Atualmente, os defensivos genéricos representam por volta de 70% em volume dos produtos comercializados no mundo.

Você mesmo deve ter vários produtos genéricos no seu estoque de defensivos, e já ser habituado em utilizar alguns deles.

Você não está sozinho, o Brasil já compra 3x mais defensivos genéricos do que de marca.

Mas a utilização desses produtos não geram algumas dúvidas?

Será que é a mesma coisa mesmo?

Qual é melhor utilizar?

Reunimos neste artigo as perguntas mais comuns dos agricultores sobre defensivos genéricos e de marcas.

Ainda temos o infográfico mostrando com detalhes o resultado dessa “batalha” entre defensivos agrícolas. Confira:

defensivos agrécolas genéricos

O que é um defensivo genérico?

Para você entender melhor sobre o defensivo genérico, precisamos antes compreender sobre os defensivos agrícolas de marca.

Os defensivos agrícolas de marca são aqueles que estão sob patente, ou seja, são produtos exclusivos e protegidos por determinado período.

O período da patente no Brasil segue a Lei n° 9.279 de 1996.

Nessa lei, temos o período de 20 anos desde a submissão do processo do produto ou 10 depois que sair o certificado de registro, sempre considerando o maior tempo.

Por exemplo, se demorar 15 anos pra sair o processo, o tempo de patente será de 10 anos.

Isso significa que durante de um período, como o de 10 anos pelo nosso exemplo acima, nenhuma outra empresa pode comercializar outro produto com o mesmo ingrediente ativo.

O ingrediente ativo é simplesmente o que faz o defensivo “funcionar”.

Por exemplo, em um comprimido de aspirina não tem somente a molécula que tem ação sob nosso corpo de tirar dor, mas sim outras que dão durabilidade, palatabilidade, forma ao comprimido, e outros.

Com o defensivo é a mesma coisa, existe o ingrediente ativo que é o que realmente mata a planta daninha, o inseto, a doença; e existem outras substâncias que ajudam o produto a penetrar na planta, a misturar melhor na calda de pulverização, e por aí vai.

Mas vamos continuar com nosso tema principal: após cair a patente, outra empresa pode utilizar os ingredientes ativos para fazer seus produtos, os chamados “genéricos”.

Assim, um defensivo agrícola genérico é fabricado e vendido por uma empresa diferente daquela empresa fabricante original.

Mas ele possui o mesmo ingrediente ativo daquele produto original.

Mas esses produtos são mesmos iguais? Veja a seguir:

O defensivo agrícola genérico é igual ao de marca?

A resposta, como a maioria em se tratando de agricultura, é: depende.

Em geral, os produtos genéricos não são idênticos, por isso é fundamental que você leia a bula desses produtos com atenção para entender as diferenças.

Outro fato interessante é que, como os produtos químicos genéricos não são patenteados, já que a patente original expirou, muitas outras empresas (e não apenas uma) pode ter produtos com esse ingrediente ativo.

Então, você pode ter 2 ou mais produtos genéricos e diferentes entre si.

Essas diferenças são especialmente quanto a quantidade de ingrediente ativo por quilograma ou litro de produto, ou a adição ou não de algum adjuvante na formulação.

Tome como exemplo o Roundup Original da Monsanto, que possui 360 g/L  de equivalente ácido de glifosato.

O genérico da Albaugh, chamado Preciso, possui 678,66 g/kg de equivalente ácido de glifosato, além de apresentar glifosato sal de amônio em 747 g/kg.

Além de ser mais concentrado, o amônio de sua composição agride a camada superficial da folha, facilitando a penetração do produto.

No entanto, se você verificar a bula do Preciso, saberá com toda certeza com a melhor dose para a situação que você tem em campo.

Por isso, embora os produtos genéricos não sejam idênticos aos seus equivalentes de marca, eles tendem a ser muito semelhantes em termos de desempenho.

Nós só precisamos mesmo é estarmos atentos às recomendações conforme a bula, e isso não vale apenas para genéricos.

Além disso, para receber um registro do MAPA, seja o produto genérico ou de marca, deve ser verificado o seu desempenho.

Para todos os defensivos são realizadas inúmeras avaliações de desempenho agronômico, ambiental e relativas à proteção da saúde humana.

Agora que sabemos melhor sobre o conceito de defensivos agrícolas genéricos e de marca, vamos a batalha:

Round 1: Inovação das empresas de defensivos agrícolas de marca e de genéricos

Empresas fabricantes de produtos de marca são focadas em descobrir novas moléculas, com o objetivo de comercializar novos produtos.

Enquanto isso, genéricos têm apenas alguma inovação na formulação do produto, como adição de alguma substância que melhora a absorção do produto.

Por isso, nesse ponto não há dúvida: ponto para defensivo agrícolas de marca.

Até mesmo a Associação Brasileira dos Defensivos Genéricos (Aenda) afirma que os recentes ganhos em produtividade da agricultura brasileira estimulam os produtores a buscar novas tecnologias, aquecendo as vendas de produtos de marca.

Além disso, reavaliações realizadas pela Anvisa retiraram do mercado genéricos relevantes do mercado e já reconhecidos pelo mesmo, como Endosulfan (inseticida) e Cihexatina (acaricida).

