Pragas do café: entenda como as principais pragas são favorecidas, como prevenir, identificar e controlá-las corretamente.
O brasileiro adora café e o Brasil é o maior produtor do mundo. Mas, para um café de qualidade chegar até a xícara, é preciso muito esforço!
Você faz tudo certinho, torce para o clima colaborar e, mesmo quando isso “caseia” certinho, vem “uns bichin” encher o saco: as pragas! ?
São muitas as pragas do café e todas elas causam danos diretos e indiretos à produção e qualidade. A broca sempre foi “a” praga do cafeeiro, título que agora é ocupado pelo bicho mineiro.
Separei alguma dicas sobre as principais pragas do café, como prevenir e minimizar seus danos. Confira comigo a seguir!
Índice do Conteúdo
O manejo integrado de pragas do café
Antes de falar sobre as características das principais pragas do café, quero que você tenha em mente quando vale a pena controlá-las.
O controle das pragas do café deve ser feito seguindo os preceitos do Manejo Integrado de Pragas (MIP), que é baseado em critérios econômicos, ecológicos e sociais. Isso evita inúmeros problemas e mantém a produção sustentável.

(Fonte: ABCBio)
Com o MIP, levamos em consideração o custo/benefício da ação de controle e quais os impactos sobre o ambiente, o produtor e a população de demais organismos presentes na lavoura.
A ideia é manter a população de pragas abaixo do nível que causa dano econômico, sendo controladas somente quando atingem o nível de controle. Veja a figura abaixo:

São várias técnicas de manejo empregadas no MIP, algumas preventivas, como controle cultural, uso de armadilhas e variedades resistentes; e outras para controle imediato, como o controle biológico, além do controle químico.
Como veremos a seguir, isso é específico para cada praga do cafeeiro e é baseado em muitas amostragens.
Principais pragas do café
A broca-do-café (Hypothenemus hampei)
Características, comportamento e danos
Temos relatos dos danos causados pela broca-do-café no Brasil desde 1920. Elas são besouros que atacam os frutos de café e vivem e se reproduzem dentro dele.

A broca-do-café
(Fonte: Koppert)
Além de danificar os grãos e reduzir sua qualidade, seus danos podem favorecer queda e também a entrada de patógenos.

(Fonte: Epamig)
Após o acasalamento, os machos permanecem dentro dos frutos e são as fêmeas que saem para colonizar novos frutos, no chamado “período de trânsito”.
A saída é estimulada pelas condições ambientais e elas são atraídas por compostos voláteis produzidos pelo próprio fruto.
Condições favoráveis
As infestações de broca são favorecidas por lavouras mais adensadas e locais com maior umidade. Por isso, lavouras nas baixadas ou em anos com invernos chuvosos podem ser mais atacadas.
O principal fator para infestação de broca é deixar frutos caídos na lavoura. A broca usa esses frutos para se multiplicar e aumentar sua população.
Métodos de prevenção e controle
O controle da broca deve seguir o MIP e com isso temos algumas alternativas. A melhor maneira de prevenir e reduzir a infestação de broca é fazer uma colheita bem feita, repassando para não “deixar grãos para trás” e varrer aqueles caídos.
Como métodos controle podemos realizar o controle biológico com parasitóides ou com o fungo Beauveria bassiana.

Controle biológico da broca com predadores/fungos
(Fonte: Epamig)
Temos também a opção de utilizar armadilhas com atraentes para capturar a broca. Já o controle químico pode ser feito com clorpirifós, de 1 a 1.5L/ha.
Vale lembrar que os métodos de controle devem ser aplicados no período de trânsito da broca, que geralmente vai de outubro a dezembro. As aplicações são embasadas por amostragem previamente feitas e quando houver danos econômicos.
MIP: amostragem e nível de controle
As amostragens para broca devem ser feitas já na primeira florada do cafezal e seguindo as recomendações abaixo. O controle químico, pode ser aplicado conforme os níveis críticos são atingidos.

Recomendações de monitoramento e amostragem para broca-do-café
Pragas do café: Bicho Mineiro (Leucoptera coffeella)
Características, comportamento e danos
Devido às mudanças sofridas no sistema produtivo do cafeeiro, o bicho mineiro passou a ser a praga mais importante da cultura desde a década de 70.

O bicho mineiro ataca exclusivamente o cafeeiro, causando perda de área foliar por cavar galerias nas folhas do cafeeiro. Os danos são causados, em sua maioria, nos terços médio e superior da planta.

(Autor: Giovani Belutti Voltolini, 2016)
O adulto é uma mariposa que põe seus ovos no terço superior do cafeeiro, na face superior das folhas. Após eclodir, as lagartinhas penetram na folha e começam a consumi-la.
Atualmente, temos dois picos populacionais de bicho mineiro, como você pode ver na figura abaixo. As medidas de controle devem ser direcionadas para esses dois períodos.

