Dessecação para pré-plantio de milho: Saiba quais pontos considerar e quais produtos utilizar no manejo das principais plantas daninhas
A entressafra com certeza é o momento ideal para fazer um bom manejo de plantas daninhas na sua lavoura! Nesse período, é possível utilizar muitas técnicas de manejo como o controle cultural, mecânico e químico.
No caso do manejo químico, utilizar uma quantidade maior de mecanismos de ação de herbicidas melhora o controle de plantas daninhas de difícil controle e previne a resistência.
E como realizar um manejo eficiente de plantas daninhas antes do plantio de milho? Saiba mais a seguir:
Índice do Conteúdo
Dessecação de plantas daninhas para pré-plantio de milho: Principais pontos
A cultura do milho possui uma capacidade maior de competição com plantas daninhas, podendo conviver até 30 dias sem perdas na produtividade.
Porém, o alto investimento justifica que seja feito um ótimo manejo de plantas daninhas na entressafra.
Saiba os principais pontos na dessecação de plantas daninhas para pré-plantio de milho:
- Realizar a correta identificação de plantas daninhas;

Plântula de capim-amargoso
(Fonte: Lorenzi, 2014 )
- Rotacionar técnicas de manejo para evitar a seleção de plantas daninhas resistentes a herbicidas;
- Controlar plantas daninhas dentro do estádio recomendado de controle: 2 a 4 folhas para folhas largas; e 2 a 3 perfilhas para gramíneas;

Plântula de leiteiro, no estádio ideal de controle
(Fonte: Lorenzi, 2014)

Plântula de capim-branco, no estádio ideal de controle
(Fonte: Arquivo do autor)
- Realizar manejo outonal ou antecipado, com uso de aplicações sequenciais;

Inversão de flora após manejo de plantas daninhas perenizadas
(Fonte: Arquivo do autor)
- Usar de herbicidas pré-emergentes;
- Respeitar período residual de herbicidas para evitar Carry over (danos a culturas seguinte);
- Seguir as boas práticas na tecnologia de aplicação.
Dessecação para pré-plantio de milho: Principais herbicidas utilizados no manejo de entressafra
Quando houver plantas daninhas de folhas largas (buva, por exemplo) e folha estreita (ex: capim-amargoso) de difícil controle na área, deve-se priorizar o manejo de plantas de folhas estreita na entressafra, devido à seletividade do milho.
Herbicidas pós-emergentes:
Paraquat
Quando aplicar: pode ser utilizado em plantas pequenas provenientes de sementes (< 10 cm) ou em manejo sequencial para controle da rebrota de plantas maiores,
Espectro de controle: não seletivo.
Dosagem recomendada: 1,5 a 2,0 L ha-1.
Pode ser misturado com: apresenta muitos problemas com incompatibilidade de calda.
Cuidados: Necessidade de bom molhamento das folhas. Está sendo retirado do mercado por problemas de toxicidade.
2,4 D
Quando aplicar: utilizado nas primeiras aplicações de manejo sequencial.
Espectro de controle: plantas daninhas de folhas largas (ex: buva).
Dosagem recomendada: 1,2 a 2 L ha-1.
Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato) e/ou pré-emergentes. Cuidado com problemas de incompatibilidade no tanque (principalmente graminicidas).
Cuidados: Cuidar com período entre a aplicação de 2,4D e o plantio de milho, nas doses recomendadas, esperar um período mínimo de 8 dias.
Glifosato
Quando aplicar: possui ótimo controle de plantas pequenas (até 2 perfilhos) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial.
Espectro de controle: não seletivo.
Dosagem recomendada: 2,0 a 4,0 L ha-1.
Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: 2,4 D, graminicidas), pré-emergentes (ex: sulfentrazone) ou de contato (ex: saflufenacil).
Produtos à base de dois sais ou em formulação granulada possuem maiores problemas de incompatibilidade de calda!
Cuidados: muitos casos de resistência. Há perdas de eficiência quando associado a produtos que aumentam o pH da calda.
