Culturas de inverno: Alternativas de plantio, quais espécies utilizar e como se preparar para ter mais rentabilidade na segunda safra.

As culturas de inverno são opções rentáveis para pequenos, médios e grandes produtores.

Elas diversificam a renda, além de promover melhoras significativas no sistema de produção como um todo.

Mas nem sempre a dobradinha ‘soja-milho’ é a mais vantajosa na sua propriedade.

Veja a seguir as melhores alternativas, vantagens, limitações e como se preparar para um plantio de inverno mais rentável!


Culturas de inverno: Alternativas de plantio

Culturas de inverno são gramíneas, oleaginosas ou leguminosas que sucederão a área ocupada com milho ou soja de verão durante período de janeiro/fevereiro até agosto/setembro, visando a produção de grãos, fibra ou biomassa.

São várias as opções viáveis como:

  • Milho;
  • Sorgo;
  • Trigo;
  • Aveia;
  • Centeio;
  • Canola;
  • Crambe;
  • Feijão;
  • Girassol;
  • Culturas de cobertura (utilizadas como adubo verde ou produção de biomassa).

Sua escolha deve ser marcada pela oportunidade econômica da região, optando pela cultura com melhor rentabilidade.

Além disso, preze pelo terceiro pilar do Sistema de Plantio Direto: a rotação de culturas.

Em muitos locais, a sucessão soja-milho é o padrão na escolha. Mas, o uso desse sistema ao longo dos anos, de modo consecutivo, pode gerar problemas. Isso porque há especialização de daninhas, pragas e doenças na área e, consequentemente, o uso dos mesmos fitossanitários, que começam a apresentar menor eficiência de controle.

Mais adiante veremos quais opções podem ser utilizadas pelos produtores como culturas de inverno e como se preparar para o plantio.

culturas de inverno
Trigo é uma das culturas de inverno que podem gerar boa rentabilidade
(Fonte: Embrapa)

Características das culturas de inverno

As plantas cultivadas na entressafra apresentam diversas características fisiológicas. Assim, podem se mostrar viáveis em diferentes tipos de solo e condições climáticas.

Na região sul, o período de entressafra apresenta menores temperaturas. Por isso, plantas como trigo, aveia ou centeio são indicadas para serem cultivados em sucessão à soja de verão.  

Já em locais com problemas de déficit hídrico, uma opção é a aveia, que apresenta maior tolerância à seca quando comparada ao trigo, por exemplo.

Na região centro-oeste ou sudeste, são indicados sorgo, feijão, girassol, crambe e até mesmo variedades de trigo adaptadas a temperaturas mais altas.

A escolha da espécie da segunda safra deve ser associada também à cultura semeada no verão.

Quando a soja é a cultura da safra, você pode ter mais vantagens no sistema se optar por uma gramínea para sucessão.

Optando por uma cultura de inverno com características diferentes da cultura de verão, o sistema de produção sofrerá menos com a especialização de doenças, pragas e ervas daninhas.

E, utilizando fitossanitários com diferentes modos de ação, o sistema de produção se manterá com maior eficiência por mais tempo!

Na figura a seguir podemos ver um exemplo de como optar pela cultura de inverno de acordo com a cultura de verão:

culturas de inverno
Recomendações para a composição de programas de rotação de culturas para soja, milho, trigo e feijão, em SPD
(Fonte:  Fancelli, 2008)

Segundo Fancelli, em glebas que apresentem nematoides de galha, deve-se utilizar preferencialmente espécies de crotalárias como cultura antecessora.

É preciso tomar cuidado com o cultivo indiscriminado de nabo forrageiro e girassol, pois podem contribuir significativamente para aumento de Sclerotinia sp.

A presença de nematoide migrador (Pratylenchus brachyurus) exige o emprego de Crotalaria spectabilis, sobretudo quando antecede a lavoura de soja.

Benefícios das culturas de inverno para o sistema de produção

Como eu mencionei, as culturas de inverno podem melhorar a eficiência do sistema de produção como um todo.

