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Degradação do solo: o que causa, quais as consequências para a agricultura, como recuperar um solo degradado e mais!

O solo é a base da agricultura, onde as plantas encontram condições necessárias para crescer e se desenvolver.

Estima-se que 33% dos solos do mundo estão degradados e, por ser um recurso finito, sua perda e degradação não são recuperáveis em um curto período.

Os principais problemas de degradação enfrentados no Brasil são a erosão, perda de carbono orgânico e o desequilíbrio de nutrientes.

Apesar dos dados alarmantes, é possível agir para conservar e restaurar esse recurso.

Reunimos neste artigo as principais informações sobre a degradação do solo para que você mantenha seu solo produtivo. Confira a seguir!

Consequências da degradação do solo para a agricultura

A degradação do solo está relacionada ao manejo inadequado do solo e da água, ocasionando:

  • perdas de solo por erosão;
  • redução da fertilidade natural devido à lixiviação de nutrientes;
  • compactação do solo;
  • acidificação e salinização do solo;
  • poucos indícios de atividade biológica e matéria orgânica;
  • menor retenção e infiltração de água;
  • assoreamento e contaminação de corpos hídricos;
  • perda da capacidade produtiva do solo;
  • destruição da fauna e da flora.

Dessa forma, torna-se essencial a adoção de práticas conservacionistas do solo para restaurar e manter a sua fertilidade, visando o aumento da produtividade das culturas.

Principais causas da degradação do solo

A degradação do solo pode ser causada por diversos fatores que ocorrem de forma natural ou pela ação do homem. Na atividade agrícola, destacam-se:

Erosão

A erosão é a causa mais visível da degradação do solo. Consiste na retirada e transporte de sedimentos da superfície do solo, principalmente por ação do escoamento superficial das águas de chuva.

Ações humanas como o desmatamento, plantio em terreno inclinado, monocultivo, uso excessivo de fertilizantes e defensivos agrícolas podem intensificar a ocorrência de processos erosivos.

foto de erosão do solo ocasionada pelo excesso de chuva e não adoção de práticas conservacionistas do solo

Erosão do solo ocasionada pelo excesso de chuva e não adoção de práticas conservacionistas do solo
(Fonte: Coagril)

Além de prejuízos ao meio ambiente, a erosão acelerada reduz o potencial produtivo do solo, acarretando perdas na produção agrícola.

A remoção da cobertura vegetal sobre a superfície do solo propicia a ocorrência de erosão, por retirar a proteção do solo contra o impacto direto das gotas de chuva, potencializando sua degradação.

Já o solo coberto apresenta menores perdas de água por evaporação, ajuda a conter a erosão e proporciona maior retenção e infiltração de água no solo.

Veja abaixo algumas práticas agrícolas que auxiliam na diminuição de processos erosivos do solo:

A adoção dessas práticas pode prevenir e/ou reduzir a ocorrência de processos erosivos do solo.

Compactação

A compactação do solo é frequentemente associada à pressão excessiva exercida por implementos agrícolas utilizados no manejo das lavouras.

As alterações físicas do solo ocasionadas por conta dessa pressão formam uma camada compactada, popularmente conhecida como “pé-de-grade”.

Esquema de um solo sem impedimentos no qual operações de revolvimento levaram à compactação limitando o crescimento radicular

Esquema de um solo sem impedimentos no qual operações de revolvimento levaram à compactação limitando o crescimento radicular
(Fonte: Embrapa)

Abaixo alguns sintomas visuais do efeito da compactação do solo:

  • presença de crosta e zonas endurecidas na superfície do solo;
  • empoçamento de água;
  • erosão excessiva;
  • maior potência para o preparo do solo;
  • baixa emergência de plântulas;
  • raízes tortas, deformadas e/ou rasas;
  • folhas com coloração anormal;
  • menor retenção e infiltração de água.

Solos compactados são impermeáveis, o que impede a penetração de água e movimentação de nutrientes.

Esse fenômeno faz com que os atributos químicos, físicos e biológicos do solo sejam alterados, influenciando de forma negativa o crescimento e desenvolvimento das plantas.

Salinização

Em regiões áridas e semiáridas, a concentração progressiva de sais é mais frequente, devido à alta taxa de evaporação da água do solo. Quando a água das chuvas ou da irrigação evapora e não carrega os sais, ocorre a salinização do solo.

Embora seja um processo natural, a baixa eficiência da irrigação e a drenagem insuficiente, podem acelerar esse processo.

foto de salinização em solo com plantação

(Fonte: Amazon Fertilizantes)

Essas ações, quando intensificadas por altas temperaturas, promovem grandes evaporações, ocasionando no acúmulo de sais. Isso torna o solo improdutivo em um curto espaço de tempo e, em casos mais graves, leva à desertificação.

Fatores químicos

Os solos podem se degradar em razão da indisponibilidade de nutrientes ou pela presença de elementos tóxicos para as plantas. Assim, esse tipo de dano se dá por falta ou por excesso de determinados elementos no solo.

A adoção de práticas agrícolas inapropriadas podem levar a desequilíbrios químicos do solo como a calagem, adubação e irrigação inadequadas.

A menor disponibilidade de nutrientes devido a alcalinidade, acidez ou alagamentos, contribuem para a degradação da fertilidade do solo. As causas principais são a salinização e a lixiviação de nutrientes no solo, o que prejudica a sua qualidade.

Uso excessivo de defensivos e fertilizantes

O uso indiscriminado de fertilizantes e defensivos agrícolas são as causas mais frequentes da degradação do solo por contaminação química.

Além de provocar alterações químicas na composição do solo, tornando-o improdutivo e prejudicando o seu funcionamento, pode contaminar o lençol freático.

A utilização de fertilizantes químicos sem análise prévia do solo desestabiliza a disponibilidade de nutrientes para as plantas e o uso indiscriminado de defensivos agrícolas pode destruir a biodiversidade do solo.

Para que isso não ocorra, é necessária a realização de análise química do solo a cada safra para repor os nutrientes extraídos pelas culturas, além da adoção do manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas para diminuir o uso de defensivos agrícolas.

Como evitar a degradação do solo

Existem diversos modos de se evitar a degradação do solo ou corrigir seus efeitos. Algumas delas são: 

  • redução do desmatamento;
  • Sistema Plantio Direto;
  • rotação de culturas;
  • adubação verde;
  • terraceamento;
  • cultivo em contorno;
  • precisão na aplicação de fertilizantes;
  • irrigação de forma correta;
  • controle de queimadas;
  • controle de tráfego.

Essas práticas têm reflexos na qualidade do solo e, consequentemente, no aumento da produtividade das culturas, garantindo a sustentabilidade agrícola.

Além disso, são necessárias políticas públicas e legislações para estimular o produtor na adoção dessas práticas conservacionistas do solo.

checklist planejamento agrícola Aegro

Conclusão

O processo de degradação do solo, bem como suas causas e consequências, ocorre por diversas razões e ocasiona perda de produtividade.

A adoção de práticas conservacionistas do solo é primordial para amenizar os efeitos críticos da degradação, que comprometem a fertilidade do solo, diminuem a área produtiva e causam poluição e assoreamento em corpos d’água.

Adote práticas conservacionistas do solo para garantir o máximo potencial produtivo da sua lavoura.

Agora que você tem essas informações, não deixe de observar sinais de degradação do solo em sua propriedade!

Restou alguma dúvida sobre a degradação do solo? Qual a maior dificuldade em adotar práticas conservacionistas do solo em sua propriedade? Adoraria ler seu comentário abaixo!

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