Forrageiras: como fazer a semeadura, impacto na produtividade, principais espécies e mais!
O uso de forrageiras vem avançando no país, com produtores mais atentos aos benefícios dessas plantas para o sistema de produção.
Além de protegerem o solo e fornecer palha para o plantio direto, as forrageiras também ajudam a elevar a produtividade da lavoura. E isso, claro, traz reflexos à rentabilidade da fazenda!
Neste artigo, vou falar melhor sobre a cobertura do solo com forrageiras, como e quando utilizá-las. Confira a seguir!
Índice do Conteúdo
O que são e como fazer a cobertura do solo com forrageiras
As forrageiras são plantas que têm como propósito proteger o solo, fornecer palha para o plantio direto e alimento para o consumo animal, podendo ser gramíneas ou leguminosas. No caso da alimentação animal, podem ser plantadas para pastagem ou colhida para ser servida como alimento posteriormente, como feno e silagem, por exemplo.
Mas, para entendermos o impacto dessas culturas de cobertura nos nossos sistemas de produção, antes precisamos entender alguns pontos… Vamos lá!
A agricultura em nosso país acontece basicamente em dois climas: tropical e subtropical.
O clima subtropical está presente na região Sul e em parte do estado de São Paulo. Esse clima apresenta verões quentes e invernos mais frios, com chuvas mais bem distribuídas e, consequentemente, estações secas menos severas.
Já o clima tropical ocorre na maior parte do Brasil, pegando todo o Centro-Oeste, Norte, Nordeste e boa parte do Sudeste.
Ele tem como principais características verões quentes e chuvosos e invernos secos, com poucas diferenças de temperatura.
O clima tropical apresenta dois problemas para o uso do solo como agricultura:
- Falta de água durante parte do ano, inviabilizando lavouras de sequeiro nesse período;
- Chuvas torrenciais, concentradas numa época do ano.
O primeiro problema é bem lógico e já conseguimos contorná-lo (de certa forma) com a segunda safra.
Quanto ao segundo ponto, o problema é que as chuvas torrenciais têm alto potencial erosivo. E a única proteção contra erosão é o solo estar coberto.
Mas aí temos um terceiro problema: cobrir o solo num clima tropical é extremamente difícil.
Acredito que todos que trabalham nas antigas ou novas fronteiras agrícolas sabem como a palha “derrete” rapidamente no solo.
Isso acontece porque quando começa a estação das águas, a combinação de umidade e altas temperaturas são um “prato cheio” para os microrganismos do solo. Eles, literalmente, “devoram” a palha.
E em pouco tempo o solo está descoberto e sendo cultivado para a nova safra, o que gera uma combinação bem problemática.
Cobertura e proteção do solo
Uma planta precisa de basicamente três coisas para se desenvolver: luz, água e nutrientes, sendo os dois últimos adquiridos do solo. Daí já conseguimos ver a importância do solo para nosso sistema de produção.
A água retida no solo é perdida por transpiração (água que passa pela planta) e por evaporação (água perdida diretamente do solo para a atmosfera). A palha das forrageiras diminui a água perdida por evaporação, ou seja, água que sai do sistema sem “produzir”.
Outro objetivo de se manter o solo coberto é diminuir o impacto das gotas de chuva que desagregam o solo e, quando escorrem, levam essas partículas embora (erosão).
As partículas superficiais do solo perdidas pela erosão são valiosas, pois nelas estão a maior parte dos nutrientes. Se compramos e aplicamos nutrientes ao solo, eles são perdidos: é, literalmente, jogar dinheiro fora!

(Fonte: Sá et al, 2010)
Note na figura acima que, quanto mais palha sobre o solo, maior a quantidade de nutrientes que a planta consegue absorver.
Dessa forma, sabemos que o adubo aplicado será melhor aproveitado e não perdido pela enxurrada das chuvas de verão.
Outro ponto importante são as características físicas do solo. A cobertura da palha propicia um ambiente que melhora o desenvolvimento das raízes, prevenindo a compactação do solo.
Podemos ver na figura abaixo como a presença da palha sobre o solo aumentou o comprimento das raízes das plantas de aveia. Isso ajudou na captação de água pela planta e na extração de nutrientes.
