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Plantas daninhas do arroz: como planejar o manejo e os métodos de controle químicos e alternativos para sua lavoura!

Fazer um controle eficiente de plantas daninhas não é tarefa simples. É preciso identificar as invasoras, saber qual o melhor momento para manejo e quais métodos são mais eficientes, não é verdade?

O ideal é sempre monitorar a lavoura para entender quais espécies predominam e dar prioridade na hora do controle. 

Especialmente no arroz, o manejo de algumas daninhas pode ser mais difícil. Por isso, separamos algumas informações que vão te ajudar a fazer esse trabalho de forma mais efetiva. Confira!

1 – Arroz vermelho (Oryza sativa L.) 

O arroz vermelho possui grande importância para a cultura do arroz, principalmente na região sul do Brasil.

Essa planta daninha pertence à mesma espécie do arroz cultivado, o que dificulta no momento do controle.

A principal diferença entre as duas espécies está na coloração do pericarpo. No arroz vermelho, ele apresenta uma cor avermelhada. 

Além disso, essa planta daninha apresenta como principais características:

  • sementes com dormência;
  • colmos finos;
  • ciclo mais longo;
  • plantas maiores;
  • pálea e lema com variação de cor;
  • folhas de cor verde-claro e decumbentes;
  • deiscência precoce das espiguetas.

Contudo, no campo, essa diferenciação é muito difícil.

Por pertencerem à mesma família botânica, as condições climáticas podem favorecer o crescimento e desenvolvimento da cultura e da planta daninha. 

Estudos demonstram que a presença de arroz vermelho na lavoura do arroz cultivado pode reduzir consideravelmente o potencial de rendimento da cultura.

Um exemplo prático é que uma população de 20 plantas de arroz vermelho por m2, convivendo com o arroz cultivado por 120 dias, pode reduzir a produtividade da cultura em 68%.

foto de Arroz vermelho (Oryza sativa L.)

Arroz vermelho (Oryza sativa L.)
(Fonte: Planeta Arroz)

Recomendações de manejo para o arroz-vermelho

Para minimizar a infestação de sua lavoura de arroz com o arroz vermelho, é fundamental alguns cuidados, como:

Uso de sementes certificadas

A utilização de sementes não certificadas é um dos principais modos de dispersão do arroz vermelho no arroz cultivado. 

Por isso, é essencial que você utilize sementes de boa procedência. Assim, você garante que está utilizando sementes de qualidade e sem a presença de plantas nocivas.

Escolha da cultivar

Escolha cultivares de ciclo precoce, visando reduzir a infestação de sementes de arroz vermelho em sua propriedade.

Assim, a colheita do arroz será realizada antes das plantas de arroz vermelho atingirem maturação fisiológica. Deste modo, você estará, inclusive, reduzindo o banco de sementes dessa planta daninha.

Outro detalhe bastante importante é a escolha de cultivares Clearfields (mutagênicos), que permitem o controle químico do arroz vermelho, uma vez que essas cultivares possuem resistência aos herbicidas do grupo das imidazolinonas.

Rotação de culturas

A rotação de culturas é essencial para melhorar qualquer sistema produtivo, auxiliando inclusive na redução de banco de sementes de arroz vermelho.

Atualmente, as culturas mais utilizadas no sistema de rotação de cultura do arroz são soja e milho.

Controle químico 

Devido à grande semelhança entre esta planta daninha e o arroz, existem poucas opções que podem ser utilizadas para controle químico. 

  • Imazapic + imazethapyr (cultivares Clearfield)
  • glifosato
  • paraquat
  • oxadiazon
  • oxyfluorfen

Os manejos alternativos, como uso de sementes certificadas, escolha da cultivar e rotação de culturas, também serão efetivos para outras daninhas. Por isso, nos próximos tópicos, vamos citar apenas o controle químico para elas.

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2 – Capim-coloninho (Echinochloa colona)

O capim-coloninho é uma planta daninha de ciclo anual, herbácea, ereta, glabra (sem presença de “pilosidades”) e muito entouceirada.  

É muito frequente em solos úmidos ou inundados, porém tolera solos enxutos, como nos cultivos de sequeiro. 

