fenômenos meteorológicos na agricultura

Entenda os principais fenômenos meteorológicos na agricultura e planeje melhor sua produção

- 4 de fevereiro de 2021

Fenômenos meteorológicos na agricultura: tire suas dúvidas sobre El Niño, La Niña e microclima e o que fazer para preparar sua lavoura!

O bom desenvolvimento da atividade agrícola é dependente do clima. Além do solo, a umidade e a temperatura impactam diretamente na germinação ou não da semente e no andamento da lavoura. 

As mudanças climáticas alteram todo o desenvolvimento das culturas, com ventos, falta ou excesso de chuva e temperatura aumentando. 

Mas quais são de fato os fenômenos que você deve estar atento?

Neste artigo, eu separei o que você deve conhecer sobre o “tempo” e qual sua principal influência nas atividades agrícolas. Confira!

Fenômenos meteorológicos que afetam a agricultura

Acompanhar as previsões climáticas ao longo de toda a safra pode fazer a diferença para acertar nos manejos da propriedade.

Monitorar o clima diariamente até já é rotina para grande parte dos produtores, mas existem processos climáticos mais amplos que são muito importantes de serem considerados quando se planeja uma safra.

Um dos fenômenos que causa variabilidade climática na América do Sul é o chamado fenômeno Enos (El Niño e La Niña), que afeta diretamente o regime de chuvas de várias regiões. 

Vou explicar melhor esses e outros eventos climáticos a seguir.

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Chuvas

As chuvas são um dos fenômenos meteorológicos mais possíveis de se prever. Elas são fundamentais para a agricultura, principalmente quando bem distribuídas.   

As chuvas são divididas em:

  • orográficas: geradas quando há um impedimento da massa de ar úmida por uma montanha.
  • convectivas: são as chuvas decorrentes de altas temperaturas.
  • frontais: ocorre pelo choque de uma massa de ar fria com uma massa de ar quente.

Em cada região do Brasil, as chuvas também são influenciadas por zonas diferentes como ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul) e ZCIT (Zona de Convergência Intertropical). 

Nesse caso, as regiões Sudeste e Centro-Oeste são influenciadas pela ZCAS e as regiões Nordeste e Norte pela ZCIT. 

A expectativa, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), para o verão de 2021 são chuvas frequentes em praticamente todo o país. 

São exceções o extremo sul do Rio Grande do Sul, leste da região Nordeste e a faixa nordeste de Roraima, onde geralmente o total de chuva é inferior a 400 mm. 

Volumes mais altos de precipitação devem ser observados sobre as regiões Norte e Centro-Oeste, com totais na faixa entre 700 mm e 1.100 mm. 

E falando em chuvas, um fenômeno meteorológico que ocorre no Brasil e influencia o clima do país é o chamado rios voadores, que são cursos de água atmosféricos. 

Segundo o pesquisador da Fapesp, Antônio Donato Nobre, este é um fenômeno que ocorre na Amazônia e influencia outras regiões do Brasil em seu regime de chuvas, como o Centro-Oeste, o Sudeste e o Sul. 

Vale muito conferir essa entrevista do professor sobre o assunto no vídeo a seguir!

Fenômenos Enos

Esse fenômeno é o aquecimento ou resfriamento das águas do oceano Pacífico Equatorial, promovidos pelas duas famosas variações: El Niño (águas mais quentes) ou La Niña (águas mais frias). 

Ele impacta o regime de chuvas, embora o regime térmico também possa ser afetado. 

Sua influência ocorre em cerca de 20 regiões no mundo. No Brasil, as regiões mais afetadas são a parte nordeste e leste da Amazônia (na faixa tropical) e a região Sul (na faixa extratropical).

Vale a pena dar uma conferida nesse vídeo que explica claramente como funciona essa dinâmica na zona tropical do oceano:

El Niño

Os efeitos do El Niño vão do aumento de chuvas ao aumento de temperaturas. Em cada região do país, os efeitos são sentidos de forma diferente.  

No Sul e Sudeste, ocorre um aumento da temperatura média. No sul, as precipitações também ficam mais abundantes. 

Já no Nordeste e Norte, há aumento das secas. 

No Centro-Oeste, a tendência é de aumento de temperatura, mas sem efeitos pronunciados nas chuvas.

La Niña

De modo geral, o La Niña tem efeito contrário ao El niño. Em 2021, o Instituto Americano de Meteorologia e Oceanografia manteve o cenário de La Niña para o verão, chegando ao fim no decorrer do outono.

O La Niña tende a favorecer as culturas de inverno (trigo, cevada, aveia, canola, etc) e prejudicar as culturas de verão (soja, milho, feijão, pastagem). Já o El Niño tem efeito inverso.

Microclima

O microclima é o agrupamento desses fenômenos que acontecem na camada de ar junto à cultura ou ao solo, influenciado diretamente pela localização da lavoura, o tipo de solo e altura da cobertura do solo.

O que promove algumas condições melhores para evitar muito calor ou escassez de água, por exemplo, são práticas como: 

Assim como o fenômeno dos rios voadores, a vegetação próxima às suas lavouras e a cobertura do solo fazem toda a diferença tanto na proteção das áreas quanto a adversidades como ondas de frio e calor, secas e geadas.

Sobre esse assunto, vale a pena conferir também o artigo “Como prevenir a perda de grão por geada”

Outros pontos a serem considerados

Para minimizar os impactos das condições climáticas, alguns pilares podem ser trabalhados:

  • aumento do perfil do solo
  • maior exploração do sistema radicular
  • escolha de genética adequada, genética mais produtiva; 
  • posicionamento.

Por isso, a construção de um bom solo é necessária, com boa capacidade de armazenamento de água. 

As mudanças climáticas trazem tendências como o aumento da temperatura, o que consequentemente altera a taxa de sobrevivência de pragas, parasitas, patógenos de plantas e micróbios do solo, além de estações de cultivo mais longas. 

Nesse cenário, é preciso planejar melhor a produção, utilizar soluções inteligentes como a agricultura digital e manejos mais sustentáveis do solo.

Além disso, não deixe de analisar o zoneamento climático agrícola: ele é fundamental!

Dicas para planejar melhor a sua produção

No planejamento da safra, é preciso manter o hábito de verificar os boletins de previsão de tempo como os do Inmet.

Além disso, vale acompanhar diariamente e realizar o ajuste do manejo da lavoura de produção de grãos, aguardando as melhores condições para plantio, manejos de aplicações, irrigação e a colheita.

No Aegro você tem integração direta com o Climatempo, que apresenta:

  • previsões de 24h (temperatura, velocidade, direção do vento, janela de pulverização);
  • previsões de 15 dias (janela de pulverização, temperatura, probabilidade e precipitação de chuva, umidade e evapotranspiração, vento e rajada);
  • histórico de 2 meses (precipitação e precipitação acumulada).

Fica ainda mais fácil programar as operações da fazenda e os dados meteorológicos, possibilitando mitigar os efeitos do clima em sua lavoura e, posteriormente, analisar e correlacionar melhor a relação entre o resultado da safra e o clima.

Conclusão

Vamos precisar nos adaptar e inovar nos próximos anos para melhor manejar nossas lavouras de acordo com as condições climáticas. 

Quase todos reconhecem que os padrões climáticos estão mudando e a agricultura sente de maneira profunda essa mudança. Talvez seja um dos maiores desafios da nossa atualidade. 

Acompanhar as previsões no planejamento da safra é básico. E conhecer melhor os eventos climáticos que podem impactar a agricultura é fundamental.

Espero que com as informações passadas aqui você consiga ter um melhor entendimento e ações em sua lavoura!

>> Leia mais:

“As melhores práticas para o reúso da água na agricultura

“A influência da lua na agricultura: verdades e mitos”

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