Inseticida piretroide: Como fazer o melhor uso dele

Inseticida piretroide: Entenda melhor como funcionam, qual a melhor maneira de utilizá-los e como prevenir a resistência de insetos aos produtos desse tipo.

Os piretroides são alguns dos inseticidas mais utilizados na agricultura hoje, com resultados efetivos contra diversas pragas agrícolas.

Mas seu uso requer cuidados com misturas e, principalmente, quanto ao intervalo de aplicações.

A utilização incorreta pode gerar populações de insetos resistentes na sua lavoura. E aí os prejuízos são muitos.

Neste artigo, vamos entender o modo de ação do inseticida piretroide e como fazer o melhor uso dele. Confira a seguir!

O que é inseticida piretroide: como consultar doses, bula e aplicações

Os inseticidas piretroides são defensivos químicos com compostos extraídos de flores de Chrysanthemum cinerariaefolium e Chrysanthemum coccineum, da família Asteraceae. Controlam diversas pragas, desde percevejos e lagartas até moscas.

Produtos comerciais registrados podem ser consultados no Agrofit, do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

inseticida piretroide

Ao consultar o inseticida piretroide que você queira utilizar na sua cultura, leia a bula do produto, veja a dose recomendada, quantas vezes pode aplicar e qual o intervalo entre as aplicações.

É importante que você entenda que este grupo de inseticidas possui muitos ingredientes ativos.

E o que seria um ingrediente ativo? É a substância química principal presente no inseticida, mas terá o mesmo princípio ativo do seu grupo químico, neste caso, dos piretroides.

Dentro do grupo dos piretroides existem mais de 30 ingredientes ativos com diferentes formulações e marcas comerciais.

E eles são registrados para controle de pragas em diversas culturas. Vou mostrar alguns dos mais usados para grãos.

Inseticida piretroide para soja e milho

Bifentrina

Este ingrediente ativo possui 25 produtos comerciais registrados no site do Mapa.

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Atua como acaricida, formicida e inseticida. São registrados para diversas culturas, dentre elas algodão, feijão, milho e soja.

O que é Cipermetrina?

Este ingrediente ativo possui 21 produtos comerciais registrados no site do Mapa.

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Atuam como formicidas e inseticidas. São registrados tanto para culturas anuais como perenes. São bastante utilizados para controle de pragas do algodão, milho e soja.

Deltametrina

Este ingrediente ativo possui 7 produtos comerciais registrados no site do MAPA.

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Algumas marcas comerciais têm registro para espécies cultiváveis de solanáceas. Mas, na cultura do milho, atua bem no controle inicial de lagarta-do-cartucho.   

Lambda-cialotrina

Este ingrediente ativo é um dos mais utilizados e tem 29 produtos comerciais registrados no site do MAPA.

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Também tem registro para diversas culturas, principalmente, algodão, milho e soja. Em soja, são bastante utilizados para controle de percevejo-verde.

Suponhamos que você teve que recorrer ao uso de um inseticida piretroide.

Você está tendo problemas com a larva-alfinete na sua lavoura de milho e te indicaram o ingrediente ativo bifentrina.

Ao consultar o site do MAPA, escolheu o inseticida Seizer 100 EC.  

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Na bula, a recomendação é de que a dose seja de 200 a 300 mL de produto em um ha. E que seja realizada apenas 1 aplicação em todo o ciclo da cultura.

inseticida piretroide

É importante que você respeite essas indicações da bula para não comprometer o controle da praga, o agroecossistema e a produção final.

Entenda como funcionam os inseticidas piretroides

Os inseticidas piretroides são um grupo químico de inseticidas sintéticos mímicos das piretrinas.

As piretrinas são compostos extraídos de flores de Chrysanthemum cinerariaefolium e Chrysanthemum coccineum, da família Asteraceae.

Por serem substâncias sintéticas, derivadas de extratos de uma espécie de planta, nos vem aquela ideia de que sejam inseticidas bastante seguros, não é mesmo?

Mas alguns cuidados devem ser tomados na sua utilização.

É importante que você saiba que o piretroide é um inseticida de amplo espectro. Vou explicar mais a frente o que isso significa.

Agora, vamos entender o modo de ação do inseticida piretroide nos insetos.

Modo de ação dos piretroides

O inseticida piretroide age no sistema nervoso dos insetos, mais especificamente nos canais de sódio dos axônios dos neurônios. Ficou complicado? Vejamos o esquema abaixo:

A primeira figura mostra a célula nervosa (neurônio)

inseticida piretroide

O inseticida piretroide irá agir nesta parte destacada, que é o axônio:

inseticida piretroide

Veja que o axônio possui na parte de fora cargas positivas e, na parte de dentro da membrana, cargas negativas:

inseticida piretroide

Sem o efeito do piretroide, o potencial de ação acontece normalmente, como você verá nas próximas imagens.

