Melhoramento genético do milho: entenda as diferenças entre variedades e híbridos, novas tecnologias e mais!

Na hora de escolher as sementes, é comum se deparar com uma diversidade de materiais e tecnologias. E muitas vezes não dá para saber as diferenças entre eles!

Mas entender como usar essas tecnologias para suprir suas necessidades impacta muito a produtividade.

Você conhece a diferença entre os híbridos de milho disponíveis? Sabe o que os transgênicos possuem para serem resistentes a insetos e tolerantes aos herbicidas? Confira essas e outras informações sobre melhoramento genético do milho a seguir!

Histórico do melhoramento genético do milho

O melhoramento genético do milho no Brasil teve destaque em 1939, com o primeiro híbrido duplo desenvolvido pelo Instituto Agronômico de Campinas. Ele possibilitava o dobro de produção em comparação com as variedades da época.

A partir desse evento, empresas começaram a investir em pesquisas genéticas para criarem novos híbridos com melhor desempenho em campo.

Já no início do século 21, os milhos transgênicos foram liberados no Brasil. Desde então, a cada ano vão surgindo novos materiais visando altas produtividades, resistentes a pragas e a herbicidas, por exemplo, e possibilitando o cultivo da safra ou safrinha.

Isso aumentou o leque de opções de sementes de milho no mercado, dificultando muitas vezes saber qual o melhor híbrido utilizar.

ilustração de Teosinto ancestral do milho e do milho moderno

Teosinto ancestral do milho 
(Fonte: CIB)

Milho: variedades e híbridos

Variedades

Uma variedade consiste em plantas com características genéticas iguais, que são obtidas com polinização aberta. 

Plantas de milho provenientes de variedade tendem a produzir menos que os híbridos. Além disso, as sementes têm menor custo por possuírem menos tecnologia. 

Por esse motivo, as variedades são comumente utilizadas por pequenos produtores com pouco investimento em sua propriedade.

Se necessita produzir sua semente para uso pessoal, exclusivamente na próxima safra, deve utilizar milho variedade. 

Contudo, lembre-se de seguir a legislação e que a qualidade da semente não é a mesma que sementes certificadas!

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Híbridos

Os híbridos são resultantes de cruzamentos realizados por melhoristas, utilizando pais com caracteres hereditários diferentes. Podem ser produzidos híbridos simples, duplos e triplos.

Os híbridos são indicados de acordo com a tecnologia que você utiliza em sua propriedade.

Híbrido simples

O melhoramento genético do milho de híbrido simples é por cruzamento entre duas linhagens puras. 

Por serem linhagens endogâmicas, a produção de sementes é baixa. Com isso, têm alto valor de mercado.

Caso você seja um produtor que gosta de investir em altas tecnologias, essa pode ser uma ótima opção!

Dos híbridos, os simples são potencialmente mais produtivos, com plantas e espigas mais uniformes.

Híbrido duplo

É obtido pelo cruzamento de dois híbridos simples, ou seja, quatro linhagens puras.

Considerando o início do melhoramento genético na obtenção das linhagens, são necessários dois anos para se ter sementes de milho de híbrido duplo.

No primeiro ano, cruzam-se duas as linhagens puras (A x B) e (C x D), que darão origem às sementes básicas para, no próximo ano, obter o híbrido duplo.

Não são muito produtivos como os híbridos simples e triplos, porém, são amplamente utilizados pelo baixo preço em comparação com esses dois híbridos.

Se você não deseja ter um custo elevado em sementes, essa pode ser uma ótima opção!

Híbrido triplo

O cruzamento de um híbrido simples com uma terceira linhagem pura resulta em híbrido triplo. 

A produtividade do híbrido triplo é menor que do simples e maior a do duplo.

Apresentam boa uniformidade de plantas e são indicados para áreas que possuem de média a alta tecnologia.

Esquema de obtenção de híbridos simples, duplos e triplos

Esquema de obtenção de híbridos simples, duplos e triplos
(Fonte: adaptado de Geagra)

Biotecnologia: transgenia do milho

O melhoramento genético do milho, há alguns anos, abriu novas portas com início da comercialização de cultivares de milho transgênicos.

A transgenia é um processo no qual os melhoristas alteram o material genético de uma espécie, introduzindo um ou mais genes específicos de outras espécies.

Em milho, em alguns híbridos e variedades de alto potencial produtivo foram inseridos genes específicos de resistência a herbicidas e insetos.

