Gestão de herbicidas: quais cuidados você deve tomar para um manejo eficiente e econômico de herbicidas
A qualidade e produtividade das plantas e a colheita mecanizada são negativamente afetadas pela presença de plantas daninhas.
Sem os herbicidas, o controle de plantas daninhas seria realizado manualmente.
O custo do controle pode triplicar quando há plantas resistentes a um ou mais modos de ação de herbicidas na lavoura. Por isso, plantas resistentes a herbicidas na lavoura merecem atenção redobrada!
Neste artigo, você verá como praticar a gestão de herbicidas e ter maior produtividade e qualidade do produto com o controle das plantas daninhas.
Índice do Conteúdo
Importância do uso e da gestão de herbicidas
A utilização de herbicidas é importante na produção agrícola brasileira porque permite minimizar a competição das culturas de interesse com plantas daninhas, e assim, maximizar os rendimentos da lavoura.
Culturas como soja, milho, trigo, feijão, algodão e cana-de-açúcar são produzidas em larga escala em grandes áreas e são dependentes dos herbicidas para reduzir a matocompetição.
A matocompetição é a “disputa” por espaço, luz, água e nutrientes de plantas daninhas com as cultivadas. Além de reduzir a produtividade das culturas, as espécies invasoras comprometem a qualidade dos grãos/sementes/pluma e a colheita mecânica.

Capim-amargoso (Digitaria insularis) na soja
(Fonte: Agronegócio em foco)
Não é só a falta de controle das plantas daninhas que gera prejuízos. Estratégias mal elaboradas ou falta de planejamento também resultam em danos.
O gerenciamento adequado do uso de herbicidas envolve a diversificação dos produtos. Ela deve ser realizada pela rotação de moléculas com diferentes mecanismos de ação.
Também é essencial que sejam respeitadas as orientações quanto à dosagem. Essas estratégias contribuem para prevenir a seleção de genótipos resistentes.
Ainda é importante conhecer o momento correto para a aplicação dos herbicidas. Ele é determinado pelo estádio de desenvolvimento da planta daninha e da cultura.
Má gestão dos herbicidas, aplicações não planejadas no estádio inadequado de desenvolvimento da cultura ou da daninha, além das sub ou super doses são comuns no campo.
Tudo isso pode gerar problemas sérios, como a seleção de plantas resistentes.
Resistência de plantas daninhas aos herbicidas
Os índices de resistência de plantas daninhas a herbicidas vem crescendo de forma alarmante, resultado do uso equivocado de herbicidas.
No Brasil, algumas plantas invasoras já apresentaram resistência ao glifosato. A buva (Conyza spp.) e o capim-amargoso (Digitaria insularis) são os principais exemplos.
Em um estudo realizado em 2017 pela Embrapa, foi determinado que no sistema de produção da soja, os prejuízos causados pela resistência de plantas a herbicidas se aproximam de R$ 5 bilhões anualmente.
Hoje, o custo com o manejo de plantas daninhas pode triplicar em lavouras com plantas resistentes quando comparado a um cenário sem elas.
Em lavouras com a presença de espécies resistentes aos herbicidas, os custos com o manjo podem triplicar. Isso quando comparados ao controle feito em áreas sem genótipos resistentes.
Custo do controle de daninhas
Operações de pulverização com herbicidas são um custo relevante na safra. As diversas aplicações e o valor dos produtos tornam essencial o gerenciamento desta prática.
O conhecimento do histórico da área, das espécies predominantes ou existência de plantas resistentes auxilia o produtor na escolha de diferentes tratamentos.
O custo varia de acordo com o tamanho da área, com o grau de infestação da lavoura e da estratégia de manejo utilizada.
Não procure a forma mais barata de manejar plantas daninhas, mas sim a mais eficiente. Doses fora do recomendado e produtos inadequados selecionam plantas resistentes.
Veja na tabela abaixo como os custos aumentam à medida que há uma ou mais plantas com resistência na área, e entenda como a falta de gerenciamento pode encarecer o manejo.

