas a lanço, em área total e antes da semeadura do milho. Por depender das condições climáticas, essa modalidade tem menor precisão no estabelecimento.

A quantidade de sementes deverá ser maior, pois há forte dependência da qualidade operacional. A implantação da forrageira em área total é indicada para qualquer espaçamento.

Como realizar a semeadura do consórcio milho-braquiária?

A semeadura do consórcio pode ser realizada de três formas:

Com disco para sementes de forrageiras nas caixas de sementes

Esse tipo é recomendado para semear a forrageira nas entrelinhas do milho.

Possui ajuste complexo. Afinal, a população da forrageira depende da população de plantas do milho, do diâmetro do furo do disco e da germinação da forrageira.

Com caixa adicional para sementes de forrageira ou “terceira caixa” acoplada à semeadora

Esse tipo é recomendado para qualquer modalidade de consórcio. O milho e a forrageira são semeados simultaneamente.

Porém, você tem autonomia para posicionar as sementes da forrageira e para regular a sua população.

Com uma operação adicional para distribuição das sementes da forrageira

A semeadura à lanço pode ser realizada com semeadora ou avião antes da semeadura do milho, como uma operação adicional.

Manejo com herbicidas

As espécies forrageiras são divididas em três grupos, de acordo com a sua sensibilidade aos herbicidas:

  • B. ruziziensis, B. brizantha cv. Paiaguás e P. maximum cv. Aruana, são muito sensíveis a herbicidas;
  • P. maximum cv. Tamani, Massai e Tanzânia e B. decumbens, B. brizantha cv. Xaraés, Marandu e Piatã são moderadamente sensíveis;
  • P. maximum cv. Mombaça e Zuri são pouco sensíveis.

Forrageiras pouco sensíveis devem receber doses maiores de herbicida para reduzir o seu crescimento e facilitar a sua dessecação.

Herbicidas em pós-emergência

Quando há excesso de plantas ou quando o consórcio objetiva a formação de pastagem, aplique herbicida para diminuir a competição com o milho.

O herbicida atrazine pode ser utilizado como pós-emergente para controlar soja tiguera, sem causar danos na forrageira.

Os herbicidas mesotrione e nicosulfuron podem ser utilizados em pós-emergência para o controle de plantas daninhas de folhas estreitas.

Tabela de doses de herbicidas

 Herbicidas e doses a serem aplicadas no consórcio em pós-emergência do milho e da forrageira

Fonte: (Adaptado de Ceccon e colaboradores)

Pontos de atenção:

  • o mesotrione tem ação rápida e permite a retomada do crescimento da forrageira;
  • o nicosulfuron tem ação prolongada e reduz o crescimento da forrageira.
  • é recomendo acrescentar 0,5% de óleo mineral ao volume de calda para aplicações em pós-emergência.

Dessecação da forrageira para semeadura da soja

O consórcio milho-braquiária possui uma vantagem importante. Ele aumenta a produtividade da soja em sucessão. 

A dessecação para o plantio da soja é determinada por fatores como:

  • sensibilidade da forrageira ao herbicida;
  • quantidade de massa verde produzida;
  • condições climáticas durante o cultivo;
  • intervalo entre a dessecação e a semeadura da cultura em sucessão;
  • dose do herbicida a ser utilizado.

Quanto mais tardia a dessecação da forrageira, maior a produção de massa verde e maior a dose do herbicida.

Para forrageiras mais sensíveis, a dose do herbicida e o intervalo entre a dessecação e a semeadura da cultura em sucessão podem ser menores.

Já para forrageiras menos sensíveis, a dose do herbicida e o intervalo entre a dessecação e a semeadura da cultura em sucessão devem ser maiores.

Tabela com tipo de forrageira e dose de produto comercial correspondente, usados no intervalo de dessecação do consórcio milho braquiária

 Doses do herbicida glifosato para dessecação de forrageiras e intervalo entre a dessecação e a semeadura da soja em sucessão

Fonte: (Adaptado de Ceccon e colaboradores)

Benefícios do consórcio milho-braquiária

  • cobertura satisfatória do solo, promovendo muita matéria orgânica;
  • favorece a infiltração de água;
  • maior exploração do perfil do solo pelas raízes;
  • menor ocorrência de processos erosivos, reduzindo a lixiviação de nutrientes;
  • acesso a água e nutrientes;
  • melhorias físico-químicas do solo;
  • maior atividade biológica do solo;
  • aumento da produtividade da soja em sucessão;
  • redução da oscilação de temperatura;
  • supressão de plantas daninhas.
Kit de Cálculo de Fertilizantes em Milho e Soja

Conclusão

O consórcio milho-braquiária aumenta a produtividade da soja em sucessão.

Essa junção produz quantidade satisfatória de palha para a cobertura do solo. Isso diminui a ocorrência de processos erosivos.

Proporciona melhorias nos atributos químicos, físicos e biológicos do solo.

Agora que você tem essas informações, avalie se o consórcio milho-braquiária  é vantajoso na sua fazenda!

>> Leia mais:

5 passos para cultivar o consorcio cana e milho

O que você precisa saber sobre cobertura do solo com nabo forrageiro

Restou alguma dúvida sobre o tema? Você utiliza ou quer utilizar o consórcio milho-braquiária em sua fazenda? Adoraria ler seu comentário!

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