Potássio para milho: Sintomas de deficiência, parcelamento de adubação e época de aplicação na lavoura.

Para uma alta produtividade, a lavoura depende de vários fatores, entre eles a oferta adequada de nutrientes às plantas.

O potássio é um dos mais requeridos na cultura do milho e responsável pelo crescimento da plantação, formação de frutos, além da resistência a doenças fúngicas.

Fazer o manejo correto é essencial para um bom resultado. Neste artigo, vamos ver sintomas de deficiência e como fazer a correta adubação de potássio para milho. Confira a seguir:

Deficiência de potássio no milho

Sintomas de deficiência, muitas vezes são identificados por características expressas nas plantas. 

A localização de carência está relacionada à mobilidade do nutriente pela planta. No caso do potássio (K) no milho, ele é bem móvel na planta, o que permite a redistribuição facilmente para os órgãos mais novos.

Portanto, sintomas visuais de carência de potássio são notados em folhas mais velhas, que manifestam clorose nas pontas e margem das folhas, com posterior secamento, necrose (queima) e dilaceração de tecido. 

As espigas de plantas com deficiência de K são de tamanho reduzido. Geralmente, apresentam-se pontiagudas e com enchimento incompleto de grão nessa extremidade. 

Outro sintoma é o encurtamento dos internódios do colmo. Quando muito agravada a carência, as folhas novas podem demonstrar clorose internerval, sintoma parecido com a deficiência de ferro. Veja:

sintomas de deficiência milho

Sintomas de deficiência de potássio para milho
(Fonte: INPI)  

Outro parâmetro (mais preciso) utilizado para averiguar a deficiência de potássio é a utilização de análise da folha. 

Esse método, baseia-se na comparação dos teores que contêm nas folhas com os que são adequados, como mostra a tabela abaixo: 

potássio para milho

(Fonte: CCPran

Mas podemos utilizar qualquer folha para fazer essa análise química?

Não! No caso do milho, utilizamos a folha inteira oposta e abaixo da primeira espiga (superior), excluída a nervura central, coletada por ocasião do aparecimento da inflorescência feminina (embonecamento). 

E porque nessa época? Devido às seguintes ponderações:

a) O estádio de desenvolvimento e a posição da folha são facilmente reconhecidos;

b) A remoção de uma simples folha não afeta a produção

c) O efeito de diluição dos nutrientes nessa fase é mínimo;

d) O requerimento de nutrientes é alto nessa fase. 

Recomenda-se a utilização de 30 folhas/ha quando 50% a 75% das plantas estiverem embonecadas. 

Para que serve o potássio no milho?

Sabemos que o potássio é o nutriente mais absorvido em quantidades pelo milho, ficando atrás somente do nitrogênio. 

O potássio para milho, em níveis adequados, propicia:

  • Formação de folhagem sadia, verde; 
  • Atua na regulação estomática;
  • Ativa inúmeras enzimas;
  • Melhora o crescimento radicular; 
  • e, por consequência de todas essas características, aumenta o rendimento. 

Além disso, o potássio no milho ainda é importante na fotossíntese, formação de frutos, resistência ao frio e a doenças fúngicas. 

O potássio possui ainda uma relação com a resistência física da planta. Em solos que suprem a demanda de K da planta, a cultura tem redução dos problemas de colmo e tombamento. 

Adubação de potássio para milho silagem

Recomendações de adubação são sempre feitas, tomando como referência os dados da análise de solo!

Com essas informações em mãos, devemos analisar em qual classe se encontra o solo quanto a esse nutriente. Veja a tabela de recomendações abaixo: 

adubação potássica milho

Recomendação de adubação potássica para a cultura do milho com base em análise de solo
(Fonte: CCPran)

Em seguida, deve-se ter em mente qual é a produtividade desejada desse milho silagem. 

As dosagens recomendadas são sempre feitas baseadas na produtividade esperada, como mostra a tabela a seguir: 

potássio para milho

Recomendação de adubação para milho destinado à produção de forragem, com base em resultados de análise de solo e produtividade esperada.
(Fonte: Embrapa

Em estudos, pôde-se notar aumento de produção de até 100% em solos com teores considerados baixos apenas adicionando de 120 kg a 150 kg de K2O/ha. 

E será que posso aplicar isso tudo de uma só vez? A seguir explico melhor!

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Parcelamento da adubação e época de aplicação de potássio para milho

A absorção mais intensa do potássio para milho ocorre nos estágios iniciais de crescimento da cultura. 

No milho, percebe-se que essa absorção ocorre entre os 60 e 70 dias. Nessa fase, o milho já acumulou cerca de 50% de matéria seca e já absorveu 90% de toda a sua demanda potássica.

plantas de milho Embrapa

Acúmulo de matéria seca, nitrogênio, fósforo e potássio na parte aérea de plantas de milho.
(Fonte: Embrapa

Desta forma, recomenda-se a aplicação no máximo em até 30 dias após o plantio. Ou, se possível, todo no sulco do plantio do milho. 

Em solos muito deficientes desse nutriente, esse último tipo de aplicação permite maior concentração próximo às raízes. 

Porém, em situações onde a carência de nutriente é muito alta, a quantidade a aplicar é demasiada. 

Desta forma, recomenda-se parcelar a aplicação quando as dosagens forem superiores a 50 Kg/ha, aplicando um terço disso no plantio e o restante na cobertura.

A justificativa do parcelamento está associada ao efeito salino que esse adubo próximo à semente pode causar. Isso prejudica o estande de plantas, visto que provoca a “queima” da semente.

As adubações de cobertura podem ser fracionadas em uma ou duas aplicações, desde que esta ou estas sejam feitas entre os estágios fenológicos V3 e V6.

potássio para milho

Efeito do parcelamento do potássio e nitrogênio na produção de grãos e algumas características agronômicas do milho sob condições irrigadas .
(Fonte: INPI

Fonte mais utilizada e forma de utilização 

Em situações na qual o potássio existente no solo não supre a demanda que a planta tem de absorver, deve-se realizar aplicações com fontes de potássio.

A fonte de potássio mais utilizada tanto para cobertura quanto para plantio é o cloreto de potássio (KCl).

O KCl pode ser aplicado isoladamente ou, em casos práticos, pode ser misturado a alguma fonte nitrogenada sem que haja complicação. 

Até 50Kg/ ha, pode-se aplicar no sulco de plantio. Acima dessa quantidade, recomenda-se a aplicação a lanço.

Conclusão 

O potássio para milho tem resultado direto na produtividade da cultura. Desta forma, saber como manejar a dosagem aplicada é um ponto de sucesso de produção. 

Além de saber a quantidade, é importante conhecer os sinais de deficiência visual e interpretar os dados das análises foliares. 

E, por fim, estratégia de manejo como o parcelamento da adubação é algo que deve entrar no seu planejamento agrícola, buscando sempre a produção eficiente! 

>> Leia mais: “Calcule seu custo de produção de milho por hectare

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Restou alguma dúvida sobre o potássio para milho? O que achou das dicas? Gostaria da sua opinião!