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Evite a rebrota da planta de algodão com esses 2 tipos de manejos

- 7 de fevereiro de 2019

Planta de algodão: Saiba como fazer o manejo químico e mecânico da soqueira e reduza a incidência de pragas e doenças na lavoura.  

A destruição da soqueira é uma prática essencial na cultura do algodão para interromper o ciclo de pragas e doenças.

Mas, você sabe como são os manejos mais adequados para evitar a rebrota?

Neste artigo, separamos os detalhes de tratamentos que trazem bons resultados. Confira a seguir!

Por que é necessário destruir a planta de algodão após a colheita

A planta de algodão é usada, pelo menos, desde 4.500 anos a.C.. Atualmente a produção mundial tende a aumentar para 121,97 milhões de fardos na safra 2018/19.

Nesse sentido, o Brasil também vem elevando sua produção e, junto com ela, a preocupação com seu manejo.

Depois que colhemos o algodão em pluma, é preciso se preocupar com a destruição dos restos culturais. Isso porque o algodão é uma planta que após sua colheita pode rebrotar e continuar ocupando a área.

Esta prática é feita para reduzir doenças e a população de pragas do algodão (Gossypium hirsutum L.)

As principais pragas do algodão alvos dessa prática são:

  • Bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis);
  • Lagarta-rosada (Pectinophora gossypiella);
  • Broca-da-raiz (Eutinobothrus brasiliensis);
  • Ramulose (Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides);
  • Mancha-angular (Xanthomonas axonopodis pv. malvacearum);
  • Doença-azul (Cotton leafroll dwarf virus).

Outras pragas controladas com a destruição das soqueiras são algumas espécies de lagartas como as do gênero Helicoverpa spp.

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Bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) é a principal praga da planta de algodão que vem preocupando todo o mundo
(Fonte: Sebastião Araújo/Embrapa – Informativo Técnico Nortox)

O controle de insetos-praga do algodoeiro nos Estados Unidos, por exemplo, é um dos fatores que mais onera os custos de produção.  

E estudos científicos mostraram que a destruição de soqueiras possibilita redução de mais de 70% da população dos insetos que sobrevivem ao período de entressafra.

Para isso, são necessários pelo menos 60 dias sem planta de algodão no campo.

Assim, todo ano, o vazio sanitário ocorre entre o prazo final legal para destruição de soqueiras e início do calendário de semeadura da nova safra.

Quais métodos podem ser adotados para o manejo?

Existem dois manejos principais que podem ser feitos para evitar a rebrota da planta de algodão. São eles o manejo químico e o mecânico.

O manejo químico da soqueira do algodão é realizado com herbicidas, o qual é responsável por eliminar restos culturais sem revolvimento do solo.

Já o manejo mecânico é realizado através do arranquio da soqueira.

Ambos podem ser feitos nas mais diversas variedades de algodão(espécies nativas, cultivo de algodão colorido, etc.). Vou falar mais especificamente sobre os dois:

Como fazer o manejo químico

Os dois herbicidas mais utilizados na destruição química das soqueiras são o  glifosato e o 2,4-D.

Esses produtos possuem ação sistêmica dentro da planta e são transportados pelos vasos condutores até as raízes. Para a destruição química você deve atentar-se a qual tecnologia está no campo.

Para algodão convencional ou com melhoramento genético (LL®), os herbicidas mais utilizados são glifosato e 2,4-D.

Já para RF® e Glytol® (resistentes ao glifosato), a opção seria o uso de 2,4-D.

Outra boa opção é fazer a roçada das plantas com posterior aplicação de herbicida.

Observe abaixo o trabalho realizado por Andrade Junior et al. (2015).

Os autores testaram 15 tratamentos, incluindo os herbicidas 2,4-D, glifosato, glufosinato, carfentrazone, saflufenacil e flumiclorac.

A conclusão do trabalho é que a aplicação de 2,4-D logo após a roçada é fundamental e que é necessário realizar uma segunda aplicação sobre as rebrotas (ramos com cor verde).

Os melhores resultados foram obtidos com 2,4-D + Radiant, 2,4-D + Aurora, 2,4-D + Finale e 2,4-D + Heat.

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(Fonte: Andrade Junior et al. (2015))

Em outro trabalho, Sofiatti et al. (2015) estudaram a destruição de soqueiras na cultivar IMA 5675B2RF, resistente ao herbicida glifosato.

Os autores observaram que os melhores tratamentos foram aqueles em que se empregou o manejo mecânico.

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(Fonte: Sofiatti et al., 2015)

Observe o gráfico abaixo e entenda melhor os resultados alcançados pelos autores:

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(Fonte: Miranda e Rodrigues Adaptado de Sofiatti et al. (2015))

Já em trabalho realizado por Ferreira et al. (2015), os autores observaram que os melhores tratamentos foram para aplicações sequenciais:

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(Fonte: Miranda e Rodrigues (2015))

Como fazer a destruição mecânica da planta de algodão

Este tipo de manejo é muito utilizado em toda área onde é cultivado algodão, mas é especialmente importante naquelas mais voltadas à preocupação ao meio ambiente, como o cultivo orgânico.