Como e quando usar forrageiras
Para tornar o uso de forrageiras e culturas de cobertura economicamente viáveis, existem duas formas:
- Semeando as forrageiras na segunda safra (clima tropical) ou na safra de inverno (nas regiões de clima subtropical).
Assim, garantimos a safra de maior renda no verão e também a presença de palha protegendo o solo no início das chuvas e do próximo ciclo de cultivo.
Bom, para quem lê isso pela primeira vez pode até parecer loucura, mas já abordei esse assunto neste post do Lavoura 10.
A essência do consórcio é que duas culturas subsistam no mesmo local durante alguma etapa dos seus ciclos de vida.
No caso da soja, o consórcio normalmente é feito usando a sobressemeadura das forrageiras no final do ciclo do grão, mais precisamente entre as fases R5 e R6.
Isso permite as forrageiras emergirem antes da colheita da soja e aproveitarem as últimas chuvas e as temperaturas mais propícias do final da safra.
Nas regiões que propiciam uma segunda safra de milho ou até mesmo sorgo, as forrageiras podem ser incluídas no sistema de forma consorciada com essas culturas.
Semeadura de forrageiras
Normalmente, a semeadura das forrageiras é feita em linha (mais profunda, na caixa de adubo) ou a lanço, no mesmo momento da semeadura da cultura de milho ou sorgo, ou na realização da adubação de cobertura.

(Fonte: adaptado de Jakelaitis et al, 2010)
E, como podemos ver na figura acima, a diferença entre a produtividade de milho solteiro ou em consórcio é mínima e muitas vezes inexistente. Isso viabiliza economicamente o consórcio, já que há redução nos custos de implantação da forrageira.
Principais forrageiras
Há diversas espécies forrageiras e cada uma delas pode se encaixar melhor no sistema de produção da sua propriedade.
Braquiárias
As braquiárias são as principais plantas forrageiras atualmente no país, principalmente devido à sua adaptabilidade ao clima tropical e ao cerrado.
Entre as espécies do gênero Brachiaria, são destaque a B. ruziziensis, B. brizantha, B. humidicola e B. decumbens.
Aqui no Blog do Aegro temos um post específico sobre quando semear a forrageira, como fazer consórcio e quais espécies são mais recomendadas. Confira: “Principais espécies de brachiaria e como fazer seu manejo.”
Aveia
Existem diversas cultivares, com diferentes ciclos de produção. A aveia forrageira possui tolerância ao frio e geadas, boa produção de massa verde e boa rusticidade.
Além de produzir forragem, também pode ser utilizada para produção de palha para o SPD (Sistema de Plantio Direto).
Feijão guandu
O feijão guandu tem sido utilizado por cada vez mais produtores como forrageira para ser ofertada para os animais no inverno (picada, pastejada diretamente, ensilado com milho ou em fardos de feno).
Pode ser consorciado com milho e também com outras forrageiras tropicais, como a braquiária. Em 2010, inclusive, a Embrapa lançou um sistema que consorcia milho, guandu e braquiária: o Sistema Santa Brígida.
Separei alguns outros posts aqui do Blog em que falo mais sobre outras forrageiras e que podem te ajudar a escolher a melhor opção para sua propriedade:
“Culturas de inverno: Como aumentar o rendimento na propriedade”
“Adubos verdes: Saiba como cultivar e as características de cada espécie”
Conclusão
As forrageiras têm se mostrado uma das principais aliadas na agricultura tropical e na implantação de um plantio direto correto, que consiga cumprir o papel de proteção do solo.
Neste artigo, tratamos sobre os benefícios dessas plantas, principais forrageiras e características de semeadura.
O importante é escolher a espécie que melhor se adapta ao seu sistema e começar a proteger o solo, que é literalmente a base do sucesso do Agro brasileiro!
>> Leia mais: “O que você precisa saber sobre a cobertura do solo com nabo forrageiro“
Quais forrageiras você já utilizou em seu sistema de produção? Restou alguma dúvida sobre o tema? Deixe seu comentário!