Pragas polífagas: algumas pragas podem se adaptar a diferentes hospedeiros e se tornarem ainda mais agressivas. Entenda como isso acontece! 

Você já se deparou com uma praga que aparece sempre em sua área independente da cultura? Muito provavelmente essa praga é polífaga. 

Algumas espécies de insetos-praga atacam muitas culturas e podem causar danos econômicos em todas elas se não forem controladas.

Produtores de culturas como milho, soja e algodão geralmente se deparam com problemas com as mesmas pragas.

E como é possível controlar as pragas polífagas? Acompanhe a seguir!

Pragas polífagas

A palavra “polífaga” significa o hábito de se ingerir uma ampla variedade de fontes alimentares, no caso das pragas se refere usualmente às que se alimentam de diversas culturas.

O termo pode até ser novo para você, mas as pragas, certamente, não são. 

Elas estão entre as mais difíceis de serem controladas e causam danos ao longo de todo o ano em culturas distintas. Isso devido a características como alta variabilidade genética e alto potencial reprodutivo. 

Entretanto, nem sempre foi assim. 

O que acontece é que em consequência do sistema de plantio de forma ininterrupta ao longo do ano, os artrópodes-praga encontraram um ambiente ideal para se propagarem.

Além disso, com o plantio de lavouras sucessivas como de soja – milho e milho – algodão, criou-se as “pontes verdes” e muitos insetos herbívoros se adaptaram a diferentes plantas hospedeiras. 

Portanto, é muito importante que você tome as devidas precauções para que não ocorra um aumento ainda maior desse tipo de praga.

Um ponto relevante é que outras pragas, que ainda não são polífagas, podem se tornar ao longo do tempo devido a essa facilidade de encontrar diferentes hospedeiros e meios de adaptação ao ambiente.

Por isso, saber manejar corretamente sua lavoura não só vai te garantir melhores rendimentos e produtividade como também vai evitar o aumento desse tipo de praga.

Principais pragas polífagas

Existem muitas espécies de insetos herbívoros que completam seus ciclos em um grande número de plantas. Porém, existem aquelas que, além de se manterem nas plantas, causam maiores prejuízos em culturas com importância econômica. 

Dentre as principais pragas polífagas no Brasil, destacam-se as espécies Spodoptera frugiperda, Helicoverpa armigera, Euschistus heros e Bemisia tabaci

Saiba mais sobre elas a seguir:

Spodoptera frugiperda (lagarta-do-cartucho)

lagarta-do-cartucho do milho

Lagarta de Spodoptera frugiperda
(Fonte: CABI)

A ordem Lepidoptera de insetos comporta um grande número de pragas agrícolas, dentre elas a espécie Spodoptera frugiperda que pertence à família Noctuidae

Sendo praga-chave da cultura do milho, causa danos diretos desde o período vegetativo até o reprodutivo. Na fase inicial da cultura pode até ser confundida com a lagarta-rosca

Porém, devido à sua alta adaptabilidade e enorme número de hospedeiros, essa praga não tem preferência por plantas de folhas largas ou folhas estreitas. 

Por isso, a lagarta-do-cartucho ou lagarta-militar ataca mais de 100 hospedeiros, podendo ocorrer em culturas muito distintas e causando danos severos se não for controlada.

Helicoverpa armigera 

pragas polífagas

Diferentes colorações da Helicoverpa armigera na fase larval
(Fonte: André Shimohiro, em Embrapa)

Assim como Spodoptera frugiperda, a Helicoverpa armigera é uma espécie da ordem Lepidoptera e família Noctuidae

É uma praga exótica, ou seja, que não tinha ocorrência no Brasil, mas desde 2013 tem sido um grande problema aos produtores em culturas como soja, milho e algodão. 

Na safra 2012/2013, por exemplo, causou um prejuízo de mais de R$ 1 bilhão na cotonicultura. 

Por isso, essa praga é considerada uma ameaça constante aos produtores, visto que já causou grandes prejuízos em safras passadas.

Euschistus heros (percevejo-marrom) 

percevejo marrom

Adulto de Euschistus heros
(Fonte: Promip)

O percevejo-marrom é um inseto sugador da ordem Hemiptera e pertence à família Pentatomidae

Sendo a soja seu principal hospedeiro, essa praga passou a causar maiores danos após o aumento do uso de cultivares transgênicas, em que o maior foco de controle era o complexo de lagartas. 

Além do mais, o percevejo-marrom passou a atacar com maior frequência outras culturas de importância econômica, devido ao manejo incorreto com uso de inseticidas. 

Um outro agravante é que consegue se manter até mesmo em ambientes desfavoráveis, quando a população entra em diapausa – redução do crescimento e do desenvolvimento.

Bemisia tabaci (Mosca-branca)

mosca-branca

Adultos de Bemisia tabaci
(Fonte: Perring et al., 2018)

Embora tenha nome comum de mosca-branca, essa praga é da ordem Hemiptera e família Aleyrodidae

Além dos danos diretos, os danos indiretos dessa praga são os mais preocupantes, visto que pode transmitir um enorme número de doenças de plantas. 

A mosca-branca tem causado perdas em culturas como soja, algodão, tomate e feijão.

Uma característica importante é a alta variabilidade genética, o que levou a uma diferenciação da espécie por biótipos.

Como controlar as pragas polífagas

A forma mais correta e eficaz de controle dessas pragas é por meio do uso de táticas do Manejo Integrado de Pragas (MIP).

pragas polífagas

Bases e pilares do MIP

Pragas polífagas: monitoramento

O primeiro passo, muitas vezes desconsiderado pelos produtores, é fazer o monitoramento.

É possível evitar surtos fazendo monitoramentos rotineiros, com estratégias pensadas de acordo com a região, a cultura e com o histórico da área.

Assim, o controle só deverá ser feito quando a praga atingir o nível de controle. Antes disso, é desnecessário e pode levar a gastos extras.

Uma outra questão importante é que o produtor se esquece que essas pragas conseguem se manter em hospedeiros alternativos.

Por isso, o monitoramento deve ser feito antes, durante e após a safra – visando o controle cultural como retirada de restos culturais e eliminação de plantas daninhas.

Pragas Polífagas: métodos de controle

No MIP não se desconsidera nenhum método de controle, mas visa-se o uso correto e eficiente. Vamos a alguns tópicos:

  • Como já citado, o controle cultural deve ser bem pensado de acordo com a cultura. Muitas vezes, ações simples podem evitar que as pragas se proliferem;
  • O uso de plantas geneticamente modificadas é uma boa tática, mas deve estar aliada a áreas de refúgio. Caso contrário, pode haver pressão de seleção e aumentar a população resistente da praga;
  • Controle biológico com uso de organismos benéficos potencializará as demais táticas. Aqui, é extremamente importante a conservação dos organismos que ocorrem naturalmente na área;
  • O controle químico só deve ser feito quando for detectado pelo monitoramento. Não faça aplicações calendarizadas, pois vai piorar a situação da lavoura e aumentar ainda mais os riscos;
  • Prefira inseticidas seletivos aos inimigos naturais e não utilize apenas um tipo de modo de ação: faça rotação de grupos químicos;
  • Tenha muita atenção à tecnologia de aplicação, com boas condições climáticas, pressão, bico e volumes adequados. 

Lembre-se que as pragas polífagas atacam um grande número de hospedeiros e todo cuidado é pouco para evitar surtos inesperados. 

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Conclusão

As pragas polífagas atacam diversas culturas de importância econômica.

O surgimento delas se deu pela forma como todo o sistema agrícola vem sendo manejado.

Com isso, vimos que as principais pragas polífagas do Brasil são Spodoptera frugiperda, Helicoverpa armigera, Euschistus heros e Bemisia tabaci

Sendo que as melhores formas de controle dessas pragas é por meio do manejo integrado de pragas (MIP). 

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