Existem hoje vários implementos agrícolas que você pode optar para realizar a destruição mecânica.

Sua escolha deverá ser baseada nos manejos adotados na sua lavoura, principalmente se você adota práticas conservacionistas do solo. Vou te mostrar algumas opções:

1 – Arrancador de discos em “V”

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(Fonte: Valdinei Sofiatti, Pesquisador da Embrapa Algodão)

2 – Arrancador de discos

  • É acoplado ao hidráulico do trator;
  • Seus órgãos ativos são discos lisos côncavos;
  • Profundidade de 8 cm a 15 cm;
  • Alta eficiência no arranquio das plantas previamente roçadas;
  • Há formação de sulcos e camaleões.

3 – Cortador de plantas

  • Acoplado à barra de tração do trator;
  • Para cada linha de algodoeiro previamente roçada, possui dois discos que atuam aos pares;
  • Os discos apresentam certa angulação para favorecer sua penetração no solo;
  • Profundidade de trabalho de 3 cm a 5 cm;
  • As plantas são cortadas na região do colo;
  • Excelente eficiência na destruição da soqueira;
  • Baixo revolvimento do solo.

4 – Matabrotos-algodão

  • As plantas precisam estar roçadas;
  • Possui hastes com lâminas horizontais, que vão trabalhar no perfil do solo;
  • Trabalha a uma profundidade entre 20 cm e 35 cm;
  • Corta a raiz pivotante do algodoeiro e desestabiliza as secundárias.
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(Fonte: Saul Carvalho)

5 – Destroyer (destruidor de touceira)

  • É um combinação de um subsolador com um rotor picador de palha;
  • Também conhecido por triton ou trincha;
  • O rotor picador destrói a parte aérea da planta;
  • As hastes com lâminas horizontais (que ficam na parte de trás) vão atuar no perfil do solo;
  • Profundidade entre 20 cm e 30 cm;
  • Em uma única passada, faz todas as operações necessárias à destruição das plantas.

6 – Roçadeira ou triton + grade aradora

  • Corta e estraçalha a parte aérea da planta de algodão;
  • Facilita a incorporação dos restos culturais ao solo;
  • Na próxima operação utiliza a grade aradora;
  • Mobiliza e revolve o solo até a profundidade de 10 cm a 12 cm;
  • Pode precisar de até três passadas com a grade aradora, e outra, com a niveladora;
  • Pode favorecer a formação de camadas compactadas;
  • Os discos pulverizam em excesso o solo.

7 – Cotton Mil

  • Atrelado à barra de tração do trator;
  • É um disco côncavo e liso que atua sobre a linha do algodão;
  • Pequenas profundidades (a partir de 1 cm);
  • O implemento arranca ou corta as plantas previamente roçadas, ocasionando pequenos sulcos;
  • Pequena mobilização do solo;
  • Na parte frontal possui discos lisos e planos para cortar os resíduos.

8 – Arrancador-triturador de soqueira

  • Na parte frontal possui um rotor picador de palha;
  • Na parte traseira possui uma barra porta-ferramentas acoplada a um disco liso côncavo;
  • As plantas são arrancadas e deslocadas para as laterais do disco;
  • Profundidade de trabalho entre 6 cm e 10 cm;
  • Deixa a superfície do solo com desníveis;
  • Realiza em uma única passada todas as operações necessárias à destruição das plantas.

9 – Destruidor de plantas

  • Acoplado à barra de tração do trator;
  • Sistema hidráulico próprio (não usa o sistema hidráulico do trator);
  • Corta as plantas na região do colo;
  • Profundidade de trabalho entre 3 cm a 5 cm;
  • O solo é pouco mobilizado pelos discos;
  • Excelente eficiência na destruição das plantas.

10 – Destruidor de plantas Cotton 100

  • Acoplado à barra de tração do trator;
  • Cada unidade destruidora possui um disco de corte vertical (corta o sistema radicular das plantas);
  • Esteira arrancadora: as plantas são retiradas do solo e conduzidas a uma faca;
  • A faca separa a raiz do restante da planta;
  • As partículas são padronizadas e lançadas ao solo.

Observe a tabela abaixo e verifique a comparação entre os implementos para destruição de soqueiras:

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(Fonte: Silva (2006))

Conclusão

A área plantada e produção de algodão (de fibras curtas e médias principalmente) aumentou no país nos últimos anos. Mas a rebrota da soqueira pode reduzir a produção algodoeira.

Neste texto foram discutidos os principais tipos de manejo para evitar essa situação.

Você pôde conferir também quais herbicidas são mais eficazes para a destruição química e os implementos indicados para destruição mecânica dos restos culturais.

A destruição da soqueira reduz pragas agrícolas e doenças para tornar sua lavoura mais rentável.

Então, agora que você já sabe as recomendações de uso, pode fazer a escolha mais adequada à sua propriedade!

>>Leia mais:

Como evitar e combater a mela do algodoeiro em sua lavoura

Você tem dicas sobre o manejo da soqueira da planta de algodão? Restou alguma dúvida? Baixe aqui uma planilha gratuita e estime a produtividade da sua próxima safra de algodão!

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