Com um impulso nervoso, o canal axônico abre e entram as cargas positivas. Depois, o canal fecha e as cargas positivas saem, voltando ao estado inicial de equilíbrio.

inseticida piretroide

Mas, quando as moléculas de inseticidas piretroides entram em contato com o sistema nervoso do inseto, elas fazem com que os canais axônicos permaneçam abertos.

Então, quando há uso do inseticida piretroide, os canais não se fecham:

inseticida piretroide

Dessa forma, os íons de sódio entram no axônio de forma contínua, produzindo excessivos potenciais de ação seguidos de hiperpolarização da membrana.

A consequência disso tudo é que o inseto tem um primeiro sintoma de hiperexcitação, seguido de paralisia e morte.

inseticida piretroide

(Fonte das imagens: Larry Keeley em YouTube)

Amplo espectro

O termo amplo espectro é utilizado para inseticidas que podem agir não somente nas pragas, mas também em organismos não-alvo.

Por agirem no sistema nervoso, outros organismos podem sofrer com efeitos colaterais e até efeitos letais, como no caso de outros insetos (que não as pragas) presentes na lavoura.

Eles comumente agem por contato e ingestão. Ou seja, as moléculas podem ter acesso aos neurônios por meio do contato físico ou pela alimentação de partes da planta contendo resíduos.

Mas tudo depende da dose para ter efeito nos organismos. Muitas vezes a dose para matar a praga é menor do que para outro organismo ou pode acontecer o contrário, que não seria ideal.

Por isso é muito importante respeitar:

  • As doses recomendadas para cada cultura;
  • O período de carência para pulverização (intervalo entre a aplicação e a colheita);
  • Saber se são seletivos aos inimigos naturais das pragas na área.

Inseticida piretroide: cuidados para evitar efeitos colaterais

Além de serem de amplo espectro, os piretroides tem uma boa estabilidade sob a luz solar e costumam persistir nas áreas em que foi aplicado.

E o que isso tem a ver com as recomendações anteriores?

Pela boa estabilidade, eles não se degradam facilmente e, por isso, continuam agindo no período em que estão tendo ação residual.

Com isso, controlam bem as populações das pragas. Entretanto, se o intervalo entre as aplicações não for respeitado, os efeitos colaterais podem ocorrer.

Um deles seria a pressão de seleção. Com aplicações constantes, e devido à persistência das moléculas residuais, as pragas mais resistentes permanecerão na área.

A presença de populações resistentes na sua lavoura lhe causará prejuízos, pois seu inseticida não controlará mais a praga.

Além disso, pelo amplo espectro, esses inseticidas podem atingir organismos benéficos que auxiliam no controle da sua praga.

Muitos trabalhos científicos mostram a toxicidade destes inseticidas a insetos que atuam no controle biológico de pragas.

É ideal que os inseticidas sejam seletivos fisiológica e ecologicamente aos inimigos naturais.

Conclusão

Os inseticidas do grupo dos piretroides podem lhe auxiliar muito bem no controle das pragas.

Mas é essencial conhecer e respeitar as recomendações do fabricante porque são inseticidas de amplo espectro e podem atingir organismos não-alvo.

Neste artigo, destacamos o modo de ação dos piretroides e os cuidados para minimizar os riscos de efeitos colaterais.

Com essas informações, espero que você consiga utilizá-los de forma adequada e tenha ótimos resultados na lavoura!

>>Leia mais:

Guia completo para o manejo da lagarta-preta (Spodoptera cosmioides)

“6 inseticidas naturais para você começar a usar na sua lavoura”

“Inseticida natural: Como ele pode ajudar no manejo da sua lavoura

“Como fazer o melhor uso de inseticida na dessecação da lavoura”

Você tem usado inseticida piretroide em sua propriedade? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário e compartilhe em suas redes sociais!

13 thoughts on “Inseticida piretroide: Como fazer o melhor uso dele

    • Oi, Ademar! Que bom que gostou. Com certeza, além das recomendações sugeridas, é importante fazer uso de inseticidas com outros princípios ativos. Continue acompanhando o blog! Abraço.

  1. Parabéns pela explicação. É de suma importância pessoas como você passarem essas informações para nós produtores, desde que cada um tenha ciência em seguir as recomendações indicadas nas bulas, e rotação de princípios ativos, evitando assim o descontrole de pragas.

    • Oi, Robson! Fico feliz que gostou. Sim, essas informações são importantes pra que o uso dos inseticidas seja feito de forma correta. Continue nos acompanhando. Abraço!

    • Olá, Leonel! Existem alguns ingredientes ativos registrados para controle de pragas em citros. É importante que você consulte um engenheiro agrônomo para te dar as instruções necessárias. Um abraço.

  2. gostei muito das explicações, parabéns thaís!
    sou técnico agrícola e gestou ambiental, estou entrando atividade de dedetizações na cidade e estava procurando algo pra ler referente aos inseticidas piretroides, uso urbano me deparei com seu artigo bem explicativo e didático.

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