Cada espécie apresenta uma demanda diferente por nutrientes e potencial de competição maior com algumas espécies de plantas invasoras. Também têm diferentes resistências e tolerâncias a patógenos e pragas.

Desse modo, com a utilização de diferentes culturas de inverno ao longo dos anos, o sistema terá um equilíbrio entre esses fatores.

Uma planta daninha problema, como a buva na soja, pode ser amenizada com a entrada de uma planta que consiga competir melhor com essa espécie.

É o caso do trigo e da aveia, que apresentam espaçamentos menores, além de efeitos alelopáticos que podem diminuir a germinação das daninhas.

Com essa variação, é possível usar outros fitossanitários, como pré ou pós-emergentes no caso das daninhas, diferentes inseticidas e fungicidas, aumentando a eficiência do uso desses produtos nas culturas.

Outras melhoras significativas para o sistema ocorrem no solo.

Veja na figura abaixo que essas culturas apresentam diferentes arquiteturas radiculares e diferentes relações entre carbono e nitrogênio.

Isso pode minimizar a erosão, maximizar a conservação de água no sistema, reduzir o gradiente de temperatura e manter o potencial biológico do solo.

culturas de inverno
Exemplo das diferentes demandas e arquiteturas radiculares das opções de entressafra
(Fonte: Adaptado de Séguy L. & Bouzinac S. (2008))

Como se preparar para o plantio de inverno

Você pode escolher entre diversas opções de culturas de inverno através do zoneamento climático de cada talhão.

Pode ainda optar por rotacionar áreas da sucessão soja-milho semeando outras espécies no lugar do milho em algumas áreas, fazendo rotação de talhões ao longo dos anos.

Para a semeadura de algumas espécies de culturas de inverno (trigo, aveia, cevada), é necessário usar semeadoras de fluxo contínuo.

Elas apresentam sistema de distribuição de sementes de forma contínua, com espaçamento entre linhas reduzido, em torno de 17 cm.

Nesse momento, há duas opções de maquinário para a implantação da cultura:

  • Semeadora específica de grãos miúdos;
  • Semeadoras múltiplas (realizam semeadura de grãos miúdos e grãos graúdos).

As semeadoras múltiplas apresentam maior versatilidade para o produtor, possibilitando a introdução de culturas diferentes no sistema de produção.

Para o uso de sementes miúdas, as semeadoras múltiplas devem sofrer algumas modificações antes. Deve haver a retirada dos sulcadores de adubo e do sistema distribuidor de sementes de grãos graúdos, além da redução do espaçamento entre linhas.

Essas transformações variam e são específicas para cada modelo.

Rentabilidade das culturas de inverno

É desejável que a produção obtida no plantio de inverno apresente liquidez no mercado.

Dessa maneira, a seleção da cultura de sucessão vai se adequando regionalmente, conforme a produção que apresente melhor rentabilidade.

Em anos de baixa nos preços do milho, o produtor pode optar por cultivar parte da área com outra cultura na entressafra. Assim, colherá os benefícios dessa rotação nos anos futuros.

Outra situação recorrente é o atraso no plantio da safra e consequente atraso no plantio da entressafra, o que pode penalizar o plantio de milho.

Nesse caso a escolha de outra cultura de inverno pode trazer mais benefícios a curto e longo prazos.

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Conclusão

As culturas de inverno são opções rentáveis para o produtor. Elas apresentam vantagens monetárias e de melhora no sistema de produção em comparação ao pousio.

Mas, como vimos, nem sempre a sucessão soja-milho é a mais viável a longo prazo. É possível inserir outras espécies na entressafra, aumentando assim a rentabilidade do sistema ao longo dos anos.

Desse modo, o uso de diferentes culturas de inverno ajuda na efetividade do plantio direto.

E, com base na rotação de culturas, na segunda safra você poderá colher os frutos da adoção do sistema durante o tempo.

Além disso, terá mais opções frente às variações de preço do mercado.

Em quais culturas de inverno você investe? Restou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo!