Fósforo para milho: doses recomendadas e mais estratégias para potencializar sua produção com este nutriente. 

O sucesso na produção é baseado no equilíbrio do solo, da planta e do ambiente. 

No solo, quando os nutrientes estão em níveis adequados as plantas conseguem completar seu ciclo com excelência, o que resulta em ganhos produtivos. 

Quando falamos de nutrientes e produção em milho, jamais esquecemos do fósforo (P), essencial para a lavoura.

A seguir vamos mostrar como fazer as recomendações de fósforo para milho, quais os fatores de interferência e mais. Vamos lá!

Importância do fósforo para o milho 

É normal que a fertilidade de solos de clima tropical seja considerada baixa, com teores de fósforo bem reduzidos. 

Desta forma, a adubação mineral fosfatada permite explorar melhor o potencial produtivo da planta de milho, conseguindo aumentar a produtividade

O P está envolvido na fotossíntese, respiração, armazenamento e transferência de energia, divisão celular, crescimento das células, além de contribuir na qualidade do grão de milho

Sua disponibilização deve ser feita desde o início da cultura, pois plantas mais jovens apresentam maiores absorções, acarretando crescimento dinâmico e bom desenvolvimento de raízes. 

Porém, no milho o fósforo é um dos macronutrientes de menos exigências, ficando somente na frente do enxofre. Em estudos, relata-se que a planta de milho extrai cerca de 10 Kg de P para cada tonelada de grão produzido. 

Mas, por que grande parte do total de gastos com fertilizantes é devido ao fósforo? 

Bom, esse nutriente tem uma forte interação com as partículas sólidas do solo, o que o torna indisponível para a planta e ainda se relata que 80% a 90% do P absorvido é exportado para os grãos, o que requer reposição constante. 

Assim, para conseguir maximizar essa aplicação de fósforo, temos algumas dicas que você pode ver a seguir.

O que conhecer antes de estabelecer as doses de adubação?

1- Expectativa de produtividade

Conforme aumenta a produtividade, tem-se maior extração de fósforo e, portanto, precisamos fornecer maiores doses.

extração média de fósforo pelo milho

(Fonte: IPNI)

2- Análise de solo em toda safra

Conhecer a disponibilidade real do fósforo no solo exige que sejam feitas análises em toda safra, considerando também as manchas de solo.

Vemos alguns agricultores que fazem só a “receita de bolo” da dose de 400 kg/ha de NPK 08 28 16, ano após ano. 

Nos primeiros anos a receita dá certo, muito provavelmente devido aos teores naturalmente baixos de fósforo nos solos brasileiros.

Porém, com o passar do tempo e dependendo do tipo de solo, os teores de fósforo vão aumentar e não será mais necessário essa fórmula (que por sinal, é cara). 

Assim, podemos chegar em outras formulações mais baratas e que vão atender plenamente a produção, além de gerar economia no final da safra.

Também é necessário conhecer seu solo por meio dessas análises.

Por exemplo, se for uma área com maior teor de matéria orgânica, já sabemos que menos fósforo estará disponível para as plantas, já que o P é fortemente ligado a essas moléculas.

3- Condições climáticas

Volume de chuvas, temperatura, dentre outras condições climáticas, interferem na disponibilidade dos nutrientes. 

Quanto mais seco estiver, menos solução do solo temos para que a planta absorva água e nutrientes.

4- Objetivo da cultura

Se o milho é para semente, apenas produção de grãos ou silagem, as doses recomendadas de fósforo podem mudar.

Para silagem, além dos grãos, a parte vegetativa também é removida. Por isso, como mostra a tabela anterior, há alta extração e exportação de nutrientes.

Consequentemente, problemas de fertilidade do solo deverá se manifestar mais cedo na produção de silagem do que na produção de grãos.

No entanto, para fósforo em silagem não muda muito em termos de doses de adubação, já que 80% deste nutriente ficam nos grãos da espiga.

Extração média de nutrientes pela cultura do milho destinada à produção de grãos e silagem, em diferentes níveis de produtividades
(Fonte: Embrapa)

5- Momentos certos de aplicação

É importante conhecer como a planta de milho exporta e acumula fósforo na sua matéria seca, para que possamos saber o momento correto de disponibilizar o nutriente.

fósforo para milho

(Fonte: INPI)

Como suprir a demanda de fósforo do milho: Recomendações de adubação

Primeiro, verifique o nível de fertilidade que deve ser feito se baseando nos valores da análise de solo, podendo inferir se os teores de fósforo estão muito baixos, baixos, médios, altos ou muito altos, de acordo com o teor de argila.