Tudo isso colabora para os defensivos de marca conquistarem um pouco mais de força no mercado.

Com esse round ganho pelos produtos de marca, vamos ao próximo:

Round 2: Custo dos defensivos agrícolas genéricos e de marca

É preciso de 10 a 12 anos de pesquisa para que, de 160 mil moléculas, uma vá para o mercado, levando a um investimento de 280 milhões de dólares.

Portanto, empresas de marca de defensivos químicos investem muito dinheiro e tempo na descoberta de novas moléculas e, por isso, seu preço de venda é maior

Por isso, o custo dos genéricos é menor do que os de marca.

Assim, esse ponto é para os defensivos agrícolas genéricos.

Mas atenção! É importante notar que os genéricos podem ter uma concentração menor ou diferente de ingredientes ativos que devem ser levados em conta no custo de uso.

Por isso, é crucial que você faça as contas das respectivas doses e o cálculo de quanto usaria de cada produto, de marca ou genérico, para saber com certeza se os custos compensam.

Tudo isso entra no seu planejamento agrícola, antes mesmo de começar a safra, com tempo e calma para decidir sua melhor estratégia.

Por enquanto, tudo está empatado, vamos para o próximo round:

>> Como otimizar sua lavoura com pulverizador autopropelido

Round 3: Confiança dos defensivos agrícolas de marca e de genéricos

O reconhecimento de pesquisas e investimento das marcas tradicionais do mercado geram grande confiança.

Até porque ,moléculas descobertas mais recentemente tendem a ter eficiência e toxicologia diferenciada.

Além disso, pode haver ainda alguma desconfiança por parte do produtor sobre os defensivos genéricos, seja pelas marcas não conhecidas ou mesmo pelos preços baixos.

Por isso, esse round foi ponto para o defensivo agrícola de marca!

>> 6 dicas de compra de defensivos agrícolas para potencializar o manejo da sua lavoura

Round 4: Qualidade dos defensivos de marca e genéricos

Como já comentamos, tanto empresas de genéricos quanto de marcas têm que seguir um controle de qualidade rigoroso pela legislação brasileira.

Todos os defensivos agrícolas passam por avaliações na ANVISA, MAPA e IBAMA para o registro.

Ademais, temos vários trabalhos científicos comparando esses tipos de defensivos químicos.

Por exemplo, em um ensaio com a cultura de soja comparando 18 produtos a base de glifosato foi observado que, embora as condições estivessem muito secas antes e após a aplicação do herbicida, a eficácia foi semelhante para todos os produtos.

Embora houvesse algumas diferenças nas marcas de glifosato, essas diferenças não foram consistentes nos resultados de eficácio aos 14 ou 28 dias após o tratamento (DAT).

E também não foram constatadas intoxicações à cultura em qualquer tratamento.

Como você pode ver,, temos aqui um empate!

>> Tudo o que você precisa saber sobre resistências a defensivos agrícolas

Round 5: Suporte ao cliente

Pela grandiosidade das empresas de marca, a burocracia existente pode gerar lentidão na demanda dos clientes.

Por outro lado, empresas de genérico geralmente são mais rápidas ao atender essas demandas, especialmente nesse momento que almejam ganhar mercado.

Assim, temos esse round ganho para os defensivos agrícolas genéricos.

>> Acerte nas aplicações de defensivos com planejamento agrícola

Resultado da batalha e dicas extras

O resultado foi um empate. E o que isso significa?

Significa que os dois tipos de defensivos tem vantagens e desvantagens, que devem ser avaliados por você, dentro de sua propriedade e gestão.

Para essa tomada de decisão temos algumas dicas extras que vão te ajudar:

  • Conheça as diferenças entre o produto genérico e de marca;
  • Faça o cálculo do preço final de cada pulverização dentro do seu planejamento agrícola, considerando as doses e formulações dos produtos;
  • Conheça também a diferença de valor, não apenas o preço;
  • Conheça as condições de venda, ou seja, devolução, garantia, etc., e o serviço que você está recebendo com sua compra;
  • Entenda como essa escolha pode afetar seu relacionamento com fornecedores locais ou de área.

>> Tudo o que você precisa saber para fazer sua lista de defensivos agrícolas na pré-safra

Conclusão

Os defensivos de marca possuem maior confiança por parte do produtor e são mais inovadores.

Já os defensivos agrícolas genéricos, possuem ágil suporte ao cliente e um custo menor.

Os dois tipos de defensivos apresentam qualidade, passando pelas mesmas avaliações.

Para decidir mesmo qual vale a pena precisamos olhar caso a caso.

Aqui demos as principais dicas para que essa decisão seja a mais consciente e melhor possível.

Por isso, faça seu planejamento, confira o valor e preço real de cada produto e tome sua decisão!

Leia também:

>> Armazenagem de defensivos agrícolas: como fazer e o que é preciso saber

>> 8 perguntas para fazer ao seu consultor sobre defensivos agrícolas

Gostou dessa batalha? Você costuma usar mais defensivos genéricos ou de marca? Ficou com alguma dúvida? Comente aqui embaixo!