Adubação de sistemas: entenda o que é, como implantar e as vantagens dessa estratégia quando aplicada na sucessão soja-milho-soja!
A adubação é o item mais custoso do custo de produção.
Por isso, é essencial adotar medidas que otimizem o aproveitamento de nutrientes, evitem o desperdício de insumos, reduzam custos e causem menor impacto ambiental.
A adubação de sistemas é uma prática que contribui com tudo isso, além de cooperar com a sustentabilidade da atividade.
Neste artigo, você irá conferir como funciona a adubação de sistemas e quais são as vantagens ao adotar essa prática de manejo.
Índice do Conteúdo
O que é a adubação de sistemas
A adubação de sistemas é uma estratégia de manejo da fertilidade do solo. Ela busca melhorar o aproveitamento dos nutrientes pelas plantas.
Essa prática busca atender as exigências nutricionais de todas as espécies envolvidas no sistema.
Na adubação tradicional, a recomendação é realizada de forma isolada. Ela tem em vista somente as necessidades da cultura que será implantada.
Na maioria das vezes, são utilizadas quantidades fixas de nitrogênio, fósforo e potássio. Como resultado, há adubações superdimensionadas.
Isso tem impacto direto no meio ambiente e nos custos de produção.
Na adubação de sistemas, os fertilizantes não são destinados para uma única cultura, mas sim para todo o sistema de produção.
Como implantar a adubação de sistemas
É importante ter em mente que a adoção da adubação de sistemas implica em rotação de culturas e em plantio direto.
O primeiro passo para implantar essa técnica é realizar a análise físico-química do solo. Somente assim é possível conhecer a real fertilidade do solo.
Para estabelecer práticas de correção de acidez e adubação do solo, é necessário ter informações como:
- a qualidade da palhada presente na superfície do solo;
- a exigência nutricional das plantas cultivadas;
- a taxa de exportação de nutrientes pelas culturas.
Conhecer o histórico das safras anteriores é fundamental.
A partir dessas informações, são determinadas as épocas das adubações, as fontes dos fertilizantes, as dosagens e os métodos de aplicação.
Como é realizada a adubação de sistemas
Na adubação de sistemas, as culturas mais exigentes e responsivas à adição de fertilizantes recebem doses maiores de nutrientes, acima das exigidas pela cultura.
Milho, feijão e algodão são culturas que exigem adubações mais pesadas.
As culturas de verão geralmente são menos responsivas à adubação. Elas se beneficiam pelas condições deixadas pela safra anterior.
A soja, plantada em sucessão com o milho, se beneficia dos nutrientes pelo efeito residual das adubações e pela reciclagem da matéria.
O manejo racional da adubação:
- evita o desperdício de insumos;
- reduz o trânsito de máquinas na lavoura;
- reduz os custos de produção;
- tem menor impacto ambiental.
A sucessão soja-milho-soja
A sucessão soja-milho-soja é o sistema de produção de grãos mais adotado em plantio direto. Nesse sistema, a cultura da soja é plantada na primeira safra e o milho na segunda safra.
Por ser altamente responsiva à adubação, a cultura do milho pode receber doses acima da sua exigência nutricional.
A soja é plantada com uma adubação de arranque e se beneficia da adubação residual e da matéria orgânica deixada pelo milho.
Essa adubação de arranque é essencial em solos de textura arenosa, para não prejudicar o desenvolvimento das plantas.
A soja, por sua vez, beneficia o milho pelos resíduos de nitrogênio deixados no solo.
Além de otimizar as condições de solo, a sucessão soja-milho-soja em sistema de plantio direto também apresenta vantagens operacionais. Ela otimiza a mão de obra e o maquinário.
Embora a sucessão soja-milho-soja esteja bastante consolidada, é fundamental diversificar a produção.
Você pode fazer isso através da rotação de culturas com espécies que tenham propósito comercial e de recuperação do solo.

Sucessão de soja-milho safrinha-soja
(Fonte: Constantin et al., 2013)
Rotação de culturas
A rotação de culturas é uma prática que precisa ser planejada para beneficiar as espécies envolvidas.
A ideia é que a espécie implantada seja favorecida pelas condições deixadas pelas culturas passadas.
A escolha das espécies envolvidas no sistema de rotação deve ser baseada na viabilidade técnica e econômica da atividade.
É importante escolher espécies adaptadas às condições climáticas da região de plantio e com diferentes sistemas radiculares. Isso promove a exploração do solo em profundidade variada.
A rotação com plantas forrageiras eleva o teor de matéria orgânica do solo e favorece a ciclagem de nutrientes.
Além de melhorar as propriedades do solo, a rotação de culturas também contribui para o manejo de pragas, doenças e plantas daninhas.
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Vantagens e desvantagens da adubação de sistemas
Veja a seguir as vantagens da adubação de sistemas:
- maior eficiência no uso de nutrientes;
- redução da quantidade de adubos aplicados;
- redução dos custos de produção;
- menor impacto ambiental;
- evita o desperdício de insumos;
- aumento da produtividade.
Apesar de todos os benefícios que a adubação de sistemas pode trazer, existe um ponto negativo.
A sucessão de culturas pode provocar a degradação do solo ao longo do tempo, seja física, química ou biológica.
Conclusão
A adubação de sistemas é uma estratégia de manejo que promove maior aproveitamento dos nutrientes pelas plantas. A cultura mais responsiva à adubação recebe doses maiores de fertilizantes.
A cultura menos responsiva é beneficiada pela ciclagem de nutrientes e pelo efeito residual das adubações realizadas na cultura anterior.
O sistema de plantio direto, a rotação de culturas e a adubação de sistemas contribuem para a sustentabilidade da atividade.
É importante lembrar que não existe receita de adubação. Avalie seu caso individualmente, e considere todas as características e peculiaridades dos seus sistemas de produção.
Você conhecia a adubação de sistemas? Sabia de todas as vantagens? Conte sua experiência nos comentários.