Glufosinato de amônio
Quando aplicar: pode ser utilizado em plantas pequenas provenientes de sementes (< 10 cm) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores.
Espectro de controle: não seletivo, porém mais efetivo em folhas largas.
Dosagem recomendada: 2,5 a 3,0 L ha-1.
Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e graminicidas).
Saflufenacil
Quando aplicar: pode ser utilizado em plantas pequenas (< 10 cm) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores.
Espectro de controle: plantas daninhas de folhas larga (ex: buva).
Dosagem recomendada: 70 a 100 g ha-1.
Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato).
Cletodim
Quando aplicar: possui ótimo controle de plantas pequenas (até 2 perfilhos) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial.
Espectro de controle: controle de gramíneas.
Dosagem recomendada: 0,5 a 1,0 L ha-1.
Pode ser misturado com: geralmente associado ao glifosato. Quando misturado com 2,4 D, aumentar 20% da dose de clethodim.
Haloxyfop
Quando aplicar: possui ótimo controle de plantas pequenas (até 2 perfilhos) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial.
Espectro de controle: controle de gramíneas.
Dosagem recomendada: 0,55 a 1,2 L ha-1.
Pode ser misturado com: geralmente associado ao glifosato. Quando misturado com 2,4 D, aumentar 20% da dose de haloxyfop.
O uso de adjuvantes deve seguir a recomendação de bula!
Herbicidas pré-emergentes:
Atrazine
Atualmente o herbicida mais utilizado para a cultura do milho!
Quando aplicar: Pode ser aplicado na pré-emergência da cultura imediatamente antes da semeadura, simultaneamente ou logo após a semeadura. Em aplicações em pós-emergência da cultura e plantas daninhas, deve-se acrescentar óleo vegetal.
O produto fornece bom controle quando aplicado na pré-emergência ou pós-emergência precoce das plantas daninhas.
Espectro de controle: controla plantas daninhas de folha larga como picão-preto, guanxuma, caruru, corda-de-viola, nabo, leiteira, poaia, carrapicho-rasteiro e papuã.
Também é muito utilizada para controle de soja tiguera no milho, em aplicação isolada ou associada aos herbicidas mesotrione ou nicosulfuron!
Lembre-se, é muito importante que haja um manejo eficiente da soja tiguera para se respeitar o vazio sanitário.
Dosagem recomendada: 3 a 5 L ha-1, dependendo das características do solo e plantas daninhas presentes.
Pode ser misturado com: glifosato (se misturado em pós-emergência – milho RR), mesotrione, nicosulfuron, S-metolachlor e simazine.
Cuidados: Recomenda-se aplicação em solo úmido. Aplicação em solo seco, período de seca após aplicação de até 6 dias ou presença de palha cobrindo o solo (plantio direto) podem diminuir a eficiência do produto.
S-metolachlor
Herbicida com grande potencial de ser inserido no manejo de plantas daninhas na cultura do milho. Pode ser utilizado para ampliar o espectro de controle de herbicidas para folha larga.
Quando aplicar: na pré-emergência da cultura e das plantas infestantes.
Espectro de controle: Ótimo controle de gramíneas de semente pequena (ex: capim-amargoso, capim-pé-de-galinha e papuã), e bom controle de algumas folhas largas de sementes pequenas (ex: caruru, erva-quente e beldroega)
Dosagem recomendada: 1,5 a 1,75 L ha-1, dependendo da planta daninha a ser controlada.
Pode ser misturado com: atrazine e glifosato.
Cuidados: Deve ser aplicado em solo úmido.
Isoxaflutole
Herbicida técnico que exige alguns conhecimentos prévios quanto a características do solo (teor de argila e matéria orgânica) e cuidados com as condições climáticas no momento e após a aplicação.
É muito importante consultar e seguir as recomendações da empresa para evitar toxicidade no cultivo.
Quando aplicar: deve ser aplicado na pré-emergência do milho e das plantas daninhas.