Custo (em 2017) do controle de diferentes plantas resistentes ao glifosato
(Fonte: Embrapa Soja)
Em áreas em que não há presença de plantas resistentes, o manejo se resume a uma aplicação (de glifosato) na dessecação e uma ou duas em pós-emergência.
Segundo a Embrapa, o custo médio para o controle de plantas espontâneas é de R$ 120 por ha por safra.
No entanto, numa área onde há plantas com resistência ao glifosato, é necessário a combinação de mais de um produto para garantir a eficiência do manejo.
Em caso de resistência múltipla, as opções de herbicidas são ainda mais restritas. Nesse caso, os custos podem chegar a R$ 380 por ha por safra.
Como controlar as plantas daninhas de forma eficiente
Para que a aplicação dos herbicidas seja eficiente, você precisa ter planejamento e saber como e quando irá fazer. Para isso:
- Respeite as orientações da bula do produto quanto à dosagem e modo de aplicação;
- Siga as orientações relativas às normas de segurança e ao uso de equipamento de proteção individual;
- Realize a aplicação do herbicida somente sob condições climáticas favoráveis;
- Em caso de mistura de produtos, avalie a compatibilidade dos herbicidas;
- Utilize equipamentos limpos, regulados e calibrados;
- Conheça as plantas invasoras predominantes na área e a melhor época para realizar o controle.
Como a agricultura de precisão pode ajudar na gestão de herbicidas
Uma boa forma de controlar a aplicação de herbicidas é gerenciar através de planilhas o histórico de cada área ou talhão, registrando, por exemplo:
- espécies daninhas presentes, com ou sem resistência;
- produtos utilizados (modo de ação, ingrediente ativo);
- estádio da planta daninha e comercial no momento das pulverizações;
- custo de aplicação (considerar todas as variáveis);
- produtividade e valor de venda do produto.
Todas as informações possíveis de registrar são importantes, permitindo ao final da safra avaliar qual
Quanto mais informações forem coletadas melhor. Isso permite avaliar quais áreas merecem mais atenção, qual manejo foi mais eficiente e economicamente viável.
Essas informações são muito importantes para o gerenciamento das próximas safras.
A informatização dos dados com a agricultura de precisão reúne técnicas que vêm se tornando comuns nas propriedades agrícolas, e auxiliam no gerenciamento da informação e do manejo.

Mapa digital de identificação de plantas daninhas
(Fonte: Avantagro)
Hoje há equipamentos que fazem o mapeamento de plantas daninhas na lavoura através de sensores, e junto da tecnologia de aplicação em taxa variável, reduzem o número de aplicações de 40% a 60%.
Conclusão
Para o controle eficiente das plantas daninhas, realize a aplicação dos herbicidas seguindo as recomendações abordadas neste artigo.
Use os produtos e doses indicadas, no momento certo, analisando a espécie invasora e a cultura que será ou está plantada, para não errar o manejo. Isso irá te auxiliar no controle dos gastos com herbicidas.
Tenha a gestão de herbicidas como uma rotina na propriedade, para que não surjam casos de plantas daninhas resistentes. Assim, você irá aumentar sua produtividade sem elevar custos.
Tome muito cuidado com as daninhas resistentes. Elas podem se tornar um gasto muito grande. Utilize a rotação de princípio ativo e modo de ação para evitar esta dor de cabeça.
E por fim, utilize as ferramentas disponíveis no mercado, inove na sua propriedade, busque novos conhecimentos com pessoas capacitadas e invista em novas tecnologias.
Todos esses passos te ajudarão a gerenciar e aumentar seus lucros!
>> Leia mais:
“Tudo o que você precisa saber sobre plantas daninhas na pré-safra”
“Como fazer o controle não químico das plantas daninhas”
“Tudo a respeito do novo herbicida terbutilazina”
Este artigo te ajudou a entender melhor como a gestão de herbicidas pode aumentar sua lucratividade sem elevar os seus custos? Conte-nos sua experiência aqui nos comentários!