É hospedeira alternativa para o nematoide Meloidogyne incognita, conhecido como nematoide das galhas

foto de Capim-coloninho (Echinochloa colona)

Capim-coloninho (Echinochloa colona)
(Fonte: Moreira e Bragança, 2010)

Recomendações de manejo para capim-coloninho

As opções de manejo químico para o capim-coloninho registradas para o arroz são: 

  • cialofope
  • quizalofop
  • clomazone
  • glifosato
  • imazapic
  • trifluralina
  • flourfiroxifen
  • oxadiazon

3 – Capim-arroz (Echinochloa crus-galli)

O capim-arroz é dividido em três variedades no Brasil: crus-galli, crus-pavonis e mitis.

Essas plantas daninhas estão entre as mais frequentes em cultivos de arroz irrigado, ocorrendo ocasionalmente em áreas de sequeiro. Possuem ciclo anual, são eretas, herbáceas, podendo ser entouceiradas ou glabras, dependendo da variedade. 

O que dificulta o controle desta planta daninha são os casos de resistência presentes nas lavouras de arroz do Brasil. Veja:

  • 1999 – resistência ao herbicida quincloraque;
  • 2009 – resistência a imazethapyr, bispyribac, quincloraque e penoxsulam;
  • 2015 – resistência aos herbicidas cialofope, quincloraque e penoxsulam. 
foto de Capim-arroz (Echinochloa crus-galli) - plantas daninhas do arroz

Capim-arroz (Echinochloa crus-galli)
(Fonte: Agrolink)

Recomendações de manejo para capim-arroz

As opções de manejo químico para o capim-arroz registradas para o arroz são: 

  • trifluralina
  • glifosato
  • cialofope
  • clomazone
  • paraquate
  • propanil
  • florfiroxifen
  • quizalofop
  • penoxsulam 
  • oxadiazon
  • quincloraque
  • bispyribac

4 – Capim-colchão (Digitaria ssp.)

No Brasil existem três espécies de gramíneas que são comumente conhecidas como capim-colchão: Digitaria horizontalis, Digitaria ciliaris e Digitaria sanguinalis, que pertencem à família Poaceae.

A espécie D. horizontalis é a mais frequente no país, infestando principalmente lavouras anuais e perenes. Ocorre, geralmente, em populações mistas com D. ciliaris. 

Já a espécie D. sanguinalis é bem menos frequente, ocorrendo em maior intensidade no sul do país.

Essas espécies tem ciclo anual, são herbáceas, eretas ou decumbentes e entouceiradas. 

Recomendações de manejo do capim-colchão

As opções de manejo químico para o capim-colchão registradas para o arroz são:

  • glifosato
  • trifluralina
  • cialofope
  • propanil
  • quizalofop
  • fenoxaprop
  • oxadiazon

5 – Trapoeraba (Commelina benghalensis)

É uma planta daninha de ciclo perene, semi-prostrada e de caules suculentos. 

A trapoeraba infesta lavouras anuais e perenes em todo o país, porém, tem preferência por solos férteis com boa umidade e sombreados. 

Recomendações de manejo para trapoeraba

A trapoeraba é considerada uma planta de difícil controle, pois possui mecanismos que prejudicam a absorção de herbicidas.

Por isso, seguir as boas práticas de aplicação, não usar baixos volumes e ter um bom adjuvante são a chave do controle dessa planta daninha. 

As opções de manejo químico para o trapoeraba registradas para o arroz são:

  • 2,4 D 
  • metsulfuron
  • bentazon
  • imazamox

Conclusão

As plantas daninhas podem ser uma dor de cabeça para a produção do arroz, mas é possível ter um controle bastante eficiente e evitar prejuízos na lavoura.

Nesse artigo, vimos as particularidades de 5 das principais plantas daninhas do arroz. Também mostramos as opções de manejo que são mais eficazes no controle dessas invasoras.

Falamos também sobre alternativas de manejo para as invasoras que já tem casos de resistência registrados.

Aproveite essas informações e faça um manejo mais eficiente em sua lavoura!

Quais plantas daninhas do arroz são mais frequentes na sua região? Aproveite e baixe aqui um guia mais completo para Manejo de Plantas Daninhas na lavoura!