Deficiência nutricional do cafeeiro: conheça os principais sintomas, qual nutriente é mais ou menos importante e muito mais!
O sucesso da plantação de café depende de vários fatores.
Os nutrientes, por exemplo, são elementos importantes para atingir o potencial produtivo da planta. Suas deficiências podem limitar e prejudicar demais a produção.
Saber identificar a deficiência nutricional no cafeeiro e compensar os nutrientes faltantes é um dos principais passos para garantir sucesso na lavoura.
Neste artigo, saiba como manter um balanço nutricional no cafezal e identificar a deficiência dos principais nutrientes da cultura. Boa leitura!
Índice do Conteúdo
O que é deficiência nutricional do café?
O café requer uma quantidade específica de nutrientes para completar o ciclo de vida. A deficiência de nutrientes essenciais para a cultura, como cobre, boro e zinco, por exemplo, pode causar vários sintomas. Folhas cloróticas, pequenas ou lanceoladas são alguns deles.
A deficiência nutricional pode ser definida como a situação em que a concentração de nutrientes nas células da planta é inferior aos níveis adequados. Esses níveis são específicos para cada cultura quanto para o estágio de desenvolvimento em que ela está.
Essa deficiência pode ter diferentes causas:
- baixa disponibilidade do nutriente no solo;
- limitação de crescimento de raízes para captação de nutrientes;
- problemas de pH no solo, que diminuem a absorção de nutrientes;
- falta de água, que limita o transporte de nutrientes para a parte aérea, dentre outros.
Os nutrientes podem ser exigidos em maior ou menor quantidade pelas plantas, o que os classifica entre macro e micronutrientes. Os macronutrientes são requeridos em maior quantidade, enquanto que os micronutrientes são requeridos em menor quantidade.
Os macronutrientes podem ser primários, como nitrogênio, fósforo e potássio, e também podem ser secundários, como cálcio, magnésio e enxofre. Os micronutrientes, por sua vez, são: boro, cloro, cobalto, cobre, ferro, molibdênio, manganês, níquel e zinco.
Qual o nutriente mais importante para uma cultura?
Conforme a lei do mínimo, o nutriente que mais limita a produção de uma cultura é o que está em maior deficiência. Ele é calculado em porcentagem da sua necessidade.
Imagine que os nutrientes fossem ripas de um barril. A capacidade de armazenamento do barril seria regulada pela ripa mais baixa, ou seja, a mais deficiente.

(Fonte: RuralMark)
Assim, é importante tomar cuidado para que o balanço e a oferta de todos os nutrientes estejam bem manejados no solo e na planta.
Porém, cada cultura tem alguns nutrientes que necessitam de um manejo mais cuidadoso por terem maior probabilidade de serem limitantes. Isso pode variar com os talhões da fazenda, o tipo de solo, as culturas anteriormente usadas no campo, a região do país, etc.
Para o cafeeiro, além dos seis macronutrientes, os cinco micronutrientes mais importantes são: ferro, boro, zinco, manganês e cobre. Eles são os mais requeridos pela cultura entre os demais citados anteriormente.
Principais sintomas de deficiência de nutrientes no cafezal
Os sintomas de deficiência muitas vezes são específicos para cada tipo de nutriente, mas alguns podem ser comuns. Os sintomas normalmente são relacionados ao papel do nutriente na planta e à sua mobilidade entre partes velhas e jovens da planta.
Por exemplo, a deficiência de nutrientes necessários para a formação da clorofila irá causar uma coloração verde menos intensa ou um amarelecimento das folhas. Isso é conhecido como clorose.
Da mesma forma, a deficiência de um nutriente necessário para a formação de parede celular na planta irá causar folhas pequenas e encarquilhadas.
Além disso, é importante notar que nutrientes que são mais móveis na planta são facilmente realocados para partes mais jovens. Isso causa sintomas de deficiência em folhas mais velhas.
De outro modo, nutrientes que são pouco móveis na planta ficarão retidos em folhas velhas. Como consequência, seus sintomas serão mais observados em folhas novas.
A deficiência de alguns nutrientes causa sintomas principalmente em folhas novas. São eles:
- Cobre;
- Boro;
- Zinco;
- Manganês;
- Ferro;
- Enxofre;
- Cálcio.
Por outro lado, a deficiência de outros nutrientes causa sintomas nas folhas mais velhas do cafezal. Esses nutrientes são:
- Magnésio;
- Fósforo;
- Potássio;
- Nitrogênio.
Além de notar os sinais físicos de deficiência nutricional, a análise foliar de nutrientes também é uma ferramenta possível para identificar esse problema. Abaixo, listamos os principais sintomas de deficiência dos macro e micro nutrientes no cafeeiro.
Deficiência de nitrogênio
A adubação nitrogenada é uma das mais importantes na cultura do café. Afinal, o nitrogênio é o nutriente mais requerido pela cultura.
Os principais sintomas desta deficiência são a clorose e amarelecimento de folhas velhas. Isso pode acontecer tanto no limbo quanto nas nervuras, que podem evoluir para necrose e queda de folhas.
Deficiência de fósforo
O fósforo nas plantas é um nutriente muito importante na fase de formação da lavoura e no crescimento de raízes. O principal sintoma da sua deficiência é a alteração de cor das folhas velhas, que passam de verde para tons de amarelo rosado, vermelho e arroxeado.
