Combate ao pulgão: importância na agricultura, tipos de pulgões, vetores de viroses e o manejo ideal.

Muitas pragas e doenças podem ocorrer na sua lavoura e passarem despercebidas até que comecem a causar perdas. 

Uma dessas pragas é o pulgão, que pode causar danos nas plantas como a sucção de seiva ou favorecer o desenvolvimento de fumaginas e, ainda, ser vetor de viroses – ocasionando perdas na produtividade.

Existem muitos tipos de pulgões que podem infestar as culturas agrícolas. 

Por isso, preparamos este texto com as características dos principais tipos, além de dicas para o combate ao pulgão. Confira!

Importância dos pulgões para a agricultura

Os pulgões, também chamados de afídeos, são insetos sugadores que fazem parte da superfamília Aphidoidea. Desta, a família mais comum é a Aphididae com aproximadamente quatro mil espécies distribuídas no mundo inteiro.

Esses insetos, além de serem amplamente distribuídos, são importantes como pragas agrícolas na sucção de seiva e de toxinas e por se multiplicarem rápido.

Nesse processo, os pulgões secretam uma substância açucarada chamada de honeydew que pode desenvolver um fungo de coloração escura conhecido por fumagina, que cresce sobre os tecidos da planta e dificulta a atividade de fotossíntese. 

A fumagina também pode se desenvolver em substâncias açucaradas de secreção de outros insetos sugadores de seiva, como a cochonilha e a mosca branca.

Além disso, você pode perceber que algumas espécies de pulgão colonizam vários tipos de plantas e outros somente algumas da mesma família botânica.

Para isso, existe uma classificação de acordo com seu hábito alimentar:

  • Monófagos: se alimentam de plantas da mesma família botânica;
  • Polífagos: obtêm nutrientes de plantas de diversas famílias botânicas.

Outra característica dos pulgões é que eles podem ou não apresentar asas, chamados de alados e ápteros, este aspecto pode ser importante para a colonização dos afídeos na disseminação.

Entretanto, não podemos esquecer que os pulgões também são vetores de vírus para as culturas.

Veja a seguir alguns tipos que ocorrem na agricultura.

Pulgões de ocorrência nas culturas agrícolas

Pulgão do algodoeiro e do meloeiro

O pulgão Aphis gossypii tem cerca de 700 plantas hospedeiras (polífago), porém sua maior importância é no algodoeiro e no meloeiro.

No algodoeiro é considerado uma das principais pragas que pode atacar durante todo o ciclo da planta, mas nas fases iniciais os danos podem ser maiores.

combate ao pulgão

 (Fonte: Dalva Gabriel em Infobibos)

Como sintomas, podem ser observados folhas enrugadas, enroladas ou encarquilhadas e os brotos deformados. 

Também é possível verificar a presença de uma substância açucarada que favorece o desenvolvimento de fumagina.

Além desses sintomas, este pulgão pode ser vetor de algumas viroses para algodoeiro como: “vermelhão” e “mosaico das nervuras”.

Já no meloeiro, o pulgão prefere se alimentar das partes mais novas da planta, podendo causar clorose nas folhas e, em casos severos, até a morte das plantas.

Colônia de Aphis gossypii

Colônia de Aphis gossypii na folha do meloeiro, com adultos e ninfas em diferentes estágios de desenvolvimento
(Fonte: Jorge Anderson Guimarães, em Embrapa)

Durante a sucção da seiva, o afídeo injeta toxina que faz com que as plantas fiquem retorcidas e encarquilhadas.

Combate ao pulgão do algodoeiro e do meloeiro:

No algodoeiro, realiza-se amostragem para saber quando realizar o controle.

Assim, faça a amostragem em folhas do ponteiro e brotos novos na fase inicial da cultura, sendo que mais de 12 indivíduos por folha amostrada caracteriza uma colônia.

O nível de controle não deve ultrapassar 10% de plantas com colônias de pulgão.

Algumas medidas de manejo para Aphis gossypii são:

  • Eliminação de restos culturais;
  • Eliminação de plantas daninhas hospedeiras do pulgão;
  • Controle químico;
  • Uso de cobertura do solo com material repelente ao pulgão (meloeiro), entre outras.

Pulgão da espiga

O Sitobion avenae pode prejudicar as culturas de trigo, aveia, centeio, cevada, triticale e uva.

No trigo, por exemplo, este pulgão pode causar a diminuição no número de espigas e de grãos por espiga, além da presença de fumagina e também é vetor de virose.

combate ao pulgão

(Fonte: Agrolink)

Combate ao pulgão da espiga:

Deve-se realizar uma amostragem semanal e aleatória na lavoura de trigo e, se 10% das plantas amostradas estiverem infestadas com 10 pulgões por espiga, deve ser realizado o controle.

Desta maneira, recomenda-se o controle químico e/ou biológico.

Pulgão do milho

O pulgão do milho, Rhopalosiphum maidis, também pode afetar sorgo, cevada, aveia e outras espécies de gramíneas.

Esse pulgão ataca o milho no cartucho nas fases jovens da planta, mas pode infestar também pendão e gemas florais.

Ainda pode formar fumagina pela sucção de seiva e secreção de substância açucarada.

E também é vetor de viroses como o vírus do mosaico comum do milho.

pulgão do milho

(Fonte: Simone Mendes, em Embrapa)

Combate ao pulgão do milho:

O controle do pulgão do milho pode ser realizado por tratamento de semente com controle químico, eliminação de plantas hospedeiras do pulgão e/ou controle biológico com inimigos naturais. 

A pulverização da parte aérea da planta com inseticidas só é justificada com populações elevadas do pulgão (mais de 100 afídeos por planta).