Espectro de controle: exerce bom controle em gramíneas anuais e algumas folhas largas como caruru e guanxuma.
O grande diferencial deste herbicida é que, em condições de seca, ele pode permanecer no solo por um período razoáv 80 dias), até que nas primeiras chuvas é ativado, o que irá coinc (opens in a new tab)”>el (> 80 dias), até que nas primeiras chuvas é ativado, o que irá coincidir com a emergência de várias plantas daninhas.
Dosagem recomendada: 100 a 200 mL ha-1, dependendo das características do solo e plantas daninhas presentes (somente para solos com textura média e pesada).
Pode ser misturado com: atrazine.
Cuidados: Não é recomendado para solo arenoso e com baixo teor de matéria orgânica.
Trifluralina
Herbicida muito utilizado no passado que pode voltar a ser inserido no manejo de plantas daninhas do milho, principalmente devido ao lançamento de novas formulações que não necessitam ser incorporadas (menor problema com fotodegradação).
Quando aplicar: no sistema de plante-aplique ou até 2 dias após da semeadura do milho.
Espectro de controle: bom controle de gramíneas de semente pequena
Dosagem recomendada: 1,2 a 4,0 L ha-1, dependendo da planta daninhas a ser controlada e nível de cobertura do solo.
Pode ser misturado com: atrazine e glifosato.
Cuidados: Deve ser aplicado em solo úmido e livre de torrões. Solo coberto com resíduos vegetais (palha) ou com alta infestação de plantas daninhas diminuem a eficiência do produto.
>> Leia mais: “Plantação de milho: 5 passos para maior produção e lucro”
Conclusão
Neste artigo vimos a importância do manejo eficiente de dessecação para pré-plantio de milho.
Discutimos a quais principais pontos o produtor deve se atentar para realizar o planejamento do manejo de plantas daninhas na entressafra.
Falamos sobre as principais ferramentas de controle químico que podem ser utilizadas no período de entressafra. Discutimos ainda como realizar seu posicionamento correto para não ocasionar danos à cultura do milho.
Com essas informações, tenho certeza que você irá realizar um bom manejo de herbicidas!
>> Leia mais:
“Como funciona o herbicida tembotrione para controle de plantas daninhas“
Quais herbicidas você utiliza na dessecação para pré-plantio de milho? Aproveite e baixe gratuitamente aqui o Guia para Manejo de Plantas Daninhas e saiba como controlá-las melhor em sua lavoura!
Tenho uma área de 700 hectares toda formada em.capim, como MG 4. Consorciada com estilojante campo grande. E braquiara consorciado com bufo Arido. E braquiarinha com MG 4. Porém se passaram 3 anos, que não faço a roçagem, o.pasto foi tomado por uma planta chamada na.nossa regiao Ibiai MG, as margem do Rio Sao Francisco. De PAUDOLIM. Como faço para elimina-lo. Pois ela tem uma batata muito funda na raiz.
Por favor pode me orientar.
Email jeru.santinense@yahoo.com.br
Fone 038.99913.8530
Eustaquio Urzedo.
Muito interessante a matéria me ajudou muito com meu estágio
Boa noite Rejane,
Obrigado pelo comentário, continue nos acompanhando.
Abraço!
Caro Pedro,
” Manejos na dessecação para pré-plantio de milho ” é um trabalho de excelente qualidade e aconselhável para o produtor de milho.
Meus parabéns para maravilhosa obra.
Boa noite Marcílio,
Muito Obrigado! Continue nos acompanhando!
Abraço!
Boa noite! Agora com a restrição do paraquat e a utilizacao do glufosinato na dessecação da soja existe um Intervalo entre a dessecação com glufosinato e o plantio do milho? Ou o plantio poderia ser feito de imediato ??
Oi, Luiz.
Eu sou a Lara da comunicação da Aegro.
O glufosinato não tem residual no solo, então pode ser aplicado até um dia antes da semeadura do milho que não tem problema. 🙂
Grande abraço!