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defensivos agrícolas genéricos

Defensivos agrícolas genéricos ou de marca: qual vale mais a pena usar em sua propriedade

- 25 de junho de 2018

Atualizado em 27 de novembro de 2020.
Defensivos agrícolas genéricos: entenda o que são, principais diferenças com os produtos de referência e outras informações que você precisa saber!

Os defensivos genéricos representam cerca de 75% dos produtos comercializados no mundo.

O Brasil, por exemplo, já compra 3x mais defensivos genéricos do que de marca. Você mesmo pode ser habituado a utilizar alguns deles na fazenda!

Mas você sabe a diferença entre um defensivo genérico e um de marca? 

Quer saber qual vale mais a pena utilizar em sua lavoura?

Pensando nisso, neste artigo trago as principais respostas para as dúvidas que você pode ter em relação aos defensivos genéricos. Confira!

O que são defensivos agrícolas genéricos?

Para você entender melhor sobre os defensivos genéricos, precisa antes compreender os defensivos agrícolas de marca.

Os defensivos agrícolas de marca são aqueles que estão sob patente, ou seja, são produtos exclusivos e protegidos por determinado período. 

O período da patente no Brasil segue a Lei n° 9.279 de 1996. Nessa lei, temos o período de 20 anos desde a submissão do processo do produto ou 10 anos depois que sair o certificado de registro, sempre considerando o maior tempo.

Isso significa que, durante um período específico, nenhuma outra empresa pode comercializar produtos com o mesmo ingrediente ativo. O ingrediente ativo é simplesmente o que faz o defensivo “funcionar”.

Por exemplo, em um comprimido de aspirina não há somente a molécula com ação sob nosso corpo de tirar a dor, mas também outras que dão durabilidade, palatabilidade, forma ao comprimido e outros.

Com o defensivo é a mesma coisa! Existe o ingrediente ativo, que é o que realmente mata a planta daninha, o inseto, a doença; e existem outras substâncias que ajudam o produto a penetrar na planta, a misturar melhor na calda de pulverização, e por aí vai.

Mas vamos continuar com nosso tema principal: após cair a patente, outra empresa pode utilizar os ingredientes ativos para fazer seus produtos, os chamados “genéricos”.

Assim, um defensivo agrícola genérico é fabricado e vendido por uma empresa diferente da fabricante pioneira, mas possui o mesmo ingrediente ativo do produto original.

Você sabia que no ano de 2019, 94,5% dos defensivos agrícolas registrados no Brasil foram genéricos?

Para você entender melhor sobre o assunto, vamos falar um pouco sobre as empresas que produzem esses defensivos genéricos.

Empresas produtoras de defensivos genéricos

As empresas que produzem os defensivos genéricos podem ser classificadas em três grupos:

Produtoras de genéricos “puros”: se concentram, principalmente, na venda de produtos que pouco se diferenciam em relação aos produtos originais.

Produtoras de genéricos “diferenciados”: buscam se distinguir dos produtores de genéricos “puros” criando misturas/formulações alternativas, que não são simplesmente cópias exatas dos produtos originais, mas que oferecem benefícios diferenciados em relação aos demais produtos disponíveis no mercado.

Produtoras especializadas em ingredientes ativos genéricos: atuam na venda de ingredientes ativos “puros” (não misturados) para outras empresas que se encarregam de elaborar toda a formulação, registro e comercialização.

O defensivo agrícola genérico é igual ao de marca?

A resposta, como muitas vezes ocorre na agricultura, é: depende.

Em geral, os produtos genéricos não são idênticos. Por isso, é fundamental que você leia a bula desses produtos com atenção para entender as diferenças.

Outro fato interessante é que, como os produtos químicos genéricos não são patenteados, já que a patente original expirou, muitas outras empresas (e não apenas uma) podem ter produtos com esse ingrediente ativo.

Essas diferenças são especialmente quanto à quantidade de ingrediente ativo por quilograma ou litro de produto ou à adição ou não de algum adjuvante na formulação.

Tome como exemplo o Roundup Original da Monsanto, que possui 360 g/L de equivalente ácido de glifosato.

O genérico da Albaugh, chamado Preciso, possui 678,66 g/kg de equivalente ácido de glifosato, além de apresentar glifosato sal de amônio em 747 g/kg.

No entanto, se você verificar a bula do Preciso, saberá com toda certeza qual a melhor dose para a situação que você tem em campo.

Por isso, embora os defensivos agrícolas genéricos não sejam idênticos a seus equivalentes de marca, eles tendem a ser muito semelhantes em termos de desempenho.

É preciso estar atento às recomendações conforme a bula – e isso não vale apenas para genéricos!

Além disso, para receber um registro do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), seja o produto genérico ou de marca, deve ser verificado o seu desempenho.

Para todos os defensivos são realizadas inúmeras avaliações de desempenho agronômico, ambiental e relativas à proteção da saúde humana.

Defensivos genéricos x defensivos de marca: quem ganha essa disputa?

Inovação 

Empresas fabricantes de produtos de marca são focadas em descobrir novas moléculas, com o objetivo de comercializar novos produtos.

Enquanto isso, genéricos têm apenas alguma inovação na formulação do produto, como adição de alguma substância que melhora a absorção do defensivo.

Por isso, nesse ponto, não há dúvida: ponto para defensivos agrícolas de marca!

Até mesmo a Associação Brasileira dos Defensivos Genéricos (Aenda) afirma que os recentes ganhos em produtividade da agricultura brasileira estimulam os produtores a buscar novas tecnologias, aquecendo as vendas de produtos de marca.

