Mosca-branca: Melhores táticas para controle cultural, químico e biológico dessa praga que está ainda mais frequente nas lavouras.

Infestações de moscas-brancas têm sido cada vez mais frequentes em diversas culturas.

E não se engane ao achar que um inseto tão pequeno como esse não lhe causará problemas.

Fique bastante atento, pois os danos podem não ser revertidos apenas reduzindo o nível populacional.

Vou te explicar melhor as características da mosca-branca e os cuidados que você deve tomar em sua lavoura. Veja a seguir!


O que é a mosca-branca?

Diferente das moscas, as moscas-brancas pertencem à ordem Hemiptera e possuem dois pares de asas.

São da família Aleyrodidae e já foram registradas cerca de 1.550 espécies de 160 gêneros diferentes.

Mas, dentre as várias espécies existentes, Bemisia tabaci se tornou alvo de preocupação por causar danos a uma grande variedade de culturas agrícolas de importância econômica, como feijão, algodão, cultura da soja e olerícolas.

Por ser uma espécie com grande diversidade genética, a maioria dos pesquisadores considera que existam diferentes biótipos.

Acredita-se que, no Brasil, ocorra uma maior incidência do Biótipo B (Middle East Asia Minor 1 whitefly – MEAM1).

Porém, já foram encontrados, principalmente em plantas ornamentais, espécimes de mosca-branca B. tabaci Biótipo Q (Mediterranean – MED) no sul do Brasil, no centro-oeste e no sudeste.

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Adultos de mosca-branca em soja; nível de dano varia de acordo com a cultura
(Fonte: Mais Soja)

Identificação e danos da mosca-branca

O adultos da mosca-branca B. tabaci possuem coloração amarelo-palha e medem de 1 a 2 mm.

Os ovos têm formato de pêra e são colocados na parte abaxial das folhas. Cada fêmea tem capacidade de postura de 100 a 300 ovos durante seu ciclo de vida.

Ao eclodir, as ninfas, translúcidas e amarelo-palha, são capazes de se locomover. Após a primeira ecdise, se fixam nas folhas para succionar a seiva da planta até que se tornem adultos.

Tanto os adultos como as ninfas, ao introduzirem o aparelho bucal no tecido da planta, injetam um tipo de toxina. Isso pode provocar alteração no desenvolvimento vegetativo e reprodutivo da cultura, reduzindo a produtividade.

Além disso, também excretam líquido açucarado, o “honeydew”, que induz o crescimento de fungos que provocam a fumagina. Isso reduz a capacidade fotossintética da planta.

Mas o maior perigo desta praga está na transmissão de vírus que causam doenças bastante severas.

Cerca de 120 espécies de vírus já foram descritas sendo transmitidas por mosca-branca B. tabaci:

  • geminivírus em tomateiro, pimentão e batata;
  • vírus do mosaico comum em algodoeiro;
  • vírus do mosaico anão em soja;
  • vírus do mosaico crespo em soja;
  • vírus do mosaico dourado em feijoeiro.

Mais recentemente, foi detectada a transmissão de geminivírus por B. tabaci em lavoura de soja no Brasil.

Além dos danos causados direta e indiretamente, a mosca-branca ainda possui alta taxa reprodutiva, fácil dispersão, polifagia e desenvolvimento de resistência à inseticidas, o que contribui para a disseminação das doenças.

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Na primeira imagem, uma fêmea e dois machos. Na segunda imagem, adultos e ovos de Bemisia tabaci.
(Fonte: Perring et al., 2018)

Como controlar a mosca-branca?

Devido ao fato de causarem danos diretos, pela sucção da seiva, e indiretos, pela transmissão de vírus, é muito provável que você partiria direto para o controle químico, não é mesmo?

Você não está errado nesse ponto, mas é necessário considerar outras táticas de manejo, de acordo com o Manejo Integrado de Pragas (MIP), até mesmo para não ter problemas futuros como resistência das pragas aos inseticidas.

Controle cultural

O controle cultural pode ser feito antes, durante e depois do cultivo.

  • Fazer o plantio com mudas sadias
  • Uso de armadilhas para reduzir a população da praga (armadilha adesiva amarela ou uso de armadilha luminosa)
  • Manter a lavoura livre de plantas daninhas hospedeiras de mosca-branca
  • Eliminar restos culturais para impedir o ciclo da praga
  • Barreiras vivas para impedir a disseminação pelo vento
  • Eliminar plantas que estejam contaminadas com vírus
  • Uso de cultivares resistentes

Controle biológico

O controle biológico da mosca-branca pode ser feito de maneira natural, em que você fornece condições para que os insetos benéficos possam permanecer na área.

O uso de inseticidas seletivos vai contribuir muito para que isso aconteça.

Você também pode fazer liberações massais de insetos produzidos em laboratório em épocas em que a população da praga estiver alta.

Existe uma variedade muito grande de inimigos naturais da mosca-branca, incluindo predadores, parasitoides e entomopatógenos.

Predadores

Na literatura, existem registros de mais de 150 espécies de artrópodes descritas como predadores de mosca-branca. Podemos citar:

  • Coleoptera –  Espécies de joaninhas como Coleomegilla maculata e Eriopis connexa.
  • Hemiptera – Espécies das famílias Anthocoridae, Berytidae, Lygaeidae, Miridae, Nabidae e Reduviidae.
  • Neuroptera – Chrysoperla spp. e Ceraeochrysa spp.
  • Ácaros da família Phytoseiidae – Amblydromalus limonicus, Amblyseius herbicolus, Amblyseius largoensis, Amblyseius tamatavensis e Neoseiulus tunus.

Parasitoides

Já foram registradas mais de 500 espécies de parasitoides de mosca-branca de 23 gêneros diferentes.

São representados por seis famílias da ordem Hymenoptera, mas os principais gêneros são Encarsia e Eretmocerus da família Aphylinidae.

Entomopatógenos

Naturalmente, podem ocorrer na sua lavoura os fungos entomopatogênicos referentes às espécies de Isaria (Paecilomyces), Lecanicillium (Verticillium), Beauveria, e Aschersonia.

A espécie Beauveria bassiana tem como produto registrado Boveril WP PL63 (Koppert Biological Systems) para controle de mosca-branca em todas as culturas.

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Controle químico

O controle químico com uso de inseticidas registrados deve ser realizado levando em conta a rotação de inseticidas com modo de ação distintos.

Alguns produtos, devido ao uso contínuo para controle dessa praga, perderam a eficiência devido ao desenvolvimento da resistência. Fique bastante atento!

A seguir, alguns ingredientes ativos registrados para controle da mosca-branca que você pode usar para rotacionar o modo de ação:

Piretroide

Bifentrina – Seizer 100 EC

Tiadiazinona

Buprofezin – Applaud 250 WP

Diamida

Ciantraniliprole – Benevia 100 OD

Neonicotinoide

Acetamiprido – Mospilan 200 SP

Cetoenol

Espiromesifeno – Oberon 240 SC

Sempre verifique se o produto tem registro para a cultura em que você queira controlar a mosca-branca.

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Conclusão

A mosca-branca Bemisia tabaci é uma praga tem causado infestações cada vez mais frequentes em diversas culturas de interesse econômico.

Além de causar danos diretos, também é vetor de vírus causadores de doenças.

Quando houver sua presença em culturas em que transmite vírus, deve ser controlada.

O uso de diversas táticas para o controle da mosca-branca é importante como forma de integração e para evitar resistência à inseticidas.

Com as informações passadas aqui, espero que você tenha um ótimo controle da mosca-branca em sua propriedade.

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Referências

Martin, J.H., Mound, L.A., 2007. An Annotated Check List of the World’s Whiteflies (Insecta: Hemiptera: Aleyrodidae). Zootaxa 1492. Magnolia Press, Aukland, New Zealand.

Gerling, D., 1990. Whiteflies: Their Bionomics, Pest Status, and Management. Intercept, Andover, Hants, UK.

Perring TM, Stansly PA, Liu TX, et al (2018) Whiteflies: Biology, Ecology, and Management. In: Sustainable Management of Arthropod Pests of Tomato. pp 73–110

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