Controle biológico da lagarta da soja: Conheça os principais produtos, como funciona esse tipo de controle e fique livre do prejuízo causado pelas lagartas.
Mesmo após a aplicação de inseticidas nós podemos ver as folhas de soja recortadas pelas lagartas.
Isso pode resultar em grande perda de área foliar, de produtividade e até mesmo obrigar o replantio como aconteceu na safra 2016/17.
Nesse momento achamos que não tem jeito: todas aquelas lagartas não vão sair da lavoura.
Mas existe saída para se livrar desses insetos, e ela envolve o controle biológico.
Veja como esse tipo de controle funciona e como implementá-lo na sua fazenda para um manejo eficaz das lagartas.
Índice do Conteúdo
- 1 Os tipos de controle biológico da lagarta da soja ou de outras culturas
- 2 O primeiro passo para o controle biológico da lagarta da soja é a identificação
- 3 Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis)
- 4 Lagarta falsa-medideira (Chrysodeixis includens e Rechiplusia nu)
- 5 Broca das axilas (Crocidosema aporema)
- 6 Lagarta militar ou lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)
- 7 Os principais produtos para controle biológico da lagarta da soja
- 8 Baculovírus
- 9 Bacillus thuringiensis
- 10 Trichogramma pretiosum
- 11 Beauveria bassiana
- 12 Manejo Integrado de Pragas
- 13 Conclusão
Os tipos de controle biológico da lagarta da soja ou de outras culturas
O princípio de qualquer controle é interromper o ciclo de vida de lagartas pragas da soja ou de outra cultura.
No controle biológico há duas formas de controles principais promovidas, que são:
- Parasitismo: associação entre seres vivos no qual apenas um se beneficia, ou seja, um é o parasita agente agressor e o hospedeiro;
- Predação: aqui a relação entre dois seres vivos no qual um é uma presa e o outro predador;
Além disso, os produtos de controle biológico podem ser de origem:
- Microbiológicos, como bactérias, fungos e vírus;
- Macrobiológicos, como parasitóides e predadores.
O primeiro passo para o controle biológico da lagarta da soja é a identificação
Sei que você já conhece elas, mas na prática às vezes muitas dúvidas surgem para identificarmos quem é quem.
E essa correta identificação é essencial para o manejo, mas é ainda mais no controle biológico da lagarta da soja.
Isso porque os produtos biológicos são mais seletivos, controlando mais especificamente cada inseto.
Assim, para te ajudar vamos conferir as principais características dessas lagartas.
Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis)

(Fonte: Insect Images)
Sua coloração é verde, com estrias brancas na parte superior. Em casos de grandes populações na área, ou seja, em certa escassez de alimento, sua coloração pode se tornar mais escura.
É a desfolhadora mais comum na cultura da soja, sendo encontradas geralmente nas partes inferiores das folhas se protegendo.
Possui como hábito alimentar as partes centrais das folhas, mas deixando as nervuras intactas.
Lagarta falsa-medideira (Chrysodeixis includens e Rechiplusia nu)

Lagarta Chrysodeixis includens, uma das espécies chamadas “lagarta falsa-medideira”
(Fonte: Insect Images)
Sua coloração é verde-clara, com pontos pretos e linhas esbranquiçadas no dorso.
Possui como características se movimentar como se estivessem “medindo palmos”.
E o hábito de se proteger na face inferior das folhas, dificultando a sua detecção no início do ciclo de vida.
Se alimenta da região central das folhas, conforme o desenvolvimento da cultura elas se alimentam de folhas mais velhas ou do baixeiro.
Esse hábito de ficar no terço-inferior da cultura, desafia o seu controle, principalmente no momento em que as linhas da cultura já estão fechadas.
Além de causar desfolhas, também atacam flores, gerando abortamento das mesmas. O abortamento resulta em perdas de produtividade para além de diminuição do processo fotossintético.
>> Leia mais: “As 4 principais pragas no plantio da soja e como combatê-las“
Broca das axilas (Crocidosema aporema)

(Fonte: Insect Images)
Sua coloração é branco esverdeada com a cabeça preta. Nos últimos instares de desenvolvimento, se torna bege-amarelada com a cabeça marrom.
Realizam seu ataque na extremidades das folhas, se agrupando como fios de seda.
Também realizando o ataque através da penetração no caule da cultura, bloqueando o fluxo de seiva para as folhas, comprometendo o desenvolvimento da planta.
Mais ao final do ciclo podem ficar escondidas nas flores e vagens, dificultando o seu monitoramento.
Lagarta militar ou lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

(Fonte: Insect Image)
Sua coloração varia entre cinza-escuro, verde, marrom e preta.
A lagarta apresenta também uma faixa com pontos pretos e três linhas branco-amareladas e na cabeça um desenho de “Y” invertido, características que facilitam sua identificação.
E como característica forte para identificar a lagarta é a grande quantidade de excrementos (fezes) na folha.
Além de que, só se encontra uma lagarta por planta, pois essa espécie pratica canibalismo.
Sua mariposa possuem hábitos noturnos, com asas anteriores pardo-escuras e posteriores branco-acinzentadas.
Ela realiza ataque na cultura desde a emergência (cortando as plântulas) até as fases vegetativa e reprodutiva (raspando as folhas e desfolhando).
Os principais produtos para controle biológico da lagarta da soja
Baculovírus
O baculovírus promove a mortalidade de lagartas.
Ele é conhecido a um bom tempo, principalmente no sul do brasil. Seu uso é muito frequente na cultura da soja.
Ele pode promover o controle de até 95% das lagartas até 1 cm.
Recentemente, foi lançado no mercado o Cartucho CartuchoVIT, a base de baculovírus spodoptera. O produto é recomendado para o controle da Spodoptera frugiperda.
As vantagens são a baixa necessidade de entrada e um formulado de fácil aplicação. Além disso, o baculovírus pode ser fabricado na sua própria fazenda.
Veja aqui a bula aqui.
Bacillus thuringiensis
A tecnologia Bt é uma das principais para o controle biológico da lagarta da soja ou de outras culturas.
Conhecida pelas culturas Bt, onde os genes que produzem as proteínas tóxicas às lagartas são incorporadas às plantas de soja.
Se a tua cultivar não tiver essa tecnologia, você pode entrar com o bioinseticida a base de Bt.
Quando a lagarta ingere um folha que foi “inoculada” com a bactéria Bt, ela entra no organismo da lagarta.
Com isso, ela promove a produção de proteínas, sendo que a mais conhecida é a Cry, a qual leva a morte das lagartas.
Além de, produtos comerciais registrados de alta qualidade no mercado, a Embrapa tem promovido formações de capacitações para a produção agrícola.

