Veja 5 formas de fazer o controle não químico para plantas daninhas

Controle não químico para plantas daninhas: aprenda a manejar as invasoras na ausência dos herbicidas.

Você já esteve diante de uma situação em que não podia recomendar ou usar herbicidas para controlar as plantas daninhas?

O que você faria se não existisse o manejo químico das invasoras?

Um dos principais métodos para prevenir a resistência de daninhas aos herbicidas é o MIPD (Manejo Integrado de Plantas Daninhas). Além disso, em sistemas orgânicos de produção, o uso de herbicidas também não é permitido.

Por isso, é essencial conhecer e saber como utilizar os métodos de controle não químicos para plantas daninhas. Confira e tire suas dúvidas a seguir!

Formas de controle não químico para plantas daninhas

Hoje, temos seis métodos de controle para plantas daninhas:

  • preventivo;
  • cultural;
  • mecânico;
  • físico;
  • biológico;
  • químico.

O uso de outros métodos de controle que não apenas o químico ajuda a prevenir ou retardar a seleção de plantas daninhas resistentes a herbicidas.

Além disso, alguns métodos de controle não químicos são muito eficientes dependendo da planta daninha que queremos controlar. É o caso do uso da palha, que ajuda a controlar invasoras que precisam de luz para germinar.

A palha também ajuda no controle por meio da liberação de aleloquímicos, que podem atuar inibindo a germinação e o estabelecimento de plantas daninhas. Além disso, atua como uma barreira física, desfavorecendo as plantas daninhas de sementes pequenas.

A seguir, vou explicar melhor cada uma das formas de controle não químicas que você pode utilizar em sua lavoura.

1. Controle preventivo de plantas daninhas

O controle preventivo deve sempre estar presente no seu planejamento, pois ele tem como objetivo evitar a entrada de plantas daninhas na lavoura.

Alguns manejos preventivos são:

  • evitar o uso de esterco, palha ou compostos com propágulos de plantas daninhas;
  • limpeza completa de equipamentos agrícolas antes e após a entrada em talhões onde existam espécies-problemas;
  • inspeção de mudas e gramados (comprar sementes e mudas sem a presença de propágulos de plantas daninhas);
  • limpeza e manutenção de canais de irrigação;
  • limpeza de roupas e equipamentos agrícolas;
  • controlar as plantas daninhas durante a entressafra;
  • evitar o florescimento das plantas daninhas e dispersão das sementes;
  • colocar animais em quarentena em área isolada logo após serem adquiridos e/ou após transferência de localidades em sistema de integração lavoura-pecuária. Este processo facilita a limpeza de sementes aderidas em suas pelagens e a saída das sementes presentes no trato digestivo.

Pelos exemplos, você pode notar que fazemos o manejo preventivo sem perceber, mas é sempre bom lembrarmos quais são estes métodos e como utilizá-los a nosso favor!

duas fotos de sementes de carrapicho-de-carneiro e picão-preto na palma de uma mão

Sementes de carrapicho-de-carneiro e picão-preto são facilmente aderidas a pelagens dos animais
(Fonte: arquivo pessoal da autora)

2. Controle mecânico 

O controle mecânico de plantas daninhas é o procedimento que envolve o uso de ferramentas específicas e pessoas para controlar as invasoras.

Os métodos utilizados no manejo mecânico são:

  • arranquio manual;
  • roçadeira;
  • enxada;
  • rolo de facas;
  • cultivador rotativo;
  • cultivador de dentes;
  • revolvimento do solo;
  • roçadeira articulada.
foto de um homem com chapéu de palha capinando com enxada uma lavoura. Controle não químico para plantas daninhas

Capina com enxada
(Fonte: arquivo pessoal da autora)

3. Controle cultural de plantas daninhas

O controle cultural tem objetivo de fazer com que a lavoura manifeste seu máximo potencial produtivo.

Todos os manejos que favoreçam a cultura em detrimento das plantas daninhas pode ser considerado um controle cultural.

Neste método de controle, vamos proporcionar à cultura todas as vantagens para uma rápida germinação, emergência e desenvolvimento, para que ela consiga sombrear as entrelinhas o mais rápido possível.

Para isso, algumas táticas culturais utilizadas são:

  • rotação de culturas;
  • consórcio de culturas;
  • culturas em faixas;
  • plantio na época adequada, de acordo com o zoneamento agrícola;
  • espaçamento e densidade de plantio adequados;
  • controle de plantas daninhas na entressafra;
  • cobertura do solo com palha;
  • plantio no limpo, ou seja, sem a presença de plantas daninhas;
  • preparo físico e químico do solo;
  • cultivares adaptadas para a região de plantio.