As folhas também apresentam necrose em forma de “V”, que pode se estender por todo o tecido caso não haja desfolha.
Deficiência de potássio
O potássio é o segundo nutriente mais requerido na planta de café, principalmente em plantas em estágio adulto.
O principal sintoma da deficiência de potássio no café é o amarelecimento da borda das folhas velhas, que evoluem para manchas marrons e negras e necroses. As folhas também podem ser facilmente retiradas do caule.
Deficiência de cálcio
O cálcio é importante para o crescimento radicular do café, e por isso deve ser bem manejado na implantação da lavoura.
A deficiência de cálcio no cafeeiro aparece através de folhas novas com amarelecimento característico do limbo foliar. No entanto, a coloração verde nas nervuras das folhas se mantém.
Deficiência de magnésio
O magnésio tem papel importante no acúmulo de biomassa da planta e no crescimento em altura das plantas.
A deficiência de magnésio no café causa amarelecimento entre as nervuras em folhas velhas e próximas aos frutos que evoluem para uma coloração parda. Ela também causa a queda prematura de folhas e plantas com baixo porte.
Deficiência de enxofre
O enxofre é um nutriente importante para a formação de proteínas e da clorofila. Sua ausência faz com que as folhas novas assumam uma coloração entre amarelo e verde muito claro.
Essa coloração se estende para as outras partes da planta. Além disso, há encurtamento dos internódios foliares, diminuindo a distância entre as folhas nos ramos.
Deficiência de ferro
O ferro é o micronutriente mais absorvido pelas plantas de café.
Os sintomas da deficiência de ferro no cafeeiro são o amarelecimento do limbo foliar em folhas novas e a presença de um reticulado verde e bastante fino nas nervuras.
Deficiência de boro
O boro é um dos micronutrientes que mais limita a produção do cafeeiro. A deficiência desse nutriente causa folhas novas pequenas e retorcidas e com bordos recortados.
Ainda, há a perda da gema apical e superbrotamento de folhas e ramos, dando a caraterística de “leque”. O encurtamento de internódios também pode acontecer.
Deficiência de zinco
O zinco é outro micronutriente que pode causar grandes perdas de produção. A deficiência de zinco faz com que as folhas em formação se tornem retorcidas, estreitas e de aspecto coriáceo e quebradiça.
A coloração fica amarela entre as nervuras, e podem aparecer saliências no limbo foliar.
Deficiência de manganês
O manganês é o segundo micronutriente mais acumulado no cafeeiro, após o ferro. Sua ausência causa coloração verde-claro e pontuações amarelas próximas às nervuras da folha.
Deficiência de cobre
A deficiência de cobre nas plantas de café não é tão comum de ser vista. Normalmente, esse nutriente é indiretamente fornecido à lavoura por meio de fungicidas cúpricos.
Porém, seus sintomas são bastante característicos, como perda de coloração das folhas novas e proeminência das nervuras secundárias, o que causa deformidade e curvatura.

(Fonte: adaptação do autor)
Como corrigir a deficiência nutricional do cafeeiro
A melhor estratégia para a adubação do cafeeiro depende de alguns fatores. No início da safra, é feita baseada normalmente em análises de solo. Posteriormente, visando à produção, são feitas baseadas em diagnóstico visual de sintomas das plantas de café e análise foliar.
Essas análises garantem que você saiba exatamente qual nutriente está em falta e o quanto você deve repor de cada um. Afinal, vale lembrar que a overfert (fertilização em excesso) pode causar tantos danos quanto a falta de nutrientes.
A adubação é diferente para uma situação de implantação de lavoura ou de lavoura já implantada. Por exemplo, na implantação, nutrientes como fósforo e cálcio necessitam atenção especial.
Outro fator que altera a definição da quantidade de nutrientes a ser fornecido é a estimativa de produção com relação à bienalidade do cafeeiro. Isso principalmente com relação aos macronutrientes primários.
Normalmente, a calagem irá fornecer o cálcio e magnésio para o cafeeiro.
Já os fertilizantes NPK devem ser administrados como adubo formulado, de acordo com a produção esperada. Uma relação comum entre eles é de 6:1:6.
O enxofre deve ser considerado principalmente de acordo com a interpretação da análise de solo, ou em uma proporção da quantidade de nitrogênio recomendado.
Quanto aos micronutrientes, normalmente ferro e manganês são presentes em quantidades suficientes no solo para a necessidade do cafeeiro.
O boro pode ser fornecido via solo por meio de ácido bórico, enquanto o zinco e cobre são aplicados por via foliar. Para o cobre, o uso de fungicidas cúpricos pode ser suficiente para o suprimento do nutriente.
Conclusão
A nutrição é um dos pontos mais facilmente controláveis que definem a produção. Entender e mapear os nutrientes das plantas de café pode aumentar a produção e evitar perdas.
O uso de análises de solo e foliar é fundamental, principalmente para evitar a fertilização em excesso.
Um cálculo cuidadoso da adubação e a verificação do aparecimento de sintomas de deficiência de nutrientes são práticas que devem ser adotadas constantemente.
Com essas práticas, você garante um cafezal regulado e produtivo.
>> Leia mais:
“Deficiência de fósforo no milho: como identificar e resolver?”
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Muito Bom! agradecido pelas informações tão importantes:
Artigo técnico excelente! Bem objetivo e bem esclarecedor.
Obrigado por tantas informações valiosas.