(Fonte: Apresentação Promip Curso de Controle Biológico em Embrapa Clima Temperado)
Trichogramma pretiosum
Esse inseto é uma mini vespa que pode controlar lagartas ainda na fase de ovo, evitando e reduzindo os danos na lavoura.
Seus ovos são distribuídos na quantidade de cerca de 100 mil ovos por hectare previamente parasitados, que após eclodidos irão colonizar os ovos de lagartas.
Assim, o controle é através do parasitismo, pois ele localiza o alvo enquanto um produto convencional tem que atingir o alvo.
O Trichogramma também tem ação sobre as principais lagartas da soja como a Spodoptera frugiperda, a Falsa-medideira, Helicoverpa spp. e a Anticarsia gemmatalis.
A frequência de aplicação é de cerca de duas a três em um intervalo de dez dias.
A entrada na cultura da soja é recomendada em R1 a R2, pré-fechamento de linhas, cerca de 5 a 7 dias após a aplicação para ferrugem.

(Fonte: Apresentação Promip Curso de Controle Biológico em Embrapa Clima Temperado)
Beauveria bassiana
É um fungo, nos quais os esporos entram em contato com as lagartas germinando e crescendo diretamente através da cutícula para o interior do corpo do hospedeiro.
Assim, o fungo prolifera por toda lagarta, produzindo toxinas e utilizando seus nutrientes.
Algumas pesquisas já foram feitas no Brasil sobre o fungo no combate a S. frugiperda, veja duas delas aqui e aqui.
Ao contrário da bactéria Bacillus thuringiensis, esse fungo não precisa ser ingerido para combater as pragas.
Manejo Integrado de Pragas
O controle biológico da lagarta da soja faz parte do MIP. Pode até parecer que esse é só mais um termo que temos repetido bastante nos textos.
Mas o objetivo é trazer informações válidas e que te ajudem nos manejos. Por isso, sempre vale focar no Manejo Integrado de Pragas (MIP).
Ele tem como base três fatores, que são: o nível de controle, o monitoramento, e o nível de dano econômico.
Com isto você controla bem melhor as entradas com inseticidas, evitando aumento de resistências e promovendo naturalmente os inimigos naturais de pragas agrícolas.
Talvez não em níveis que por si só façam o controle das lagartas, mas ajuda no controle das infestações. É também um sinal muito positivo de que o agroecossistema está entrando em equilíbrio.
Além disso, pense no MIP como um método de prevenção da com resistência de defensivos agrícolas. Por isso, sempre recomendo seguir os passos que o IRAC orienta:
- Siga os dados existentes nas instruções de uso de cada produto;
- Consulte os rótulo para conhecer melhor o modo de ação de cada produto, e pode ser ainda mais facilitado pela consulta deles no site do IRAC;
- Alternar os mecanismos de ação, não faça aplicação de mesmo mecanismos de ação de forma seguida;
- Planeje as janelas de aplicações da tua lavoura.
Aqui disponibilizamos gratuitamente uma planilha para você fazer seu MIP: saiba qual o Nível de Controle de cada praga e quando você deve aplicar, mantendo tudo organizado. Clique na figura a seguir para baixar!

E para as janelas de aplicações, a recomendação é que não ultrapasse 30 dias. De modo geral, esse é o tempo de geração de um inseto-praga. Nesta janela considere também os residuais dos produtos na lavoura.
Além disso, saiba também sobre os fundamentos do MIP e o Manejo Integrado de Pragas no Milho.
Para continuar a saber mais sobre o manejo de pragas agrícolas, recomendo bastante o artigo “Principais pragas agrícolas: Como se preparar”.
>>Leia mais: “6 Inseticidas naturais para você começar a usar na sua lavoura”
>>Leia mais: “Entenda a importância das abelhas na agricultura”
Conclusão
As lagartas são um grande desafio nas lavouras de soja, principalmente aquelas que apresentam população grande na área.
Utilizar o controle biológico da lagarta da soja é uma grande vantagem, já que é outro tipo de controle para colaborar no seu manejo.
Desse modo, planeje bem o seu programa de defensivos e inclua algum desses controles biológicos como uma alternativa, monitore bem e teste.
Tenho certeza que agora, conhecendo os principais produtos biológicos e todas as dicas que falei aqui, você conseguirá manter as lagartas sob controle!
Leia mais:
“Tudo o que você precisa saber na pré-safra sobre as principais pragas de milho e sorgo”
“7 verdades sobre “Helicoverpa zea: sua origem e como combatê-la”
“Percevejo marrom: 7 Estratégias de controle na soja”
Você já usa algum controle biológico da lagarta da soja? Tem outras dicas além das que citei? Conte para nós deixando seu comentário abaixo!