Pulgão verde

O Myzus persicae é um pulgão que afeta muitas culturas como as brássicas (hortaliças como brócolis).

Como resultado, o pulgão verde pode causar deformação e encarquilhamento das folhas, além de ser vetor de viroses.

combate ao pulgão

(Fonte: Syngenta)

Combate ao pulgão verde:

O controle do pulgão em plantas pode ocorrer por inimigos naturais e também pode utilizar inseticidas quando ocorrer altas populações.

Pulgão verde dos cereais

Esse afídeo, Schizaphis graminum, tem preferência por plantas hospedeiras como as gramíneas.

Seu dano está relacionado com a parte aérea da planta, podendo ocasionar amarelecimento das plantas.

pulgão verde dos cereais

(Fonte: Agrolink)

Combate ao pulgão verde dos cereais:

Você pode manejar este pulgão por controle biológico com inimigos naturais e por controle químico com uso de inseticidas registrados.

Além desses pulgões, existem muitos outros que podem afetar a sua cultura. 

E não podemos esquecer que muitos afídeos são vetores de vírus, como veremos a seguir.

banner planilha manejo integrado de pragas

Pulgão como vetor de viroses

Aproximadamente 200 espécies de afídeos são vetores de mais da metade dos vírus de plantas conhecidos.

A transmissão do vírus pelo pulgão pode ser do modo:

  • Não-persistente: a aquisição e a transmissão do vírus é muito rápida (de segundos a poucos minutos), assim como a retenção do vírus no pulgão também é curta. 
    O vírus, normalmente, fica no estilete do pulgão e é transmitido para a planta por meio de picadas rápidas para reconhecer se ela é hospedeira (picadas de prova). Com isso, o pulgão não precisa colonizar a planta hospedeira para o processo de transmissão.
  • Semi-persistente: essa transmissão ocorre de minutos a horas, mas o vírus não circula por todo o afídeo, se restringe à região da faringe.
  • Persistente: aquisição e transmissão do vírus são caracterizados por longos períodos de alimentação e de latência (é o tempo em que o pulgão adquire o vírus em uma planta até estar apto a transmitir). 

Esse modo de transmissão pode ser dividido em não propagativo/circulativo (o vírus apenas circula no corpo do inseto) e propagativo (o vírus se replica no interior do afídeo).

 relação vírus/vetor

Resumo sobre a relação vírus/vetor
(Fonte: Fitopatologia)

Veja algumas viroses de plantas que são transmitidas por afídeos:

viroses de plantas que são transmitidas por afídeos

(Fonte: Promip)

Uma importante doença de origem viral que é transmitida pelo pulgão preto, Toxoptera citricidus é a Tristeza dos Citros. 

Na década de 30, essa doença dizimou muitos pomares brasileiros, com cerca de 10 milhões de plantas enxertadas em laranja “azeda”.

Para o seu controle foi necessário a substituição do porta-enxerto de laranja “azeda” intolerante a essa virose por porta-enxertos tolerantes, como o limão-cravo e o uso de pré-imunização nas copas das plantas.

Além deste, outro afídeo encontrado em plantações de citros é o pulgão verde, Aphis spiraecola, que pode causar diminuição no crescimento das plantas.

Melhores técnicas de manejo e controle de pulgão

Para o combate ao pulgão não se esqueça de realizar o Manejo Integrado de Pragas (MIP), ou seja, utilizar várias técnicas para manter a população dos afídeos abaixo do dano de nível econômico – não pensando apenas no controle químico. 

Por isso, algumas medidas gerais de manejo que você pode utilizar para o controle dos pulgões são:

  • Monitoramento da sua lavoura para levantamento do pulgão; 
  • Eliminação de plantas hospedeiras;
  • Controle biológico por inimigos naturais;
  • Controle químico com inseticidas ou tratamento de sementes, lembrando que os produtos devem ser registrados no site do Agrofit para a praga e para a cultura;
  • Uso de cobertura do solo com material repelente ao pulgão;
  • Controle alternativo, entre outras.

O controle alternativo para o pulgão, por exemplo, pode ser utilizado para a agricultura orgânica e ainda pode preservar os inimigos naturais. Existem várias receitas, como o uso do sabão neutro.

Para isso, dissolva 50 gramas de sabão neutro em cinco litros de água quente. Após esfriar, você já pode pulverizar sobre as plantas infestadas com pulgões.

Manejo do pulgão como vetor de viroses

Primeiro, precisa-se identificar qual é o vetor e o vírus, pois um vírus pode ser transmitido por mais de uma espécie de afídeo.

Com essa informação, também é possível classificar o modo de transmissão como já comentamos.

Isso é importante para a escolha do melhor método de manejo.

Se o modo de transmissão for não-persistente, não adianta utilizar controle químico para o pulgão, por conta dele ficar na planta durante a aquisição e transmissão em curto período de tempo.  

Agora se a transmissão for do tipo persistente, o controle químico com inseticidas pode ser eficiente.

Para te auxiliar com a identificação do pulgão e com o manejo, consulte um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).

Conclusão

Neste texto comentamos que os pulgões são pragas que podem afetar diversas culturas agrícolas, causando danos diretos, presença de fumagina ou serem vetores de viroses.

Também citamos alguns tipos de afídeos que podem ocorrer nas plantas e algumas doenças de origem viral que esse inseto pode transmitir como vetor.

Além disso, abordamos medidas de manejo que podem te auxiliar no combate ao pulgão na sua cultura. 

Agora que você já conhece essas medidas realize um bom controle dos pulgões na sua lavoura!

Você tem problemas com pulgões na sua fazenda? Quais as medidas de manejo utiliza? Adoraria ver seu comentário abaixo!