Tudo isso colabora para os defensivos de marca conquistarem um pouco mais de força no mercado.

Custo dos defensivos agrícolas genéricos e de marca

É preciso de 10 a 12 anos de pesquisa para que, de 160 mil moléculas, uma vá para o mercado, levando a um investimento de 280 milhões de dólares.

Portanto, empresas de marca de defensivos químicos investem muito dinheiro e tempo na descoberta de novas moléculas e, por isso, seu preço de venda é maior.

Essa relação de preço fica muito evidente quando consideramos que os produtos de marca representam apenas 25% deste setor, porém movimentam 60% da receita (US$ 5,70 bilhões).

Assim, esse ponto é para os defensivos agrícolas genéricos.

Mas, atenção! É importante notar que os genéricos podem ter uma concentração diferente de ingredientes ativos que deve ser considerada no custo de uso.

Por isso, é crucial que você faça as contas das respectivas doses e o cálculo de quanto usaria de cada produto, de marca ou genérico, para saber com certeza se os custos compensam.

Tudo isso entra no seu planejamento agrícola, antes mesmo de começar a safra, com tempo e calma para decidir sua melhor estratégia.

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Confiança dos defensivos agrícolas de marca e genéricos

O reconhecimento de pesquisas e o investimento das marcas tradicionais do mercado geram grande confiança.

Até porque, moléculas descobertas mais recentemente tendem a ter eficiência e toxicologia diferenciada.

Além disso, pode haver ainda alguma desconfiança por parte do produtor sobre os defensivos genéricos, seja pelas marcas não conhecidas ou mesmo pelos preços baixos.

Por isso, esse round foi ponto para o defensivo agrícola de marca!

Qualidade dos defensivos 

Como já comentado, tanto empresas de genéricos quanto de marcas têm de seguir um controle de qualidade rigoroso pela legislação brasileira.

Todos os defensivos agrícolas passam por avaliações na Anvisa, Mapa e Ibama para o registro. 

Há ainda vários trabalhos científicos comparando esses tipos de defensivos químicos.

Por exemplo, em um ensaio com a cultura de soja comparando 18 produtos à base de glifosato, foi observado que, embora as condições estivessem muito secas antes e após a aplicação do herbicida, a eficácia foi semelhante para todos os produtos.

Embora existissem algumas diferenças nas marcas de glifosato, essas diferenças não foram consistentes nos resultados de eficácia aos 14 ou 28 dias após o tratamento (DAT).

E também não foram constatadas intoxicações à cultura em qualquer tratamento.

Como você pode ver, temos aqui um empate!

foto de máquina realizando aplicação de defensivo em lavoura de soja

(Fonte: Cultivar)

Suporte ao cliente

Pela grandiosidade das empresas de marca, a burocracia existente pode gerar lentidão na demanda dos clientes.

Por outro lado, empresas de genérico geralmente são mais rápidas ao atender essas demandas, especialmente nesse momento em que desejam ganhar mercado.

Assim, ponto para os defensivos agrícolas genéricos.

Resultado da batalha e dicas extras

O resultado foi um empate. E o que isso significa?

Significa que os dois tipos de defensivos tem vantagens e desvantagens que devem ser avaliadas por você, dentro de sua propriedade e gestão.

Para demonstrar o quanto esse mercado é neutro, algumas grandes corporações possuem empresas dos dois segmentos: inovação e genéricos.

É o caso da China National Chemical Corporation, que possui a Syngenta no ramo da inovação e a Adama no ramo dos genéricos. 

Para essa tomada de decisão, veja algumas dicas extras que vão te ajudar:

  • conheça as diferenças entre o produto genérico e de marca;
  • faça o cálculo do preço final de cada pulverização dentro do seu planejamento agrícola, considerando as doses e formulações dos produtos;
  • conheça também a diferença de valor, não apenas o preço;
  • conheça as condições de venda, ou seja, devolução, garantia, etc., e o serviço que você está recebendo com sua compra;
  • entenda como essa escolha pode afetar seu relacionamento com fornecedores locais ou de área.

Conclusão

Os defensivos de marca possuem maior confiança por parte do produtor e são mais inovadores.

Já os defensivos agrícolas genéricos possuem ágil suporte ao cliente e um custo menor.

Os dois tipos de defensivos apresentam qualidade, passando pelas mesmas avaliações.

Para decidir mesmo qual vale a pena, é preciso olhar caso a caso.

Neste artigo, você conferiu as principais dicas para que essa decisão seja a mais consciente e melhor possível.

Por isso, faça seu planejamento, confira o valor e preço real de cada produto e tome sua decisão!

>> Leia mais:

Como fazer o controle de estoque de defensivos agrícolas em 5 passos

Armazenagem de defensivos agrícolas: 7 dicas de como fazer em sua propriedade

Gostou dessa batalha? Você costuma usar mais defensivos genéricos ou de marca? Ficou com alguma dúvida? Continue essa conversa comentando aqui embaixo!

Henrique-plácido

Atualizado em 27 de novembro de 2020 por Henrique Fabrício Plácido
Agrônomo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), mestre pela Esalq-USP, especialista em Gestão de Projetos e doutorando pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) na linha de plantas daninhas.

Comentários

  1. Alencar disse:

    Oi Maiara, bacana esse artigo parabéns.

    Você poderiam indicar uma bibliografia/curso para quem está iniciando no mercado de Defensivos?
    -História
    -Indústria
    -Mercado
    Sou da área de planejamento de Suprimentos e Demanda e gostaria de entender mais desse segmento. Começando com uma visão geral.

    Obrigado.

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