(Fonte: AgroBayer)
Condições favoráveis
O bicho mineiro é favorecido por condições mais secas e temperaturas elevadas. Portanto, podem ser mais problemáticos em lavouras mais espaçadas e nas faces mais ensolaradas do cafezal. Desequilíbrio nutricional do cafeeiro também favorece o bicho mineiro.
O uso indiscriminado de inseticidas não seletivos e de cúpricos têm grande impacto sobre os inimigos naturais do bicho mineiro, portanto, altas infestações são favorecidas.
MIP: amostragem e nível de controle do bicho mineiro
A amostragem deve começar já em outubro nas regiões mais quentes, ou com a chegada do período seco em locais mais amenos, conforme a tabela abaixo.
Vale lembrar que se for observado predação nas minas, acima de 40%, a intervenção com inseticidas pode esperar. Deve ser dada atenção especial às lavouras novas, pois as plantas têm pouca área foliar e os danos podem ser grandes.

Métodos de controle
O controle cultural do bicho mineiro pode ser feito com plantios mais adensados e adubações feitas corretamente. Como controle biológico temos parasitóides (Eulophidae e Braconidae) e predadores (Vespidae), estes últimos com maior eficiência de controle.
O controle químico deve ser realizado quando os níveis de dano forem atingidos, sempre prestando atenção nas amostragens e no histórico de infestação da área.
Pragas do café: Ácaros
O manejo inadequado do bicho mineiro propiciou desequilíbrios no sistema, fazendo com que outras pragas, especialmente os ácaros, se tornassem problemáticas. Eles geralmente são favorecidos por condições mais secas. São três espécies mais problemáticas:
1. Ácaro vermelho (Oligonychus ilicis)
O ácaro vermelho ataca os ponteiros do café, na face superior da folha, dando um aspecto de bronzeamento e pode levar à desfolha.

(Fonte: Antonio de Souza)
2. Ácaro branco (Polyphagotarsonemus latus)
Ataca os ponteiros do café, mas a face inferior da folha. É um ácaro que pode causar danos mais significativos em lavouras jovens, pois causa redução, enrolamento e deformação das folhas jovens.
3. Ácaro da mancha anular (Brevipalpus phoenicis)
Causa manchas cloróticas nas folhas e nos frutos. Isso pode levar à severa desfolha e perda de qualidade do café.

(Fonte: Café Point)
É o mesmo ácaro responsável por transmitir a leprose do citros, portanto, cafezais próximos à áreas com citros podem ter maiores infestações.
O melhor manejo para os ácaros é o uso de produtos seletivos que não controlem seus inimigos naturais, principalmente os ácaros predadores, responsáveis por grande parte do controle.
No caso do ácaro vermelho e da mancha anular, os mais problemáticos, os acaricidas mais indicados são avermectinas.
Pragas do café: Cigarras
Há muito tempo, as cigarras causam danos ao cafeeiro. Sua ninfas atacam as raízes e sugam seiva, causando depauperamento progressivo da planta.
São várias espécies, sendo Quesada spp., Fidicina spp. e Carineta spp., as que causam mais danos.

(Fonte: CNA)
Para seu controle, indicam-se inseticidas sistêmicos, mas existem armadilhas sonoras que são eficazes contra Quesada spp.
Outras pragas do café
Existem outras pragas que atacam a cultura do café, algumas delas são secundárias ou podem ser problemas em determinadas situações ou regiões. Como exemplo podemos citar as lagartas, cigarrinhas, cochonilhas da raiz e parte aérea, além das moscas da raiz.
Muitas dessas pragas passaram a ter importância devido ao manejo inadequado do bicho mineiro, por exemplo. Isso ilustra a importância de seguir as diretrizes do MIP para manejo, sempre com monitoramento e amostragem.
Mais informações sobre o controle das pragas de menor importância pragas você pode encontrar aqui: Manual do café.
Confira também nossa palestra online e gratuita sobre MIP:
Conclusão
Ao longo do texto mostramos as principais pragas do café, como prevenir sua ocorrência e controlá-la da maneira correta. Logicamente, existem outras pragas de menor importância, mas o raciocínio utilizado deve ser o mesmo.
O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é imprescindível para que o controle seja sustentável e efetivo. O MIP deve ser seguido, sempre com auxílio de um engenheiro agrônomo de sua confiança.
Com o manejo correto das pragas do café, seu cafezal será mais produtivo e a qualidade dos frutos poderá ser melhor também!
>> Leia mais:
“Guia de controle das principais plantas daninhas do café”
“Como grupo cafeeiro realiza o monitoramento de pragas em 5 fazendas com apoio da tecnologia”
Restou alguma dúvida sobre as pragas do café? Deixe os comentários abaixo. Continue nos acompanhando, se cuide e até a próxima! Grande abraço!
Gostei das informações sobre pragas do cafeeiro abordadas aqui, gostaria receber muitas informações sobre o assunto acima -MIP, sou iniciante e irei recepar minha lavoura que estava arrendada, pra comessar vida nova, lavoura de 10 anos espaçamento 80×1.80 região de Caratinga Mg.
Olá, Levi
Sou da comunicação da Aegro. Confira a nossa categoria específica sobre MIP: https://blog.aegro.com.br/categoria/manejo-integrado-de-pragas/
Agradecemos por nos acompanhar e desejamos sucesso em seus negócios,
Abraço! 🙂