Ferrugem asiática da soja: Conheça as principais características da doença, veja os principais fungicidas e outros manejos para manter sua lavoura longe de prejuízos.

Na safra 2018/19 é estimado que o Brasil assuma a posição de maior produtor de soja do mundo.

Mas a ferrugem asiática da soja pode comprometer essa promessa.

Você já deve estar cansado de saber que a ferrugem asiática da soja é a principal doença da cultura, causando danos de 10 a 90%, segundo a Embrapa.

Para que isso não ocorra na sua lavoura, vamos conhecer mais sobre essa doença, além de 6 dicas para mantê-la longe de sua produtividade.

Ferrugem asiática da soja: como a doença começou no Brasil e o agente causal

A ferrugem asiática da soja é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi  e pode ser observada em qualquer estádio de desenvolvimento da cultura.

Este fungo é biotrófico, ou seja, só sobrevive e se reproduz em plantas vivas.

Além disso, este fungo apresenta uma ampla gama de hospedeiros (plantas que podem ser infectadas pelo fungo), sendo aproximadamente 150 espécies de leguminosas.

A primeira ocorrência da ferrugem asiática no continente americano foi no Paraguai em 2001. Meses depois, a doença foi constatada pela primeira vez no Brasil. Atualmente ela se encontra espalhada por todas as regiões produtoras no país.

Identificação e sintomas da ferrugem asiática da soja

Ao contrário do que ocorre com as ferrugens em outras culturas, a ferrugem na soja apresenta um esporo mais claro, o que desfavorece a identificação no início da doença.

Inicialmente, os sintomas nas folhas são pequenos pontos, com coloração mais escura que o tecido sadio, variando de coloração verde a cinza.

Essas lesões podem apresentar formato irregular e serem delimitadas pelos vasos da folha. Com o progresso da doença, as lesões adquirem coloração castanha a marrom.

ferrugem asiática da soja
(Fonte: Diário de Agrônomo)

Quando observa que as folhas ficam amareladas com as pontuações castanho claro, normalmente a ferrugem  já está na lavoura a mais de 30 dias, dificultando o controle químico eficaz e causando prejuízos.

Quando as folhas apresentam alta densidade de lesões da doença, elas ficam amarelas e pode ocorrer desfolha.

Isso prejudica a formação e o enchimento das vagens, a qualidade e a quantidade dos grãos, ou seja, interfere na produção da sua lavoura de soja.

Como vimos, é muito importante o acompanhamento da lavoura, ou seja, monitore a sua lavoura periodicamente e também monitore a doença na sua região para a tomada de decisão no momento correto.

Veremos como fazer a identificação da ferrugem asiática da soja na sua lavoura mais a frente neste texto.

Ciclo e condições climáticas favoráveis da ferrugem asiática

Os esporos da ferrugem são disseminados de um local para outro principalmente pelo vento, permitindo serem levados a longas distâncias.

Por isso, ocorreu uma rápida disseminação da doença do Paraguai para o Brasil em 2001.

Além das plantas de soja da sua lavoura, as plantas voluntárias de soja, também chamadas de tigueras são importantes hospedeiras para a doença e essas podem servir de fonte de inóculo para novos plantios de soja.

Veja o ciclo da Phakopsora pachyrhizi para entender mais sobre a doença:

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(Fonte: Reis e Carmona)

Para que o fungo entre na planta (infecção) são necessários disponibilidade de água livre na folha. Assim, é preciso ter água nas folhas por no mínimo 6 horas (molhamento foliar), além de temperaturas ótimas na faixa de 15°C a 25°C.

As chuvas também favorecem a doença, por manter as folhas úmidas.

A ferrugem pode ocorrer em qualquer estágio da cultura da soja, mas ocorre preferencialmente a partir do fechamento do dossel.

Isso porque o fechamento proporciona condições favoráveis à doença: alta umidade e proteção contra radiação ultravioleta para os esporos.