Interpretação das classes de teores de fósforo nos solos e doses recomendadas para milho

Interpretação das classes de teores de fósforo nos solos e doses recomendadas para milho
(Fonte: Coelho e França; Embrapa e IPNI)

Feito isto, o produtor poderá vincular o teor com a produtividade desejada e desta forma conseguirá obter uma quantidade em kg/ha de P2O5 como mostrado nas tabelas a seguir.

Recomendações de fósforo no sulco de plantio
Recomendações de fósforo no sulco de plantio safrinha

Recomendações de fósforo no sulco de plantio
(Fonte: IPNI)

No entanto, existem outras estratégias de adubação que o produtor pode seguir.

Quais as estratégias de manejo do fósforo na sua lavoura de milho? 

A utilização eficiente dos fertilizantes fosfatados é resultante da interação de boas práticas que afetam diretamente a disponibilidade de P no solo e seu uso pelas plantas de milho.

Tanto o milho safra, quanto o safrinha e o para silagem existem três estratégias básicas de manejo.

A primeira consiste no aumento da disponibilidade do elemento no solo através da adubação corretiva, a segunda visa manter a fertilidade do solo pela adubação de manutenção e a terceira tem o intuito de reposição

Relação entre o rendimento relativo de uma cultura e o teor de um nutriente no solo
(Fonte: Recomendações de Adubação)

Dose corretiva: esta é utilizada quando se deseja elevar os teores de fósforo no solo até condições ótimas, ou seja, elevar a classe do teor de P com o intuito de ultrapassar o teor crítico.

Esse aumento de teor de fósforo não é tão fácil, devido ao comportamento desse nutriente quando estamos tratando da sua relação com os coloides do solo.

Desta forma, nota-se que nesse tipo de adubação são exigidos dosagens pesadas, visto que essa adubação servirá tanto para aumentar a disponibilidade de P no solo quanto para a planta suprir sua demanda. É aqui que fazemos a fosfatagem.

Essa estratégia é mais voltada para solos com baixa fertilidade, o que não é difícil de verificarmos aqui no Brasil.

Dose de Manutenção: é uma adubação na qual é utilizada para manter os níveis de fertilidade do solo para os anos subsequentes, sendo uma adubação baseada na extração da planta.  

Dose de Reposição: é uma adubação baseada somente na exportação da planta de milho, isto é, o quanto daquele nutriente é colhido em forma de produto devendo ser reposto.  

Como calcular as doses nessas outras estratégias de adubação?

De maneira geral, para esse tipo de adubação você deve apenas verificar a tabela de extração e exportação abaixo, pegar um valor de extração que ache mais correto dependendo do trabalho (ou a média deles) e multiplicar para a transformação de P2O5 (multiplicar por 2,29136). 

Nutrição de Safras

(Fonte: Nutrição de Safras)

Sem contar com a eficiência desse fertilizante, o que para P geralmente é apenas 20% devido à sua fixação no solo.

Por exemplo, para a dose de reposição:

Média de exportação pelo milho = 3,15 Kg de P por tonelada de grãos de milho.

Se eu pretendo produzir 10 toneladas de milho por hectare, então a cultura exportará 31,5 Kg de P.

Mas, como o fertilizante é em P2O5, tenho que multiplicar esse valor por 2,29:

2,29 x 31,5 = 72,2 Kg/ha

Como normalmente a eficiência é de apenas 20%, temos como dose final:

(100 x 72,2)/20 = 361 Kg/ha

Adubação de fósforo para milho em plantio direto e para milho safrinha

Diversos trabalhos mostram resultados de que o fósforo também pode ser aplicado a lanço no sistema de plantio direto sem perda de produtividade, mas desde que os níveis desse nutriente estejam adequados.

Outra dúvida que sempre fica é a questão de antecipar a adubação de fósforo na cultura de verão, esperando suprir a demanda de nutriente para o milho safrinha

Ressaltamos que isso é possível também sem perda de produtividade, mas há ressalvas. Nesse caso, isso só dá certo se o solo estiver com quantidades significativas de fósforo, sendo necessário apenas a adubação de exportação.

Se esse for o seu caso, então some a adubação de seu cultivo de verão (normalmente soja, na famosa dobradinha soja-milho) com a adubação de milho.

Conclusão 

Neste artigo vimos a importância crucial do fósforo para as lavouras de milho e ainda citamos como este nutriente auxilia na potencialização de produção.

Levantamos os fatores importantes que devem ser estudados antes de realizar a adubação fosfatada. 

Além de demonstrarmos as recomendações e as metodologias utilizadas, cada qual com a sua finalidade. 

>> Leia mais: 

Potássio para milho: Por que é tão importante e como fazer seu manejo

Restou alguma dúvida quanto à adubação estratégica do fósforo para o milho? Como você realiza esse manejo em sua plantação? Deixe seu comentário abaixo!