A manutenção da cobertura do solo com palha pode reduzir a emergência de plantas daninhas de sementes pequenas e que precisam de luz para germinar.

Plantar a cultura na época correta, na densidade e espaçamento corretos, ajuda a cultura a germinar e se estabelecer de forma mais rápida. Isso reduz a competição com as plantas daninhas no início do desenvolvimento.

A rotação de culturas faz com que outros manejos sejam adotados de acordo com o cultivo estabelecido. São outros manejos de pragas, doenças e plantas daninhas – e isso também auxilia na redução do banco de sementes.

Para aqueles que não adotam o plantio direto, o revolvimento do solo que é feito no plantio convencional estimula a quebra de dormência das sementes ou ainda expõe as sementes à superfície.

O preparo químico mantém o equilíbrio do solo, algumas plantas daninhas são favorecidas por solos ácidos e de baixa fertilidade.

Espécies como assa-peixe, capim-barba-de-bode, capim-favorito e guanxuma são favorecidas por solos ácidos.

4. Controle físico de plantas daninhas

O controle físico não é tão conhecido como os outros métodos de manejo, porém é muito importante. 

Dentre os controles físicos de plantas daninhas podemos incluir:

  • cobertura morta;
  • solarização;
  • inundação;
  • drenagem;
  • eletricidade.

Vou explicar melhor cada um deles!

Cobertura morta ou alelopatia

Os restos culturais que ficam sobre o solo podem servir como uma barreira física. Essa barreira impede a emergência de sementes pequenas de daninhas, pois elas possuem poucas reservas, que são insuficientes para que a plântula ultrapasse a cobertura morta. 

A cobertura morta também favorece sementes fotoblásticas negativas e desfavorece as fotoblásticas positivas, ou seja, as que são favorecidas pela luz no processo de germinação.

A decomposição da cobertura morta também pode liberar compostos que são conhecidos por aleloquímicos, que podem interferir negativamente na germinação e emergência de plantas daninhas. É a chamada alelopatia.

Solarização

O processo de solarização consiste na utilização de coberturas plásticas com o objetivo de aumentar a temperatura do solo e causar a morte das plantas daninhas pelo excesso de calor. 

Para a solarização ocorrer da forma adequada, é necessário um clima quente, úmido e de intensa radiação solar, com dias longos para aumentar a temperatura do solo. 

É preciso a presença de umidade no solo para aumentar a condução de calor e estimular a germinação do banco de sementes. 

Inundação

A inundação impede que as raízes das plantas sensíveis obtenham oxigênio para sobreviver.  

É um método utilizado em culturas inundadas, como o arroz. 

A inundação controla plantas daninhas como: tiririca (Cyperus rotundus), grama-seda (Cynodon dactylon) e capim-kikuio (Pennisetum clandestinum). 

Drenagem

A drenagem pode ser utilizada no controle de plantas daninhas aquáticas.

Capim-arroz e arroz-vermelho são plantas daninhas favorecidas pela inundação. Ao se fazer a drenagem de água do ambiente, as espécies hidrófitas não conseguem se desenvolver.

Eletricidade

O controle de plantas daninhas com corrente elétrica é denominado de eletrocussão

Consiste na capina por meio de descarga elétrica.

Neste sistema ocorre o contato direto dos eletrodos aplicadores com a invasora.

A eletricidade, ao atingir as plantas daninhas, provoca alteração na fisiologia das plantas de forma irreversível. Assim, elas murcham e morrem em pouco tempo.

5. Controle biológico de plantas daninhas

De todos os métodos de controle, o biológico é o menos utilizado

Sua principal vantagem é também sua principal desvantagem: a especificidade do hospedeiro.

A especificidade é uma vantagem por sabermos qual planta o organismo vivo irá controlar.

Mas, no caso das daninhas, temos uma comunidade composta por várias espécies. Dificilmente vamos ter de controlar apenas uma planta invasora.

Entretanto, este método é bem empregado com o uso de peixes que conseguem controlar a população de plantas daninhas aquáticas, por exemplo.

Conclusão

No texto de hoje você aprendeu sobre os manejos não químicos de plantas daninhas.

Vimos que temos os controles preventivos, culturais, biológicos, mecânicos, físico e químicos.

Quanto mais métodos você empregar na sua lavoura, melhor será o controle das plantas daninhas.

Lembre-se sempre de pensar em sistemas de produção e não apenas em uma safra. Com isso, você conseguirá manejar adequadamente as plantas daninhas na sua área.

Quais métodos de controle não químico para plantas daninhas você utiliza em sua lavoura? Restou alguma dúvida? Aproveite e baixe gratuitamente aqui o Guia para Manejo de Plantas Daninhas na sua lavoura.

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