Boro e zinco no café: entenda a importância desses nutrientes para a sanidade, vigor e produtividade do cafeeiro e as opções de produtos
A nutrição de plantas é, junto do clima e da interação de microrganismos, um dos fatores primordiais para a produção vegetal.
Cada tipo de nutriente apresenta particularidades com relação às suas fontes, modo de absorção, teores recomendados, mobilidade no solo e na planta, pH ideal para absorção, dentre outros.
Por isso, fazer o manejo adequado de micronutrientes pode te ajudar a garantir a produtividade do café.
Neste artigo, você verá a importância de micronutrientes específicos como boro e zinco para a cultura do cafeeiro e as suas formas de correção na lavoura. Acompanhe!
Índice do Conteúdo
O que são micronutrientes e qual a sua importância?
Os nutrientes minerais se dividem entre macro e micronutrientes, conforme a quantidade necessária para o desenvolvimento vegetal.
Apesar de serem requeridos em menores quantidades, os micronutrientes são tão limitantes para a produtividade quanto os macronutrientes.
Conforme a lei do mínimo, a produção é definida pelo elemento mais limitante no solo, seja ele um macro ou micronutriente.

(Fonte: AgroFácil)
Nutrientes podem ser considerados essenciais para as plantas quando se encaixam nos critérios de essencialidade. São eles:
- ser parte de um composto vital para a planta;
- ser necessário para que a planta complete seu ciclo de vida;
- não pode ser substituído por outro nutriente ou elemento.
Os micronutrientes vegetais são: boro (B), cloro (Cl), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), molibdênio (Mo) e zinco (Zn).
Cada um desses elementos tem funções específicas no metabolismo de plantas. As deficiências de boro e o zinco são frequentes na agricultura brasileira.
O boro no cafeeiro
Funções
O boro é um micronutriente essencial para plantas e atua em múltiplas funções, como:
- germinação do grão de pólen e crescimento do tubo polínico: isso faz com que o boro seja primordial para o desenvolvimento e pegamento de florada, influenciando no potencial de produção de frutos;
- divisão e diferenciação celular, síntese de celulose e lignina, e síntese de parede celular: isso aumenta a resistência das plantas ao ataque de pragas e doenças;
- translocação de açúcares da folha para outros órgãos;
- crescimento de meristemas.
Sintomas da deficiência
A deficiência de boro nas plantas é comum em condições de campo devido à sua alta mobilidade no solo e potencial lixiviação.
Os principais sintomas dessa deficiência nutricional no cafezal aparecem em folhas novas e regiões de crescimento. Os mais comuns são:
- folhas menores, verde-claras e com deformações;
- diminuição do crescimento radicular;
- morte da gema apical e superbrotação;
- baixo pegamento de florada.

(Fonte: Emater)
Correção
O boro é um nutriente com alta mobilidade no solo, porém com baixa mobilidade na planta, sendo imóvel no floema. Sendo assim, a recomendação é de correção de boro via solo.
Os teores ideais desse nutriente são de 40-80 ppm em nível foliar, ou acima de 0.5 mg/dm3 no solo. Em valores abaixo desses, a correção é recomendada.
As principais fontes de boro para aplicação no solo são o ácido bórico, o Boráx e a ulexita. Os dois primeiros são solúveis em água, e a solubilidade da ulexita depende da razão entre sódio e cálcio, que também fazem parte desse composto.
As recomendações para a produção do cafeeiro são de 6,5g de B por saca de café ou, para 30 sacas/ha, seriam necessários cerca de 200 g/ha de B, o que representa cerca de 1 kg/ha de ácido bórico.
Porém, devido à alta lixiviação e perda, não é incomum que doses maiores sejam recomendadas, como de 2 a 6 kg/ha de boro.
Toxidez
Níveis de boro com cerca de 100 ppm em nível foliar são considerados tóxicos. Os sintomas de toxidez são folhas rajadas de verde e amarelo com bordas deformadas.
O zinco no cafeeiro
Funções
O zinco também é um micronutriente essencial para plantas e atua em múltiplas funções, dentre elas:
- componente de enzimas: são importantes como facilitadores de reações da fotossíntese durante a formação da glicose;
- atua na síntese do triptofano: esse aminoácido é precursor da molécula de auxina, um importante regulador do crescimento de plantas;
- importante na síntese de proteínas.
Sintomas da deficiência
A deficiência de zinco é comum no cafeeiro. Os sintomas aparecem normalmente em folhas novas, devido à sua baixa mobilidade na planta, assim como o boro. Os mais comuns são:
- folhas alongadas, finas e com bordas enroladas;
- destaque das nervuras verdes pelo amarelecimento do limbo foliar;
- encurtamento de internódios nas pontas dos ramos com formação de roseta;
- redução de tamanho dos frutos.

(Fonte: Yara)
É importante ressaltar que os sintomas de deficiência de zinco são semelhantes aos sintomas de toxidez por glifosato, sendo primordial detectar sua origem para decidir o melhor manejo.
Correção
A correção de zinco pode ser feita via solo ou foliar no cafeeiro. Os teores ideais são de 8 a 20 ppm em folhas e em torno de 3 mg/dm3 no solo.
A recomendação de 6 kg/ha de zinco é comum para a adubação via solo. Nesse caso, você deve se atentar a alguns fatores que podem diminuir a disponibilidade de zinco para a planta. São eles:
- presença de fósforo (P) em excesso;
- solos mais arenosos;
- aumento do pH do solo.
Toxidez
Os níveis de toxidez de zinco podem variar conforme a fase de desenvolvimento da cultura. Porém, valores acima de 20 ppm nas folhas são normalmente considerados como tóxicos.
O excesso de zinco em época de florada pode causar abortamento de flores.
O monitoramento das quantidades de zinco no solo e na folha, assim como o acompanhamento preciso das atividades de manejo da lavoura, são importantes para detectar a possibilidade de toxidez desse nutriente.
A importância do manejo correto de boro e zinco no café
O manejo dos teores de nutrientes no solo é crucial para o bom andamento da lavoura e expressão máxima do potencial produtivo da cultura.
No caso dos micronutrientes, seu uso tem que ser ainda mais cuidadoso visto que, por serem requeridos em menor quantidade, um erro de cálculo ou falha na aplicação pode facilmente causar deficiência ou toxidez.

(Fonte: Faquin, 2002)
Isso acontece normalmente com o zinco e o boro, e suas concentrações têm de ser bem manejadas e monitoradas através de análises de solo e foliares.
Abaixo, você verá valores de referência para teores foliares dos dois nutrientes ao longo do ano, para café arábica em produção.

(Fonte: Potafos)
Conclusão
O manejo adequado de nutrientes no solo é fator primordial para o sucesso do cultivo.
Realize o manejo no momento da correção dos teores presentes no solo ou na fertilização para viabilizar o crescimento, desenvolvimento e produtividade do cafeeiro.
As recomendações de produtos, doses e épocas de aplicação também são muito importantes para o manejo de micronutrientes, principalmente o zinco e o boro.
Uma consulta a seu assistente técnico é o procedimento ideal para sanar dúvidas e obter os melhores resultados em sua lavoura.
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