Veja também este texto que escrevi: “9 curiosidades que você não sabe sobre ferrugem-asiática da soja e como combatê-la”.

Agora que você conhece um pouco mais sobre a ferrugem asiática da soja, vamos entender algumas estratégias de manejo para esta doença.

6 Dicas para controlar a ferrugem asiática da soja

1.Vazio sanitário

Vazio sanitário é o período de 60 a 90 dias sem o plantio de soja ou plantas voluntárias no campo.

Esse período sem soja no campo reduz a sobrevivência do fungo no campo que, como vimos,  somente sobrevive em hospedeiros vivos.

Então, o objetivo do vazio sanitário é reduzir o número de esporos do fungo causador da ferrugem e também atrasar a ocorrência da doença na safra.

Veja os estados e o período do vazio sanitário de cada região.

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(Fonte: Embrapa)

2. Cultivares precoces e semeadura no início do período recomendado (calendarização da semeadura)

Semear a soja no início da época recomendada é indicado para escapar da doença.

Assim, a calendarização da semeadura é a determinação de uma data limite para semear a soja na safra.

Se você realizar a semeadura tardia, a sua cultura de soja pode receber inóculo nos estádios iniciais de desenvolvimento da planta, com isso, desenvolve a doença mais cedo e precisa de mais aplicações de fungicidas.

Por isso, o objetivo desta prática é reduzir o número de aplicações de fungicidas, e com isso, diminuir a pressão de seleção de resistência do fungo aos fungicidas.

Na figura abaixo, você encontra os estados que realizam a calendarização e a data.

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(Fonte: Embrapa)

3. Monitoramento da sua cultura e monitoramento de focos da ferrugem asiática na região

É muito importante você monitorar a sua lavoura para definir o momento ideal do controle.

Para o monitoramento da ferrugem no campo primeiramente olhe as folhas na parte superior e observe se há pontos escuros.

Depois, utilize uma lupa e observe à parte inferior (face abaxial) das folhas se há a presença de saliências (urédias).

Quando as urédias liberam os esporos, está fica com aspecto de “vulcão”.

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Urédias da ferrugem asiática da soja
(Fonte: APSNET)

Dessa forma, quanto antes você perceber que a sua lavoura está doente, mais cedo irá controlá-la e menos perdas a doença irá causar.

Para te ajudar no diagnóstico da doença, você pode procurar uma clínica fitopatológica ou um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).

Quer saber como identificar sobre outras ferrugens? Veja este texto que escrevi: O combate às ferrugens: controle essas doenças nas culturas do milho e soja.

Nesse sentido de monitoramento, o Consórcio antiferrugem é uma ótima estratégia. Neste site, você consegue ver como está a ocorrência da ferrugem no país. Esses dados são interessantes para acompanhar a doença na sua região.

Você pode acessá-lo também para registrar a ocorrência da doença em sua propriedade, ajudando outros produtores.

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(Fonte: Consórcio antiferrugem)

4. Controle químico

O controle com fungicidas pode ser utilizado de maneira preventiva ou no aparecimento de sintomas, por isso, é importante o monitoramento da sua lavoura.

Você pode encontrar os fungicidas registrados para a ferrugem asiática no Agrofit.

Um estudo muito interessante que a Embrapa realizou é sobre a eficiência de fungicidas para o controle da ferrugem asiática.

Neste estudo foram realizados ensaios com os fungicidas nas principais regiões produtoras de soja do país.

Foram também avaliadas a severidade da doença, a porcentagem de controle (C) em relação à testemunha (sem fungicida), a produtividade e a porcentagem de redução de produtividade (RP) na safra 2017/18.

Este estudo pode te ajudar a definir qual o melhor fungicida em relação a menor severidade da doença (valores do final da tabela) e a melhor produtividade.

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Você pode encontrar o nome comercial e a empresa dos fungicidas acessando o trabalho.
(Fonte: Embrapa)

Além disso, já foram relatados redução da eficiência de fungicidas para controle da ferrugem asiática.