Milhos transgênicos tolerantes aos herbicidas

O Milho RR possui no seu material genético um segmento de DNA da bactéria Agrobacterium spp, que confere às plantas de milho a tolerância ao herbicida glifosato.

Com o novo gene (cp4 epsps), a enzima produzida pela planta é insensível ao herbicida, de modo que a produção dos aminoácidos aromáticos na rota do ácido chiquímico será normal e a planta não será afetada. 

Rota de ação do glifosato em plantas convencionais e transgênicas

Rota de ação do glifosato em plantas convencionais e transgênicas
(Fonte: Pioneer)

Milho com tecnologia LibertyLink® possui tolerância ao glufosinato de amônio devido à inserção do gene pat, que expressa uma enzima responsável por catalisar a conversão do glufosinato em um produto não tóxico.

A tecnologia Enlist® confere às plantas tolerância aos herbicidas 2,4 D, glufosinato de amônio e glifosato devido à inserção de genes cp4 epsps (glifosato), pat (glufosinato) e aad-12 (2,4D).

Fique sempre atento ao utilizar soja RR seguida por milho RR. Nesses casos, um bom manejo é essencial para que o milho tiguera não prejudique a cultura posterior.

Milhos transgênicos resistentes aos insetos

A primeira tecnologia a surgir nesse segmento foram os milhos Bt, no qual as plantas possuem em seu DNA a delta-endotoxinas (proteínas Cry) da bactéria Bacillus thurigiensis.

Essas proteínas possuem propriedades inseticidas específicas que atacam o sistema digestório de lepidópteros.

No mercado há cultivares que têm maior espectro no controle devido às sementes possuírem em seu material genético mais de uma proteína Cry como:

  • Yield Gard® proteína Cry1Ab que confere resistência às brocas (Ostrinia nubilalis e Sesamia nonagrioides);
  • YieldGard VTPro® proteínas Cry1A.105 e Cry2Ab2 resistente a lagarta-do-cartucho, lagarta-da-espiga e broca do colmo;
  • Leptra® proteínas Cry1Ab, Cry1F e Vip3Aa20, com controle de lagarta-do-cartucho, lagarta elasmo, lagarta eridania, lagarta-da-espiga e lagarta-rosca.

Milhos transgênicos tolerantes a herbicidas e resistentes aos insetos

Com avanço tecnológico, pesquisadores de melhoramento genético foram desenvolvendo novos cultivares transgênicos com presença de genes tolerantes a herbicidas e resistentes a pragas. Veja alguns a seguir:

  • PowercoreTM resistência ao glifosato, ao glufosinato de amônio, broca do colmo e lagartas do cartucho, da espiga, elasmo, rosca e das vagens.
  • Viptera – resistência ao glifosato e lagartas do cartucho, da espiga, rosca e elasmo.
  • VT PRO3 – resistência ao glifosato, broca do colmo e lagartas do cartucho, da espiga e elasmo.

Observe na figura abaixo os eventos transgênicos utilizados na safra 2019/2020 e a porcentagem de uso:

tabela com eventos transgênicos utilizados na safra 2019/2020 e a porcentagem de uso

(Fonte: Embrapa)

Com uso de milhos transgênicos você tem vantagens como:

Como principais des desvantagens podemos citar:

  • alto custo das sementes;
  • pouca variabilidade genética, que se não manejada adequadamente pode ocorrer perda do melhoramento;
  • tempo de desenvolvimento de novos materiais;

Observe as principais pragas e plantas daninhas em sua área e escolha o material que mais se adeque à sua região e necessidades!

Melhoramento genético do milho: saiba como manter essa tecnologia viável

As boas práticas agrícolas devem ser realizadas em todas as culturas, independentemente do uso de híbridos ou variedades transgênicos.

Você deve realizar os manejos recomendados para prolongar a eficácia e durabilidade das tecnologias desenvolvidas.

Para isso, faça sempre o Manejo Integrado de Pragas (MIP) e Manejo de Resistência de Insetos (MRI)! 

Conclusão

Neste artigo você viu os tipos de melhoramento genético existentes para a cultura do milho.

Acompanhou como ocorrem os cruzamentos para obtenção de híbridos e a diferença entre híbridos simples, duplos e triplos.

Além disso, conferiu as principais transgenias inseridas nas cultivares de milho e modos de atuação.  

Vale lembrar que, com o avanço tecnológico, os melhoristas sempre obterão novos materiais para o campo com cada vez mais tecnologia! É importante estar atento às novidades.

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Quais tecnologias do melhoramento genético do milho você considera mais importante? Ficou alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!