Os grupos de fungicidas que apresentaram essa redução da eficiência foram: carboxamidas, triazóis e estrobilurina isolada.

Isso mostra como é importante medidas para prevenir a pressão de seleção do fungo com a utilização de fungicidas.

As principais medidas são:

  • Uso de fungicidas com diferentes modos de ação;
  • Redução de excessivas aplicações de fungicidas;
  • Calendarização da semeadura.

>>Veja também: “4 Principais inseticidas para combater pragas de grãos

5. Cultivares resistentes ou variedades mais tolerantes

Já foram lançadas algumas tolerantes e há pesquisa por cultivares resistentes por empresas ou instituições de pesquisa, mas é ainda um número limitado.

Um exemplo é a Embrapa e a Fundação Meridional de Apoio à Pesquisa lançaram em fevereiro de 2018 a variedade BRS 511, que promete retardar o avanço da ferrugem na soja.

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6. Integração de vários métodos para o manejo

Muitas vezes quando se fala em controle de doenças da soja, o primeiro manejo que vem a cabeça é o controle químico.

Este tipo de controle é muito importante, mas não se esqueça que tem outros tipos de estratégias  que podem ser utilizadas e comentamos no texto.

Por isso, a minha sexta dica é sobre a utilização de diversas formas de controle.

Tente utilizar na sua lavoura o maior número de manejos que discutimos neste texto, com isso, você previne a redução da eficiência de fungicidas e de plantas resistentes.

Além disso, com a tecnologia na agricultura é provável que nos próximos anos tenhamos mais opções de controle.

Um exemplo disso é a vacina contra ferrugem asiática da soja que a startup Gênica (Piracicaba-SP) está desenvolvendo.

O produto promete ativar alguns genes da planta, fazendo com que a mesma combata o fungo, sendo previsto o lançamento para 2020.

E, para finalizar, preparei um checklist para você utilizar no manejo da ferrugem asiática da soja:

Checklist do manejo da ferrugem asiática da soja

  • Faça um planejamento agrícola com todas as medidas de controle para a doença, inclusive época de monitoramento, tipos de fungicidas com diferentes mecanismos de ação, e outros. Essa gestão é fundamental para o bom controle não só da doença, mas de todas as atividades agrícolas;
  • Sempre monitore a lavoura procurando identificar  a ferrugem asiática da soja. Se necessário, peça auxílio para um(a) engenheiro(a) agrônomo(a);
  • No planejamento das atividades da sua propriedade lembre-se de monitorar a sua lavoura de soja;
  • Cumpra o Vazio Sanitário de acordo com o seu estado;
  • Identifique se sua região tem o período de calendarização da semeadura e realize o plantio de variedades precoces;
  • Identifique quais os fungicidas você pode utilizar de acordo com dados de redução da severidade da doença, produtividade da cultura e custo;
  • Avalie a possibilidade de utilizar variedades resistentes ou tolerantes na instalação da cultura;
  • Anote as suas atividades, custos e a produtividade da sua lavoura, para te auxiliar na gestão da sua propriedade.

Lembre-se também que o conhecimento das doenças que podem ocorrer na sua cultura é essencial para o planejamento da sua propriedade.

Conclusão

Aqui discutimos sobre a importância e o histórico de ocorrência da ferrugem asiática no Brasil.

Também falamos sobre a identificação da doença no campo, o ciclo e as condições favoráveis para a ocorrência da doença.

Depois de conhecer mais sobre a doença, vimos 6 dicas cruciais para o seu manejo, como a calendarização da semeadura, os principais fungicidas e outros.

E, para complementar, mostramos um checklist para colaborar ainda mais com o manejo da doença.

Agora é só colocar essas dicas em prática e reduzir a ferrugem asiática na sua lavoura!

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Como você identifica a ferrugem asiática da soja na sua lavoura? Quais manejos da ferrugem asiática você utiliza na sua propriedade? Têm dúvidas sobre os tipos de manejo da doença? Adoraria ver seu comentário abaixo.